Ciro Gomes defende a antecipação das eleições








Ciro Gomes defende a antecipação das eleições
Candidato acha que população deve decidir em casos extremos, como convulsões sociais, crises e impeachments

O candidato da Frente Trabalhista à Presidência da República, Ciro Gomes, defendeu essa semana “a antecipação das eleições em caso de uma necessidade nacional”, durante o encontro que realizou, na segunda-feira, com o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, no Rio de Janeiro.

Ciro que afirmou que o encontro, não divulgado à imprensa, com Armínio para discutir a transição eleitoral no Brasil, foi positivo. Destacou que, apesar de divergências entre as formas de pensar a economia nacional, a conversa entre dois “superou as expectativas”, segundo informou um dos assessores.

Conforme Francisco Almeida, secretário-geral nacional do PPS e um dos coordenadores da campanha de Ciro Gomes, a proposta de antecipação das eleições no país é defendida pelo próprio partido e também por Ciro. Almeida explicou ao jornal O Sul que “a antecipação somente ocorreria em casos de excepcionalidade extrema, como convulsões sociais, crises econômicas extremas e impeachment de presidentes”.


Dizem a Collor que “Ciro é Collor made in Paraguai”
A comparação irrita o candidato, mas diverte o ex-presidente mesmo que ela seja usada para depreciar Ciro Gomes

O candidato da Frente Trabalhista à Presidência, Ciro Gomes, é alvo de comparações com o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Idade, semelhanças físicas e de temperamento são usadas pela oposição, sobretudo, para desprestigiar o candidato que vem crescendo nas pesquisas de intenção de voto.

Ciro rejeita o título. “Por que não falam de um escândalo comigo? Cadê os dossiês? Cadê uma imoralidade que eu tenha cometido?”, questiona.

O sociólogo Roque Callage explica que as semelhanças são limitadas. “Essa comparação existe apenas porque ambos são jovens, ambiciosos e bem articulados na mídia”, observa. Na mesma linha, o consultor político e professor Eduardo Carrion considera algumas semelhanças, mas afirma que “qualquer comparação é precipitada”. “Ao invés de desqualificar os adversários, tem que se avaliar os projetos de governo”, defende.


PMDB não espera apoio total a Serra
O presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP), afirmou que a executiva nacional do partido não tomará nenhuma medida, por enquanto, em relação aos diretórios regionais ou filiados que manifestarem apoio a outros candidatos à Presidência que não José Serra, do PSDB, partido que participa da coligação com os peemedebistas.

Citando especificamente o caso do governador da Paraíba, Roberto Paulino (PMDB), que ontem manifestou publicamente o apoio ao candidato à Presidência pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, Temer não deu muita importância, afirmando que essa posição já era esperada, uma vez que parte do PMDB paraibano foi contra a coligação com os tucanos.

“Já no passado eles haviam se oposto à coligação. Não é uma novidade que isso aconteça na Paraíba”, disse Temer, para quem todas as retiradas de apoio até agora já eram previstas.


TST quer mudar leis trabalhistas
A flexibilização da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e a realização de um pacto social entre empregadores, governo e trabalhadores foram defendidas ontem pelo ministro do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Gelson de Azevedo, durante palestra na reunião-almoço da Federasul (Federação das Associações Empresariais do RS).

Segundo Azevedo, o TST já vem tomando decisões favoráveis a acordos coletivos, em sentido oposto à lei. “O nosso sistema, criado em 1943, é complexo, rígido e ultrapassado”, diz. Ele também afirmou que o TST está seguindo uma iniciativa de flexibilização da CLT que partiu, já há alguns anos, dos próprios trabalhadores através dos sindicatos.


Lula faz caminhada e comício em Porto Alegre
O candidato do PT à Presidência da República reuniu mais de quatro mil pessoas ontem à noite no Largo Glênio Peres

O centro da capital gaúcha paralisou por mais de quatro horas, das 17h às 21h de ontem, com a realização de uma caminhada da Frente Popular com o candidato do Partido do Trabalhadores à Presidência da República. Luiz Inácio Lula da Silva chegou de Ijuí às 17h num jato particular e desembarcou direto num hangar particular do aeroporto Salgado Filho. Seguiu para o diretório municipal do PT na avenida João Pessoa. O trânsito foi paralisado no sentido bairro-centro e a escolta da EPTC teve que ser requisitada para organizar a passagem de ônibus, que continuaram transitando apesar da concentração de mais de duas mil pessoas na caminhada.


Petista se compara a Mandela
O candidato do PT à Presidência começou a visita ao Rio Grande do Sul por Ijui. Na cidade, o petista se comparou ao ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Lula afirmou que uma das coisas que mais anima nessas eleições é que a vitória do PT teria um efeito semelhante ao acontecido naquele país. “O que me anima a disputar e vencer é que minha vitória vai criar consciência nos mais pobres, num processo semelhante ao que ocorreu com os negros da África do Sul”, disse.

