Consolidação e indecisão









Consolidação e indecisão
Pelo Vox Populi, Ciro segue próximo de Lula e indecisos crescem de 13% para 16%

BRASÍLIA - Nova rodada de pesquisa eleitoral, realizada pelo instituto Vox Populi entre os dias 9 e 10, mostra o quadro das candidaturas caminhando para a consolidação, embora tenha crescido o percentual de indecisos de 13% para 16%. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua liderando com 34% das intenções de voto. Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, está em segundo lugar, com 29%.

Assim como os outros dois principais concorrentes, Ciro teve variação negativa de um ponto percentual, em relação à pesquisa feita no final de julho, quando tinha 30% e estava em empate técnico com o petista. Nesta última pesquisa, José Serra (PSDB) tem 12%. E Anthony Garotinho (PSB), 9%. Os estariam empatado tecnicamente.

O candidato do PPS mantém 17 pontos de diferença para o tucano. Ainda conta a seu favor a menor taxa de rejeição entre os seis candidatos - o que é muito importante caso vá para o segundo turno. Segundo o Vox Populi, apenas 11% dos entrevistados não votariam em nenhuma hipótese em Ciro. Dos quatro principais candidatos, o campeão de rejeição é Garotinho, com 26%, seguido de Lula, com 25%. José Serra tem o dobro da rejeição de Ciro: 22%.

Os outros dois candidatos à Presidência, José Maria (PSTU) e Rui Pimenta (PCO), não foram citados pelos entrevistados, mas lideram a taxa de rejeição: 36% e 35%, respectivamente.

No segundo turno das eleições, Ciro Gomes bateria na candidatura de Lula por três pontos percentuais. O candidato do PPS teria 45% contra 42% do petista. Ele é o único a derrotar Lula, nos cenários utilizados pelo Vox Populi entre todos os candidatos. Se o segundo turno fosse disputado entre Lula e Serra, o petista venceria por 49% contra 33% do tucano. Contra Garotinho, o petista teria 51% e o candidato do PSB, 25%. Se o segundo turno da eleição fosse entre Ciro e Serra, o candidato da Frente Trabalhista seria eleito por 55% contra 24%.

O instituto ouviu 2.004 pessoas em 115 municípios de 24 Estados brasileiros e do Distrito Federal, entre sexta-feira e sábado. A margem de erro da pesquisa é de 2,2%. O percentual de votos nulos e em branco é de 5%. Não sabem em quem votar ou não responderam à pergunta 11% dos entrevistados. Segundo a Vox Populi, o levantamento foi realizado com recursos do próprio instituto.


Debate no Rio não tem vencedor
Discussão entre Candidatos não chega a esquentar

O primeiro debate entre os quatro principais candidatos ao governo do Estado - Benedita da Silva, Jorge Roberto Silveira, Rosinha Garotinho e Solange Amaral - começou morno, teve na necessidade de dar mais segurança à população o principal tema e não teve um claro vencedor. Participaram como convidados, fazendo perguntas para os candidatos, os jornalistas Ricardo Boechat, do Jornal do Brasil, Paulo Motta, de O Globo, Arnaldo César, de O Dia, e Fritz Utzeri.

No primeiro bloco, cada candidato teve três minutos para expor seus planos de governo e a segurança foi a questão mais abordada.

A primeira a falar, Benedita citou rapidamente o que seriam suas metas principais: sanear financeiramente o Estado, investir em segurança e trabalhar para aumentar a inclusão social. Logo em seguida se fixou no problema da segurança, ciente de que este é um ponto especialmente sensível para a população.

Rosinha, sempre ressaltando pretender ser uma continuadora do trabalho do marido, Anthony Garotinho, começou falando da importância da criação de empregos. Mas, em seguida, falou do tema predileto de todos: a violência. Disse que no governo Garotinho os índices de violência diminuíram (o que as estatísticas não corroboram) e os casos de seqüestro foram zerados.

