Crise na PM não muda futuro de Jarbas
Crise na PM não muda futuro de Jarbas
Governador evitar relacionar problemas da segurança no Estado à indefinição sobre disputa à reeleição
O governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) afirmou ontem que a crise na segurança pública não vai influenciar na sua decisão de se candidatar à reeleição. "Isso não tem a menor importância. Acho isso uma coisa tão pequena, tão mesquinha eu querer vincular uma decisão minha à questão da segurança pública", disse. Na última terça-feira, deputados estaduais de oposição afirmaram que os problemas na área da segurança associados à aprovação dos precatórios (incluídos nas contas de 1996 do ex-governador Miguel Arraes - PSB) pela Assembléia Legislativa deveriam levar Jarbas a desistir de disputar um novo mandato no Executivo.
O governador explica-se argumentando que as deficiências não são exclusivas de Pernambuco e que providências profundas precisam ser tomadas, independentemente do processo eleitoral. "Eu gosto de insistir nisso porque é uma coisa verdadeira. Querer dizer que isso é típico e só ocorre em Pernambuco é uma torpeza. Isso é uma coisa grave que acontece no Estado de Pernambuco como acontece em todo o Brasil e cabe ao governador agir independentemente do fato de eu me pronunciar ou não em março ou abril. Esta questão não tem nada a ver com isso", disparou o governador, durante solenidade de inauguração de um trecho de quatro quilômetros de duplicação da PE-15, em Olinda.
A questão dos precatórios, segundo ele, também não irá balizar sua definição sobre a eleição de 2002. "Eu vi uma piada num dos jornais de que eu fui derrotado nos precatórios. Primeiro, eu não fui derrotado. A Assembléia aprovou as contas do Dr. Arraes mas ele está sub-judice na questão dos precatórios. Então não fui derrotado".
O governador frisou que sempre esteve aberto ao diálogo com a sua bancada na AL e que vai discutir para reparar possíveis erros que sejam apontados pelos deputados. Ele fez referência a alguns parlamentares de partidos da aliança governista que anunciaram não ter mais como esconder a insatisfação de parte da bancada com o Governo, fato que foi sentido durante a votação das contas de 1996 - cujo placar foi 33 a 11para Arraes. Há avaliações de que o resultado seria reflexo de dificuldades de relacionamento de deputados aliados com alguns secretários jarbistas.
PFL aposta na reeleição do governador
André de Paula afirma que partido não abre mão de ter Jarbas concorrendo a um segundo mandato
O presidente estadual do PFL, secretário de Produção Rural, André de Paula, afirmou ontem que o partido não abre mão da candidatura do governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) à reeleição. "Esta hipótese (de Jarbas sair da disputa) eu não considero. Não está na hora de definição. Acho que a aliança tem um líder, que se chama Jarbas Vasconcelos. Ele tem uma liderança tão forte e natural que tanto pode exercê-la sendo candidato quanto pode administrar a unidade do nosso palanque".
O argumento do secretário bate de frente com a análise de outras lideranças pefelistas que, prevendo a desistência de Jarbas já falam em candidato próprio. É o caso do vereador e presidente do diretório municipal do Recife, Roberto Liberato. "Ele emitiu uma opinião de ordem meramente pessoal. Andrade está avaliando um fato que não vai ocorrer, que é a possibilidade de Jarbas não ser o candidato à reeleição", disse André de Paula.
O presidente do PFL frisou que a liderança de Jarbas se consolidou em três anos de governo, numa parceriaque se iniciou em nível eleitoral e se firmou administrativamente. "Portanto, esta hipótese para mim é absolutamente absurda. Não trabalho com ela. A gente não cogita isso".
Porém, segundo ele, caso a hipótese venha a se confirmar, é legítimo que os partidos individualmente tenham aspirações. "Esse processo, entretanto, tem um condutor e líder que é o governador, cujo governo é marcado por amplas obras, aprovadas pela maioria e que por isso tem força política para conduzir o barco".
