Ciro diz o que o mercado quer ouvir
Ciro diz o que o mercado quer ouvir
Roberto Mangabeira Unger, o professor da Universidade Harvard que é um dos conselheiros mais ouvidos pelo candidato Ciro Gomes, da Frente Trabalhista (PPS, PDT e PTB), disse ontem de manhã a executivos do mercado financeiro o que eles querem ouvir: que o ‘‘sacrifício fiscal’’ do novo governo precisará ser de no mínimo 3,75% do PIB; que os contratos serão respeitados e não há risco de calote da dívida pública; e que Ciro jamais pensou em centralizar o câmbio (controlar a entrada e saída de moeda estrangeira do país).
A moderação de Mangabeira Unger surpreendeu a audiência, acostumada ao discurso muito mais agressivo do candidato. O conselheiro de Ciro participou de uma teleconferência com analistas do mercado do Brasil e dos Estados Unidos a convite da Merrill Lynch, um dos mais importantes conglomerados financeiros de Wall Street. À tarde, o próprio Ciro, sabatinado por jornalistas da Folha de S.Paulo, repetiu as das garantias de Mangabeira Unger, mas recaiu em alguns momentos na velha agressividade.
Disse, por exemplo, que não será domesticado nem vai governar sob pressão dos mercados. A contradição reflete o debate interno entre assessores e estrategistas da campanha de Ciro. Enquanto alguns aconselham o candidato a manter sua postura de confronto com o mercado como forma de se diferenciar do governo Fernando Henrique, outros procuram levar Ciro a se mostrar mais moderado e ganhar a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros.
Ciro repetiria assim o caminho em direção ao centro que outro candidato da oposição, Luís Inácio Lula da Silva, do PT, já começou a percorrer há mais tempo. Lula e Ciro, por sinal, encontraram ontem um aliado incomum para algumas das teses defendidas nos programas eleitorais da oposição: o financista George Soros, um dos mais ativos e bem-sucedidos investidores nos mercados financeiros internacionais nas últimas décadas do século 20.
Soros escreveu artigo no site FT.com culpando o sistema financeiro internacional pela crise brasileira e sustentando a tese de que países como o Brasil não podem cumprir cegamente as exigências de austeridade fiscal do Fundo Monetário Internacional e dos governos de países ricos (leia matéria nesta página).
Exemplo de exigência equivocada, segundo Soros, é a de manter juros altos e fazer superávits fiscais sempre maiores — politicamente inviáveis — para estabilizar a relação entre dívida pública e PIB. O certo seria perguntar qual a taxa de juros que pode ser conciliada com um crescimento razoável. No caso brasileiro, ele responde que seria de no máximo de 10%, com um superávit de 3,5% do PIB como teto e não como piso, como prevê o acordo com o FMI. Os partidos de oposição vêm defendendo teses semelhantes de queda dos juros para tornar possível o crescimento econômico.
Tudo pela produção
Na entrevista por telefone com investidores finenceiros, Mangabeira Unger também deu toda prioridade ao crescimento. Disse que o sacrifício fiscal — esforço de contanção das despesas do governo abaixo da arrecadação de impostos — necessário ao enfrentamento da crise só será compreendido se vier acompanhado de um projeto de crescimento econômico e redistribuição da renda.
Fundos têm perdas de R$ 33 bi em três meses
Erros do Banco Central multiplicam prejuízos dos investidores, provocam fuga de recursos dos FIFs e levam banqueiros a exigir ação do governo. Para rolar dívida da União, mercado cobra juros extorsivos
O Banco Central fugiu o quanto pôde da responsabilidade, mas terá que tomar medidas rapidamente para estancar a sangria de recursos dos Fundos de Investimentos Financeiros, os FIFs. Do final de abril, um mês antes de o governo exigir a marcação dos títulos públicos pelo valor de mercado, até o último dia 5 de agosto, os investidores sacaram R$ 33 bilhões dessas aplicações, assustados com a grande variação na rentabilidade. Como passaram a acompanhar diariamente a cota dos FIFs, os investidores — a maioria, da classe média — não se conformam com o fato de as cotas estarem positivas em um dia e negativas no outro. Os FIFs eram tidos como um porto seguro, com rendimento fixo, sempre superior ao da caderneta de poupança.