Solange Amaral, bastante segura, preferiu também começar pela necessidade de se conseguir maiores frutos no combate à violência. Disse até uma frase de efeito: ''O Rio é o campeão da violência''. Exibiu peças do currículo sua experiência como secretária, sub-prefeita e deputada estadual duas vezes. Prometeu batalhar pela criação de mais empregos e sanear as finanças do Estado. Disse várias vezes que tinha propostas para os problemas do Rio, mas sem explicitá-las. E foi a única que se lembrou de citar os seus candidatos ao Senado, Sérgio Cabral Filho e Arthur da Távola, e a vice-governador, Marcelo Cerqueira.

Jorge Roberto começou lembrando que era Dia dos Pais e homenageou os pais. Em seguida, lembrou a criminalidade crescente e o que chamou de ''cultura do crime'', dando o exemplo que ídolos de crianças pobres não são mais cantores ou jogadores de futebol, mas traficantes. ''Pobreza não gera violência, a impunidade é que gera violência. É preciso autoridade''. E afirmou que Niterói é a primeira cidade brasileira em educação e foi a pioneira na implantação do médico de família no país. pioneiro. Terminou com uma frase de efeito que talvez não seja do agrado do presidente do seu partido, Leonal Brizola, ex-governador do Estado: ''Serei o melhor governador da história do Rio''.

Em seguida começaram as perguntas de candidato a candidato. Solange, dirigindo-se a Jorge Roberto como Seu Jorge, questionou o crescimento da favelização em Niterói. Enquanto ela cresceu 19% entre 1996 e 2000 em todo o Estado, em Niterói o aumento foi de 91%.

Jorge Roberto, pouco à vontade, explicou o fenômeno pelo aumento da qualidade de vida na cidade, o que teria atraído pessoas. ''Nosso governo investiu muito''.

Benedita aproveitou a pergunta para jogar um adversário contra outro: quis saber de Solange como ela faria para não paralisar obras, dado que o Estado tem um déficit mensal de R$ 150 milhões.

Solange aproveitou a deixa para criticar Garotinho, mas foi além. Falou da solidariedade da prefeitura - cujo titular é o padrinho de sua candidatura, Cesar Maia - em relação ao Estado. Criticou a antecipação, feita por Garotinho, do IPVA. ''Ele tinha pressa porque ia sair do governo para ser candidato à Presidência''.

No seu comentário, Benedita mostrou nervosismo, tropeçando nas palavras. Disse que o Rio ''é um Estado devedor''. Afirmou que, com dificuldades, o governo está pagando os servidores públicos em dia. E falou dos sacrifícios para cumprir ações judiciais, referindo-se a decisões judiciais como a que determinou o aumento para os professores.

Jorge Roberto quis saber de Rosinha porque a despoluição da Baía de Guanabara está parado por falta de contrapartida do governo estadual, depois dos investimentos externos.

Rosinha negou que haja falta de recursos para a contrapartida. ''Não sei por que as obras estão paradas se há recursos''.

Jorge Roberto prometeu dar seguimento á despoluição da baía. ''Isso vai gerar no mínimo 50 mil empregos''.


Serra quer presídios federais
O candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, afirmou ontem que, se eleito, pretende mudar o Código Penal brasileiro e construir penitenciárias federais para bandidos de alta periculosidade. O tucano reuniu-se em um hotel no Rio, pela tarde, com pessoas que perderam familiares vítimas da violência. ''A Justiça acaba não sendo igual para todos. Isso tem que mudar'', frisou o candidato.

No encontro, que contou com a presença principalmente de mulheres que perderam filhos vítimas de armas de fogo, Serra prometeu diminuir a impunidade com uma medida emergencial: extinguir a liberdade condicional para traficantes e seqüestradores, e acabar também com a visita íntima em presídios. Citou como exemplo de ineficácia da Justiça o assassinato do jornalista Tim Lopes, cujo principal acusado é um traficante foragido. ''O Elias Maluco foi solto, na época, por bom comportamento, dentro da Lei. Isso tem que acabar. Os assassinos do cas o Candelária já podem ser soltos ano que vem. Isso acaba estimulando o crime'', argumentou.

O presidenciável destacou que em um sistema prisional federal, os detentos trabalhariam. ''Eles ficam lá sendo mantidos pelos impostos que pagamos'', criticou. Outro ponto discutido pelo candidato - que faz parte de seu plano de governo - é a prioridade ao Programa Nacional de Proteção às Testemunhas. ''Vamos tirar a legislação do papel'', reforçou.

