CCDH acolhe denúncias de irregularidades na CRT
Uma série de denúncias graves contra a CRT Brasil Telecom foi reunida hoje (23) pelo presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, deputado Padre Roque Grazziotin (PT), durante audiência pública extraordinária realizada por esta Comissão. O objetivo foi discutir os cortes de investimentos e as demissões efetuadas pela empresa de telecomunicações, buscando reverter a situação.
Dentre as irregularidades, estão o fechamento de lojas em mais de 150 municípios gaúchos, a excessiva elevação das tarifas e a precarização dos serviços oferecidos, demissões de funcionários qualificados e prestes a se aposentar, contratação de mão-de-obra terceirizada sem treinamento e sem registro empregatício, alto índice de acidentes de trabalho com mortes e burla ao fisco e ao INSS, gerando para a empresa um superfaturamento.
As denúncias foram apresentadas pelo Sindicato dos Telefônicos do Rio Grande do Sul (Sintel), através de seus dirigentes Jurandir Leite e Flávio Rodrigues, convidados para a audiência pública da CCDH, assim como a direção da CRT Brasil Telefônica. A empresa limitou-se a enviar correspondência ao deputado Roque Grazziotin, lida durante a audiência. Nela, o diretor superintendente Rogério Campos Magalhães garante o cumprimento do contrato de concessão com a União e a expansão dos serviços no Estado. Nega a reestruturação da empresa baseada em demissões pura e simplesmente, acrescentando que este “é um processo cuidadoso, focado na pessoa humana e que envolve, entre outras iniciativas, e recolocação, treinamento e incentivo financeiro”.
Mais de 150 pessoas acompanharam a exposição de dados do Sintel, dando conta que, somente no período entre maio de 2000 e março de 2001 os acidentes de trabalho fatais vitimaram nove trabalhadores em cidades do interior, todos sem especialização. Um deles, com apenas 16 anos. “O embuste do Banco Opportunity, sócio controlador do grupo, chega ao ponto de desativar telefones não inadimplentes, por dois ou três dias, para contemplar outros compradores, nem que por um curto período de tempo”, denunciou Jurandir, acrescentando que, “apesar da CRT ter sido privatizada, o serviço continua público e deve atender aos compromissos do contrato de concessão”.
Encaminhamentos da audiência- Somando-se à proposta do deputado Roque de constituição de uma Comissão Externa para acompanhar o caso CRT, “no qual o lucro é mais importante do que o trabalhador”, como afirmou, a deputada Luciana Genro (PT), vice-presidente da CCDH, sugeriu que os partidos que dão sustentação ao atual governo do Estado façam um abaixo-assinado pela efetivação da auditoria do processo de privatização da CRT, prometida durante a campanha eleitoral. A deputada Maria do Rosário propôs que a auditoria incluísse as denúncias do Sintel e que fosse encaminhado ao Ministério Público a proibição do contrato de trabalhadores terceirizados em áreas de risco, sobretudo a de adolescentes.
Ainda participaram da audiência pública, os deputados Jussara Cony (PC do B); Dionilso Marcon (PT); Ciro Simoni (PDT), João Luiz Vargas (PDT); Adroaldo Loureiro (PDT); além de Mário Quadros, representando a vereadora Maria Celeste (PT/POA); Dari Beck Filho, do SindipetroSul; Marina da Silva e Paulo Fraga, do Movimento dos Moradores de Rua; e Bruno Beck, da Associação dos Aposentados da CRT.
08/23/2001
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