O próprio governador Jarbas Vasconcelos classificou de normal o fato de o PFL já cogitar candidatura própria. "O PFL e o PSDB, não digo o PMDB, que é meu partido, devem começar a discutir internamente, fazer projeções do que pode acontecer no Estado. Eu não vejo isso como açodamento, a não ser que esta discussão se torne pública. Eu continuo sem sabe fazer as coisas públicas, quer dizer, de ficar dizendo o que estou fazendo. Mas não vejo inconveniente, nenhum atrapalho, é natural".
Ele disse que sempre trabalhou com cenáriospara tomar suas decisões e que isso pode ser feito pelos partidos. "Por exemplo, quando afirmei que poderia votar em Ciro Gomes (candidato do PPS à presidência da República) - possibilidade expressada mais uma vez ontem - gerou uma celeuma. Mas naquela época o quadro era tão estrangulado e eu tinha que ter essa alternativa. Agora me perguntam se posso votar em Roseana. Digo que posso. Se ela for candidata da aliança, voto".
PPS desautoriza Fernando Bezerra Coelho
Líderes dizem que declarações do prefeito de Petrolina deixaram o partido em posição desconfortável
A direção estadual do PPS divulgou ontem uma nota oficial, reafirmando que o partido mantém a decisão de atuar no campo da oposição na eleição de 2002. O documento foi elaborado durante a reunião do partido para avaliar as declarações do prefeito de Petrolina, Fernando Bezerra Coelho, que voltou a sinalizar com uma possível aliança do PPS com o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) disputa eleitoral do próximo ano.
Segundo o presidente estadual do PPS e prefeito do Cabo, Elias Gomes, as declarações de Bezerra Coelho não vão tirar o partido da linha política definida no último congresso do partido. "A nossa decisão foi de buscar a unidade da esquerda em 2002 e vamos continuar trabalhando nesse sentido", afirmou.
Gomes disse, ainda, que o congresso serviu para o PPS traçar seu rumo e manter a aproximação com os líderes da esquerda. "O partido agora encontrou seu norte e não vamos abrir disso". Questionado sobre a possibilidade de Bezerra Coelho seguir um caminho contrário ao do partido, Elias Gomes disse não acreditar nessa hipótese. "Conversei com Fernando por telefone e ele garantiu que não se opõe à unidade da esquerda e que não será um empecilho para o partido". Na avaliação do presidente do PPS, o prefeito de Petrolina falou sobre prospecção futura em relação à aliança com Jarbas. "Foram declarações especulativas", concluiu.
Para ex-presidente estadual do PPS, Byron Sarinho, o posicionamento de Bezerra Coelho deixou o partido numa situação desconfortável. "Depois dos problemas enfrentados pela legenda, estamos agora numa fase de reorganização e articulações. Uma declaração dessas provoca uma reviravolta de 180 graus na nossa estrutura", considerou. De acordo com Byron, no último congresso do partido houve espaço para que todos pudessem falar, inclusive os representantes dos outros partidos da esquerda, e que ninguém mencionou uma possível aproximação com Jarbas Vasconcelos. "De repente, há pouco mais de três semanas do encontro, aparece um integrante do partido com esse tipo de posição, sem sequer ter falado com ninguém da executiva".
Apesar da fazer essa avaliação, Byron Sarinho considera que o PPS é um partido plural e que todos têm o direito de expressar suas opiniões. "As idéias podem ser discutidas, mas se a maioria decidir por outro caminho, então vence a vontade dessa maioria". Byron também não acredita que Bezerra Coelho se afaste do PPS. "Acredito na sua formação partidária e no seu compromisso com o partido".
Na próxima semana, o presidente estadual do PPS, Elias Gomes, irá marcar uma reunião com Fernando Bezerra Coelho e o presidente nacional da legenda, senador Roberto Freire. "Vamos conversar com o prefeito e temos certeza que chegaremos a um entendimento", ressaltou Gomes. O local e a hora do encontro ainda não foram definidos.