Assuntos técnicos para o sistema de segurança pública também foram relevados. O senador acredita ser fundamental a elaboração de um banco de dados federal de delinqüentes e pretende tornar obrigatório o exame de DNA em corpos não identificados, que chegam aos necrotérios.


Freire veta ACM em palanque de Ciro
PETROLINA e BRASÍLIA - O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), vetou a participação do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) no comício do candidato a presidente da Frente Trabalhista, Ciro Gomes (PPS-PTB-PDT), em Petrolina (PE), sábado à noite. Freire, que no início resistiu a aceitar o apoio do PFL a Ciro, afirmou que o veto foi uma resposta à ''agressão'' de ACM ao PPS da Bahia durante a visita do candidato ao Estado a convite dos pefelistas. Na oportunidade, o ex-senador disse que o PPS local chegaria em uma kombi ao hotel onde estava Ciro.

''Ele não queira se intrometer no nosso palanque. É evidente que seria intromissão. Eu não me intrometi no dele'', disse Freire antes do comício. Ontem, ACM negou o veto. ''Nunca houve veto. Nem eu aceito veto. Não é minha terra, por isso não fui.''

Na tentativa de exorcizar as comparações com o ex-presidente Fernando Collor, Ciro decidiu que não vai participar de eventos políticos em Alagoas. Mesmo que o convite seja feito por correligionário do PPS. ''Comício em Alagoas, neste momento, nem pensar''. O aviso foi dado ao deputado Régis Cavalcante (PPS-AL) pelo próprio Ciro na noite de sexta-feira. ''Entendo a posição dele, mas faltou clareza para explicar o que está acontecendo em Alagoas'', replicou Régis.


Maluf não vai a debate
Candidatos ao governo criticam ausência, em SP

SÃO PAULO - Os principais adversário de Paulo Maluf (PPB) na disputa pelo governo do Estado de São Paulo criticaram sua ausência no primeiro debate promovido pela Bandeirantes, ontem, a partir das 21h30, e transmitido localmente. Participam do encontro os sete principais candidatos: o governador Geraldo Alckmin (PSDB), José Genoino (PT), Antônio Cabrera (PTB), Fernando Morais (PMDB), Carlos Pittoli (PSB), Ciro Moura (PTC), Carlos Apolinário (PGT), Robson Malek (Prona) e Antônio Pinheiro Pedro (PV).

O primeiro bloco do debate foi marcado por críticas à ausência de Maluf e pela defesa e recuperação dos postos de emprego como prioridade. José Genoino (PT) chamou a desistência de Maluf de ''desrespeito à democracia'' e aos eleitores. Geraldo Alckmin (PSDB) disse que a ausência do pepebista é uma forma de se esconder, e que fugir do debate é um ato que ''ofende o eleitor''.

Fernando Morais (PMDB) disse que isso não o surpreende, pois não seria a primeira vez em que Maluf ''foge de um debate democrático''. Antonio Cabrera tentou ligar sua imagem à do candidato à Presidência Ciro Gomes (PPS), que o apóia, citando-o diversas vezes. O candidato também disse que será o candidato do emprego, comentando uma carta que teria recebido de um garoto pedindo emprego para seu pai.

Os outros candidatos defenderam a criação de empregos. Carlos Alberto Pittoli (PSB) foi o único a citar o fato de que desemprego é uma questão macroeconômica e que não depende apenas do governo do Estado, mas também do presidente da República.

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, foi compareceu ao debate acompanhado apenas de sua mulher, Monica Serra.


Governo atrasa verbas
Administração só pagou a congressistas 3% do valor das emendas deste ano

Faltando menos de dois meses para as eleições, o governo só pagou aos deputados e senadores 2,9% do valor das emendas deste ano. E ainda tem que acertar as contas de 2001. Para se ter uma idéia, o presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), não recebeu um tostão de 2002 e apenas um pouco mais da metade (55,8%) dos R$ 2 milhões a que teria direito, ano passado.

Situação semelhante ao do presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), que viu até agora R$ 1,1 milhão dos restos a pagar de 2001 e nenhum centavo em 2002. Os dados - atualizados até 26 de julho - são da Comissão Mista de Orçamento.

