Conab começa a transferir milho para gaúchos e catarinenses









Conab começa a transferir milho para gaúchos e catarinenses
Começaram a chegar ontem ao Rio Grande do Sul e Santa Catarina os primeiros carregamentos de milho transferidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a venda a varejo. Os dois Estados receberão ainda no primeiro semestre 190 mil toneladas do grão dos estoques reguladores do governo federal - 110 mil toneladas para os gaúchos e 80 mil para os catarinenses. A transferência foi confirmada por técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que estiveram em Porto Alegre em uma reunião na Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) com representantes de agroindústrias, ansiosos por informações sobre a política do governo federal para garantir o abastecimento do produto no Estado. O milho destinado ao Rio Grande do Sul vem do Mato Grosso do Sul e o comercializado em Santa Catarina virá do Paraná. A primeira remessa para os gaúchos será de 16 mil toneladas e, para os catarinenses, de 19 mil toneladas.

O principal objetivo da viagem dos representantes do Mapa ao Estado foi tentar tranqüilizar setores como a avicultura, suinocultura e pecuária leiteira em relação à perspectiva de falta de milho, principalmente no segundo semestre. Devido a fatores como a quebra da safra por causa da estiagem e diminuição da área cultivada, o Rio Grande do Sul deve colher este ano cerca de 4,1 milhões de toneladas, enquanto a demanda é de 5,3 milhões de toneladas. O grão é o principal ingrediente para a fabricação de ração animal. Como o milho representa 21% do preço do frango e a escassez está causando o aumento da cotação do cereal, a Asgav teme que a elevação do custo de produção leve a avicultura gaúcha a perder competitividade nos mercados interno e externo. O Brasil é o hoje o segundo exportador mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos. O Rio Grande do Sul é responsável por 25% das exportações brasileiras.

O assessor do Departamento de Abastecimento Agropecuário do Mapa, Sílvio Farnese, admitiu que os estoques do governo federal hoje são baixos, aproximadamente 1 milhão de toneladas, mas garante que não haverá falta de milho no País. Segundo Farnese, ´a oferta e a demanda serão equilibradas´. Para o técnico, a questão do Rio Grande do Sul é ´um problema localizado´. Rosilda Santos Moreira, da Superintendência de Gestão de Oferta da Conab, estima que o Brasil vai colher este ano 39 milhões de toneladas tanto na safra quanto na safrinha, enquanto a consumo nacional é de 36,6 milhões de toneladas. A dúvida persiste no desempenho da safrinha.

A previsão era de uma produção de 8 milhões de toneladas, mas a seca que atinge as principais regiões produtoras pode reduzir a colheita em 2 milhões de toneladas. Já foram exportadas 1,3 milhão de toneladas, mas Farnese adianta que a política adotada pelo governo para estimular a comercialização no mercado interno deve brecar a venda do grão para o exterior. A diferença, segundo o técnico, poderá ser suprida com o que chama de ´produtos alternativos´ ao milho, como sorgo, triticale, triguilho e raspa de mandioca, cuja colheita deve somar 1,2 milhão de toneladas.

O presidente da Asgav, Paulo Vellinho, pleiteava que a Conab transferisse para o Rio Grande do Sul 400 mil toneladas para a venda a balcão, a metade em cada semestre. O restante do déficit seria sanado com importações por parte das agroindústrias. Os repasses não são garantidos pela Conab, que entretanto reafirma que não haverá desabastecimento de milho no Estado. Farnese explica que o governo lançou contratos de opção com vencimento entre agosto e setembro e, caso as cotações na época alcancem valores inferiores ao preço mínimo garantido pelo ministério, o grão será absorvido pelos estoque federais e o produto poderá ser repassado para Estado. Na hipótese de o produtor encontrar um preço melhor, o mercado adquire o grão e, de qualquer forma, entende o técnico, o abastecimento será garantido.

A Asgav, entretanto, não descarta a possibilidade de comprar milho de outros países, especialmente da Argentina. Vellinho ressalta, no entanto, que o produto não pode ser transgênico. A restrição, de acordo com o dirigente, não é da entidade, e sim por causa ´do estigma´ criado em torno dos organismos geneticamente modificados (OGMs). Farnese e Rosilda lembram que o ministério tem uma posição favorável à importação de milho transgênico destinado à alimentação animal, mas decisões judiciais ainda impedem a efetivação de negócios.


