Cientista diz que quadro sucessório ainda pode ser alterado









Cientista diz que quadro sucessório ainda pode ser alterado
Para o cientista político Carlos Arturi, professor do departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o crescimento do candidato do PPS à presidência, Ciro Gomes, teve como pano de fundo o desgaste do governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, em dois mandatos, o governo FHC não conseguiu garantir a segurança da economia brasileira, o que afasta o eleitor do candidato governista.
Arturi destaca que há um indicativo de polarização em nível nacional, a exemplo do que ocorreu em 1989, quando dois candidatos de oposição ao então presidente José Sarney disputaram o segundo turno. Mas destacou que, com o começo da propaganda gratuita no rádio e na televisão, podem haver mudanças. Para o Estado, o analista diz que a divisão do eleitorado entre o ex-governador Antônio Britto (Rio Grande em 1º Lugar) e Tarso Genro (Frente Popular) está mais consolidada.

Jornal do Comércio - As mudanças no quadro eleitoral nacional, com Ciro Gomes (PPS) no segundo lugar à frente de Serra (PSDB), são definitivas ou ainda haverá oscilações nos índices dos candidatos?

Carlos Arturi
- São apenas duas pesquisas que indicam o segundo lugar para Ciro Gomes. Mesmo que isso se confirme em outras pesquisas, não creio que o quadro da sucessão para presidente da República esteja completamente definido. Precisamos esperar o início da propaganda gratuita no rádio e na televisão e, também, o decorrer da campanha até as eleições. O quadro sucessório, sobretudo o de presidente da República, pode nos reservar surpresas daqui até lá. A ultrapassagem de Ciro Gomes em relação a Serra indica que o candidato do governo está perdendo apoio e eleitorado.

JC - O desgaste enfrentado por Serra é conseqüência de sua vinculação direta ao governo de Fernando Henrique Cardoso?

Arturi
- O maior óbice à candidatura Serra é o fato de ser a candidatura do governo, mesmo que saibamos que ele tem críticas de fundo, sobretudo à política econômica da administração de FHC. O problema é que Serra
não pode se descolar da imagem de candidato da situação.

JC - A programação de rádio e televisão, a partir de 20 de agosto, será decisiva para a definição do quadro sucessório nacional?

Arturi
- Não diria que é decisiva, mas é muito importante. É um momento em que nos aproximamos mais do pleito, portanto, o quadro se define melhor. A propaganda eleitoral presta o serviço de apresentar melhor os candidatos e suas propostas. Pesquisas apontam que mais de 50% do eleitorado assiste aos programas gratuitos. Me parece que esta é, ainda, a maior fonte de informação política eleitoral. Então, é importante sim, embora não possa dizer que é decisiva.

JC - O crescimento de Ciro nas pesquisas se deve só à intensa mídia de rádio e televisão que ele teve mês de junho?

Arturi
- Sem dúvida o aparecimento do candidato intensamente na mídia no último mês favoreceu o seu crescimento. Quanto a isso, não tenho muita dúvida. Mas me parece também que o candidato tem sido beneficiado, neste momento, por um maior desgaste da candidatura Serra, em função do resultados do governo federal. Esses dois fatores talvez expliquem, hoje, o crescimento da candidatura Ciro Gomes.

JC - As forças contrárias ao crescimento da candidatura Lula (PT) podem estar se direcionando para Ciro Gomes?

Arturi
- Podem sim. Não só aquela parte do eleitorado que está descontente com o governo, mas aquela que não quer votar na candidatura mais a esquerda, que é a do Lula. Esse eleitorado pode estar se inclinando para a candidatura Ciro, ou seja, de oposição ao governo federal mas que, ao mesmo tempo, não está alinhada à candidatura Lula. Também as lideranças políticas, parlamentares e partidárias, tanto do PFL, do PMDB ou de outros partidos, que ora se alinham a Serra, podem estar refazendo os seus cálculos políticos e prestando um eventual apoio a Ciro Gomes, se persistirem os índices de crescimento que as pesquisas apontam.

JC - Os fatores negativos que abalam o governo em termos políticos e econômicos podem ter contribuído para a queda de Serra?

Arturi
- A crise econômica e o esgotamento do Plano Real são o grande pano de fundo do desgaste do governo. A intervenção da Polícia Federal no Maranhão indisponibilizou Serra com líderes regionais e nacionais importantes, como é José Sarney (PMDB/MA). Isso também pesou, mas acredito que menos.

JC - Seria mais ou menos o mesmo caso na Bahia, com Antônio Carlos Magalhães?

Arturi
- Sim. Na Bahia e no Ceará, com Tasso Jereissati (PSDB), Serra enfrenta problemas desde o início. Lá, a oposição ou o alinhamento, mesmo que implícito, do senador Antônio Carlos Magalhães à candidatura Ciro Gomes tem suas raízes nos episódios ocorridos durante o segundo governo Fernando Henrique, que resultaram na renúncia do então senador ACM. Nesse aspecto, Serra herda um problema político que não foi ele que criou. Já o caso da empresa Lunus, no Maranhão, ocorreu no ano eleitoral e, certamente, pesou nessa diáspora de uma parte do PFL em relação à candidatura Ciro Gomes.

JC - A sustentação da tese de Serra de que, com Lula, o Brasil poderia se "argentinizar" não foi um tiro que saiu pela culatra?

Arturi
- Se houve uma estratégia de terrorismo político, ela saiu pela culatra. Os agentes econômicos, sobretudo os investidores tradicionais, tomaram ao pé da letra a afirmação e começaram a correr antes que isso pudesse acontecer. O procedimento fragilizou a economia do País, desgastou o governo e teria, sim, prejudicado a candidatura Serra.

JC - Nesta sucessão presidencial, pela primeira vez um candidato da área oposicionista supera os números de Lula na projeção para o segundo turno. Isso consolidará Ciro na segunda posição?

