COMUNICAÇÃO SOCIAL PRECISA DE MODELO MAIS CLARO, DIZ PROFESSOR
A comunicação social no Brasil deveria ter um modelo institucional mais bem definido, que incluísse uma agência reguladora para o setor. Essa foi a opinião expressa nesta quinta-feira (dia 9) pelo diretor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, professor Murilo César Ramos, durante audiência na Subcomissão de Rádio e TV.O professor identificou como um erro grave a separação entre telecomunicação e radiodifusão, processada na discussão sobre a quebra do monopólio da Telebrás, em 1995. Para Murilo Ramos, essa divisão criou um sistema "esquizofrênico, que torna difícil a regulamentação racional do sistema audiovisual brasileiro".Nesse sentido, o diretor da faculdade duvida que a abertura das empresas de rádio, televisão e jornalísticas ao capital estrangeiro, que está sendo analisada em comissão especial na Câmara dos Deputados, vá surtir efeito. Na sua opinião, recursos externos não serão investidos no país caso não haja a segurança dada por um órgão regulador, como ocorreu no caso da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).Da maneira como está sendo feita, continuou Murilo Ramos, as mudanças no setor beneficiam a manutenção do status quo, "principalmente das Organizações Globo", num setor que tem resistido historicamente a qualquer normatização ou regulamentação.- Sem ter claro o modelo que queremos, sem um órgão regulador permeável aos interesses da sociedade, corremos o risco de agravar o quadro de desregulamentação que favorece as estruturas hegemônicas e a falta de democracia no rádio e na TV no Brasil - afirmou Murilo, que, por esse motivo, acredita ser difícil realizar um debate sobre o conteúdo da programação.Ele reconheceu que houve avanços durante a Constituinte, porém, muitos dos novos dispositivos, como a participação do Congresso no processo de outorga de emissoras de rádio e TV, não atingiram o objetivo de democratizar o acesso aos meios de comunicação. O professor também criticou o formato corporativo do Conselho de Comunicação Social, o que impediria a sua instalação.
09/09/1999
Agência Senado
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