Projeto ensina processo de reciclagem para as crianças
Com o apoio da Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura Municipal de Curitiba, Lei de Incentivo à Cultura e Siemens do Brasil, o Projeto Papel Brasil está levando às crianças de escolas públicas da capital as técnicas de reciclagem de papel. O projeto, que já passou por quatro escolas da região desde julho do ano passado, chega agora à Biblioteca Pública de Curitiba, onde até o dia 17 espera atrair mais de seis mil pessoas, em sua maioria crianças. Segundo a idealizadora do projeto, Marilis Serur dos Santos, o objetivo é honrar o título de cidade ecológica, ´começando pelo caminho mais óbvio que são as crianças´.

O projeto envolve várias atividades. No hall da biblioteca, podem ser conferidas demonstrações de reciclagem dos mais diferentes tipo de papel, assim como uma exposição de fotos que mostram outras formas de reciclagem utilizadas no mundo, em países como o Japão. Os visitantes também podem participar de oficinas, onde aprenderão todas as fases do processo de reciclagem, com a orientação de monitoras. O interesse, de acordo com Marilis, tem sido muito grande, principalmente das escolas que agendam as visitas com antecedência. A exposição Papel Brasil pode ser conferida todos os dias, das 8h30 às 20h.


Obra consagrada nos EUA está em Curitiba pela primeira vez
A obra ´A Luz da consciência´, do artista plástico radicado no Paraná Alexandre Rodrigues, pode ser apreciada até amanhã na Galeria Portal das Artes. Exposta pela primeira vez no país, o trabalho passou dois anos nos Estados Unidos, onde percorreu museus de cidades como Nova York, Chicago e Maryland, sendo muito bem recepcionado pela crítica e público. A tela, de estilo contemporâneo, possui temática religiosa, retratando a Santa Ceia com a ausência dos 12 apóstolos.

O seu valor pode ser calculado pela inclusão no livro norte-americano ´Christ for all people´, publicação que reúne os melhores trabalhos da arte sacra do século XX, que colocou o artista ao lado de pintores como Rembrandt e Picasso. Além disso, a tela ficou entre as 10 melhores obras do concurso promovido pela revista norte-americana National Catholic Reporter, na qual superou mais de 1,6 mil obras de 19 países.

Segundo Rodrigues, este quadro, datado de 1998, sempre foi especial porque, além de não ser o seu estilo a pintura sacra (o pintor adota a linha abstracionista), a tela foi feita em um momento único na sua vida. ´Fazia dois anos que eu havia largado tudo para me dedicar exclusivamente à pintura, quando alguns artistas me disseram que o que eu fazia não era arte de modo algum. Num momento de indecisão, eu comecei a trabalhar no quadro, buscando conversar com Deus. Foi aí que eu me identifiquei com a passagem bíblica onde os próprios apóstolos duvidaram de Jesus´, lembra.

Rodrigues ainda conta que, no esboço do quadro, chegou a projetar os doze apóstolos. ´Mas uma luz divina me inspirou a fazer um Cristo solitário, numa referência ao isolamento das pessoas às portas do século 21´. Apesar de batizado, o artista não se considera católico e sim um místico, buscando em várias filosofias o seu conceito de Deus. O fato da obra ter sido tão premiada o satisfaz muito. ´É como se fosse a resposta para todas as minha s dúvidas em relação à arte´, explica.

Além de ´A luz da consciência´, a exposição de Alexandre Rodrigues, denominada A Nova Fase, reúne mais 32 quadros, em sua maioria de estilo abstracionista. Autodidata, o artista, de 36 anos, adota como método de trabalho a pintura irracional e intuitiva. O resultado é uma mistura de cores fortes, que mesmo quando utilizando toques mais suaves acabam carregando a tela de energia. ´Cada um vê e sente as minhas obras de maneira diferente´, afirma. A exposição permanece até amanhã na Rua Riachuelo, das 9h às 12h e das 14h às 18h.


Cheque sem fundo diminui no comércio de Curitiba
As taxas de adimplência de 91,55% no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e de 92,81% no Videocheque registradas mês passado são os dados mais importantes do balanço da movimentação comercial da região metropolitana de Curitiba, segundo avalia a Associação Comercial do Paraná (ACP), responsável pela pesquisa, divulgada ontem. Para a entidade, estes indicadores são um sinal importante sobre o aquecimento do comércio local. ´O consumidor está mais consciente no controle do seu orçamento´, afirma o vice-presidente de serviços da ACP, Élcio Ribeiro.