Arturi
- Se Lula e Ciro forem ao segundo turno, isso significaria a repetição da situação de 1989, onde foram para o segundo turno também dois candidatos de oposição, Lula e Collor, sendo que o último fazia oposição ferrenha ao governo Sarney, que tinha um alto grau de desgaste. Mas não creio que a situação presidencial esteja definida. Não sabemos quem estará no segundo turno de fato. A posição de Ciro à frente de Lula num eventual segundo turno na última pesquisa é um fato a ser considerado, já que é a primeira vez que um candidato da oposição supera os seus índices nas projeções para o segundo turno, mas é muito cedo para afirmar se essa situação irá se consolidar ou não. Seria antecipado fazer qualquer tipo de prognóstico.

JC - A associação do PPS com a candidatura Collor em Alagoas será utilizada contra Ciro?

Arturi
- O apoio do partido de Ciro Gomes à candidatura Collor ao governo de Alagoas certamente vai ser utilizada para desgastá-lo. Convenhamos, a heterogeneidade dos apoios, sobretudo locais e regionais, é muito grande. Praticamente todos os candidatos, em especial os favoritos, recebem apoio de personagens políticos controversos.

JC - O pleito gaúcho já está polarizado entre Britto e Tarso?

Arturi
- No Rio Grande do Sul, o quadro político, partidário e eleitoral está melhor definido do que para a sucessão presidencial, ou seja, parece que esta polarização entre as candidaturas Britto e Tarso representa a seqüência da disputa das últimas duas eleições para governador do Estado. A bipolarização não está totalmente definida. Podemos ter, com a campanha eleitoral, a partir dos debates, algum fato novo, importante e forte que promova a alteração desse quadro. Mas, ao que tudo indica, teremos um segundo turno entre Tarso e Britto.

JC - O envolvimento do PT com o Clube da Cidadania dificultará a situação de Tarso?

Arturi
- Todos os problemas e desgastes do governo estadual se refletem e dificultam qualquer candidatura governista. Isso tanto no plano federal, quanto no estadual. Os candidatos que representam os governos, a continuidade, sempre arcam com o ônus dos erros, dos problemas, das deficiências dos governos que estão terminando. Ao mesmo tempo é o candidato da situação e, portanto, não pode se distanciar muito das posições do governo, o que prejudica sua candidatura. No momento em que Tarso precisa defender a atual administração, arca com o ônus dos erros e dos acertos porventura cometidos.

JC - Quais serão as principais dificuldades para Tarso e Britto agregarem apoios no segundo turno?

Arturi
- É difícil prever como se dará o realinhamento político-partidário no segundo turno. As candidaturas favoritas, de Tarso e Britto, enfrentam problemas para agregar mais votos do que os que terão no primeiro turno. A dificuldade do Tarso será trazer os votos dos outros candidatos para uma candidatura governista. Já, para Britto, há as reticências do apoio por políticos tradicionais do Estado, como Leonel Brizola (PDT) e Pedro Simon (PMDB). No interior dos outros partidos, pode haver uma divisão em relação às duas candidaturas favoritas no segundo turno. É muito difícil prever a migração dos votos em um segundo turno.

JC - Em 1998, Britto construiu uma grande aliança no primeiro turno. Isso pode acontecer novamente no segundo turno desta eleição, inclusive com os votos do PDT desta vez?

Arturi
- De fato, Britto saiu em 1998 como candidato de uma ampla coalizão. É difícil prever se o fato de concorrer com uma aliança menor do que aquela da eleição passada será mais fácil ou mais difícil na eventualidade de um segundo turno. Normalmente, buscar alianças no segundo turno é mais difícil. Mas não podemos esquecer que, nesta eleição, isso será facilitado pelo fato de que, de uma certa maneira, todos estariam contra o candidato do governo.

JC - Então, a disputa será acirrada até o último momento?

Arturi
- A eleição será acirrada no primeiro e no segundo turnos no Estado, com direito a surpresas, apesar do quadro atual apresentar um favoritismo de Tarso e Britto, para o segundo turno. Podem ocorrer surpresas em virtude da campanha eleitoral e do horário gratuito da televisão.

JC - A candidatura do PMDB, organizado em todo o Estado, com o maior tempo de TV e um candidato com baixo índice de rejeição poderia ser uma dessas surpresas?

Arturi
- Poderia. Não está descartado um crescimento significativo da candidatura de Germano Rigotto, mas também não está descartada a possibilidade de crescimento da candidatura, por exemplo, de José Fortunati (PDT). Mas, por enquanto, o quadro indica uma polarização para o segundo turno entre Britto e Tarso.


TRE determina apreensão de material da Frente Popular
A Justiça Eleitoral determinou, no último sábado, a busca e apreensão de boletim informativo no comitê central de campanha da Frente Popular (PT-PCdoB-PCB-PMN), do candidato ao governo Tarso Genro.

Foram recolhidos cerca de 20 mil exemplares da publicação, ainda na saída da gráfica e na sede de campanha da Frente Popular. A ação foi determinada pelo coordenador de fiscalização da campanha eleitoral no Rio Grande do Sul, juiz Pedro Luiz Rodrigues Bossle, atendendo representação da coligação Rio Grande em 1º Lugar (PPS-PFL-PTdoB-PSL), do candidato Antônio Britto. O juiz Pedro Bossle considerou o boletim ofensivo ao ex-governador e acrescentou que a propaganda também não trazia, como manda a lei, as legendas de todos os partidos políticos que integram a coligação responsável e as respectivas legendas.