''Nunca se pagou tão pouco em ano eleitoral'', reclama o primeiro-secretário da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), tentando chegar agora ao seu terceiro mandato. Em 1998, conta o parlamentar, nessa época já recebera tudo. Ele e todos os pelotões de frente da base aliada no Congresso. Em 2002, porém, o primeiro-secretário só recebeu 2,4% das emendas do ano passado e nada de 2002. Também com dois mandatos nas costas, o corregedor-geral da Câmara, Barbosa Neto (PMDB-GO), põe o dedo na ferida: como o candidato do governo à presidência, o senador José Serra (PSDB-SP), pode ganhar a eleição com o seu principal cabo eleitoral jogando contra ele?

''O Serra está se esforçando para ser presidente e o Governo está marchando contra o candidato'', afirma o corregedor. Ele também não recebeu nada do Orçamento deste ano. E ainda está tendo que deglutir a Medida Provisória recém assinada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, liberando R$ 400 milhões para federalizar as Centrais Elétricas de Goiás (Celg) e beneficiar o governador tucano Marconi Perillo, candidato à reeleição e favorito na disputa. ''Com 25% desse valor o governo empenhava todas as emendas individuais e da bancada de Goiás'', calcula Barbosa Neto. O PMDB goiano estava com Serra e já avisou que vai pular fora do barco.

Os ministérios da Educação e da Saúde foram os que mais liberaram recursos para emendas - 5,84% e 5,78%, respectivamente. O Fundo Nacional de Saúde foi a rubrica com melhor desempenho na Esplanada: pagou R$ 113,5 milhões de um volume de R$ 1,1 bilhão, representando 10,32%. O problema é que desse total, os parlamentares tinham conseguido empenhar somente R$ 390,5 milhões. Empenhar é o termo técnico da garantia do governo de que a emenda será mesmo paga. O Congresso tinha prazo até 5 de julho para fazer os empenhos. Mesmo assim, há risco este ano de nem o que foi empenhado ser quitado.


Prefeito sai para apoiar Lula
Antônio Palocci troca administração de Ribeirão Preto pela campanha do petista

RIBEIRÃO PRETO - O prefeito de Ribeirão Preto, Antônio Palocci Filho (PT), troca hoje, oficialmente, a administração da sexta maior cidade do Estado de São Paulo pela campanha à presidência de Luiz Inácio Lula da Silva. Palocci é o coordenador do programa de governo de Lula e o homem de confiança do candidato. Sua proximidade com Luiz Inácio é tanta que ele já é cotado para assumir um ministério em um eventual governo petista.

A licença de Palocci, que dura até 10 de setembro, é o símbolo dos ''novos tempos'' do PT, que está trocando o trabalho de militantes pelo profissionalismo e que está cada vez mais próximo dos empresários, a quem chamava de ''patrões''.

Licenciado da prefeitura, Palocci terá uma ajuda de custo do PT. Em Ribeirão, ele recebe R$ 12 mil por mês. Afastado da administração, o prefeito vai cuidar da elaboração dos cadernos temáticos do programa de governo - Segurança, Habitação e Política Econômica, entre outros - e participará do conselho político da campanha.

Ainda não está definido se o prefeito vai reassumir o cargo no início de setembro ou se vai prorrogar sua licença até o fim das eleições. Nesse período, assume o vice-prefeito Gilberto Maggioni (PMN), que é dono de uma fábrica de tintas e presidente da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACI-RP).

Cotado para ser candidato a deputado estadual ou federal, Maggioni preferiu não se candidatar para ter a possibilidade de assumir a prefeitura em caso de licença de Palocci, o que acontece a partir de amanhã. Como recompensa, foi nomeado secretário de Planejamento no início de junho.


Sarney retoma ataques
SÃO LUÍS - A decisão da Justiça do Tocantins de recusar denúncia contra a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), no caso Usimar, serviu como senha para a intensificação da ''satanização'', por parte dos Sarney, da candidatura do tucano José Serra. Ontem, o senador José Sarney (PMDB-AP) atacou o presidenciável de forma veemente, dizendo que ''um presidente desse tipo seria uma desgraça para o país''.
A frase consta na coluna dominical de Sarney publicada em ''O Estado do Maranhão'', jornal que pertence ao seu clã. No artigo, o ex-presidente acusa Serra de comandar procuradores e delegados na montagem de uma ''farsa'' contra Roseana, o que acabou sepultando a pré-candidatura da pefelista à Presidência.