Considerando-se os últimos doze meses, a taxa de inadimplência líquida foi de 3,27%. ´É a menor desde dezembro de 2000, e é considerada baixa em relação a outras capitais. Em São Paulo, por exemplo, ela foi de 6,74%´, diz Ribeiro.

O volume de consultas ao Videocheque - indicador de vendas a vista - e ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC)- indicador de vendas a prazo - aumentou 7,26% e 8,51%, respectivamente. Os números do Videocheque mostram que o clientes dos cartões de crédito continuam migrando para as operações com cheques. As consultas ficaram 14,03% acima do registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado do quadrimestre, o número de consultas está 3% acima de 2001.

Em conseqüência, aumentaram também as ocorrências que sinalizam problemas na emissão de cheques. Foram 2.028 exclusões no período, contra 2.950 em março. ´É natural que os problemas com cheques cresçam. Os números são proporcionais ao aumento do volume de operações´, observa o vice presidente.

A perspectiva para o ano começa a delinear um quadro otimista, embora a ACP se posicione com cautela e prefira não arriscar nenhuma projeção.


Mudança no sistema de saúde sofre resistência em Curitiba
O convênio entre a Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba e os três hospitais universitários da cidade, anunciado nesta semana pela prefeitura, está causando polêmica. De acordo com a proposta, o atendimento nos cinco postos de saúde 24 horas da Capital passaria a ser feito por médicos contratados pelos hospitais, que ficariam também responsáveis pela realização de exames médicos e outros procedimentos. Mas entidades ligadas ao setor denunciam que a medida é uma privatização disfarçada e que há irregularidades no processo de contratação de médicos.

O secretário de saúde da cidade, Michele Caputo Neto, explica que a intenção é reduzir a necessidade de deslocamento dos usuários para a realização de exames e também permitir o acesso mais rápido a esses procedimentos, garantidos pela retaguarda dos hospitais. ´A situação hoje é crítica no que diz respeito ao atendimento nos postos 24 horas. Nós pretendemos mudar o perfil destas unidades a partir da reorganização das urgências e emergências clínicas´, afirma.

O convênio requer um investimento total de R$ 750 mil por mês, a maior parte para custear a folha de pagamento. ´Aproximadamente R$ 400 mil por mês serão financiados pelo Ministério da Saúde´, ressalta o secretário. Segundo ele, este financiamento deve-se ao fato de que o projeto de Curitiba servirá de piloto para outras capitais brasileiras. ´O Ministério avaliou e aprovou o projeto´, ressalta.

Mas é a contratação de médicos pelos hospitais que está provocando a polêmica. Segundo a representante do Fórum Popular de Saúde, Dori Tucunduva, este convênio é um artifício que a prefeitura está usando para terceirizar os serviços nos postos de saúde 24 horas. ´A prefeitura vai fazer o repasse de recursos para os hospitais, que vão contratar os médicos, sem que seja feito concurso público. A exceção é o Hospital de Clínicas que, por ser um órgão federal, tem que realizar concurso´, afirma.

Outro questionamento feito por ela é sobre a ausência de licitações para a contratação dos hospitais. ´Não houve licitação. Portanto, nós estamos questionando a legalidade destes convênios´, enfatiza. Dori reconhece que o atual sistema tem dificuldades mas afirma também que estes convênios não vão resolver os problemas. ´Nós precisamos de melhoria no atendimento´, completa.

O Sindicato dos Médicos do Paraná também está questionando o sistema. ´Nós queremos frear este processo para que haja uma discussão a respeito´, afirma o diretor do sindicato, Mário Stival. Segundo ele, não houve discussão prévia para avaliar o convênio. ´Nós, que representamos os profissionais que trabalham nos postos e os que serão contratados, não fomos convocados para discutir a proposta´, ressalta.

Stival explica que o sindicato foi procurado por alguns médicos da prefeitura que prestam serviços nas unidades de saúde 24 horas e que serão transferidos para unidades básicas de atendimento. ´Estes profissionais estão insatisfeitos com as mudanças´, diz. ´Eles serão substituídos por médicos particulares e autônomos, contratados pelos hospitais´, completa.