A coordenação de campanha da Frente Popular alega que o material identificava a coligação e entrou com recurso ontem mesmo, esperando para qualquer momento a decisão judicial. José Eduardo Utzig, coordenador-geral executivo da campanha da Frente Popular, reafirmou sua convicção de que ela lhe será favorável, uma vez que o material apreendido "continha apenas críticas políticas ao governo Britto pelas suas atividades, tais como demissões de pessoal e desmnonte do Estado, que são perfeitamente sustentáveis no debate político". Utzig afirmou que "quem tem sido duramente ofendido é o candidato Tarso Genro, como no material apócrifo que foi distribuído pelas ruas há poucos dias e que não pôde ser apreendido porque não se sabia de onde vinha. Curiosamente, semelhante ao que foi distribuído pelo PPS, quando da saída de Tarso da prefeitura".

O presidente do PPS, deputado Nelson Proença, durante entrevista coletiva ontem à tarde, revelou "a preocupação do PPS com o tom que a campanha eleitoral começa a ganhar no Estado". Segundo nota distribuída pelo partido, a Executiva "repudia com indignação a conduta destemperada do senhor Tarso Genro e o baixo nível de suas declarações divulgadas na imprensa". Proença disse que estão sendo convocadas para a próxima quarta-feira reuniões das Executivas dos partidos que compõem a coligação O Rio Grande em 1º Lugar para decidir o que fazer para impedir fatos como esse se repitam durante a campanha. "Esse comportamento é de extrema gravidade, danoso ao processo eleitoral, à democracia e à tradição de divergência civilizada da política rio-grandense", disse o deputado.

Na nota distribuída, o partido afirma que "em menos de um mês, Tarso Genro agrediu o PPS e os candidatos Sérgio Zambiasi, Celso Bernardi, Germano Rigotto e Aroldo Medina com termos como 'escória', 'enrolão', 'direita raivosa', 'covarde', 'mentiroso' e 'nazista'". Conforme Proença, o tom proposto pela Frente Popular não condiz com as tradições do Rio Grande de fazer política. Para o coordenador da campanha de Britto, os fatos atuais já haviam sido praticados em campanhas anteriores e lembrou a de 1994, quando dois integrantes do atual governo - Laerte Meliga e Ronaldo Zülke - foram julgados e condenados em várias instâncias judiciais por declarações ofensivas a Antônio Britto. Proença disse a linguagem utilizada pelo candidato do PT "revela radicalismo e prepotência".

No boletim de campanha apreendido, a Frente Popular fala do Risco Britto, acusando o candidato de "fujão, que diz uma coisa e faz outra" e coloca a letra de uma "musiquinha", que Britto cantaria enquanto administrava o Estado. Apresenta também um gráfico relacionando os "estragos" de seu governo e a "ginástica" do governo Olívio para "sanar o erário público", depois disso.


Uma nova vida na ponta dos pés
Em outubro, um grupo de crianças vindas dos abrigos e da periferia de Porto Alegre pode estar dando os primeiros passos em direção a um dos palcos mais famosos do mundo. Madame Claude Bessy, diretora da Escola da Ópera de Paris, virá à Capital através de um projeto iniciado há dois anos pela bailarina Carlla Bublitz. Para estes pequenos, é a chance de começar uma nova vida na ponta dos pés.

Filha da bailarina clássica Vera Bublitz, Carlla sempre esteve em meio ao rígido treinamento do ballet, nas companhias de dança mais tradicionais do mundo, ao lado de nomes como Fernando Bujonnes, Peter Boal e Ana Botafogo. Hoje professora e coreógrafa, ela atribui toda sua formação como ser humano à arte da dança.

"Onde não há arte não há chance de progresso, porque é ela que mexe com a emoção, com o sentir. É ela que tem o poder de transformar", afirma.

Por isso, em 2000, Carlla iniciou o projeto Fábrica da Dança, que pode abrir as portas deste mesmo mundo para crianças de abrigos e bairros periféricos da Capital. A idéia nasceu na Universidade Sorbonne de Paris, onde faz seu mestrado na área de dança e integração.

Sem qualquer parceria, a não ser o apoio da ONG Soarte - Sociedade Artístico Educacional - formada pelos pais dos alunos da Escola Vera Bublitz, Carlla selecionou 30 meninos e meninas enviados pela prefeitura de Porto Alegre. Márcia Ortiz, coordenadora pedagógica da Fábrica, e a bailarina se emocionam ao lembrar dos primeiros passos do projeto: "As crianças pegavam dois ônibus para chegar aqui, vinham descalças e com fome, mas buscando alguma coisa".

Na escola, os pequenos passaram a receber aulas de ballet clássico, street dance, folclore, francês, transporte, uniformes, lanche e orientação escolar através de uma parceria com a Fapa. Depois de um ano, Carlla descobriu que não poderiam mais seguir em frente sem ajuda. Então apresentou o projeto a diversas empresas e conseguiu o apoio do Instituto C&A. "Pudemos realizar uma nova seleção e hoje temos cerca de 50 crianças que passam pelo menos um turno por dia, quatro ou cinco dias por semana, dentro da escola".

De Porto Alegre para o mundo ver
Depois de quase dois anos de trabalho, a Fabrica de Dança está prestes a dar outro grande passo: o reconhecimento internacional. Enquanto estudava na França, Carlla procurou Madame Claude Bessy, diretora da Escola da Ópera de Paris há mais de 20 anos, e apresentou-lhe o projeto. Encantada com a iniciativa, a diretora tornou-se madrinha das crianças e virá ao Brasil em outubro para assistir a uma apresentação. A esperança agora é que essa avaliação abra às crianças a porta de uma das mais conceituadas escolas de dança do mundo.

Também através de Claude Bessy, o Ministério das Relações Exteriores da França está providenciando o envio de professores para dar aulas de dança. "Agora existimos perante o mundo e já podemos pedir ajuda a instituições do exterior!", alegra-se Carlla. A escola continua em busca de novas parcerias.

