Ciro: “governo abriu caixinha de maldades”








Ciro: “governo abriu caixinha de maldades”
Denúncias contra Paulinho e Martinez teriam partido do candidato tucano, em dificuldades na corrida presidencial

O candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, atribuiu ao governo federal a onda de acusações que representantes da Frente Trabalhista tem sido alvo. Para Ciro, as forças governistas abriram “sua caixinha de maldades”.

“Isso é uma sintonia de deseducação política de quando não se consegue se afirmar e começa o jogo de canelada. Mas o povo é vacinado, a gente é limpo e aguenta bem”, afirmou, referindo-se às acusações contra seu vice, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que supostamente teria feito uso irregular de recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). “O dragão da maldade começou a se apresentar. Quando começam as dificuldades, (surgem) aquela tradição negativa, desagradável, de tentar destruir reputações sem provas”, afirmou.

Ciro aproveitou para dizer que não deve aceitar o apoio do candidato do PSB, Anrhony Garotinho, caso ele desista de sua candidatura. Ele defendeu o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, seu aliado e desafeto de garotinho.


21 vereadores do Vale do Sinos são investigados
Já chega a 21 o total de parlamentares acusados de corrupção nas Câmaras de Vereadores de São Leopoldo e Novo Hamburgo. As denúncias são investigadas pelo Ministério Público.

Só em São Leopoldo, são 13 acusados de receber propina para eleger os presidentes da Câmara em 1999 e 2000. A CPI que investiga o primeiro caso recebeu ontem cópias de cheques e demais provas contra Moacir Soares e Hamilton Silva (PMDB), Jorge da Silva e Ernesto Grandi (PTB) e Joni Homem (PFL). A Comissão que encaminha a cassação dos envolvidos na denúncia relativa a 2000 intimou ontem Ângelo Magro, Adão dos Santos, Valmor Tavares, Jorge da Silva, Fernando Henning, Fernando Fusquine, Juvenal Garcia, João Palharini e Emílio Diniz. Eles têm 10 dias para a defesa.

Em Novo Hamburgo duas CPIs foram instauradas para investigar oito vereadores acusados de reter salários de servidores. A denúncia envolve a Mesa Diretora.


Empresários abrem apoio a Lula
Um grupo de cem empresários lançou ontem pela manhã um manifesto de apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência.

Assinado por empresários como Antoninho Marmo Trevisan, Oded Grajew e José Carlos de Almeida, da Cives (Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania), o texto, intitulado “desabafo”, coloca-se contra o atual modelo econômico, que caracteriza como “submisso”.

Segundo o texto, esse modelo abriu o “mercado de forma predatória” e fez com que as empresas brasileiras concorressem “em total desigualdade”, fechando “postos de trabalho” e aumentando o desemprego”.

Com representantes da construção civil, consultorias e defensores agrícolas, o grupo diz que “Lula é a única alternativa capaz de implementar o crescimento econômico com geração de empregos e redução das desigualdades”. Os empresários dizem que darão apoio público, mas não contribuirão financeiramente à campanha do petista.


Deputado propõe que estupro seja punido com castração
O parlamentar tomou como base a conversa que teve com um etuprador, que teria afirmado que ao sair faria tudo de novo

Inibir os crimes de estupro através da pena de castração química é o projeto do deputado federal Wigberto Tartuce (PPB-DF) que volta à pauta. A proposta alteraria o Código Penal Brasileiro.

Para o parlamentar, o abuso sexual, principalmente contra as crianças e adolescentes, tem proporções alarmantes, preocupando autoridades no mundo inteiro. “Hoje a mulher delata mais detalhes.”

O deputado baseou sua proposição em uma conversa que teve com um estuprador preso, que teria afirmado que ao sair faria tudo de novo. “Este homem sofre por excesso de testosterona e pela falta de princípio família, que lhe deu uma visão distorcida da mulher”, argumenta Tartuce.

Em outros países do mundo, a pena de castração química tem sido discutida para implantação.


Brasil cuida do dinheiro do FMI
O ministro das Relações Exteriores Celso Lafer respondeu às insinuações feitas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Paul O´ Neill, sobre o destino dos recursos liberados pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) aos países latino-americanos.

Na última segunda-feira, em entrevista ao programa de TV Fox News Sunday, O´Neill afirmou que não oferecerá ajuda financeira durante a visita que fará ao Brasil e à Argentina.


Declaração de isento começa quinta-feira
Os brasileiros livres da declaração anual de Imposto de Renda já podem se preparar para o calendário de entrega da declaração de isento. A Receita Federal começa a receber a declaração anual de isentos a partir de quinta-feira.