Desde o dia 31 de maio, no entanto, com a decisão do BC de fazer valer a marcação a mercado, os preços dos títulos públicos, que remuneram esse fundos, começaram a registrar bruscas oscilações. Temendo perdas futuras, os investidores passaram a sacar o dinheiro que tinham aplicado, criando uma bola de neve que não pára de crescer. Como precisavam vender os títulos no mercado para atender os pedidos de saques, os bancos aumentaram a oferta desses papéis. Só que o número reduzido de compradores fez com que o valor dos títulos despencasse. Por isso, tanta gente está retirando os extratos diários de suas aplicações mostrando prejuízos.
‘‘O problema é que, ao verem essas perdas, mais investidores resgatam suas aplicações e mais os bancos são obrigados a vender títulos públicos a qualquer preço para atender aos saques. Os prejuízos vão se multiplicando’’, afirmou Marcelo Giufrida, vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid), instituição que reúne os administradores dos FIFs. Ontem, ele esteve reunido com o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, cobrando uma ação efetiva do governo para acabar com a fuga de recursos dos FIFs. Saiu do encontro com a promessa de medidas para os próximos dias, cujo teor Figueiredo não quis revelar.
Líquido e certo
Neste mês, do dia 1º ao dia 5, os saques nos FIFs atingiram R$ 5,687 bilhões, dos quais R$ 2,387 bilhões foram para a poupança. ‘‘A caderneta rende a metade dos fundos de renda fixa, mas, na visão dos investidores, o ganho é líquido e certo’’, afirmou o vice-presidente do Banco ABC Brasil, Alfredo Moraes. Segundo ele, o BC não pode ficar de braços cruzados, vendo a indústria de fundos de renda fixa, com patrimônio atual de R$ 301,742 bilhões, se esvaziar. Até porque quase todo esse dinheiro financia a dívida pública. Ele diz que o BC pode comprar diretamente parte dos títulos que estão desvalorizados (os de mais longo prazo), vender dinheiro diretamente para os fundos (que assim não precisariam se desfazer dos títulos públicos a qualquer preço) ou recomprar os papéis por um período pré-determinado, até que os preços se estabilizem.
A desconfiança em relação aos títulos emitidos pelos governo é tanta que, nos dois últimos dias, o BC foi obrigado a pagar juros de 28% ao ano além da variação do dólar no período, para rolar US$ 1,535 bilhão dos US$ 2,5 bilhões em títulos cambiais que vencem amanhã. O pior, no entanto, é que os títulos que estão sendo substituídos tinham um ano de prazo. Os novos, chamados de swap cambial, vencerão no dia 2 de setembro próximo. Ou seja, em vinte dias o BC terá novamente que refinanciar essa parcela de endividamento.
Ricardo Coriolano, da Corretora Liquidez, lembrou que o BC se recusou a vender swap cambial com outras duas datas. Motivo: para os contratos do dia 20 de setembro, o mercado pediu juros de 35% acima da variação cambial, e, para os contratos de 16 de janeiro do ano que vem, juros de 40% ao ano mais o câmbio. Um exagero. O BC vendeu, no entanto, R$ 500 milhões em Letras do Tesouro Nacional (LTNs) com vencimento em 2 de outubro deste ano, a juros de 19,79% ao ano. Mas se negou a aceitar a proposta dos investidores para as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs). O desconto pedido pelo mercado foi de 0,45% do valor do papel, quase 600% acima do deságio em tempos de normalidade, de 0,06%. ‘‘Também por causa das eleições, o mercado exige títulos de curto prazo e juros mais alto’’, complementou Eduardo Moraes, diretor da Corretora Bittencourt.
A falta de confiança no governo se refletiu no preço do dólar, que chegou a bater nos R$ 3,26 pela manhã, mas fechou o dia a R$ 3,165, com alta de 0,47%. O governo acredita que, a partir de amanhã, a cotação da moeda norte-americana deve cair, porque diminuirá a queda-de-braço do mercado com o BC em torno do vencimentos dos títulos cambiais. Quanto maior a taxa do dólar, mais os bancos ganham. Acompanhando o movimento de baixa nos Estados Unidos — Dow Jones caiu 2,38% e a Nasdaq, 2,87% — a Bolsa de Valores de São Paulo recuou 2,87%. O risco-Brasil cravou 2.287 pontos, com alta de 2,8%.