Bailarinos cidadãos nos palcos do futuro
Com duração de oito a dez anos, a Fabrica de Dança é um projeto a longo prazo e seus objetivos são dois: formar bailarinos profissionais e a companhia de dança que Porto Alegre ainda não possui. O grande sonho de Carlla, iniciado com essas crianças, é que elas possam seguir o ballet como profissão. "Quero que nossos alunos possam viver dignamente e exclusivamente para a dança, sem precisar dividir o tempo com outros empregos para garantir seu sustento".

A coreógrafa declara que é possível distinguir os futuros talentos desde tenra idade. Segundo ela, todo corpo pode dançar, mas o ballet exige um biotipo específico. "Não pode haver tendência para engordar, por exemplo", diz. Carlla incentiva todas as crianças a praticarem o ballet, mas reforça que os membros da Fábrica estão estudando para um futuro profissional e precisam ser selecionados. E lembra que, ao ser selecionada para o Teatro Colón de Buenos Aires, quando tinha apenas 10 anos, as exigências eram enormes.

Ainda são. "As grandes companhias de dança do mundo pedem até mesmo o tamanho do pescoço do candidato!"

Mais do que dançarinos, Carlla quer formar cidadãos. "Estamos tirando as crianças da marginalidade através da arte", festeja. Com o apoio dos pais dos alunos, as crianças não sofrem qualquer diferenciação dentro da escola. "Logo os colocamos num palco para que eles sintam o aplauso e o reconhecimento pelo esforço. É uma forma de estímulo, mesmo que ainda não saibam dançar", revela a coreógrafa. Na opinião de bailarina, as crianças que saírem da Fábrica estarão marcadas para sempre, pois o ballet é uma dança que fortalece, disciplina e envolve com paixão.


SUS vai atender pacientes com a doença de Alzheimer
O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a atender e a oferecer medicamento para os portadores da Doença de Alzheimer. O Ministério da Saúde determinou a instalação de 74 centros de referência para o tratamento de doenças geriátricas - incluindo Alzheimer - em todo o País. Destes, 17 instituições já estão cadastradas. No Rio Grande do Sul, os centros credenciados serão cinco. Apenas o Hospital Conceição e o Hospital São Lucas da PUC, em Porto Alegre, já estão definidos.

O atendimento aos pacientes com a enfermidade na rede pública de saúde foi regulamentado com a portaria 703, de 12 de abril de 2002, que criou o Programa de Assistência a Portadores da Doença de Alzheimer. O programa tem prazo de 180 dias a contar da publicação, para ser desenvolvido em parceria pelo ministério e secretarias estaduais e municipais de saúde. "Os hospitais ainda estão se adaptando para atender os portadores", afirma o médico Nelson Roessler, gerente de pacientes externos do Grupo Hospitalar Conceição.

Os centros de referência são as instituições aparelhadas com condições técnicas, instalações físicas, equipamentos e pessoal especializado.

Cerca de um milhão de portadores de Alzheimer serão beneficiados com a medida em todo o País. Os pacientes e seus familiares terão direito a acompanhamento médico e hospitalar, de equipe multidisciplinar e medicamento gratuito. Estão incluídos no programa os medicamentos que têm como princípio ativo a Rivastigmina, a Galantamina e o Donepezil.

Para ter direito à assistência da rede pública, o familiar precisa juntar um atestado do médico particular que já tratou do doente, entre outros requisitos. Um médico do SUS expedirá um atestado do INSS para a aquisição dos remédios e o encaminhamento ao centro de referência.

A diretora do núcleo porto-alegrense da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz/PoA), Iara Primo Portugal, diz que está lutando para que os doentes tenham um tratamento especializado e com qualidade nas instituições credenciadas. "Alzheimer não é uma doença qualquer", afirma. Para este ano, o programa prevê um repasse de verba de R$ 15 milhões para compra de medicamentos. Em 2003, R$ 34 milhões.

Tratamento requer total dedicação de parentes
Cuidar de uma pessoa portadora da Doença de Alzheimer exige um profundo envolvimento da família. Na fase mais avançada, os cuidados exigem atenção durante 24 horas, gerando grande desgaste físico e emocional dos parentes.

A diretora da ABRAz/PoA, Iara Primo Portugal, tem experiência no assunto. Durante seis anos, ela tratou em casa da enfermidade de seu marido, falecido em 1998. "Instalei um mini-hospital no meu apartamento", relata. Há quatro anos ela coordena um grupo de apoio aos cuidadores de familiares com Alzheimer. As reuniões ocorrem às segundas-feiras, no Hospital de Clínicas, na Capital. Cerca de 40 pessoas participam dos encontros semanais.

A Doença (ou Mal) de Alzheimer não tem cura, é degenerativa e se caracteriza pela morte progressiva das células do cérebro. Afeta, preferencialmente pessoas acima de 60 anos e vai dobrando a cada cinco anos, até atingir 30% a 40% aos 85 anos de idade. Provoca queda das funções intelectuais, reduz a capacidade de memória, raciocínio, linguagem e aprendizado do idoso. Com a evolução da doença, ocorre também desorientação espacial, no começo para lugares não freqüentados habitualmente, progredindo até a desorientação dentro da própria casa. No estágio mais avançado, o enfermo perde o controle de suas funções fisiológicas.


Insegurança faz pais monitorarem carros dos filhos
O aumento da criminalidade está fazendo crescer um mercado antes restrito às grandes empresas - o rastreamento de automóveis particulares via GPS (Global Positioning System). "Um dos grandes motivos para a monitoração é a segurança familiar, principalmente dos filhos", explica Silvino Munhoz, diretor da Safe Track, empresa gaúcha especializada na instalação do equipamento.

Segundo ele, o mercado de rastreamento de carros cresce mais de 100% ao ano devido ao medo da violência.