A ex-governadora foi acusada de contribuir para o rombo de R$ 44 milhões na Usimar, projeto da extinta Sudam. Roseana nega que tenha participação no desvio do dinheiro. Ela foi denunciada pelo Ministério Público, mas a Justiça não acatou a acusação.


Garotinho critica Collor
MACEIÓ - Em comício na cidade de Penedo, interior de Alagoas, no sábado à noite - ao lado do governador e candidato à reeleição Ronaldo Lessa (PSB) -, o candidato do PSB à Presidência da República, Anthony Garotinho, afirmou que foi ao evento para se juntar à cruzada contra a eleição do ex-presidente Fernando Collor para o governo do Estado, segundo informações do site do candidato.

''As eleições em Alagoas têm um significado especial para o Brasil. Estou aqui não por uma escolha ocasional nem de agenda. Foi uma escolha política. O Brasil não pode ficar passivo diante da 'impostura' que essa candidatura representa para todos os brasileiros que foram para as ruas pedir um Brasil sem aquelas situações deprimentes que assistimos quando esse cidadão governou o país'', atacou Garotinho.

O presidenciável discursou para cerca de oito mil pessoas e conclamou a população a impedir a volta do ex-presidente como político no Estado.


Petista critica Tuma Júnior
Para dirigente, delegado errou ao se calar sobre confissão do seqüestro de Daniel

O dirigente do PT Gilberto Carvalho criticou ontem o delegado Romeu Tuma Júnior por não ter divulgado a informação de que o ladrão de bancos Dionísio de Aquino Severo confessou a ele ter participado do seqüestro do prefeito de Santo André, Celso Daniel. A notícia - e sua confirmação por parte da advogada de Dionísio, Maura Marques - foi publicada ontem no Jornal do Brasil. Segundo disse Gilberto ao Diário do Grande ABC, o PT considera o caso elucidado, ''embora não encerrado, porque há acusados soltos''. Gilberto, que participa da coordenação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, era secretário em Santo André quando Celso Daniel foi assassinado.

Dionísio foi morto por encapuzados, no Centro de Detenção de Belém, antes de assinar a confissão que fez a Tuma, diante de outros policiais . Ele tinha relações com o empresário Sérgio Gomes da Silva, que estava com Daniel no momento do seqüestro, e de cuja ex-mulher foi namorado. Fez parte, também, da segurança de Daniel, organizada por Sérgio.

Ontem Tuma foi intensamente procurado por órgãos de imprensa e confirmou o que já tinha dito ao JB. ''Me ligaram até de Serra Leoa'', disse, brincando.

Com a ressalva de que não acompanhou o inquérito, o deputado Walter Pinheiro (PT-BA) admitiu ter ouvido rumores sobre um possível envolvimento de Sérgio no seqüestro de Daniel. Ele minimizou a repercussão do caso no processo eleitoral. ''Se houver envolvimento de Sérgio, é responsabilidade total dele''. Walter afirmou que, se comprovadas as suspeitas de que Daniel foi assassinado devido a denúncias de corrupção na prefeitura, fica provada a lisura do partido no episódio. ''Ficará claro que o mataram por medo de que ele aprofundasse as investigações, ou descobrisse algo''.

O deputado Milton Temer disse que o caso mostra a diferença do PT em relação aos demais partidos, deixando claro que ele não esconde suas mazelas. ''O PT dará todo apoio à ação da Justiça''.

O médico João Francisco Daniel, o irmão de Celso que primeiro manifestou a inconformidade com os resultados do trabalho da polícia, afirmou: ''A reportagem do Jornal do Brasil fortalece as suspeitas minhas e da família de que a versão da polícia não se sustenta. É preciso aprofundar e dar respostas a todas as questões trazidas pelo JB''.

Bruno Daniel, outro irmão de Celso, foi pela mesma linha. ''A reportagem faz crescer em nós, ainda mais, a convicção de que novas investigações devem ser feitas. Ela levanta dúvidas importantes sobre as circunstâncias do seqüestro e da morte do Celso e traz à cena a possibilidade de novos participantes no seqüestro e no assassinato''. Bruno também lembrou as questões não respondidas no inquérito. ''A matéria traz pistas que precisam ser investigadas. A família quer a verdade e deseja que as autoridades apurem todas as questões levantadas pelo JB''.