Campanha contra traições
Serra quer aproveitar o início da propaganda gratuita e as rígidas regras das coligações para reconquistar apoios dos candidatos a governador que ameaçam trocá-lo por Ciro
Em baixa nas pesquisas de intenção de voto e vendo escapar importantes apoios políticos, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, aposta no horário eleitoral no rádio e TV para reconquistar a fidelidade dos candidatos de seu partido e do PMDB nos estados. O que ajudará Serra nessa operação será a verticalização das alianças, que impede coligação e propaganda formal comum de partidos que tenham diferentes candidatos à Presidência da República. Pela lei, qualquer integrante de um partido com candidato a presidente não pode usar seu palanque eletrônico para pedir votos para políticos de nomes de outras legendas que disputem o Planalto. Quem desobedecer essa regra estará sujeito até mesmo a ter impugnada sua candidatura.
É com base nisso que a equipe de Serra pretende trabalhar para vetar a presença de Ciro Gomes (PPS) ou de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos palanques tucanos e do PMDB. E ganhar terreno para chegar ao segundo turno. É seu último recurso, já que até agora todas as tentativas de decolagem fracassaram. Além de ficar com o segundo lugar na preferência do eleitor, tem conquistado para si palanques que estavam reservados para Serra pelo país afora.
Em junho, quando lançou oficialmente a candidatura, Serra tinha quase 30 palanques. Em alguns estados, contava com o apoio de até dois candidatos a governador. Hoje, além de ter perdido bases importantes, divide muitos de seus puxadores de voto com Ciro Gomes (leia abaixo). Em Goiás, Serra perdeu o PMDB por causa da transferência do controle das Centrais Elétricas de Goiás (Celg) para o governo federal. ‘‘Foi uma traição ao PMDB. Vamos apoiar agora quem prometer devolver a empresa ao Estado. Não temos mais compromisso fechado com Serra’’, afirma o deputado Barbosa Neto (PMDB-GO), um dos que apoiou a coligação com o PSDB na convenção do partido.
Pressão
Essa perda de espaço por Serra não decorreu apenas de atos do governo. Em Minas Gerais, por exemplo, o candidato do PSDB, Aécio Neves, teve de abrir seu palanque para Ciro Gomes para não perder o apoio do PFL local e da Força Sindical. A central é presidida pelo candidato a vice de Ciro Gomes, Paulo Pereira da Silva (PTB).
Aécio, no entanto, telefonou há dois dias para o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), e prometeu: ‘‘Pode ter certeza que o Serra terá mais votos em Minas Gerais do que a média nacional. Vou pedir votos para ele no horário eleitoral’’. Segundo Jutahy, todos os candidatos do PSDB firmaram o compromisso de pedir votos para Serra no horário de rádio e TV.
Apesar do otimismo, a realidade não é bem assim. No Ceará, terra de Ciro Gomes e do governador Tasso Jereissati (PSDB), contabilizava-se dois palanques pró-Serra. O do PSDB, cujo candidato a governador é o senador Lúcio Alcântara, e o do PMDB, representado pelo senador Sérgio Machado. Hoje, Serra está praticamente sem nenhum dos dois apoios. Se for ao estado numa programação com Sérgio Machado, dará a Tasso a desculpa para que o governador ingresse de vez na campanha de Ciro. Fazer uma programação com Tasso, por sua vez, está cada vez mais difícil por causa da divisão do palanque com o PPS de Ciro.
Só as regras eleitorais rígidas, como a verticalização, podem impedir que Tasso, candidato a senador, peça votos para Ciro no horário eleitoral. Mas, ainda assim, seus aliados contam que ele não fará campanha para Serra. Vai se dedicar a temas de seu estado. ‘‘Ninguém pode cobrar do Tasso. O Ciro é de lá. É um caso à parte’’, justificou Jutahy.
No comitê de Serra, a ordem é não comentar as pesquisas. O coordenador de comunicação da campanha, José Roberto Vieira da Costa, repete todos os dias que o quadro eleitoral será definido pela propaganda na TV. ‘‘As razões que levaram os candidatos aos pontos que detém hoje nas pesquisas foi a TV’’, afirmou ele, referindo-se especialmente a Ciro Gomes, que dominou os programas partidários exibidos em junho, quando saltou nas intenções de voto. Agora, a assessoria de Serra pretende usar o mesmo remédio para alavancar o candidato tucano.
Benedito adota Garotinho
Sem palanque em Brasília desde que rompeu com Rollemberg, candidato à Presidência se une ao vice-governador. Juntos, eles buscam o voto evangélico
A afinidade religiosa falou mais alto que as diferenças partidárias. Abandonado pelo candidato do PSB ao GDF, Rodrigo Rollemberg, o presidenciável Anthony Garotinho (PSB) embarcou na campanha do vice-governador Benedito Domingos (PPB) para suprir a falta de palanque no Distrito Federal.