Munhoz afirma que os principais clientes são executivos e mulheres, que costumam prezar mais pela segurança pessoal. Dos 800 sistemas instalados em um ano pela Safe Track, 150 são para veículos particulares, diz ele.

Uma das grandes preocupações dos pais é com a segurança dos f ilhos nas saídas noturnas, tornando os jovens o principal alvo dos rastreadores. Após o susto de ter os dois filhos assaltados e seqüestrados em Porto Alegre, o comerciante Olair - que, por segurança, prefere não dar o sobrenome - monitora os passos de ambos através dos GPS instalados nos carros. "Eles se sentem mais seguros com o sistema", afirmou. Os assaltos, no caso, ocorreram com menos de dois meses de diferença.

De acordo com ele, os filhos não se sentem vigiados pelo pai e até mesmo gostam dessa proteção. Ele já precisou usar o "anjo da guarda eletrônico", quando a menina demorou para chegar em casa e não conseguiu achá-la pelo celular. "Com o rastreamento descobri que o carro estava em um local que eu conhecia. Assim pude ficar tranqüilo", disse.

Se fosse uma situação de risco, o pai acionaria os próprios recursos do sistema, que permite o desligamento do motor e o contato direto com a polícia. O motorista também pode chamar a central de operações por botões de emergência adaptados em pontos estratégicos no carro.

Sistema serve também como espião
Alguns clientes estão buscando instalar GPS nos veículos de familiares não só para segurança, mas também para descobrir detalhes da vida pessoal - como tráfico de drogas e traição conjugal -, afirma Robson Tricarico, diretor de marketing da empresa paulista Graber.

Além disso, o rastreador indica quando o carro ultrapassa a velocidade permitida ou foge do itinerário habitual. Em poucos minutos, uma central de monitoramento adverte o pai sobre o problema. "Os pais podem, ainda, determinar um limite máximo de velocidade", explica.

A Graber tem cerca de 50 veículos monitorados na Região Metropolitana de Porto Alegre. "Quase sempre, as
pessoas que nos procuram já passaram por momento difícil", afirma o diretor. Segundo Tricarico, 30% dos veículos rastreados pela empresa são particulares.

Como funciona o GPS
O GPS é um sistema de navegação baseado em satélites, que fornece as coordenadas geográficas (longitude, latitude e altitude), de qualquer ponto localizado na Terra. Existem vários tipos de receptores com diversos preços, de acordo com a necessidade. Os mais comuns utilizam ondas de rádio ou linha de telefone celular exclusiva para enviar informações à central de operação. Este último é um dos sistemas mais modernos e seguros, sendo que a instalação custa cerca de R$ 3 mil.


Capital deverá gastar R$ 1,6 bi em 2003
Cerca de mil integrantes das 16 regiões do Orçamento Participativo da Capital participaram da primeira assembléia municipal do OP, realizada sábado no auditório Araújo Vianna. Na ocasião foram apresentadas as previsões de receita e despesa do Município para o ano que vem, que ficou em R$ 1,6 bilhão - incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae). Do montante, R$ 201 milhões serão destinados ao Dmae e R$ 352 milhões ao SUS. Participaram da assembléia o prefeito João Verle e o vice-governador Miguel Rossetto.

Os delegados das regiões também entregaram à prefeitura as demandas de obras e serviços para 2003, englobadas nos 13 temas de atuação - que vão desde assuntos relacionados a educação até pavimentação de ruas. Os pedidos passarão agora por uma comissão de Secretarias, que analisará a viabilidade de cada um dos projetos dentro do orçamento planejado para o ano que vem.

Entre setembro e novembro, os técnicos se reunirão com as coordenadorias para discutir os resultados obtidos durante a análise. A comunidade tem o direito de não concordar com as conclusões apresentadas. A partir desta discussão será programado o plano de investimentos para 2003. Durante a assembléia também foi apresentado o projeto para o 4º Congresso da Cidade, que deverá ocorrer no ano que vem.

No sábado à noite foi realizada uma festa no cais do porto, onde foram entregues certificados de posse a 96 novos conselheiros do OP.


Artigos

Qualidade é opção ou dever?
Joal Teitelbaum

Na década de 50 o dramaturgo Nelson Rodrigues, em um comentário esportivo, afirmou que "o brasileiro precisava perder o complexo de vira-latas". Nos anos 70, Mario Henrique Simonsen, então ministro da Fazenda, em um período de incertezas econômicas, traçou uma imagem na qual dizia "estamos em um avião que enfrenta uma turbulência, aqueles que não estiverem satisfeitos que saltem". Analisem-se estas afirmações à luz de dois fatos recentes. O primeiro, a conquista do penta pela Seleção de futebol e o segundo pelo recente evento do PGQP, Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade, que se irradia por mais de 800.000 pessoas. O penta é uma afirmação mundial da competitividade nacional e o outro é uma afirmação nacional da competência do Rio Grande do Sul, ambas em um período de elevada turbulência mundial e onde o que ficou demonstrado é o mais qualificado "pedigree" e sem qualquer semelhança de vira-latas. É evidente que um título, como o conquistado pela Seleção, não diminui o déficit econômico ou atenua as incertezas, como também o PGQP, isoladamente, não trará ao Brasil a competitividade necessária. Mas o que eles demonstram, inequivocamente?

Demonstram que o Brasil tem uma capacidade qualificada para enfrentar turbulências e desenvolver, através da competência, um elevado grau de competitividade, interna e externamente. Conscientizarmo-nos que somos os responsáveis por nossos acertos ou nossos equívocos e pararmos de atribuir, sistematicamente, a terceiros as razões das dificuldades e com isto banirmos, definitivamente, o complexo de vira-latas. Por que vira-latas? Porque o vira-latas, embora seja um cão bastante fiel, ele quase sempre está atemorizado, com a cola entre as pernas e de cabeça baixa. Provavelmente nesta primeira década do século XXI teremos ciclos de incertezas e turbulências até que a economia mundial reencontre um rumo menos agitado.