O secretário de saúde afirma que os 60 médicos que trabalham nas unidades 24 horas serão transferidos para outras unidades, sem prejuízo algum. ´Muitos deles receberão, inclusive, aumento de salário´, ressalta. Quanto à qualidade no atendimento, Caputo diz que, no lugar destes profissionais os hospitais deverão contratar 250. ´Isso vai tornar o atendimento melhor e mais ágil´, diz.

O novo formato de atendimento deve entrar em funcionamento até o final do mês de junho. O convênio, que ainda não foi firmado, será entre a prefeitura, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Hospital Cajuru, mantido pela PUC/PR e o Hospital Evangélico, da Faculdade Evangélica de Medicina do Estado.

Atualmente Curitiba possui cinco postos 24 horas, sendo que dois deles estão em construção. Um deve ser concluído ainda este ano e o outro em 2003. Cada um atende em média 750 pessoas por dia. Inicialmente, cada hospital será responsável por dois postos.

Na opinião dos diretores dos hospitais contratados para o convênio haverá uma melhoria na qualidade dos serviços prestados. ´Atualmente o volume inviabiliza a organização do trabalho tanto nos postos 24 horas quanto nos pronto-atendimentos dos hospitais´, explica o diretor do Hospital de Clínicas, Giovani Loddo.

Segundo ele, a melhoria e agilidade no atendimento vai começar a partir do momento em que acabarem as duplicidades de avaliações médicas. ´Hoje o paciente é diagnosticado no posto 24 horas e encaminhado para o hospital para exames. No hospital ele é atendido por outra equipe que faz um novo diagnóstico antes de realizar os exames´, explica. ´Esse processo demorado vai acabar´, completa.

Para o diretor do Hospital Evangélico, Antonio Gonçalves Rocha, o novo perfil dos médicos contratados também vai contribuir para evitar as internações desnecessárias. ´Os médicos contratados estarão mais bem preparados para prestar atendimentos emergenciais e para resolvê-los sem a necessidade de internamento´, afirma.

Ele destaca ainda que os hospitais conveniados vão se comprometer a aumentar as consultas especializadas ambulatoriais nos hospitais. ´Com o atendimento nos postos vamos ter mais espaço nos hospitais para prestar atendimentos específicos´, enfatiza. Segundo e le, o que falta para os hospitais é espaço físico. ´Nós não temos condições físicas de evoluir na questão de assistência´, reconhece.

O diretor do Hospital de Clínicas diz ainda que com as mudanças no atendimento das unidades de saúde 24 horas, será mais fácil para os hospitais remodelarem o atendimento próprio. ´Nós calculamos que haverá uma redução de 40% no aporte de consultas no pronto-atendimento, o que vai facilitar o trabalho dos hospitais nas questões urgentes´, completa.


São Leopoldo fabricará cabos no Rio de Janeiro
A produção de petróleo e gás no Rio de Janeiro atrai a Cordoaria São Leopoldo, empresa gaúcha especializada na fabricação de cabos, que anuncia a instalação de uma unidade no Norte Fluminense, nas cidades de Carapepus ou Macaé. A informação é presidente da Cordoaria, José Abu-Jamra, no encerramento da Offshore Technology Conference, a maior feira de petróleo do mundo, em Houston, nos Estados Unidos. Com início de operação previsto para o segundo semestre do próximo ano, a fábrica terá capacidade instalada para produção de 500 toneladas mês de cabo de poliéster, item utilizado na ancoragem de plataformas em águas profundas.

De acordo com estimativas da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), nos próximos dez anos, os fornecedores brasileiros terão pela frente um mercado de US$ 500 bilhões, total que será investido em projetos no setor na América Latina e no Brasil, além do Oeste da África.

O empresário aposta nos novos investimentos que surgirão com o mercado aberto e diz que estará preparado para aumento de demanda, o que dá como quase certo principalmente por conta do ponto que busca para a instalação da unidade. ´Estamos negociando com dois municípios. A região é ideal para o novo investimento por estar próxima às bases de operação. Definiremos o local nos próximos meses´, completou Abu-Jamra, sem revelar o valor do investimento na unidade.