Malba Lucena sofre ameaça de despejo
Deputada acusa Fernando Rodovalho de perseguição
A Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes ingressou com uma ação na Justiça contra a deputada Malba Lucena (PSDB), obrigando a parlamentar a demolir, num prazo de 15 dias, uma obra construída em sua residência. No mandado de citação, assinado pelo juiz Francisco Julião Sobrinho, a Prefeitura solicita que se o prazo para demolição não for cumprido, o Executivo municipal fique livre para fazer a derrubada do imóvel.
A deputada alega que está sendo vítima de perseguição política porque a mulher do prefeito de Jaboatão, Ana Rodovalho, é candidata a deputada estadual e Malba concorre à reeleição em 2002. O prefeito, Fernando Rodovalho, foi reeleito no ano passado. De acordo com a parlamentar, a obra foi realizada há um ano e o serviço se resumiu à construção de uma coberta para evitar infiltrações na época das chuvas. Além da casa da parlamentar, funciona no mesmo local o Colégio Brasileiro, de propriedade da deputada.
No mandado de citação, a Prefeitura denuncia que estão sendo construídos dois blocos geminados com térreo, primeiro andar e salão na cobertura e outro em fase de construção, além de um galpão na parte posterior dos três blocos. A parlamentar é acusada, ainda, de não dispor do projeto de construção, da licença nem do alvará, se caracterizando numa obra irregular e clandestina.
A deputada garante que mora há 25 anos no mesmo local e que não tem outro imóvel para residir. "Pago o IPTU e o INSS em dia. Fiz minha casa a retalhos, por isso não tenho a planta dela. Mas a questão poderia ser resolvida se eles tivessem me dado um prazo para defesa. Ele (Rodovalho) quer derrubar minha casa, mas permitiu a construção de um ponto comercial em cima de um canal vizinho a minha residência", denunciou Malba, acrescentando que o prefeito tem medo da concorrência porque ela promove em todo o estado cursos de informática e línguas estrangeiras à população carente.
Rodovalho se defendeu das acusações, alegando que a reeleição da parlamentar não incomoda a ele nem a sua esposa. "Tive 141 mil votos na última eleiçãoe ela seis mil. Não é meu estilo perseguir ninguém. A eleição já passou", disse o prefeito, garantindo desconhecer a determinação da Justiça. "Só soube hoje quando fui procurado pelos jornais. Na Procuradoria do município há 5 mil processos de obras irregulares em tramitação", disse.
O procurador geral de Jaboatão, Evanderly da Costa, também desmentiu a deputada, garantindo que Malba foi notificada administrativamente na época pela Prefeitura para sanar o problema, mas ignorou a determinação, dando continuidade à obra. "Isso vem rolando. Como ela não atendeu ao chamado da Secretaria de Planejamento ingressamos com uma ação na Justiça. Ela pode comparecer a Justiça e se defender. Por se tratar de uma deputada, Malba deveria dar o exemplo", disse.
Saques levam Argentina a estado de sítio
Senadores e deputados estudavam reunião para discutir o licenciamento do presidente
SÃO PAULO - O Congresso da Argentina decretou no início da noite de ontem estado de sítio na Argentina, a pedido do próprio presidente Fernando de la Rúa. A medida, que restringe direitos civis da população, foi baixada depois que milhares de argentinos saquearam mais de cem supermercados e lojas em 19 cidades da Grande Buenos Aires e em seis Províncias do país, em menos de 24 horas. A revolta começou durante a madrugada e continuava na noite de ontem. Segundo o jornal argentino Ámbito Financiero, senadores e deputados estudavam marcar uma reunião para a noite de ontem a fim de discutir o licenciamento do presidente.