Durante evento evangélico, realizado no ginásio Nilson Nelson na noite de segunda-feira, o ex-governador do Rio de Janeiro pediu votos para Benedito. Garotinho também deixou em aberto a possibilidade de participar de outras atividades com o candidato do PPB ao Buriti até o primeiro turno das eleições.
O namoro entre Benedito e Garotinho, ambos evangélicos, não é recente. Uma declaração de apoio do presidenciável ao vice-governador feita no mês passado durante outro evento religioso foi um dos motivos do rompimento de Rollemberg. O distrital reclamou também da falta de compromisso partidário e de apoio político e financeiro por parte do candidato a presidente do PSB.
Com a decisão de Rollemberg, porém, tanto Benedito como Garotinho admitem que as relações entre os dois devem ficar ainda mais estreitas. ‘‘Garotinho não pode ficar sem palanque em Brasília. Foi o Rollemberg que rompeu e provocou essa aproximação com o Benedito’’, informou um assessor de campanha do candidato do PSB à Presidência.
‘‘Não é uma aliança oficial porque respeito o Rollemberg, que é do mesmo partido de Garotinho. Mas o nosso público é o mesmo e não vejo problemas em fazermos mais eventos juntos no Distrito Federal’’, confirmou Benedito. A aproximação com o presidenciável do PSB é mais uma arma do vice-governador na disputa com o governador Joaquim Roriz (PMDB) pelos votos dos eleitores evangélicos.
Durante o show no Nilson Nelson, por exemplo, Garotinho se esforçou para garantir o voto dos cerca de 10 mil espectadores para Benedito. ‘‘Nós dois estamos lutando contra os gigantes dos palácios’’, comparou, referindo-se a Roriz e ao presidente Fernando Henrique Cardoso. O ex-governador do Rio estará hoje pela manhã no DF para participar de debate na Universidade de Brasília, mas em seguida viaja para Goiânia e Anápolis.
O vice-governador aproveitou o apoio do Garotinho para mandar recado para o grupo de Roriz. ‘‘Eles jogaram bomba na minha candidatura, querendo forçar minha desistência. Mas estou firme e vou manter até o final’’, atacou.
Insatisfação
A aproximação de Benedito e Garotinho foi considerada ‘‘normal’’ pelo candidato do PSB, Rodrigo Rollemberg. ‘‘Foi essa postura de privilegiar o segmento religioso em vez de um compromisso partidário que isolou Garotinho no PSB e deixou vários candidatos a governador insatisfeitos’’, alfinetou.
O distrita l não acompanhou a passagem de Garotinho por Brasília e garantiu que o rompimento com o presidenciável não prejudicou sua campanha. ‘‘Muitos diziam que só lancei candidatura para garantir palanque para o Garotinho, mas estamos mostrando que temos um projeto para Brasília e a receptividade está cada vez melhor.’’
A possibilidade de Garotinho passar a freqüentar apenas o palanque de Benedito, porém, não agradou alguns integrantes do PSB que pretendem continuar a fazer campanha com o presidenciável no DF. O candidato a distrital Peniel Pacheco, por exemplo, acompanhou a carreata de Garotinho em Taguatinga na segunda-feira e anunciou que não abrirá mão de estar ao lado do candidato nos eventos locais.
‘‘Apesar do rompimento, o Rollemberg não fez nenhum objeção à participação de candidatos do PSB na campanha de Garotinho’’, disse Peniel. ‘‘Acredito que os encontros de Benedito e Garotinho estão mais para coincidências por causa do eleitorado evangélico do que para um acordo oficial’’, acrescentou.
Agenda dos candidatos a presidente
Lula
• PT
Passa o dia no Paraná. Pela manhã, faz palestra para empresários em Foz do Iguaçu. No início da tarde, vai para Londrina, onde terá reunião com líderes políticos locais.
Ciro
• PPS
Passa o dia em São Paulo, onde grava programas de televisão para o horário eleitoral gratuito.
Serra
• PSDB
Também passa o dia em São Paulo, onde grava programas de televisão para o horário eleitoral gratuito.
Garotinho
• PSB
O ex-governador do Rio estará em Brasília. Ele participa de debate na Universidade de Brasília (UNB) sobre as eleições presidenciais.
José Maria
• PSTU
Presidenciável fica em São Paulo, sem compromissos públicos.
Rui Costa Pimenta
• PCO
O candidato concede entrevistas a diferentes meios de comunicação na sede do partido, no bairro da Saúde, em São Paulo.