Com os investimentos na nova unidade, a Cordoaria São Leopoldo traz também seu know-how no setor, já que foi a pioneira no desenvolvimento de cabos de poliéster para ancoragem de plataformas em águas profundas, tecnologia desenvolvida em parceria com a Petrobras e difundida hoje em todo o mundo. Até então, nas operações em águas rasas, as empresas utilizavam cabos de aço, produto inadequado à outra modalidade de exploração.


Dana investe R$ 500 mil em usina para tratar efluentes industriais
A Dana Albarus, um dos maiores fornecedores brasileiros de componentes automotivos, está modificando o sistema de tratamento de efluentes no seu complexo industrial de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Com investimento de R$ 500 mil, a ampliação da Estação de Tratamento de Efluentes Industriais teve como principal objetivo melhorar a qualidade da água devolvida ao rio, cujo o nome é o mesmo do município onde estão as oito fábricas da empresa no Rio Grande do Sul. Com o processo a carga poluidora enviada ao ambiente é reduzida para quantidades mínimas, informa a coordenadora do Sistema de Gestão Ambiental da empresa em Gravataí, Sheila Castro. Ela acrescenta que a empresa investe cerca de R$ 600 mil por ano em projetos ambientais e que seus efluentes líquidos já atendiam aos parâmetros exigidos por órgãos ambientais. Em 2001, a planta de Gravataí faturou US$ 122 milhões.

As linhas de efluentes serão colocadas em um tanque de acordo com o tipo de resíduo gerado, como ácidos, metais pesados, alcalinos e cromo. Depois dessa separação, os elementos passam para outro tanque para tratamento com adição de produtos químicos e ajuste do pH. Sheila diz que neste ponto há a precipitação, que separa o material sólido do líquido e facilita a retirada das impurezas. ´O processo é tão eficiente que permite a criação de carpas no reservatório que abriga os efluentes tratados´.

A empresa também investiu em novos equipamentos para realizar medições e análises. A adição de produtos químicos passa a ser por bombeamento, evitando que o operador tenha contato direto com as substâncias. O Complexo Industrial de Gravataí, certificado com a ISO 14001 (meio ambiente), vai além dos quesitos exigidos pela padronização de qualidade. Em 1993, o complexo de 36 hectares, projetado para não poluir, inaugurou sua Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), onde toda a água utilizada pela empresa é tratada e devolvida ao rio Gravataí. A instalação da Dana no estado gaúcho iniciou-se em 1978, com a fábrica de juntas universais. Hoje, a unidade é uma das mais completas operações da Dana em todo o mundo, de onde saem os principais produtos da empresa comercializados no Brasil e exportados.


Artigos

Diagnóstico como ferramenta de mudança
Emilia Gischkow Fattori

A mudança faz parte da vida das pessoas e das empresas. Muitas são inerentes ao próprio processo evolutivo. Um exemplo é o processo sucessório, período em que ocorrem alterações próprias das diferentes etapas do ciclo vital das organizações familiares desencadeadas pela evolução da vida dos principais gestores. É um pai que envelhece e um filho que está na plenitude.

Independentemente das necessidades de um novo norte se impor em função do cenário externo ou das etapas de crescimento, é ponto pacífico que mudanças sempre implicam dificuldades. Além disso, é importante perceber que as questões internas e externas de uma empresa têm interligações profundas. Há inúmeras situações de negócios similares, que diante de uma mesma situação externa enfrentam e obtém resultados completamente diferentes.

Como consultores, somos contratados para ajudar na obtenção de melhores resultados. As insatisfações são apontadas, na maioria das vezes, como decorrentes de fatores externos: a alegação usual é de que são provocadas pela concorrência, pelos altos impostos, etc. Passar a ver o problema de forma integrada, com todas as variáveis envolvidas, resgatando situações do passado e do presente. Torna-se pré-requisito para uma modificação consistente.

O diagnóstico empresarial facilita o confronto com os problemas internos, iniciando um diálogo acerca de tais dificuldades. Ele consiste da análise de aspectos técnicos e comportamentais e propõe um novo olhar sobre a empresa como um todo, sua forma de funcionar, sua cultura, seus relacionamentos e sua distribuição de poder, colocando em evidência a relação dos resultados insatisfatórios com a dinâmica de funcionamento da instituição.

Uma empresa familiar solicitou-nos trabalhar o ´clima´ entre os funcionários. Segundo os diretores, o ambiente de até então parecia ´se perder´. O trabalho deveria ser feito com a gerência e os funcionários, já que a relação familiar que envolvia os diretores - pai e filhos - era muito boa.