Os deputados também cassaram os poderes legislativos especiais do governo, que haviam sido concedidos em março a fim de que o superministro da Economia, Domingo Cavallo, pudesse alterar impostos sem a aprovação do Congresso. O carro de De la Rúa foi apedrejado quando entrava no prédio de uma organização da Igreja Católica para uma reunião com seus ministros. Seu chefe de gabinete, Chrystian Colombo, foi impedido durante horas de deixar o local, cercado por uma multidão.
O país está em recessão há três anos e sete meses. O desemprego afeta 18,3% da população e 14 milhões dos 36 milhões dos argentinos vivem hoje abaixo da linha de pobreza. A fim de manter a política econômica, em que um dólar vale um peso, o governo recorreu a empréstimos do Fundo Monetário Internacional, que por sua vez exigiu cortes de gastos públicos. Benefícios sociais, salários de funcionários públicos e aposentadorias foram reduzidos, o que agravou a recessão e provocou crescente revolta na população. No final da tarde, De la Rúa estava reunido com os comandantes das Forças Armadas.
Ainda ontem, o governo havia fechado um acordo para demitir outros 24 mil funcionários públicos e reduzir mais US$ 700 milhões da seguridade social. O objetivo do governo nos últimos três meses tem sido evitar o calote da dívida pública. O governo argentino reconheceu que sua política de déficit zero foi por água abaixo e que perdeu a batalhado controle das contas públicas neste ano. Em novembro, o buraco teria chegado a US$ 880 milhões. A meta negociada com o Fundo era de déficit de US$ 6,5 bilhões.
Se se confirmar a estimativa do saldo negativo, o acumulado do déficit em 11 meses será de US$ 7,735 bilhões. O agravamento da crise no país fez a Standard & Poor's, uma das principais agências internacionais de consultoria financeira e classificação de risco, afirmar ontem que o calote argentino não deverá passar do mês que vem. Como já havia antecipado o descalabro das contas públicas, o Fundo negou a liberação da parcela de US$ 1,26 bilhão, prevista para ser desembolsada neste mês. A desaceleração econômica da Argentina derrubou a arrecadação, o que apertou ainda mais as finanças do país. Sem o aporte do Fundo, o país enfrenta sérias dificuldades para honrar os compromissos de suas dívidas interna e externa. Nas semana passada, o governo conseguiu pagar vencimentos de US$ 900 milhões na última hora, depois de obrigar fundos de pensão a comprartítulos públicos.
Racionamento cairá para 5% em 2002
Governo compensa distribuidora e geradora com R$ 7,3 bi por perdas
BRASÍLIA - O ministro Pedro Parente, coordenador da Câmara de Gestão da Crise de Energia, disse ontem que as metas em 2001 eram manter o controle do sistema e evitar os apagões. "Graças ao apoio da população conseguimos esse objetivo", afirmou. Para 2002, a meta é, se repetir o pior cenário hidrológico, adotar uma redução de consumo de 5% no máximo. Para 2003 meta é a completa normalidade.
As distribuidoras e as geradoras de energia chegaram a um acordo final na madrugada de ontem sobre as pendências existentes entre os dois segmentos provocadas pelo racionamento de energia. Elas vão levar metade do que calculavam como perdas do racionamento. As perdas somavam R$ 5 bilhões (geradoras) e R$ 10,7 bilhões (distribuidoras), um total de R$ 15,7 bilhões. Mas, pelo acordo, as contas ficaram em R$ 2,7 bilhões (geradoras) e R$ 4,6 bilhões (distribuidoras), um total de R$ 7,3 bilhões.
"Foi o acordo possível. Se fosse melhor para alguma das partes seria pior para outra", resumiu ontem o diretor financeiro da Chesf,Luiz Godoy, presidente do Fórum Financeiro da Associação Brasileira das Geradoras (Abrage). O vice-presidente da Celpe, Roberto Alcoforado, disse ontem que ainda iria estudar o acordo e preferiu não emitir opinião.