Protesto contra Collor reúne 5 mil em Maceió
Jovens ironizam candidatura do ex-presidente em Alagoas

Cerca de cinco mil estudantes secundaristas e universitários protestaram, ontem pela manhã, na orla marítima de Maceió, contra a volta à política do ex-presidente Fernando Collor (PRTB). Collor é candidato ao governo do Estado em sua primeira disputa eleitoral depois de cumprir oito anos de inelegibilidade.

Com as caras pintadas, um caixão simbolizando o enterro de Collor e carregando faixas com frases como ''Não melle seu voto'', ''Câncer de Collor mata'' e ''Cadeia nelle'', os estudantes passaram em frente ao comitê de campanha do ex-presidente, onde havia cerca de 300 cabos eleitorais do candidato ao governo, contrários à manifestação

A manifestação contra o ex-presidente foi organizada por estudantes ligados a partidos de esquerda e entidades sociais que criaram o ''Movimento Carapintadas'', que vem fazendo piquetes e panfletagem anti-Collor em escolas e universidades de Alagoas.

No protesto de hoje, candidatos e integrantes da principal chapa de oposição a Collor, a do governador Ronaldo Lessa (PSB), desfilaram entre os manifestantes.

O ex-presidente não estava em Maceió e não quis comentar a manifestação. Ele passou a manhã visitando distritos do município de Arapiraca, a segunda maior cidade de Alagoas. De acordo com seus assessores, ele considera que o movimento não tem legitimidade e não é espontâneo, já que integrantes das candidaturas adversárias estariam na sua organização.

Na semana passada, cabos eleitorais de Collor acusaram a campanha de Lessa de estar pagando R$ 30 para cada estudante que participasse da manifestação. A assessoria de Lessa negou a acusação. A Polícia Federal vai investigar a denúncia.


Artigos

O médico e a mídia
Haroldo Jacques

Vivemos a era da informação. A velocidade dos acontecimentos e os resultados de novas pesquisas nos deixam atordoados e, paradoxalmente, recorremos a mais informações para minimizar nossa ansiedade. Em nosso país, onde a educação e a cultura são insuficientes, a mídia tende a suprir grande parte dessa deficiência. A medicina precisa muito da mídia, particularmente a medicina preventiva, já que o conceito moderno da medicina aponta a própria pessoa como responsável pela sua saúde e, portanto, exige que saiba administrá-la - e q uanto mais bem informada estiver, melhor.

Doutores ávidos por espaço nas folhas e na telinha podem causar danos terríveis à sociedade, assim como editores sensacionalistas em busca de maior tiragem ou de ibope são capazes de alimentar falsas esperanças ou até levar o público ao pânico. O poder da mídia é tamanho que o menor deslize que ela cometa exerce um efeito arrasador, afetando o sucesso em qualquer tipo de tratamento. Muitas vezes compromete, do ponto de vista psicológico, a confiança no profissional da saúde e interfere de maneira decisiva na relação entre o médico e o paciente.

Um dos pecados recentes da mídia é garimpar publicações científicas de ponta, resumindo em poucas linhas pesquisas científicas complexas que encerram resultados ainda parciais. Outro perigo - médico e mídia são cúmplices, no caso - é o fascínio da hi-tech, a crença de que máquinas milagrosas resolverão de vez o problema da saúde. Nada mais falso. O império cibernético demanda uma quantidade de exames caros e muitas vezes desnecessários, causando um ônus social imenso e virtualmente implodindo o sistema de saúde. A base de todo tratamento ainda deve ser o exame clínico acurado e a atenção ao paciente. A busca incessante e desmesurada das novidades por parte de alguns profissionais da mídia leva a população a acreditar mais no resultado dos aparelhos do que na pessoa do médico, que a bem da verdade, também tem colaborado, e muito, para essa situação.

