Costa defende serviço de consultores
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Secretário do PT avalia propostas de informatização da Saúde e tende a contratar empresa de Curitiba
A Prefeitura do Recife ainda não decidiu oficialmente a empresa que será selecionada para informatizar o sistema de saúde municipal, mas pelo que tudo indica, o Instituto de Curitiba de Informática (ICI) será o escolhido. O secretário de Saúde do Recife, Humberto Costa (PT), afirmou ontem que foi conhecer pessoalmente a solução implantada pela ICI na Prefeitura de Curitiba e que lá o sistema funciona de maneira eficaz. "A PCR não tem nenhum contrato assinado, estamos estudando as propostas. Vamos informatizar a saúde queira ou não o PFL", ressaltou.
Também não foi definido se haverá ou não licitação. O sistema será gerenciado pela Emprel. Além da ICI, cujo valor proposta é de R$ 21.176,656, parcelados em três anos, a PCR está avaliando mais duas. Outro grupo que está pleiteando a contratação. É o consórcio do Softex, formado por oito empresas pernambucanas. A proposta deles é de R$ 22,9 milhões, também divididos em três anos. A Sisp Tecnology, de São Paulo, também se candidatou.
A empresa paulista ficoude encaminhar à Secretaria de Saúde sua proposta técnica detalhada e os valores do contrato. "A empresa terá que provar que seu produto de fato funcione para que possamos comprar. Não vamos adquirir nenhuma solução porque está na Prefeitura do PT, porque são empresas do Recife. Compraremos o que for bom para o povo do Recife", justificou.
Em Curitiba, o sistema implantado pela ICI funciona há seis anos. Contra o Softex pesa o fato do produto exigido pela Prefeitura da Cidade do Recife não ter sido desenvolvido ainda. Quanto à Sisp Tecnology, o sistema de informatização está sendo adotado em algumas cidades de São Paulo em fase de projeto piloto. "Precisamos de um produto que comprovadamente funcione, seja seguro, de rápida implantação e a proposta de informatização seja integrada", disse Humberto.
Os investimentos previstos para a Saúde este ano são de R$ 140 milhões, sendo que R$ 72 milhões de recursos próprios e o valor restante oriundos do Sistema Único de Saúde. De acordo com Humberto, qualquer projeto que venha a ser implantado representará menos de 10% dos recursos da Secretaria de Saúde. "Com a informatização teremos condições de reduzir 30% só em medicamento", alegou.
TCE pede explicação sobre casa popular
Uma dispensa de licitação para a construção de 200 casas destinadas aos desabrigados das chuvas de 2000 virou um problema para a administração petista da Prefeitura da Cidade do Recife. O processo para analisar o "caso", aberto no dia 10 de outubro passado pelo Tribunal de Contas do Estado, vem se arrastando. Agora, surge mais uma etapa a ser superada pela PCR.
Os secretários municipais de Assuntos Jurídicos e de Planejamento, respectivamente, Maurício Rands e Tânia Bacelar, foram notificados pelo TCE para que façam a "ampla defesa" de questões levantadas pelos relatórios do Núcleo de Engenharia e da Divisão de Controle Municipal do Tribunal.
A análise feita pelos dois setores, juntamente com as contra-razões (explicações) da PCR, irão embasar o parecer do relator do processo, conselheiro-substituto auditor Carlos Maurício Figueirêdo. Segundo ele, os secretários têm 20 dias para apresentar as defesas - a notificação foi enviada na semana passada.
Mesmo sem ter recebido ainda o processo, ele explica que os assessores do prefeito João Paulo (PT) podem discordar do conteúdo do relatório. "O envio da notificação é um procedimento formal", explicou. O auditor acredita que o processo seja finalmente julgado em fevereiro. Rands informou que até ontem não tinha conhecimento da notificação. Tânia Bacelar não retornou a ligações feitas pela reportagem.
A dispensa de licitação foi justificada pela PCR pelo caráter de urgência que a construção das casas exige. Segundo vereadores de oposição, o processo convencional de licitação - com concorrência pública - daria muito mais agilidade à construção das habitações.
O termo de dispensa foi publicado no Diário Oficial do dia 6 de setembro e definiu que a empresa que construirá as habitações é a Lecon Projetos e Instalações Ltda. O valor do contrato é de R$ 1.196.000,00.
Jungmann nega campanha contra o PFL
Ministro rebate críticas de Inocêncio Oliveira e diz que não tem depreciado imagem dos pefelistas
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, avançou ainda mais, ontem, no seu enfrentamento ao PFL. Ele repudiou as declarações do líder do PFL na Câmara dos Deputados, Inocêncio Oliveira, que o criticou por fazer sua campanha de candidato a presidente da República atacando o PFL e a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, presidenciável do partido. "Eu estranho o comportamento dele", reagiu Jungmann.