A estimativa é que de 40 a 45 milhões de pessoas entreguem o documento até o final do calendário, dia 30 de novembro. Em 2001, a Receita recebeu 43 milhões de declarações. São obrigados a fazer a entrega todos os portadores de CPF (Cadastro de Pessoa Física), inclusive os menores de idade, que ficaram livres da declaração de renda por ganharem menos R$ 900,00 por mês ou R$ 10,8 mil no ano de 2001.

Estão livres da entrega da declaração de isento somente as pessoas que tiraram o CPF este ano e, neste caso, obrigatoriedade passa a valer a partir de 2003.


Colunistas

COISAS DA POLÍTICA

Estradas
O secretário estadual dos transportes, Fernando Variani, abre, às 8h30 de hoje, o II Seminário Estadual de Estradas Municipais. O encontro também é uma realização do Daer.

Pela criança
A vereadora do PT da capital Sofia Cavedon participa amanhã do lançamento do Funcriança. Sofia é a criadora do título Compromisso com a Criança e o Adolescente, concedido a empresas atuantes na área.

Promessa
O deputado estadual do PTB Manoel Maria, que esteve com os cegonheiros, lembra que a categoria não quer o monopólio do mercado, mas apenas uma fatia. Defendem o direito de trabalhar para a GM, que veio com a promessa de gerar empregos.

Rejeição
O deputado estadual do PT Elvino Bohn Gass acredita que o fechamento da Monsanto em Não-Me-Toque reflete a rejeição do mercado aos transgênicos. “Os maiores compradores e exportadores de soja do Estado têm anunciado grandes investimentos para a compra de soja não transgênica”, lembra.

OP em Recife
O ex-prefeito Raul Pont está em ponte-aérea. Ministrou curso de Formação de vereadores em Uruguaiana, no fim de semana, e ontem deu palestra sobre Administração Popular e OP a convite da Prefeitura de Recife.

Corrupção eleitoral
Mais de 50 entidades no país estão envolvidas na campanha contra a corrupção eleitoral. No RS, a Comissão de Cidadania da Assembléia, presidida pelo deputado estadual do PT Roque Grazziotin discute as estratégias hoje, às 14h.


Editorial

A ESTABILIDADE PRIORITÁRIA

Crescimento econômico, queda nos índices de desemprego, incremento das exportações e redução na criminalidade. Todos esses temas têm pautado as declarações dos candidatos à Presidência da República. Não há dúvida que são assuntos pertinentes, que devem mesmo ocupar os pretendentes ao cargo e que este debate deve ser promovido agora. No entanto, um importante aspecto para o país foi esquecido. Nada disso acontecerá de forma plena se a manutenção da estabilidade monetária não aparecer como principal objetivo de qualquer governante.

Neste momento em que o real sofre uma forte desvalorização frente ao dólar e o Brasil s e inclui entre os países de maior risco para investimentos, seria mais do que oportuno que os candidatos se ocupassem em explicitar de forma mais clara suas propostas em relação ao zelo pela inflação em baixos níveis. Frente à importância da questão, qualquer outro assunto pode ser relegado a um segundo plano. Muito da atual aflição que ronda os investidores se deve a fatos negativos do passado do país. O histórico da hiperinflação brasileira sempre será lembrado por economistas estrangeiros que analisam investimentos no país, principalmente em momentos de depreciação da taxa de câmbio. O alvoroço do mercado financeiro se deve à desconfiança dos investidores em relação às políticas a serem implantadas pelo candidato eleito. O descaso para este assunto é inconcebível num momento como este. A fim de manter a estabilidade, qualquer futuro governante deve priorizar o controle das contas públicas. A relação dívida/PIB deve ser reduzida. O cumprimento dos contratos da dívida devem ser honrados e para isso as metas de superávit primário (diferença entre receitas e despesas, sem contabilizar gastos com juros) devem ser mantidas - sem que para isso seja aumentada a carga tributária - e o enxugamento da máquina administrativa deve ser acelerado. A irresponsabilidade fiscal não existe neste cenário.

Muitos desses pontos foram alcançados nos últimos anos. Mas, para que se mantenha a estabilidade sem a desconfiança dos investidores estrangeiros, ainda há muito a ser feito. A reforma tributária é um exemplo. A independência do Banco Central e o controle de gastos são outros aspectos fundamentais. Concentrar atenções única e exclusivamente em índices de inflação é muito pouco frente às necessidades brasileiras. Mas, sem despender preocupação alguma à austeridade na condução da política monetária, qualquer outro esforço nos planos social e econômico será de antemão' fadado ao insucesso. Os candidatos devem ter em mente os danos causados à população pelo imposto inflacionário e reafirmar a estabilidade como prioridade de governo.


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07/30/2002


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