Com o decorrer das entrevistas, percebíamos uma sombra do passado - a separação da sociedade do pai de seus respectivos irmãos, há 15 anos. Essa separação, muito sofrida e ainda não resolvida, dera origem à configuração da atual empresa. A grande ameaça presente era o possível rompimento entre os agora novos diretores, como havia acontecido no passado com o pai e seus irmãos. Um fator fundamental no impasse vinha sendo o recente casamento dos filhos. Dizia-se que ´as mulheres podem vir a atrapalhar a harmonia da família´; essa, coincidentemente, havia sido a causa da desavença entre os diretores anteriores.

O diagnóstico possibilitou perceber que os relacionamentos interpessoais a serem trabalhados ocorriam na direção e abrangiam questões familiares. A superação do conflito foi a melhor forma de evitar que a história se repetisse sem o controle e as decisões dos próprios interessados. Portanto, conhecer o passado é fundamental para entender o presente e trabalhar o futuro.


Colunistas

NOMES & NOTAS

Seguro duvidoso
O senador Álvaro Dias (PDT-PR) está otimista com relação à decisão que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado dará ao seu projeto de lei que dispensa o recolhimento do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT). O projeto isenta o pagamento para quem tiver seguro facultativo com coberturas iguais ou superiores para danos materiais causados a terceiros. Dias argumenta que a constitucionalidade do seguro ´é, no mínimo, duvidosa´. É um seguro disciplinado pelo direito privado, mas ao qual as pessoas aderem por imposição do poder público.

Dívida rural
O acordo firmado no final do ano passado por lideranças de oposição com a bancada governista no caso das dívidas rurais deu resultado, lembra o deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR). Na última quarta-feira à noite, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 24/2002, que alonga o perfil dos débitos dos pequenos agricultores. Na época, o governo não dispunha de quórum para aprovar o orçamento federal de 2002 e teve de ceder à proposta da oposição: os oposicionistas votariam, mas a MP que beneficiava grandes produtores deveria se estender aos micro e pequenos produtores. A lei dispõe sobre o alongamento de débitos provenientes de operações do Pronaf e Procera.

Perfume para mães
A Ultragaz, empresa que ocupa a segunda posição em volume de vendas de GLP (Gás Liqüefeito de Petróleo) no Brasil, vai fazer um carinho para as futuras mães que estejam internadas em hospitais de Porto Alegre e Canoas, no Rio Grande do Sul. A empresa vai distribuir cartões perfumados com quatro aromas. Feitos especialmente para a ocasião, os cartões exalam fragrâncias capazes de perfumar um ambiente.

Negando o risco
O vice-presidente sênior do departamento internacional do norte-americano Compass Bank, Michael Dwiggins, disse ontem, na sede da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap), não concordar com as prospecções feitas nas últimas semanas por bancos de investimentos estrangeiros. Ele não acredita que as eleições de outubro possam mudar o quadro financeiro do País. Várias instituições financeiras - como o Merrill Lynch, o Morgan Stanley, o ABN-Amro e o Santander - recomendaram aos seus clientes a diminuição de investimentos nos Brasil por temerem uma possível vitória de Lula, o candidato do PT.

Dólares
O executivo do Compass Bank disse que o banco pretende disponibilizar cerca de US$ 10 milhões para empresários brasileiros interessados em financiar a compra de equipamentos fabricados nos Estados Unidos. A instituição, que chegou ao Brasil este ano, aposta na estabilidade do Real como um grande aliado para os financiamentos em dólar. Dwiggins conversou com profissionais de comércio exterior para detalhar a linha de crédito para as empresas brasileiras. O objetivo é formar uma rede de contatos no Paraná. O recursos serão destinados para negócios superiores a US$ 350 mil, com prazo de 5 anos para amortização, carência de 6 meses e juros anuais de 7%.


Topo da página



05/10/2002


Artigos Relacionados


Municípios gaúchos e catarinenses decretaram estado de emergência por falta de chuvas

Conab contrata frete para remoção de 56 mil toneladas de milho

Conab realiza leilão para venda de 600 mil toneladas de milho

Conab fará novo leilão de milho para região da Sudene

Conab negocia nova remessa de milho para região da Sudene

Conab destina milho do Paraná para pequenos criadores de animais de SC