Concessão fica com a Embratel








Concessão fica com a Embratel
O Ministério das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informaram ontem que o governo não pretende retomar a concessão da Embratel por causa dos problemas enfrentados pela WorldCom, controladora da tele brasileira. O ministério divulgou nota negando essa possibilidade e o presidente da Anatel, Luiz Guilherme Schymura, disse que essa hipótese não está sendo estudada. ‘‘Não passa pela cabeça do governo retomar a Embratel’’, disse Schymura. O presidente da agência lembrou o caso Enron para explicar que uma empresa no Brasil, controlada por uma multinacional em crise, nem sempre sofre com as dificuldades da matriz. Segundo Schymura, a Enron passou por uma grave crise e sua controlada no Brasil, a Elektro, não foi afetada.


Cesta básica fica mais cara
A cesta básica de alimentos do brasiliense está mais cara. De acordo com a pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), no mês passado, a cesta com 13 produtos custou R$ 122,10, um aumento de 2,24% em relação a maio. Os produtos que registraram os maiores aumentos foram tomate (26,09%), café (16,17%), óleo (14,17%) e farinha (4,5%). Na mesma lista de produtos, quatro itens registraram queda nos preços: açúcar (-2,88%), carne (-2,09%), batata (-1,92%) e o feijão (-1,29%). Da 16 capitais pesquisadas pelo Dieese, Porto Alegre (RS) foi a que apresentou o maior custo da cesta, R$ 134,41.


Ações da Vivendi sobem 7,19%
A cotação das ações da companhia francesa Vivendi Universal, segundo maior grupo de comunicações do mundo, recuperou-se em parte ontem na Bolsa de Valores de Paris, depois da nomeação da véspera do francês Jean-René Fourtou à presidência do grupo. A nova direção fixou como prioridade solucionar os problemas de tesouraria da empresa e realizar uma auditoria financeira e estratégica. Com isso, a cotação se recuperou e ganhava 7,19% a 14,90 euros, depois de dois dias de fortes perdas que abalaram as bolsas no mundo inteiro. Em um comunicado, a Vivendi informou que está com o caixa positivo, pois tem 2,8 bilhões de euros e precisa quitar dívidas de 1,8 bilhão de euros até o final do ano.


Poupança bate recorde
Brasileiros buscam segurança e aplicam R$ 6 bilhões na caderneta. Em dia tranqüilo, dólar cai e moeda americana passa a valer R$ 2,85

Afuga de muitos brasileiros das aplicações nos fundos de investimento em junho foi positiva para a poupança. A caderneta teve a maior captação líquida mensal desde a sua criação em 1966. A diferença entre saques e depósitos foi de R$ 6,092 bilhões contra apenas R$ 499 milhões em maio. Com isso, o saldo total das aplicações em poupança no país atingiu R$ 125,683 bilhões. Os números foram divulgados ontem pelo Banco Central.

A razão para essa corrida à poupança é o volume expressivo de saques que ocorreu nos fundos de investimentos no mesmo período. No final de maio, o Banco Central exigiu que os bancos marcassem o valor dos títulos públicos de seus fundos (nos quais os clientes aplicam) pelo preço de mercado (atual) e não pelo preço esperado. Muitos brasileiros perderam até 5% do que aplicaram.

Para reduzir as perdas nos fundos de investimento, o Banco Central prepara uma megatroca de títulos públicos, totalizando R$ 20 bilhões. A operação, prevista para hoje, foi adiada para a próxima semana devido a sua complexidade.

Outra operação do Banco Central parece estar dando bons resultados. Depois de anunciar que venderá US$ 1,5 bilhão até o final do mês, o BC contabiliza quedas na cotação da moeda americana. O dólar foi vendido por R$ 2,856 no fechamento do mercado comercial ontem. A queda em relação a quarta-feira foi de 0,31%. A Bolsa de Valores de São Paulo, após três dias de queda, teve leve alta de 0,19% no valor médio das principais ações que negocia.

De toda forma, os analistas de mercado preferem esperar mais alguns dias para terem uma dimensão dos efeitos da medida tomada pelo Banco Central. Eles lembram que ontem foi feriado no Estados Unidos (4 de julho, dia da independência do país). Por isso, o mercado brasileiro não foi pressionado pelas bolsas e pelos investidores americanos.

A notícia ruim do dia foi a de que as remessas de dólares para o exterior chegaram a US$ 4,2 bilhões no mês passado, maior volume desde janeiro de 1999, quando ocorreu a maxidesvalorização do real. O valor se refere a pagamentos da dívida externa e remessas de lucros e dividendos, entre outros. Não inclui operações realizadas entre bancos.