Inocêncio salientou desconhecer o Jungmann que ontem elogiava ele e o PFL e hoje faz duros ataques ao partido. O ministro destacou nunca ter depreciado o PFL ou feito ataques pessoais às lideranças da legenda. "Eu sequer ataquei Roseana, com quem eu tenho uma boa relação". Ele acentuou estar fazendo apenas uma análise política do processo sucessório. "Eu reafirmo tudo o que disse: a hegemonia da aliança deve continuar com o centro-democrático", enfatizou, referindo-se ao PSDB e ao PMDB.
Antes de Inocêncio Oliveira, o ministro das Minas e Energia, José Jorge, e o governador em exercício Mendonça Filho fizeram duras críticas a Jungmann. Nos bastidores, comenta-se que a candidatura presidencial do ministro seria uma jogada combinada com o Palácio do Planalto para evitar a aliança tácita que estava se formando entre o PFL e o PMDB em torno de Roseana para salvar o projeto presidencial do ministro da Saúde, José Serra (PSDB). O tucano é o candidato preferencial do presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem Jungmann possui estreitas relações.
Racionamento deve acabar em março
CGCE se reúne no começo de fevereiro para avaliar situação geral dos reservatórios de todo o País
BRASÍLIA - O Governo reafirmou como certo o fim do racionamento de energia elétrica em todo o País em março, caso o regime de chuvas continue no mesmo ritmo verificado nas últimas semanas. Segundo uma autoridade ligada ao Palácio do Planalto, já está marcada para a primeira semana de fevereiro uma reunião da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (CGCE) para uma avaliação geral da situação dos reservatórios das usinas hidrelétricas das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A perspectiva é que a suspensão do racionamento seja anunciada para o mês seguinte. No início da semana, o ministro de Minas e Energia, José Jorge, já ventilava essa possibilidade.
As medidas serão mantidas em fevereiro para assegurar que o nível de água dos reservatórios permaneça em março acima de 50% nas regiões que economizam energia. Esse é o volume considerado ideal, mesmo se ocorrer o pior cenário de chuvas nos próximos meses, para garantir o abastecimento de energia neste e no próximo ano, sem as usinas térmicas emergenciais.
Ainda assim, o Governo já anunciou que as medidas de racionamento serão abrandadas em fevereiro, com o fim da economia para a iluminação pública e metas menores para a indústria, comércio e residências. Os dados de economia de energia e de enchimento dos lagos fornecidos diariamente pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirmam o otimismo oficial.
Os lagos do Nordeste, que já chegaram a encher 1,35% no dia 6, mantiveram anteontem um ritmo considerado bem elevado, de 0,74%. Com isso, o Governo está cada dia mais próximo da chamada "curva guia superior", que é o limite para determinar o fim das medi das de racionamento. Anteontem, a diferença em relação a essa curva de segurança estava em apenas 9,76% no Sudeste e Centro-Oeste. Como a média de entrada de água nessas regiões em janeiro está em 0,49% ao dia, é possível que, se mantido esse ritmo, em cerca de 20 dias se atinja a meta, o que acontecerá no início do próximo mês.
No Nordeste, o ritmo de enchimento está mais acelerado, chegando a uma média diária de 0,84% em janeiro, o que permitiria alcançar a meta em cerca de 18 dias. No dia 15, os lagos da região estavam ainda 14,57% abaixo do volume considerado ideal. Além das chuvas, a média de economia nos primeiros 15 dias do ano está abaixo das metas fixadas pela CGCE. Apesar de haver um aumento no consumo nos dias úteis nas regiões Sudeste e Centro-Oeste (a economia caiu de 4,21% na segunda para 2,78% na terça), o resultado do mês está em 8,08% abaixo da meta. Da mesma forma, no Nordeste, que também sentiu um incremento no uso da eletricidade (com queda de 8,83% na economia para 6,37%) a economia acumulada em janeiro está em 11,56%.
Anteontem, o aumento do volume de água dos lagos das usinas no Sudeste e Centro-Oeste apresentou o maior percentual dos últimos meses. Dados do ONS mostram que entrou mais 0,78% de água nos reservatórios dessas regiões, um percentual inédito para um único dia.