Para sobrepujar-se estes obstáculos advindos de cenários e realidades externas e internas, sem cogitar que se tenha que saltar do avião, há um rumo onde a história tem demonstrado que todos os ventos são favoráveis: este rumo é o da qualificação através da qualidade. A qualidade como uma forma continuada de gestão se constitui na mais capacitada ferramenta de reduzir o desperdício, de aprimoramento social do colaborador, da elevação do grau de satisfação do cliente e da plena integração da comunidade aos positivos conceitos de pensar e agir construtivamente. Esta opção pela qualidade é um dever. Um dever do cotidiano e não um dever de casa. Quando tivermos atingido, com competência, uma qualificada competitividade em produtos e serviços, em gerenciamentos e gestões no setor privado e público, seremos penta ou mais ainda, não apenas em futebol. Como no recente evento do PGQP em que o ministro da Ciência e Tecnologia do governo do Brasil exteriorizou o objetivo de ver esta força da qualidade que se irradia do setor privado gaúcho alcançar todo o Brasil, possa-se, sem estrabismos políticos regionais, reconhecer e apoiar em todas as formas este projeto vencedor, força criadora capaz de levar aos resultados que tornarão os produtos e serviços do Brasil, em gênero, número e espécie, entre os mais competitivos neste mundo que alguns ainda teimam em não reconhecer que está globalizado e que através da qualidade aqui produzida, será para o bem do Brasil.


Colunistas

CARLOS BASTOS

Governo é vidraça e não é mole não
Ser governo é ser vidraça, daí a conclusão do senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) de que, o crescimento dos índices do candidato da Frente Trabalhista se deve ao fato dele ter atingido a classe média, que tem posição crítica quanto ao governo FHC e teme que Lula e o PT assumam o Poder. Serra estaria pagando por ser candida to da vidraça, e isso não é mole não. Números levantados pela última pesquisa do Ibope indicam que a principal queda dos índices do candidato Luiz Inácio Lula da Silva se deu justamente nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. Nessas regiões, o PT também ocupa a condição de vidraça: aqui no Rio Grande do Sul, com Olívio Dutra no governo, em São Paulo, com Marta Suplicy ocupando a prefeitura, e no Rio de Janeiro, onde Benedita da Silva assumiu o governo com a saída de Garotinho, na condição de vice-governadora, e deu azar de pegar o problema da segurança no seu ápice, inclusive com as mordomias de Fernandinho Beira-Mar na penitenciária, que não é um problema de hoje mas de sempre.

Diversas

  • Aqui no Estado o desgaste do governo na área da segurança e com o setor rural, em conseqüência das invasões do MST, inclusive em propriedades produtivas como foi o caso da Fazenda Ana Paula, em Bagé, está provocando que Lula tenha os índices mais baixos de todas as suas campanhas eleitorais para a presidência da República, excetuando-se o primeiro turno da eleição de 1989 quando Brizola teve melhor desempenho.

  • Em São Paulo, a prefeita petista Marta Suplicy, depois de uma vitória espetacular no pleito, caiu num verdadeiro plano inclinado de descrédito popular, que teve seu início na concessão de um aumento para o transporte coletivo logo após a sua posse.

  • No Rio de Janeiro, Benedita da Silva chegou no epicentro da maior onda de violência, situação que os cariocas vivem há decênios, mas que atingiu seu ponto máximo agora.

  • Inclusive houve a exposição excessiva do problema na televisão em função do bárbaro assassinato do jornalista Tim Lopes, da Rede Globo, que alcançou brutal repercussão, merecendo muitas páginas de jornais e muitos espaços em emissoras de rádio e televisão.

  • Já o presidenciável tucano José Serra é candidato no final do segundo governo do PSDB, e agora não tem nenhum Plano Real para salvar sua candidatura, como aconteceu com Fernando Henrique em 1994. O câmbio agora é livre ao contrário do que aconteceu em 1998, quando ele foi represado por cerca de um ano, para permitir a reeleição do presidente, e a reforma cambial só aconteceu dois meses após as eleições e a nova vitória de FHC.

  • E o casuísmo dos programas eleitorais, que em 1994 não permitiram cenas externas - o que prejudicou sensivelmente Lula - e a redução do período para a programação de rádio e televisão, que ficou em apenas 45 dias - agora virou-se contra a candidatura governista de José Serra, do PSDB, que precisaria de mais tempo para recuperar o terreno perdido para Ciro Gomes, do PPS, na disputa pelo segundo lugar. Nessa briga decide-se quem vai disputar com o petista Lula em 27 de outubro a presidência da República.

    Última

    Quarta-feira, na vinda de Lula ao Rio Grande do Sul, ele se fará acompanhar pelo seu candidato a vice, o empresário mineiro José Alencar, do PL. E o Partido Liberal não terá ninguém para recepcionar o candidato a vice na chapa do PT, pois o partido no Rio Grande do Sul está fechado com a candidatura de Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro. E aqui o PL gaúcho concorre ao governo do Estado com a candidatura do capitão Aroldo Medina.


    FERNANDO ALBRECHT

    Boa idéia
    O que fazer com os resíduos da indústria coureiro-calçadista sempre foi um drama para o Vale dos Sinos. Pois uma empresa da Incubadora da Feevale, de Novo Hamburgo, desenvolveu projeto de ecodesign que utiliza restos de couro e outros resíduos industriais. Os estofados da Gueto serão utilizados no restaurante da nova Dado Bier e no novo Dado Tambor. O próprio Dado Bier foi conhecer o projeto. As irmãs Karin e Solange Wittmann, sócias da Gueto, já desenvolveram projetos para uso de restos de borracha, sobras de material usado na fabricação de solados de calçados e tênis.

