CE aprova moção sobre a morte de jornalistas
A Comissão de Educação (CE) aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (9), moção de protesto contra a morte de três jornalistas na guerra do Iraque, vítimas de disparo feito por um tanque das forças anglo-americanas que estava estacionado próximo ao Hotel Palestina, no centro de Bagdá, onde os profissionais de imprensa trabalhavam na cobertura do conflito.
A moção de repúdio aprovada pela CE, a pedido do senador Hélio Costa (PMDB-MG) e da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), será enviada à Sociedade Internacional dos Jornalistas e ao Comitê para Proteção dos Jornalistas - órgãos que atuam em defesa dos profissionais de imprensa -, além da embaixada dos Estados Unidos em Brasília e à Organização das Nações Unidas (ONU).
Jornalista de profissão e que por três vezes, ao longo da carreira, foi correspondente de guerra, Hélio Costa classificou de -brutal- o atentado que resultou na morte dos jornalistas. Para ele, o fato demonstra a atrocidade da guerra travada em território iraquiano. Hélio Costa estranhou, a propósito, a alegação norte-americana de que o tiro de canhão teria sido disparado em função de, minutos antes, um tiro haver partido de um dos apartamentos do hotel em direção às tropas anglo-americanas estacionadas na região. Segundo o senador, tais informações foram desmentidas, -caracterizando-se um ataque propositado e deliberado contra profissionais de imprensa que cobrem a guerra do Iraque-.
O senador aproveitou a ocasião para informar que, desde 1991, já morreram 260 profissionais de imprensa na cobertura de guerras. Desse total, 189 foram vítimas diretas dos conflitos e o restante - 71 - perderam a vida acidentalmente. Ele considerou -perturbadores- os dados da guerra do Iraque, já que num espaço de 21 dias de conflito foram mortos 12 repórteres, enquanto na guerra do Vietnã, que durou dez anos, perderam a vida 70 profissionais.
Ideli Salvatti também protestou contra a morte dos jornalistas e disse que o atentado -caracteriza crime de guerra-. O senador Leonel Pavan (PSDB-SC) propôs que o Ministério das Relações Exteriores se pronunciasse contra a morte dos profissionais de imprensa, enquanto o senador João Capiberibe (PSB-AP) caracterizou a guerra do Iraque como -mais uma obra do imperialismo norte-americano e inglês-.
09/04/2003
Agência Senado
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