CORRETOR DIZ QUE FILHO DO PRESIDENTE DO TRT-PB LHE DEU CHEQUE DE R$ 50 MIL



O corretor de imóveis Antonio Moacir Dantas Cavalcanti Júnior disse nesta quarta-feira (dia 30), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no Poder Judiciário, que o cheque de R$ 50 mil emitido por Antonio Almério Marra encontrado em sua conta lhe foi entregue por Severino Marcondes Meira Filho, que era à época diretor administrativo do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da Paraíba e filho de então presidente do Tribunal, juiz Severino Marcondes Meira.Em depoimento anterior à CPI, Marra declarou ter dado o cheque a Cavalcanti Júnior como comissão pela venda de um imóvel ao TRT, no valor de R$ 710 mil - preço considerado superfaturado. A compra foi feita na gestão de Severino Marcondes Meira. Cavalcanti Júnior foi o autor de uma avaliação do imóvel que estabeleceu seu valor em R$ 750 mil. Em depoimento à Polícia Federal, dissera desconhecer o cheque depositado em sua conta.Segundo o corretor, Meira Filho, amigo seu de mais de 15 anos, procurou-o com o cheque de R$ 50 mil pedindo um adiantamento de R$ 7 mil. No dia seguinte, foram ao banco, onde R$ 31,2 mil foram sacados em dinheiro. O diretor do TRT levou outro cheque de R$ 15 mil do amigo, mediante promessa de que depositaria R$ 3,2 mil na conta dele no dia seguinte, o que efetivamente o fez.Cavalcanti Júnior desafiou Marra a mostrar algum recibo do pagamento da comissão. Disse que o único contato que teve com o vendedor do imóvel foi quando fez a avaliação, que considerou justa.Essa avaliação, segundo o corretor, foi pedida pelo chefe do setor de engenharia do TRT, cujo prenome seria Napoleão. Disseque não cobrou pelo serviço, efetuado no mesmo dia do pedido.A CPI aprovou requerimento do senador José Agripino (PFL-RN), subscrito pelo senador Ney Suassuna (PMDB-PB), para que preste depoimento o gerente do banco que, segundo Cavalcanti Júnior, testemunhou a entrega dos R$ 31,2 mil a Meira Filho. O depoente não soube dizer o nome completo do gerente, adiantando apenas que seu prenome é Valdson.A CPI também aprovou requerimento apresentado pelo depoente e por Agripino solicitando garantia de vida para Cavalcanti Júnior e sua família.O relator da CPI, senador Paulo Souto (PFL-BA), indagou se Cavalcanti Júnior conhece Mônica F. Moura, em cuja conta o cheque de R$ 15 mil fora depositado. O corretor disse não saber de quem se trata. O presidente da CPI, senador Ramez Tebet, indagou se ele se lembrava do valor exato da avaliação que fez para o TRT, recebendo também resposta negativa.O vice-presidente da CPI, senador Carlos Wilson (PSDB-PE), e o senador Ney Suassuna ressaltaram a coragem do depoente. O senador Djalma Bessa (PFL-BA) indagou se a avaliação foi pedida pelo TRT em caráter informal, recebendo resposta positiva.

30/06/1999

Agência Senado


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