    Brigadiano alado
    O Diário Oficial do Estado do dia 18 publicou a súmula do contrato pelo qual a Brigada Militar compra um helicóptero da Edra Representação Aeronáutica pelo valor de R$ 586 mil. Claro que por este preço não é nenhum equipamento sofisticado, mas certamente vai ajudar a BM na luta contra o crime e outras funções.

    Talvez até para monitorar os movimentos pré-invasão dos sem-terra.

    Por falar em MST...
    ...como a gurizada das invasões está quietinha, não? Há tempos desmentiram veemente um acordo com o PT para baixar a bola até a companheirada sagrar-se vencedora nas urnas, mas coincidentemente de lá para cá tudo é silêncio. Por enquanto. Talvez façam umazinha só para não ficar muito chato.

    O doutor Jorge
    O comunicador Felipe Vieira, da Band, recebeu um telefonema que o deixou sobressaltado. A secretária do "doutor Jorge" ligou para convidá-lo para apresentar um evento, e em seguida o doutor Jorge falou ao emocionado jornalista. Só que não era aquele Jorge e sim Jorge Amarante, dono do Gruta Azul. Felipe aceitou e terça-feira à noite vai ser apresentador da reinauguração da famosa casa, que saiu da Farrapos e vai para a Gaspar Martins, onde era o L'Athmosphere. Agora o Distrito Erótico da área está completo de novo.

    É fogo
    Cada vez que alguém desembarca em Congonhas e liga o celular corre altíssimo risco de ter seu celular clonado. Muita gente já marchou para os vigaristas, que operam um equipamento altamente sofisticado que atua em conexão com satélite, vejam só. Entre outros, já foram clonados o presidente da Fiergs, Renan Proença e seu assessor de imprensa, Nikão Duarte. Chegando ou saindo do aeroporto paulista é bom nem ligar o celular.

    Rigor eleitoral
    Por ter falado mal na rádio CBN de "um ex-prefeito paulistano e agora candidato a governador", o cineasta Arnaldo Jabor e a emissora foram enquadrados na legislação eleitoral e terão que pagar uma multa de R$ 70 mil cada. Paulo Maluf vestiu a carapuça. É complicado fazer jornalismo eleitoral na mídia eletrônica, muito complicado.

    Fim de parceria
    Parece que está se desmanchando uma antiga parceria de megaeventos. A RBS está fazendo parceria com o Grupo Ibiza para uma série de promoções na Serra gaúcha, que entre outras atrações terá uma pista de patinação de gelo em um lago congelado no Sierra Park de Gramado. Ocorre que até agora a idéia era fazer estes espetáculos com a DC Set, que é - era, depois dessa - parceira da empresa no Planeta Atlântida, mas em algum ponto do processo houve a mudança.

    Boa notícia
    A secretária do governo Municipal, Helena Bonumá, assina às 11h a renovação do Termo de Cooperação com a Secretaria do Trabalho Cidadania e Assistência Social (Stcas) do Prograrama Família Cidadã. Pelo convênio, são beneficiadas 1.526 famílias através de ações de reinserção social. Estas famílias ganham um salário mínimo para botar as crianças na escola e lá mantê-las.

    Piadas de gurizinho
    Graças ao seu nome, Antony Garotinho não raro é obrigado a ouvir poucas e boas. Estivesse ele na frente nas pesquisas tudo bem, mas como está na rabeira as piadas vão por este lado. Quando esteve em Porto Alegre um fã se aproximou dele e disse que ele deveria "comer muito arroz e feijão" para sair dos 10% que ostenta. Só faltou ao gaiato dizer que o carioca teria que "comer muito pra ficar forte como o tata".

    Liminar
    O Sindicato dos Engenheiros do RS obteve na Justiça do Trabalho medida preventiva contra ato da direção da Corsan que transferiu para o Interior quatro engenheiros do quadro da estatal, sendo dois deles representantes sindicais. O Senge alega que tentou sem sucesso a reversão do ato com o presidente da Corsan, Dieter Wartchow, e com o secretário Edson Silva, da Secretaria de Obras.


    ADÃO OLIVEIRA

    Um mergulho no imaginário
    O crescimento de Ciro Gomes, nas pesquisas de opinião pública, como candidato à Presidência da República, não é um fenômeno passageiro. Pelo menos isso é o que ficou comprovado na pesquisa feita com exclusividade pelo Instituto Vox Populi, para o Correio Braziliense, o principal jornal da Capital da República. A pesquisa, foi mais além, e procurou saber do eleitorado sobre as qualidades dos homens que disputam a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso.

    Excetuando Luiz Inácio Lula da Silva, que permanece na preferência do eleitorado, Ciro Gomes, se consolida em segundo lugar porque, na opinião da maior parte dos eleitores, "ele é honesto como Lula, porém mais capaz, sincero e decidido". Os eleitores que, no dia 6 de outubro, elegerão o novo morador do Palácio da Alvorada, consideram o candidato do PPS à Presidência da República, com mais visão de futuro do que o candidato do PT.

    Para boa parte do eleitorado, Ciro Gomes tem o perfil que satisfaz. Ele incorpora, ao mesmo tempo, a figura do antigoverno e do anti-Lula. Além do mais, sua campanha política está bem feita, conseguindo atender a maior parte dos interesses do grande povão, que anda de mau humor, pelo que considera, um descaso, o tratamento dado pelo governo ao trabalhador brasileiro.

    Nada disso, no entanto, é definitivo. Mas, que há no momento, de parte dos brasileiros, um forte sentimento de mudança, ninguém pode negar. Pode ser até que, com a entrada no ar dos espaços gratuitos de rádio e televisão, esse sentimento desapareça e José Serra, o candidato do governo, recupere sua posição anterior na preferência do eleitorado. Mas, o quadro atual lhe é totalmente adverso, não prometendo grandes surpresas de última hora.