Artesanato de Brasília é exposto na Itália
Bonecos esculpidos em madeiras com técnica indígena eram usados na antiguidade como protetores das tribos. Atualmente, os totens perpetuam essas tradições, mas ganharam espaço artístico na vida urbana. Em Brazlândia, a técnica é utilizada por Tereza Etelvina da Luz, 79 anos, que vende as esculturas para sustentar sua família.

Conhecidas no Brasil, as peças da artesã estão sendo apreciadas desde ontem na Exposição Artesanato do Brasil, que acontece em Milão (Itália) até domingo. Foram enviadas 15 varas de buriti, madeira bastante utilizada para o artesanato, com 79 índias esculpidas e coloridas. O objetivo é abrir uma porta para exportação à Europa.

A tradição dos totens está na família Luz há 40 anos. Mas tudo começou quando Joaquim Ferreira Neves, seu Quinca, marido de dona Tereza, adoeceu e precisou da ajuda da esposa que até então trabalhava como empregada doméstica. Ela deixou o emprego e ficou em casa cuidando do marido e dos filhos. ‘‘Tinha muita madeira em casa e resolvi tentar fazer os totens. Ele foi me ajudando e ensinando a fazer o acabamento das peças’’, diz a artesã.

Entre os afazeres domésticos, dona Tereza ajudava o marido em seu ofício — fazer esculturas em madeiras. Como boa aluna, aprendeu a lição e não passou grandes dificuldades quando precisou assumir a família após o falecimento do marido. Em 1994 contou com o apoio do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), que começou a trabalhar com ela no Programa de Artesanato. A instituição ajudou na comercialização dos produtos, proporcionou participações em rodadas de negócios e exposições.

Atualmente, Tereza conta com ajuda da filha Judite da Luz, 46 anos, e da neta Giselle Pereira Neves, 18 anos. Juntas, as três fazem peças que são vendidas em várias partes do país. Conta, ainda, com algumas encomendas de outros países. Por mês, elas produzem em média 50 peças, de acordo com a quantidade de buriti conseguida. A renda mensal gira em torno de R$ 2 mil a R$ 3 mil.

Segundo Rogéria Santa Cruz, técnica do Sebrae, a grande dificuldade das artesãs é conseguir o buriti, árvore em extinção. ‘‘Estamos tentando uma parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente para plantar árvores a serem usadas no artesanato. Essa madeira é muito usada porque é leve e de fácil manuseio.’’


O número - Venda de veículos cai

13,4%
A queda se refere ao mês passado em comparação com junho de 2001 e foi divulgada ontem pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)


Artigos

Revitalizar é construir a confiança
O propósito de revitalizar o setor elétrico via aumento de preços corresponde a desconserto que se deve evitar

Adjarma Azevedo

Manter a competitividade da indústria brasileira nessa fase que atravessa o país, em ano de eleições gerais e sensível volatilidade financeira, corresponde a preservar conquistas da economia derivadas do plano de estabilização da moeda.

Preservar a indústria saudável é ativar um instru mento da nação na indispensável inserção do Brasil na exponencial introdução de progressos tecnológicos. São as fábricas de hoje os agentes produtores de riquezas propulsoras para o futuro.

Há que grifar esses conceitos porque o substancial encarecimento da energia elétrica vem ferir a competitividade de toda a cadeia produtiva, desde os insumos intermediários até os bens transformados.

Desde o racionamento, a indústria de base sofreu cortes superiores aos da média, associando-se ao coro de toda a população que não quer reviver o constrangimento energético. Por isso, ao lado do Comitê de Revitalização do Setor Elétrico, as lideranças industriais ofereceram apoio ao esforço que se desenvolve, em 2002, na criação de condições de atratividade para os investimentos na expansão da oferta de eletricidade.

Infortunadamente ainda não se materializou a consecução do objetivo de expansão do setor. O drama persiste e dilata o compasso de espera dos investidores carentes de regras estáveis, claras e duradouras. O empreendedor clama pelo restabelecimento da palavra confiança.

A recém-sancionada Lei nº 10.438 inaugurou a sangria da capacidade de competir do parque produtivo. Desde logo condenou o consumidor industrial a um acréscimo de tarifas de 7,9% a título de reposição das perdas das distribuidoras no racionamento. Fixou em R$ 4,90 por MWh um seguro-apagão para cobrir custos de térmicas emergenciais.

Ora, diversos segmentos industriais já arcaram com cerca de 15% de ônus. E há que considerar que a referida lei prorrogou mais obrigações opostas e adversas a um modelo competitivo, a saber: Reserva Global de Reversão (RGR) e Conta de Combustíveis a Compensar (CCC). Quanto mais não fosse, a lei criou a Contribuição ao Desenvolvimento Energético (CDE), adicionou custos com o ProInfra e outras rubricas.