Médicos sem experiência em comunicação muitas vezes dão informações apressadas ou arriscam previsões, quando deveriam levar em conta que sempre existem muitas variáveis em jogo, porque a medicina não é uma ciência exata. Em alguns casos, as declarações tomam um caráter alarmista e levam muitas pessoas, por medo exagerado, a deixarem de se submeter a procedimentos e cirurgias necessárias e, em muitos casos, inadiáveis.
Em contrapartida, doenças e acidentes atingindo artistas ou celebridades ajudam, involuntariamente, a divulgar de um modo inusitado, junto ao grande público, detalhes científicos anteriormente restritos à área médica. Isto tem uma participação positiva na prevenção e na proteção da população. O que não deve acontecer é o jornalista se deixar levar pela curiosidade mórbida da população e transformar o artigo em sensacionalismo. De certa forma - descontando o sensacionalismo de algumas publicações -, essas notícias e os artigos dos jornais e das revistas ajudam na maior divulgação de fatos científicos junto ao público e se revelam de utilidade prática para futuros pacientes ou acidentados.

Nos casos de erros médicos, nas falhas do atendimento médico e na omissão de socorro, a população tem na mídia sua grande aliada e ela cumpre bem o seu papel. Mas, num comportamento típico, depois de uma cobertura maciça, abandona o caso quando outros, mais sensacionais, aflorarem nas manchetes.

Por mais complexa que seja a relação entre o médico e a mídia - com o público formando o terceiro vértice do triângulo - devemos todos lutar por um ponto de equilíbrio. No fundo, ninguém é dono da verdade.


Colunistas

COISAS DA POLÍTICA – Dora Kramer

O efeito exaustão
A semana foi, entre correligionários, aliados e simpatizantes de José Serra, de busca de uma explicação para o fraco desempenho do candidato. ''Por que ele não cresce?'' É uma indagação presente em todas as mentes e que intriga até os inimigos.

Mas foi mesmo um amigo, hoje falecido, quem há dois anos antecipava as dificuldades expondo razões que agora começam a ganhar espaço nessas conversas que misturam desânimo, perplexidade e esperança.
Mário Covas, então governador de São Paulo, apontado como opositor da candidatura de José Serra, certa vez, explicou que suas dúvidas quanto ao sucesso da empreitada nada tinham a ver com resistências pessoais. Ao contrário.

''Eu, se fosse o Serra, adiava esse projeto para 2006'', dizia ele, argumentando que seu sentimento era o de que em 2002 não seria ''a vez'' dos tucanos. Portanto, aconselhava, melhor Serra disputar o governo de São Paulo que se aventurar a uma - segundo ele - derrota certa para a Presidência.

Na opinião de Covas, de São Paulo para o Planalto, depois de um governo provavelmente não bem-sucedido da oposição, em 2006 Serra teria uma trajetória muito mais fácil. E por quê?

''Porque acho que a população está cansada de nós'', concluía Covas, lembrando que a era Fernando Henrique de fato começara, não em 1995, com a posse, mas dois anos antes com a ocupação do eixo central do governo Itamar Franco. Assim, quando deixar o Planalto, FH terá somado dez anos de poder.

Na época, a divulgação dessa posição de Covas provocou manifestação - não pública - de José Serra, admitindo que o raciocínio fazia sentido e, por isso, ainda hesitava entre a candidatura ao governo de São Paulo e a Presidência.
Não devemos esquecer que, assim como Covas, embora com menos assertividade, Serra foi contra a reeleição. Tese que continua defendendo, a ponto de já ter anunciado que, se eleito, proporá ao Congresso o fim da reeleição e a instituição de um mandato de cinco anos para o presidente.

É bastante possível que, na ocasião, Serra já fizesse a conta de que um segundo mandato de Fernando Henrique dificultaria seus planos de chegar ao Planalto em 2002 e, por isso, considerasse melhor que houvesse um intervalo de poder que permitisse um descanso à população.

Se, em outros países da América do Sul e da Europa, o efeito exaustão atingiu a esquerda francesa, os sociaisdemocratas espanhóis, os conservadores ingleses, o peronismo argentino e o personalismo autoritário de Fujimori - para citar apenas alguns longevos que forem apeados do poder -, no Brasil, novato em reeleições, provavelmente esse efeito seja acentuado.

Além disso, é do temperamento nacional o gosto pela novidade, ainda que o ''novo'' nem sempre seja necessariamente o melhor ou o mais adequado.