    Em política, a palavra fidelidade, está cada mais fora de moda. Só os petistas têm mantido fidelidade no voto.

    Isso tem sido assim através dos tempos. Foi assim, também, no início dessa campanha eleitoral. Os outros eleitores, que se opõem ao governo, procuraram alternativas de poder. Num primeiro momento tentaram se unir em torno de Roseana Sarney, que chegou a ser um fenômeno de marketing, fenômeno este, que foi implodido, através do episódio da empresa Lunus. Desesperados, seus viúvos tentaram apostar em Garotinho.

    Em vão. Meio a contragosto, mais pela arrogância do candidato do que por qualquer outro motivo, correram para Ciro Gomes. Gostaram do que ouviram e lá se mantém ancorados. Pelo jeito, Ciro Gomes pode ser a alternativa para aqueles que não querem Lula, mas estão ávidos por mudanças.

    É visível! Uma maior densidade política e um melhor preparo intelectual fazem a diferença entre Ciro Gomes e as outras candidaturas de oposição. Mas, ainda que esteja acomodado na segunda posição, nada impede que turbulências inesperadas façam com que Ciro venha cair nas pesquisas de intenção de voto. Nada leva a crer, no entanto, que José Serra seja o herdeiro de seus votos. Seus últimos movimentos não indicam uma melhoria substancial na sua performance eleitoral. Serra foi infeliz! Ele colou no governo exatamente no momento em que a situação econômica se deteriorou sobremaneira.

    Enfim, no momento a situação é essa. Pode e deve mudar até o dia 6 de outubro, quando os brasileiros forem às urnas. Agora é uma questão de sorte. Só ela pode mudar a posição de José Serra em relação à sucessão presidencial. Afinal, foi também ela, a sorte, que fez Ciro Gomes, estar onde está. Aproximando-se, cada vez mais, de Lula.


    Editorial

    AMÉRICA LATINA ESTÁ EM RECESSÃO NÃO DECLARADA

    A queda das atividades econômicas é a característica do mundo. Começou pelo Japão, que se debate em recessão há uma década, passou pelas crises do México, dos Tigres Asiáticos, da Rússia, do Brasil, continua na Argentina, afeta o antes inexpugnável Chile e chegou à Roma moderna, centro do capitalismo, os Estados Unidos da América. A desaceleração econômica era sentida desde o início do ano passado, piorou com os atentados de 11 de setembro, nos EUA. De lá para cá, George Bush só fez foi piorar a situação. O déficit em conta corrente dos norte-americanos foi de US$ 134 bilhões em junho, balança comercial negativa em US$ 30 bilhões no mês passado, mas a arrecadação federal acumula superávit, em 2002, de US$ 118,04 bilhões. A poupança feita por Bill Clinton evaporou-se sem que surgissem benefícios. Apenas gastança, Bush recebeu 1,7 milhão de servidores públicos federais, aumentará para dois milhões, até dezembro de 2003. Gasta na área militar, com a incursão ao Afeganistão de resultados no mínimo duvidosos e de onde os ingleses, escudeiros, estão saindo, debaixo das informações de que Bin Laden não só está vivo como também a organização Al-Qaeda, pronta a desferir ataques. A região que apresenta melhores indicadores é a Europa, com a queda do dólar o euro chegou - e passou - na paridade de um por um, facilitando as importações, embora prejudique as exportações. A globalização mostra seu lado nefasto, as fusões e incorporações dispensaram milhões de empregados em todos os continentes, diminuindo a renda e, por conseqüência, o consumo. Sem consumo, caem as vendas.

    O indicador claro, no Brasil, de que há sim uma recessão ainda não declarada oficialmente é o setor automobilístico. Com uma capacidade instalada de três milhões de unidades por ano, a indústria não chegará a repetir o número de 2001, quando foram comercializados pelas montadoras cerca de 1,8 milhão de veículos.

    Sonho da classe média, o automóvel tem menor preço enquanto aumentam as facilidades de pagamento, ainda assim as vendas refluíram. Piorando o quadro, a sensação de insegurança espalhou-se nos centros financeiros, existe uma forte retração dos investidores. O descalabro de corporações norte-americanas, que fraudaram balanços de forma conivente com empresas de auditoria antes acima de qualquer suspeita, que, por sua vez, também eram agências classificadoras de risco, prova que a vigarice, o estelionato e o mau caratismo não é uma característica apenas dos latinos, conforme apregoaram funcionários do terceiro escalão da Casa Branca para apontar, com dedos hoje sabidamente sujos, para o Brasil. Segundo eles, se não houvesse tanta corrupção
    aqui, a necessidade de dinheiro emprestado pelo FMI e avalizado pelo Tesouro dos EUA seria bem menor.

    Soberba, muita empáfia e descaramento, como ocorreu, aliás, quando Hillary Clinton visitou a Bahia e uma foto indiscreta nos jornais vislumbrava parte da calcinha da primeira-dama. Em Washington e Nova Iorque, colunistas e aditoriais afirmavam que "só poderia ser coisa de mentes sujas e fixadas em sexo, como ocorre com os sul-americanos". Meses depois, Bill Clinton escandalizava ao manter relacionamento sexual contínuo com uma estagiária, na sede oficial do governo ianque. Quanto à recessão, vamos tratar de nos organizar que ela está chegando, nossa indústria e comércio refletem o que se passa no mundo, estamos importando e exportando menos, felizmente com um bom saldo na balança comercial, consolo razoável para quem precisa tanto de dólares. A América Latina, segundo a Cepal, terá o PIB encolhido em 0,5% nesse 2002, crises na Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Venezuela e Colômbia. É a vocação natural do subcontinente?


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    07/22/2002


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