Agenda dos candidatos a governador (DF)
Benedito Domingos
• PPB
Pela manhã, faz corpo-a-corpo e participa de entrevista no DF TV. À tarde, volta a fazer corpo-a-corpo. Às 18h, participa de inauguração de comitê, em Taguatinga. Às 19h30, vai a uma festa na comunidade de Ceilândia. Às 21h, participa do Grande Encontro de Louvor no Novo Gama.
Carlos Alberto
• PPS
Às 10h, reúne-se com coordenadores de campanha.
Às 14h, participa de ato público no Supremo Tribunal Federal. Às 16h, panfleta na Rodoviária do Plano Piloto.
Geraldo Magela
• PT
Às 10h, participa de sessão solene em homenagem aos 99 anos da Igreja Presbiteriana do Brasil, no plenário da Câmara Federal. Às 15h30, grava programa de TV para o horário eleitoral. À noite, faz comício em Taguatinga Norte.
Joaquim Roriz
• PMDB
Às 19h, visita a Vila Cauhy, no Park Way. Às 20h, reúne-se com pastores da Igreja Batista Gera Vida,
no Riacho Fundo I. Às 21h, encontra-se com empresários no CDL, Setor Comercial Sul.
Rodrigo Rollemberg
• PSBÀs 9h, participa de manifestação contra a falta de remédio na rede pública de saúde do DF, em frente ao edifício Pioneiras Sociais. Às 10h, grava programa eleitoral de TV. Às 15h, vai a sessão extraordinária da Câmara Legislativa e às 18h, ao lançamento de um livro. À noite, estará em colação de grau do UniCeub.
Expedito Mendonça
• PCO
Não forneceu.
Orlando Cariello
• PSTU
Passa o dia em gravação do programa eleitoral para TV.
Guilherme Trotta
• PRTB
Passa o dia reunido com assessores e grava programa eleitoral para TV.
Artigos
O PIS e o comércio de bens e serviços
Antonio Oliveira Santos
A Confederação Nacional do Comércio (CNC), que representa, no plano nacional, os direitos e interesses do comércio de bens e serviços, congregando, por meio das diversas federações e numerosos sindicatos, mais de quatro milhões de estabelecimentos, vem, há longo tempo, propugnando por uma ampla reforma tributária, que tenha por objetivos centrais: (a) a redução da exagerada carga tributária (34% do PIB) de modo a estimular a atividade econômica; (b) a diminuição do número de tributos e a simplificação do sistema, com o objetivo de reduzir os custos administrativos e tornar mais fácil sua aplicação; e (c) a realização da isonomia fiscal, de maneira a que as importações sejam tributadas em igualdade de condições com a produção nacional. Nesse sentido, a CNC elaborou e submeteu ao presidente da República, em 1995, um anteprojeto integral de reforma do Sistema Tributário Nacional, inclusive com uma proposta de emenda constitucional dando nova redação ao capítulo pertinente da Constituição.
Nos últimos anos, a CNC apoiou a proposta governamental de substituição do IPI, ICMS, ISS, CSLL, Cofins e Contribuição ao PIS por um novo imposto sobre valor adicionado (IVA), regulado em lei federal e repartido entre a União, os estados e os municípios. Infelizmente a proposta não foi aprovada em face da oposição da maioria dos governos estaduais, baseados na defesa da autonomia financeira. Tal alegação não parecia procedente, pois o novo imposto seria regulado em lei complementar votada pelo Congresso Nacional e os estados e municípios teriam a garantia constitucional de uma receita transferida automaticamente pela rede bancária arrecadadora, sem qualquer interferência do governo federal.
Justamente por defender, ao lado de toda a sociedade, a realização de uma ampla reforma tributária, a CNC não se entusiasmou com o recente projeto de lei que visa alterar a base de cálculo da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) a fim de retirar-lhe o efeito cumulativo ou, como é mais conhecido, o efeito cascata. Essa proposta, ao que se alega, constituir-se-ia num ‘‘laboratório experimental’’ para verificar os efeitos da transformação proposta sobre a arrecadação federal sobre os preços em geral e a própria estabilidade da moeda, efeitos esses que a Receita Federal é capaz de calcular, com razoável precisão, como nos casos recentes de elevação do IR, CPMF e outros tributos. A providência ideal a ser tomada em relação ao PIS é a da sua extinção, uma vez que foram distorcidos, completamente, os motivos de sua criação à época do governo militar, ou seja, a formação de um patrimônio dos trabalhadores, como modalidade de participação nos lucros das empresas.