Segundo o vice-presidente da AES Tietê, Demóstenes Barbosa da Silva, os termos do acordo foram apresentados ontem de manhã ao presidente Fernando Henrique Cardoso, durante reunião da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (CGCE) em Brasília. "Chegamos a um acordo equilibrado, em que todos tiveram de ceder um pouco", define Silva. Apesar de ter sido celebrado e apresentado ao presidente ontem, os aditivos aos contratos só serão assinados em janeiro próximo.
Pelo acordo, distribuidoras e geradoras compartilharão, até o fim do próximo ano, o pagamento pela energia livre - a eletricidade que não está atrelada aos contratos iniciais entre as partes, de novos projetos de geração - o que valerá retroativamente a contar do início do racionamento, em junho passado.
Segundo Silva, o cálculo dosgastos com a energia livre até outubro era de R$ 2 bilhões. "Essa energia livre deverá custar entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões por ano às empresas", calcula. Nessa divisão dos gastos, as geradoras arcarão com 60% do Valor Normativo (VN), atualmente de cerca de R$ 80 por megawatt-hora (MWh), e receberão, por meio de reembolso das distribuidoras, os 40% restantes do VN.
Artigos
A globalização, segundo Gilpin
Roberto Cavalcanti de Albuquerque
Roberto Gilpin, professor emérito da Universidade de Princeton, Estados Unidos, é um dos mais respeitados especialistas contemporâneos em política e economia internacional. Seu livro A economia política das relações internacionais (The political economy of international relations, New Jersey, Princeton, 1987) é referência obrigatória para economistas, cientistas políticos, diplomatas, historiadores. Ele combina esses muitos saberes ao examinar o desintegrar-se do sistema de liberalização comercial, moedas estáveis e crescente interdependência econômica nascido na Conferência de Bretton Woods (1944). E ao identificar nos rumos tomados pela política econômica internacional dos anos 1980 a emergência da globalização, comandada por forças do mercado, embora ainda voláteis e de configurações flutuantes. Em 1992, no Brasil, Gilpin considerou serem muito poucas as chances dos países em desenvolvimento de se inserirem de forma autônoma e exitosa no mercado mundializado. Echegou a prever que suas economias se atrasariam dramaticamente, um novo colonialismo podendo vir a subjugá-las. ("A nova ordem política e econômica mundial", em A nova ordem mundial em questão, J.P.dos Reis Velloso e L. Martins, coords., Rio de Janeiro, José Olympio, 1992, p.145-60).
Em sua obra mais recente, Economia política global: compreendendo a ordem econômica internacional (Global political economy: understanding the international economic order, New Jersey, Princeton, 2001), Robert Gilpin humildemente reconhece que subestimou, naquelas análises (sobretudo em sua obra clássica, de 1987), o papel dos estados nacionais como forças, tanto políticas quanto econômicas, capazes de influenciar a nova ordem econômica global: "Este livro", escreve Gilpin, "tenta superar essas desafortunadas fraquezas: através da atenção dedicada ao que chamo "sistemas nacionais de economia política" e a sua importância seja para as questões internas seja para as internacionais". Para ele, embora a globalização se tenha tornado a característica dominante da economia internacional no início do presente século, sua extensão e relevância têm sido grandemente exageradas e mal compreendidas.
Este ainda é um Mundo onde as políticas e economias nacionais são as determinantes principais das questões econômicas. E para que a economia global adquira capacidade de governança, é indispensável, primeiro a cooperação dos estados nacionais, a começar pelos mais influentes dentre eles (os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão); e segundo, que se chegue a um consenso, ainda distante, sobre a resposta à seguinte pergunta: governança para quê? Para simplesmente assegurar as regras do livre mercado e os princípios da economia neoclássica, cujo propósito último é a maximização das escolhas dos consumidores e da riqueza global? Ou para garantir uma mais justa distribuição dos benefícios da globalização entre países, regiões e pessoas? Diante desse dilema, conclui, o que de melhor se pode esperar é que as maiores potências, em seu próprio interesse etambém no interesse geral, cooperem para desenhar uma ordem política e econômica internacional mais estável e humana. Esse apelo de Robert Gilpin, filosófica e analiticamente um realista, longe de ser concessão ao idealismo, é requisito da própria viabilidade de uma nova ordem mundial.