Empresas têm que confirmar investimento
As empresas de desenvolvimento de software interessadas em integrar o ITBC, o Centro de Negócios para Tecnologia da Informação, que está sendo construído no Bairro do Recife e é uma das âncoras do Porto Digital, devem ficar atentas. A Sociedade Softex, que administrará o empreendimento fará uma reatualização da lista de empresas interessadas. Haverá espaço para, no máximo 58 empresas. A reatualização está programada para acontecer logo após o Carnaval, depois do lançamento oficial do ITBC.
A lista das interessadas é do ano de 1998 e contém apenas 25 empresas. Elas serão chamadas a confirmar ou desistir da vaga que lhes foi reservada. A reatualização servirá para confirmar se essas empresas ainda têm interesse em integrar o conjunto do ITBC, se pretendem ocupar mais ou menos espaço e, importante, se elas poderão pagar o aluguel.
Os 58 módulos terão área que variam de 45 metros quadrados a 75 metros quadrados. O preço está sendo definido em função da área mas tambémem função dos serviços que o condomínio terá para seus ocupantes. "Daremos preferência às empresas associadas à Softex, mas elas terão que se adequar à modelação dos espaços", afirma a diretora do Softex Recife, Diana Jungman.
INTERESSE - Muitas empresas poderão não mais se interessar pelo espaço ou não poder pagar por ele. Tanto por causa do preço, que aliás está indefinido, quanto por já estar eventualmente instalada noutro lugar.
Os custos da obra estão orçados em R$ 4,5 milhões, dos quais R$ 3,7 milhões serão empregados nas interferências de engenharia civil. Dinheiro esse repassado pelo Governo do Estado para a Softex para administrar a criação do ITBC.
Existe a possibilidade de se aproveitar parte do espaço reservado à Softex para que outras empresas possam ser incluídas no ITBC. "Isso vai depender da demanda por espaços. Deveremos definir isso rapidamente porque as obras serão concluídas em outubro. O horizonte para mudarmos é até o fim deste ano", completa Jungman.
Debate aborda ações do Governo para o NE
O presidente da República em exercício Marco Maciel abre hoje, na Fundação Joaquim Nabuco, o seminário A Ação do Governo federal no Nordeste e as Novas Opções de Política Regional. O evento, promovido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Caixa Econômica Federal (CEF) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), tem a colaboração da Fundação Joaquim Nabuco e dos Associados, grupo de comunicação do qual faz parte o DIARIO DE PERNAMBUCO.
No primeiro dia do seminário, os debatedores vão discutir as Experiências Internacionais em Política Regional. O diretor de Política Regional da União Européia, J.Palma Andrés, vai falar sobre a política Regional da União Européia para o período entre 2000 e 2006.
Logo após, será debatida a Reunificação da Alemanha como Experiência de Política Regional. Já o diretor de Estudos Regionais e Urbanos do Ipea, Gustavo Maia Gomes, apresenta a palestra Experiência e Opções de Política para o Nordeste. Após as palestras, os participantes vão debater os temas.
Hoje, estarão presentes na mesa de debates o governador de Pernambuco em exercício, Mendonça Filho; o presidente da Fundaj, Fernando Freyre; o reitor da UFPE, Mozart Neves; o presidente do Ipea, Roberto Borges Martins; o presidente da CEF, Emílio Carazzai e o diretor superintendente do DIARIO, Luiz Otávio Cavalcanti.
O seminário prossegue amanhã discutindo As Ações do Governo federal no Nordeste. Entre outros pontos, serão debatidos o projeto Avança Brasil, Ações e Programas do Ministério da Saúde no Nordeste e as Dotações de Infra-estrutura na região. O seminário começa às 14.30h.
Artigos
São Gerardo
Roberto Cavalcanti de Albuquerque
Ensaísta
Gerardo Mello Mourão, cearense de Ipueiras, fundas raízes pernambucanas, é poeta dos maiores. Sua trilogia Os Peãs, integrada por O país dos Mourões (1963), Peripécia de Gerardo (1972) e Rastro de Apolo (1977), é obra singular entre nós. Combina vida, mito, símbolo, alegoria na criação de uma épica que, sendo brasileira e nordestina, transcende esses lugares por ser universal; e, sendo história e gesta, transforma o tempo em permanência. Obra de escritura poética construída na força da palavra, o ritmo atordoante galope, poesia e prosa fundidas em torrente vigorosa, elevando-se, sem perder o sopro épico, em cânticos, extremando-se em paixões. Obra completada em 1997 com o poderoso texto Invenção do mar, que culmina no belo canto-memorial da Guerra Holandesa.