O projeto de lei de alteração da base de cálculo e aumento, de 0,65% para 1,65%, da alíquota da contribuição ao PIS, como é pacífico, importará, para uns, na redução do montante a recolher e, para outros, na elevação desses valores. Para a maior parte dos estabelecimentos comerciais, especialmente os varejistas, e a quase totalidade das empresas do setor de serviços, o valor da contribuição ao PIS será, inquestionavelmente, aumentado. Estariam excluídas dessa sobrecarga fiscal apenas as grandes empresas, que, de modo geral, têm estreita margem de lucro, as microempresas incluídas no Simples e as empresas do setor de serviços optantes pela tributação do IR pelo lucro presumido. Inobstante os aspectos favoráveis (transformação de uma incidência em cascata em incidência sobre o valor agregado), a classe comercial de bens e serviços sente-se obrigada a manifestar suas restrições ao projeto, por importar no aumento da carga tributária e da burocratização do sistema, uma vez que obrigará as pessoas jurídicas contribuintes à criação de mais uma escrita fiscal (diferente das relativas ao IPI e ao ICMS).
A se admitir que, apesar de suas falhas, o projeto venha a ser aprovado pelo Congresso Nacional para sinalizar o início de uma reforma tributária, a CNC considera indispensáveis: 1º) a exclusão das empresas do setor de serviços quanto à incidência da contribuição pelo novo figurino ou, alternativamente, permissão para o desconto de um crédito presumido, como estaria sendo proposto em relação ao setor da agroindústria; 2º) a autorização para que as empresas do setor de serviços também possam optar pelo regime do Simples, em condições isonômicas com as que são oferecidas às demais empresas, até mesmo em respeito à norma do art. 150, inciso II, da Constituição; e 3º) a atualização dos estoques pela alíquota de 1,65% e não pela alíquota de 0,65%, como prevê o art. 12 do projeto de lei.
Tais medidas não importam, é claro, em perda de receita, já estimada na Lei do Orçamento, mas, tão-somente, em modesta redução na receita ampliada que decorrerá da implementação da nova base de cálculo e da alíquota aumentada da contribuição ao PIS. Se assim não for, estaremos, mais uma vez, nos iludindo com uma pseudo-reforma tributária e, nesse caso, melhor seria aguardar a posse do novo governo.
Editorial
ENCONTROS NO PLANALTO
O presidente Fernando Henrique Cardoso convidou os quatro candidatos ao Palácio do Planalto mais bem colocados nas pesquisas eleitorais para uma conversa sobre a crise financeira que atinge o Brasil. As divergências partidárias e ideológicas foram postas de lado e todos aceitaram discutir os problemas nacionais, em grande parte decorrentes das turbulências na economia mundial. A possibilidade de uma transição pacífica do atual governo para o próximo tranqüiliza a nação por sinalizar um horizonte de maturidade nas relações políticas brasileiras.
A gravidade da crise explica a disposição para o diálogo entre o presidente e os candidatos. As turbulências na economia brasileira começaram quando a Argentina quebrou, no final do ano passado, e se intensificaram com as incertezas decorrentes da campanha eleitoral. A subida nas pesquisas dos oposicionistas Ciro Gomes e Luiz Inácio Lula da Silva serviu de combustível para aumentar a desconfiança dos investidores estrangeiros.
O governo chegou a respirar aliviado na semana passada com empréstimo de US$ 30 bilhões concedido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) ao Brasil. A equipe econômica acreditava que o dinheiro seria suficiente para acabar com as desconfianças externas em relação ao país. Mais uma vez, porém, o mercado financeiro apostou contra a economia nacional e o real voltou a se desvalorizar frente ao dólar.
Ao aceitarem comparecer ao Palácio do Planalto, os candidatos terão a oportunidade de conhecer mais de perto as preocupações de Fernando Henrique Cardoso com a instabilidade da economia. Se não houver uma grande mudança no quadro eleitoral, um deles estará no comando do país no próximo ano. O contato prévio com alguns dos mais sérios problemas nacionais apresentados pelo próprio presidente da República vai ajudar o futuro dirigente a compreender melhor a responsabilidade de conduzir o país em tempos de crise.
A sociedade não deve esperar dos candidatos um discurso unificado sobre a economia depois das reuniões com o presidente. Todos estão em campanha e vão tentar mostrar diferenças na avaliação da crise e nas propostas para sair dela. Mas os eleitores podem acreditar que, depois dos encontros, a democracia brasileira ficará ainda mais sólida.
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08/14/2002
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