Lula também falou sobre as críticas que o programa do partido tem recebido de economistas. Para ele, não há como agradar os economistas, pois eles são “muito teóricos”. O candidato afirmou que a solução para os problemas sociais e econômicos do país dependem muito mais da vontade política.


Colunistas

COISAS DA POLÍTICA

Seca
Por telefone, o deputado federal do PMDB Osmar Terra pediu ontem ao presidente FHC e ao ministro da Fazenda Pedro Malan solução para os agricultores atingidos pela seca.

Escancarado
Para o vereador do PT da capital Adeli Sell, basta abrir os classificados dos jornais para acompanhar os crimes praticados por aqui. “Se o Serviço de Inteligência da Polícia, a Receita e outros órgãos fizessem isto, poupariam o trabalho”, ironiza.

Efeito GM
Vice de Antônio Britto, Germano Bonow vai intensificar a cobrança pela perda da Ford. Ele constatou o “efeito GM” em Panambi, onde a empresa Bruning Tecnometal, fornecedora da GM, gerou 1,25 mil.

Fruto do trabalho
A secretária da Saúde Maria Luiza Jager comentou a afirmação de Germano Bonow sobre o padrão tecnológico dos hospitais do RS. “Além do alto padrão, os avanços são fruto do firme trabalho desenvolvido pelo governo visando à capacitação destas instituições para atuarem na área de transplantes”, lembrou.

Contribuição
O deputado estadual do PSDB Adilson Troca quer que o Estado devolva aos servidores inativos o desconto indevido de 2% do salário a título de contribuição Previdenciária Suplementar durante vários anos.

Setor público
O deputado estadual do PPS Bernardo de Souza participou ontem do Seminário Governabilidade e Eficiência do Setor Público. Lembrou da busca de qualidade em época de dificuldades financeiras, o que contribuiu para a avaliação global da máquina pública gaúcha.


Editorial

A MULHER E A ELEIÇÃO

O colégio eleitoral deste ano está refletindo o que há muito já se vinha observando: o aumento da participação da mulher na vida do país. Elas ganharam espaço nas salas de aula das universidades, nos postos de alta hierarquia nas empresas – o mais recente exemplo é a notícia, divulgada terça-feira, de que uma mulher vai assumir, pela primeira vez, as operações da Avon no Brasil – e no mundo acadêmico.

Pela primeira vez na história brasileira, as mulheres passam, também, a ser maiori a no eleitorado. Segundo dados da Justiça Eleitoral, dos 115,2 milhões de votos a serem contabilizados na próxima eleição, 58,7 milhões serão de mulheres, 2,3 milhões a mais que os eleitores masculinos.

No Rio Grande do Sul, conforme informações do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), de um total de 7,35 milhões de eleitores, 3,59 milhões são do sexo masculino e 3,75 milhões do feminino. Entre os eleitores gaúchos filiados a partidos políticos, porém, os homens são maioria. Eles são 5,81 milhões dos 9,86 milhões de filiados no Estado. As mulheres gaúchas filiadas são 4,05 milhões.

Os números superam a quantidade de eleitores por repetição de nomes ou erro na contabilidade dos partidos. Há pessoas que até já morreram mas que ainda constam nas listas das agremiações.

Ao contrário do país, que só agora tem a sua maioria de eleitoras mulheres, no RS essa diferença já vem desde 1998. Naquele ano, eram 3,44 milhões de eleitoras e 3,40 milhões de eleitores, de um total de 6,84 milhões.

O crescimento da influência feminina no dia-a-dia do país está sendo evidenciado nas candidaturas. No Rio de Janeiro, dos quatro candidatos, três são mulheres.

No Rio Grande do Sul, todos os candidatos ao governo são homens. Alguns, porém, optaram por colocar mulheres como vice. É o caso de Celso Bernardi (PPB), que escolheu Denise Kempf para concorrer como vice na sua chapa.

A candidata a vice-governadora ao lado de Júlio Flores (PSTU) é Vera Rosane. O concorrente ao Palácio Piratini pelo PTN, Luiz Carlos Coelho Prates, terá Simone Pereira de Souza ao seu lado na disputa. Entre os presidenciáveis, apesar de muitos ensaiarem, apenas Jose Serra (PSDB) escolheu uma mulher para vice na sua chapa: Rita Camata.

O valor e o peso do voto feminino vêm mexendo nos planejamentos de marqueteiros e coordenadores de campanha. Mas quem deve se preocupar em vencer essa eleição é o eleitor, votando de forma consciente.

Tem de escolher o candidato que considerar o melhor e mais capacitado para lidar com os atuais problemas do país. Seja ele homem ou mulher.


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07/25/2002


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