Gerardo cursou seminário dos padres redentoristas. Já noviço clérigo, abandonou em 1937 o convento pouco antes de proferir os votos de pobreza, castidade e obediência. Rompeu para sempre com a castidade e a obediência, mas conserva "a luxuosa opção da pobreza". Faz poesia desde garoto, mas, em 1940, queimou ritualmente numa praça de Buenos Aires sessenta e tantos cadernos "de poesia ruim escrita torrencialmente na meninice e na adolescência". Sabe nove línguas, entre elas o latim e o grego, presentes em sua poesia. Viajou pelos quatro cantos do Mundo, vivendo mais longamente, fora do Brasil, no Chile e na China. Embora freqüentemente escravo do trabalho, nunca teve, e não quer ter, profissão. A poesia é seu "único tempo", o "único espaço possível, a única categoria humana, exercitada menos no ato de fazer poemas que na forma e no rito de conviver com as coisas, os lugares e as pessoas". A importância de sua poesia é reconhecida, no Brasil, entre outros, por Tristão de Athayde, Carlos Drummond de Andrade e Wilson Martins; e, no exterior, por Ezra Pound, Jorge Luis Borges, Octavio Paz e Robert Graves.
O último livro de Gerardo Mello Mourão veio à luz há algumas semanas. Trata-se de O bêbado de Deus: vida e milagres de São Gerardo Majella (São Paulo, Green Forest, 2001). Com ele, Gerardo resgata compromisso assumido consigo mesmo: o de narrar a vida mágica do santo que seu próprio nome, também Gerardo Majella, homenageia (Gerardo, grafia comum no interior do Nordeste, e não o abrandado Geraldo, mais usual no restante do Brasil). E o faz com sensibilidade e talento: escrevendo livro forte, embebido daquela "razão sem razão" em que se confrontam o século e o eterno. Livro distante daquela hagiografia apenas encomiástica e de finalidade somente piedosa.
Crente em Deus e seus prodígios, católico porém "à beira da heresia" por sua inconformidade às refor mas litúrgicas, Gerardo, antes de reinventar a vida de seu homônimo, o bêbado de Deus, convivente desde a infância a tantos milagres, desenvolve interessantes reflexões sobre o milagre: "Naquele tempo (na Itália do século XVIII) havia milagres. Havia muitos milagres, com espantosa freqüência. E havia milagres, porque havia santos. E havia santos porque a gente acreditava nos milagres e nos santos". Desejando, embora com uma ponta de ceticismo: "Parece que o mundo precisa voltar a acreditar de novo nos santos e nos milagres, para ver, como via naquele tempo, os santos, os milagres e os anjos". Seria esse, defende Gerardo, um mundo melhor: de mais encanto e graça, mistério e beleza.
Colunistas
DIÁRIO POLÍTICO - Divane Carvalho
Um verdadeiro espanto
Quando Marco Maciel faz colocações objetivas sobre política é sinal de que alguma coisa está pra acontecer. Especialista em falar muito e dizer quase nada, ele deixou muita gente surpresa, ontem, quando defendeu que a escolha do candidato da aliança à Presidência, e seu vice, seja feita através de pesquisas. A mesma tese que vem sendo defendido a, faz tempo, pelo presidente do PFL, Jorge Bornhausen. Para quem até bem pouco tempo evitava falar de sucessão presidencial e se esquivava, inclusive, de comentar o desempenho da pré-candidata do seu partido, Roseana Sarney, Maciel foi além do que se poderia esperar. Pois com sua proposta, o vice-presidente deixou bem claro que não vai apoiar o ministro da Saúde, José Serra, como pré-candidato a presidente, a não ser que ele cresça nas pesquisas o suficiente para superar Roseana e ganhar o direito de ser cabeça de chapa. O surpreendente, é que as declarações de Maciel foram feitas dois dias antes do lançamento de Serra, que ocorrerá hoje, em Brasília, um verdadeiroespanto para quem tem como máxima nunca colocar o depois na frente do antes. Diante da eloqüência, digamos assim, de Maciel, há quem diga que os pefelistas estão unidos para pressionar o presidente FHC e enfraquecer o tucano Serra. E como no mesmo dia que Maciel se posicionou Inocêncio Oliveira declarava que a candidatura tucana nascia morta, pode ser que os pefelistas estejam mesmo se armando para guerra.
Anthony Garotinho (PSB-RJ) chega ao Recife, hoje, para cumprir uma intensa agenda de entrevistas a jornais, rádios e TVs. O pré-candidato a presidente e governador do Rio de Janeiro será recepcionado por Arraes e também participa de reunião com lideranças do partido
Marca 1
Jarbas é o avanço, diz o adesivo que está sendo colocado nos carros que estacionam em supermercados ou shoppings do Recife, provavelmente a primeira peça de campanha de Jarbas Vasconcelos à reeleição.
