CONGRESSO DECIDE QUE SÓ ÓRGÃO GESTOR ESCALA PORTUÁRIO AVULSO



Apenas os órgãos gestores de mão-de-obra têm legitimidade para fazer a escalação rodiziária dos trabalhadores portuários avulsos, e não os sindicatos. Essa decisão foi tomada nesta quarta-feira (dia 25) pelo Congresso Nacional, ao aprovar a Medida Provisória nº 1728-18, reeditada pelo governo para evitar qualquer dúvida quanto à interpretação da Lei dos Portos. Em sua exposição de motivos, o governo diz que, embora a Medida Provisória nº 1679-18 parecesse clara em relação a isso, acabou por manter acesa a dúvida, "lançada propositadamente pela má interpretação da Lei dos Portos". Com a MP nº 1728-18, que revoga a 1679-18, o governo entende ter eliminado qualquer dúvida, mas houve muito debate até a votação da matéria.No início da sessão, a senadora Benedita da Silva (PT-RJ) denunciou a iniciativa do governo como manobra capaz de trazer enormes prejuízos para os trabalhadores portuários. Ela explicou que a MP 1728-18 só esgotaria seu prazo no dia 28 de novembro, mas foi reeditada com uma antecipação de 16 dias, numa manobra do governo para substituir o relator da matéria. "Não poderia deixar de manifestar minha solidariedade a esse valoroso segmento de trabalhadores que estão reféns dessa manobra", declarou a senadora.Dez propostas de emendas foram apresentadas à matéria, todas rejeitadas pelo relator, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), o qual sustentou que a MP era necessária para normatizar e organizar o sistema portuário brasileiro. Ele explicou que em apenas três portos da Bahia a designação de trabalhadores é feita atualmente pelo órgão gestor de mão- de-obra, visto que isso não foi conseguido noutros estados. Na opinião de Aleluia, essa circunstância situa os portos brasileiros entre os mais caros do mundo.Os deputados Arnaldo Faria de Sá (PPB-SP) e Telma de Sousa (PT-SP), ex-prefeita de Santos, pediram que a matéria ficasse fora de pauta pelo menos por uma semana. "Percebemos claramente que a difícil compreensão do trabalho portuário não pode ser alcançada, na sua essência, por deputados e senadores", disse Telma. Arnaldo Faria de Sá anunciou que a situação em Santos está grave, em razão da insatisfação dos portuários com o texto da MP. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) pediu que a MP fosse rejeitada. O líder do governo no Congresso, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), pediu que as emendas fossem votadas em globo e rejeitadas, o que terminou acontecendo. Depois de uma verificação de quorum, realizada a pedido do PT, a MP foi aprovada por 246 votos favoráveis na Câmara e 35 no Senado.

25/11/1998

Agência Senado


Artigos Relacionados


SENADO DECIDE SOBRE CRIAÇÃO DE NOVO ÓRGÃO PARA O BANCO CENTRAL

CONGRESSO TERÁ ÓRGÃO DE CONTROLE DA ABIN

Congresso terá órgão permanente para combater violência contra mulheres

Congresso terá órgão permanente para combater violência contra mulheres

Carlos Bezerra quer igualdade de direitos para o trabalhador avulso

Tebet decide com Aécio autoconvocação do Congresso