Cavalcanti: 'Bancos tiram o couro do cidadão brasileiro'



O senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB) protestou, nesta quarta-feira (20), contra as altas taxas de juros que continuam a ser cobradas nos empréstimos bancários, a despeito dos seguidos cortes na taxa do Sistema de Liquidação e Custódia (Selic) do Banco Central - o patamar básico de juros aplicado ao pagamento dos títulos de emissão do Tesouro Nacional.

A Selic é a taxa que serve também de base para o financiamento interbancário, em que as entidades usam como garantia os próprios títulos do governo. Por essa razão, acaba servindo de referência para as outras taxas de juros que ajudam a movimentar a economia nacional.

- O custo financeiro para eles se baseia na taxa Selic, mas, para os cidadãos, é muito diferente - disse o senador.

Cavalcanti citou uma série de matérias jornalísticas e declarações de especialistas no assunto para fundamentar seu argumento.

O jornal O Globo, por exemplo, destacou em título do Caderno de Economia no dia 12 de maio: "Queda dos juros: bancos aproveitam para aumentar lucros".

A explicação dada pelo jornal é que a taxa Selic foi reduzida de 13,75%, em setembro de 2008, para 10,25%, em abril último, o que significou uma redução de cerca de 25% em sete meses. Já a expectativa de inflação de 12 meses de maio em diante caiu de 5,22% para 4,19%, redução de quase 20%.

- No entanto, para os cidadãos brasileiros que necessitam das instituições bancárias, o que ocorreu efetivamente? Para uma pessoa física, os juros caíram, no período, míseros 2,5%: de 137,12% ao ano para 133,70% ao ano - disse Cavalcanti, apoiando-se nas informações daquele órgão de imprensa.

Ele assinalou, ainda, que no cartão de crédito registra-se descompasso semelhante. Enquanto a Selic vem caindo, os juros dos cartões aumentaram de 10,48% para 10,68% ao mês; os do cheque especial caíram apenas de 7,88% para 7,66% ao mês.

- O ideal que havia sido estabelecido na Constituição de 1988 [máximo de 12% ao ano para as taxas de juros] virou quimera, mas, daí a liberar os bancos para tirarem o couro do cidadão brasileiro existe uma grande distância - indignou-se o parlamentar.

Cavalcanti referiu-se à opinião de Andrew Frank Storfer, diretor de Economia, Banking e Finanças da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), para quem "é difícil explicar a demora dos bancos em cortar os juros, já que o custo do dinheiro para as instituições financeiras baixou com consistência".

O senador mostrou-se revoltado, ainda, com a política que vem sendo praticada pelo Banco do Brasil depois de ser instado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a baixar o custo dos empréstimos. Matéria desta quarta do jornal O Estado de S. Paulo afirma que desde a posse do novo presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, em 23 de abril, a taxa média de juros praticados por aquela instituição subiu de 2,16% para 2,46%, na aquisição de bens, e de 2,35% para 2,53% no crédito pessoal.



20/05/2009

Agência Senado


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