Marca 2
Uma frase tão ruim que pode disputar o troféu de pior slogan eleitoral junto com o de Eduardo Suplicy (PT-SP), E tem melhor?, criado para ele disputar as prévias do PT que escolherá o candidato do partido a presidente.
Volta
Romário Dias, do PFL retorna, hoje, dos Estados Unidos. O presidente da Assembléia diz que voltará revigorado das férias e iniciará, de imediato, as articulações para renovação do mandato em outubro.
Prêmio
Dois municípios pernambucanos disputam o Prêmio Mário Covas, do Sebrae: Vicência e Cabo de Santo Agostinho estão entre os cinco finalistas da região Nordeste. Os vencedores serão conhecidos amanhã.
Consultores
Sílvio Costa, do PSD , diz que do jeito que está a Prefeitura do Recife o PT terminará virando PC e se apressa em explicar:" De Partido dos Trabalhadores a legenda está virando Partido dos Consultores", afirma o vereador.
Debate
Luciano Siqueira é quem assina o convite para um debate sobre Direitos Humanos e Carnaval, dia 22, às 13h30, no Museu da Cidade do Recife, com os debatedores Rita de Cássia e Ronidalva Alves, da Fundaj e João Roberto Peixe, secretário municipal de Cultura. O que isso significa, só Deus sabe
Números
João Mendonça (PFL) comemora o primeiro ano de administração em Belo Jardim. O prefeito diz que investiu 33% dos recursos em Educação, 22% em Saúde e que 50% do município já são atendidos pelo Programa Médico da Família.
Editorial
INICIATIVA ESTRATÉGICA
A viagem do presidente Fernando Henrique Cardoso à Rússia concretizou avanços geopolíticos importantes. Brasília apoiou Moscou na pretensão de entrar na Organização Mundial do Comércio. Moscou deu o aval para inclusão do Brasil como membro do Conselho de Segurança da ONU. Mas talvez o resultado mais significativo tenha sido geoeconômico. Ele vem ao encontro do objetivo brasileiro de diversificar parceiros comerciais.
A iniciativa é oportuna. Hoje, o eixo Estados Unidos, União Européia e Japão responde por mais de dois terços dos negócios com o exterior. A recessão da economia americana afeta as transações de países desenvolvidos e em desenvolvimento. O comércio internacional, claro, reflete a nova realidade. Afinal, os Estados Unidos são o maior importador do planeta. As nações ricas fecham as fronteiras. Criam barreiras aos produtos de fora. Impõe-se, pois, diversificar os parceiros. Há nichos no mercado de importadores não tradicionais do Brasil que podem ser explorados na Ásia e no Oriente Médio. No caso, a aproximação com a Rússia revela-se de inestimável importância. Moscou exerce grande influência no equilíbrio das relações na região.
O Oriente Médio acena com boas perspectivas. Uma das razões é a vantagem comparativa decorrente da guerra ao terrorismo. Os países muçulmanos sentem-se atingidos. É inevitável algum mecanismo de rejeição a produtos de origem norte-americana e de seus aliados europeus. O efeito já se faz sentir. Em 2001, as exportações brasileiras para a região aumentaram 52,5% em relação a 2000. Mas ainda é pouco. O montante representa 3,5% das vendas externas nacionais.
O Leste Europeu é outra possibilidade. Os países que formavam a União Soviética deverão se beneficiar indiretamente do dinamismo introduzido na União Européia com a chegada do euro. Será um bloco de mais de 300 milhões de habitantes com interfaces comerciais com os vizinhos.
A diversificação dos mercados e da pauta de negócios constitui questão crucial para o Brasil. O governo reconhece a urgência de acumular saldos na balança comercial. O resultado de 2001 foi positivo, mas deveu-se mais à redução de importações derivada da desaceleração da economia brasileira que de ganhos de produtividade das exportações.
Existem indicações consistentes da retomada da atividade industrial em 2002.A boa nova decorre do descolamento do país da crise argentina e dos efeitos da redução do racionamento de energia elétrica. O crescimento da economia pressionará o volume de importações. Sem a dinamização das exportações, podem-se comprometer os resultados do comércio exterior.
O superávit da balança comercial e os investimentos diretos são a maneira mais eficaz de evitar que o país precise de recursos voláteis para manter as reservas cambiais. A iniciativa de buscar mercados alternativos permitirá redução do serviço da dívida externa e melhoria dos fundamentos econômicos para o crescimento sustentado. O Brasil está no caminho certo.
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01/17/2002
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