Esse cansaço poderia até mesmo atingir a candidatura de Lula e, nele, residir a explicação para a queda lenta, mas gradual do petista, e a subida constante de Ciro - caso a tendência permaneça.

Outro sinal de que o efeito exaustão pode ser mesmo um fator preponderante nas dificuldades que enfrenta José Serra é o fato de que ele não conseguiu preservar nem capitalizar o patrimônio de aprovação popular que amealhou durante sua passagem pelo Ministério da Saúde.

Mesmo em momento de baixa avaliação do governo Fernando Henrique, Serra permanecia em alta na percepção de que comandava um nicho de eficiência dentro da administração federal.

Os defensores de sua candidatura no PSDB e na base aliada imaginavam que essa aprovação poderia ser transposta para o candidato que, então, seria percebido como potencialmente eficiente em outras áreas.

Mas até agora não foi isso que aconteceu. Ao contrário, Serra perdeu pontos em relação ao índice de tendência de votos que conseguiu assim que assumiu a candidatura e, de seus feitos na Saúde, nunca mais se ouviu falar.

Com a agravante de que a questão da alegada falta de carisma assumiu uma dimensão que não existia quando ele era ministro. Ora, já que se trata da mesma pessoa, a questão que se põe é como lidar com isso, uma vez que charme e simpatia não eram exigidos do ministro, mas são considerados fundamentais para o postulante à Presidência.

Outra indagação recorrente entre o eleitorado serrista mais fiel é sobre a possibilidade de alteração desse cenário hoje desfavorável. Obviamente que é possível, ainda mais considerando que o quadro eleitoral já mudou algumas vezes e que ainda há tempo para se alterar.

O problema é que José Serra não precisa apenas crescer, mas recuperar o terreno perdido desde o lan çamento da candidatura. E isso implica a necessidade de a campanha detectar com perfeição as razões que levaram a esse retrocesso.

Trata-se de uma tarefa difícil, uma vez que parecem pesar aí menos os dados objetivos e mais as motivações subjetivas. Entre as quais aquela a que se referia Mário Covas.


Editorial

EXCEÇÃO PERVERSA

Nos comentários sobre o acordo do FMI com o Brasil, a imprensa americana ressaltou a guinada da administração Bush em relação à América do Sul. Até agora, a região vinha sendo tratada como um continente perdido, lembrou o economista Paul Krugman no New York Times . Em seus primeiros despachos no Salão Oval, o presidente George W. Bush deixou claro que não levaria adiante a política de ajuda financeira de Bill Clinton, cujo principal exemplo foi o socorro bilionário ao México. A Casa Branca não daria aval a empréstimos volumosos. Não foi preciso dar nome aos bois: a Argentina batia às portas do FMI.
Bush, felizmente, dobrou-se às contingências geopolíticas. Os Estados Unidos estão pisando em ovos no Oriente Médio. Ameaçam invadir o Iraque mas não contam com o apoio do mundo árabe nem da Europa. Diante das trapalhadas de Washington, cresce o sentimento antiamericano. Neste contexto, abandonar à própria sorte países como o Brasil seria um erro fatal. O bom senso recomenda que se preservem os laços de amizade com a América do Sul. Não custa lembrar que as crises financeiras costumam servir de estopim para crises políticas. O retorno à democracia no Cone Sul é recente, e o pior que poderia acontecer seria a volta aos regimes de força.

Acredita-se que o Brasil recebeu a ajuda recorde porque se temia que o ataque ao real arrastasse os países vizinhos e lançasse dúvidas sobre as demais economias emergentes. Outra versão: um fiasco brasileiro traria prejuízos a grandes bancos americanos, como o JP Morgan e o Citibank. Mais realista, porém, é a explicação geopolítica. Com tantas zonas de risco e atrito, por que virar as costas à América do Sul?

O certo é que George W. Bush cedeu. Falta, porém, resolver os problemas da Argentina. O presidente Eduardo Duhalde está otimista. Acredita que o pior já passou e garante que o acordo com o FMI sairá dentro de dias ou poucas semanas. Que Bush seja equânime. A exceção é perversa. Não existe mais motivo para prolongar o sofrimento dos argentinos.


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08/12/2002


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