Acresce que a revitalização prepara aumentos na revisão das tarifas de transmissão; no custo do uso dos fios das distribuidoras; na revisão das energias asseguradas das usinas hidráulicas. Enfim, é ilimitada a lista de pressões sobre o preço final da energia sem respaldo na curva de elasticidade-renda dos usuários ainda não medida no Brasil.

Observe-se que, considerados os poderes aquisitivos de cada agente da economia brasileira, ele é sem dúvida inferior aos dos congêneres na Europa, Japão e EUA. Sobretudo no Brasil, a maior parte do parque gerador é hidráulico e depreciado, fato esse que não permite um cotejo com os países industrializados completamente termelétricos. As tarifas ou preços finais da energia não devem ser iguais nos dois hemisférios, mas passar por algoritmos que permitam comparações.

Ou seja, revitalização transcende banais aumentos de tarifas e preços da energia. Ultrapassa a dimensão do universo da energia. Demanda trabalho de governança sistêmica, que equilibre o aumento da oferta da energia, com a competitividade da economia e a justeza da responsabilidade fiscal.

Revitalizar supera a dimensão eletricitária. É muito além de um dreno de recursos de toda a sociedade direcionado ao segmento da distribuição de energia. É essencial perceber que muito pior que o racionamento circunscrito a oito meses, o tarifaço que se avizinha determinará mais inflação nesses dias, em que aumentou no exterior o risco Brasil e nossos títulos se depreciaram.

O tarifaço perene, ano a ano, pior que o racionamento, também extinguirá postos de trabalho ou a criação de novos. Reduzirá exportações e aumentará importações pela queda da competitividade de um sem-número de produtos brasileiros. Promoverá desaceleração do PIB e queda na arrecadação de impostos federais.
É clara a sensatez que indica a necessidade de fortalecimento do setor elétrico, uma árvore no bosque. Porém, na conjuntura, os demais segmentos produtivos e o próprio erário federal exauriram a capacidade de suportar aventuras. O propósito de revitalizar via aumento de preços corresponde a desconserto que se deve evitar.


Editorial

MAIS SERIEDADE NA CÂMARA

Pela segunda vez em menos de um mês, a Câmara Legislativa é atingida por denúncias de irregularidade na tramitação de projetos de lei. Os dois episódios preocupam. De um lado, mostram a fragilidade do processo legislativo local. E, de outro, jogam uma nuvem de suspeição sobre as leis aprovadas que, não raras vezes, interferem profundamente na vida da população.

A primeira trapalhada veio a público em junho. Os parlamentares encaminharam um conjunto de proposições para sanção do governador Joaquim Roriz. Entre elas, um projeto de lei que nem tinha sido lido em plenário. De autoria de Gim Argello, presidente da Câmara Legislativa, a proposta autorizava a ocupação de área pública por moradores da 715 Sul.

Roriz vetou o projeto. Quando os parlamentares se preparavam para apreciar o veto, surgiu a denúncia da falha na tramitação. Faltou pouco para os deputados distritais promulgarem, sem uma única discussão, uma lei que atinge área tombada do Plano Piloto.

O segundo deslize foi revelado ontem pelo Correio. Os distritais aprovaram resolução que definia o plano de cargos da Corregedoria da Câmara. Na edição do Diário Oficial da Câmara Legislativa, uma emenda que havia sido rejeitada em plenário fora incluída no texto depois da redação final. A emenda criava gratificação de R$ 1.100,00 para servidores do setor de contabilidade da Casa.

Em ambos os casos, o presidente Gim Argello se comprometeu a
reparar os equívocos. Não o fez. Ele e os pares chegaram à conclusão de que não houve má-fé nos desvios. A justificativa é frágil como um castelo de cartas. Dizer que ninguém agiu com intenções de burlar o processo legislativo é beneficiar por antecipação os autores das irregularidades.

Em vez de fazer julgamentos prévios, é preciso identificar os responsáveis pela falha e obedecer a procedimentos que confiram lisura à tramitação de proposições. Duas medidas são fundamentais. A primeira: tirar do ostracismo as comissões internas que examinam os projetos antes que sigam para o plenário. A outra: controlar com mais rigor os atos expedidos pela Mesa Diretora.

As novas suspeitas que recaem sobre os deputados distritais maculam ainda mais a imagem do legislativo local, já desgastada pela notória subserviência ao Executivo e por denúncias de nepotismo e favorecimento a empresários. É lamentável. Brasília é uma cidade nova que tem dado exemplos de cidadania ao resto do país. Ao eleger os parlamentares, espera que sejam capazes de honrar a representação que lhes outorga. Não é o que se vê.


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07/05/2002


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