CPI INVESTIGA EMPRESAS QUE NEGOCIAVAM MILHÕES, MAS TINHAM FAVELA COMO ENDEREÇO



A CPI do Sistema Financeiro decidiu investigar a fundo as operações das empresas de Roberto Cruz Moyses, ex-genro de Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka. A CPI descobriu que Moyses fundou várias empresas e uma delas, chamada Teletrust S/A, vendeu R$ 240 milhões de debêntures aos fundos de pensão estatais Previ, Petros, Sistel, Funcep e Valia. Uma segunda dava como endereço um casebre de favela.Conforme o senador Romeu Tuma (PFL-SP), até aí tudo bem, exceto que as debêntures estavam lastreadas em planos de expansão de linhas telefônicas, cujos valores "todo mundo sabia" que iriam despencar após a privatização das companhias de telecomunicações. Resultado: no próximo dia 1º, as debêntures serão resgatadas, mas a Teletrust só tem condições de pagar a metade do valor dos papéis. Assim, os cinco fundos de pensão terão um prejuízo de aproximadamente R$ 120 milhões.A Polícia Federal, continua Romeu Tuma, já descobriu que o braço operacional da Teletrust é a empresa "fantasma" Phoneserv, cujo endereço legal fica numa favela da periferia da cidade de Santana do Parnaíba (SP). Lá, existe apenas "um humilde casebre", no qual mora uma família há sete anos e ninguém nunca ouviu falar de Phoneserv.Tuma acrescenta que tanto a Teletrust quanto a Phoneserv foram abertas no interesse do Banco Marka, "para darem aparência de legalidade a negócios suspeitos, em detrimento dos fundos de pensão, compradores das debêntures". Um dos objetivo da CPI é investigar a venda de dólares pelo Banco Central, a preços favorecidos, ao Banco Marka.Existem ainda outras duas empresas, FTI Participações e Sausalito Assessoria e Consultoria, em nome do ex-genro de Cacciola e de Jorge Gurgel Fernandes (este também é sócio da Teletrust). A primeira tem como sócio uma empresa sediada em Uruguai (Federal Town International Corporation), representada no Brasil pelo próprio ex-genro, Roberto Moyses. A segunda, por sua vez, tem como endereço legal uma casa em Barueri (SP), mas a dona do imóvel disse à Polícia que apenas costuma alugar a sala para o uso eventual de um contator.Por tudo isso, a CPI do sistema financeiro decidiu quebrar o sigilo fiscal, bancário e telefônico de todas as empresas do ex-genro de Salvatore Cacciola. Para o senador Romeu Tuma, não há dúvidas de que elas foram criadas para trabalhar para o Banco Marka "em operações suspeitas".

25/06/1999

Agência Senado


Artigos Relacionados


Operação investiga empresas que sonegaram cerca de R$ 300 mi

DIRETOR DE TST DIZ QUE TRIBUNAIS REGIONAIS TINHAM AUTONOMIA

RELATOR ACHA QUE MARKA E FONTE-CINDAM TINHAM INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA

ROMEU TUMA: LUÍS EDUARDO E SÉRGIO MOTTA TINHAM MESMO OBJETIVO

Inácio Arruda diz que Rondon e a Coluna Prestes tinham o objetivo de integrar o país

IBGE diz que 2,6 bilhões de árvores tinham sido eliminadas da Amazônia Legal desde 2002