Colunistas
DIARIO POLÍTICO – Divane Carvalho
Os frutos da ousadia
O PFL sempre foi pragmático. E apesar de seus adversários traduzirem essa definição por fisiologismo ou capacidade de estar sempre no poder, o pragmatismo dos pefelistas pode mudar o rumo da corrida presidencial. Acostumados a articulações à longa distância, eles jogaram rápido quando pressentiram que poderiam ser descartados da aliança em 2002 e apostaram todas as fichas em Roseana Sarney. Já estão começando a colher os frutos da ousadia porque a governadora do Maranhão cresceu outra vez nas pesquisas e ameaça o primeiro colocado, Luís Inácio Lula da Silva (PT). Para tornar a candidatura pefelista um fato consumado o partido não poderia ter sido mais prático: utilizou as inserções da legenda na TV para divulgar apenas Roseana, num esquema de marketing que começou em agosto. Também pediu ao TSE a antecipação do programa nacional que se realizaria em maio, para 31 de janeiro, porque como a candidatura governista à Presidência deve ser definida no primeiro trimestre do próximo ano, o partido acha que ela manterá os percentuais com um novo programa de TV. Os adversários devem ter se surpreendido tanto que nenhum partido foi ao TSE denunciar que os pefelistas estão fazendo campanha eleitoral antes do tempo. Agora, estão no maior dilema. Pois se denunciam o PFL no próximo VT de Roseana serão denunciados pelos pefelistas na hora que colocarem seus candidatos no ar seguindo a mesma tática do PFL.
O PHS realiza a festa do seu 6º aniversário e confraternização natalina, amanhã, às 19h, na sede regional do partido, que fica na Rua Altinho, 102, Madalena. Filiados e simpatizantes estão convidados
Avaliação
Paulo Santana (PT) reúne hoje e amanhã no Hotel São Francisco, em Aldeia, o Grupo Gestor da Prefeitura de Camaragibe para avaliar o seu primeiro ano de governo. A prefeita-criança, Gilmara Darlene, e seu vice, Melkibisson Wandame, também vão participar além dos 15 vereadores mirins do município.
Medalha
Roberto Freire (PPS-PE) será homenageado pela Associação dos Magistrados de Pernambuco com a Medalha do Mérito Paula Batista, pelos serviços prestados à Justiça e à entidade representativa dos juízes e desembargadores. Amanhã, às 22h, na sede da associação.
Natal
Luciano Bivar (PSL) faz festa de confraternização, hoje, com os candidatos do partido e deputados estaduais e federais, além de representantes de outras legendas. A partir das 18h30 no Laçador de Boa Viagem.
Correção
O Diário Político fez a maior confusão, ontem, e colocou Yves Ribeiro (PSB) na Prefeitura de Itapissuma, de onde ele já foi prefeito duas vezes. Mas ele continua comandando o município de Igarassu.
Eleição 1
O The New York Times destacou, na edição de ontem, a candidatura de Roseana Sarney (PFL-MA) à Presidência da República. Para o jornal, a governadora do Maranhão conseguiu "driblar o machismo brasileiro e se destacar como uma das opções da aliança governista para suceder o presidente FHC".
Eleição 2
Disse ainda que, como candidata à Presidência," Roseana parecia ter tudo contra ela. É mulher, em um setor dominado essencialmente pelos homens, vem de um dos Estados mais pobres do Brasil, e é filha de um ex-presidente cujo mand ato é lembrado como uma crise perpétua".
Eleição 3
O jornal diz ainda que, a dez meses das eleições, Roseana "surgiu como a estrela e sem nem ter anunciado sua candidatura conseguiu amedrontar o meio político machista do Brasil e conquistar base de apoio crescente, misturando charme pessoal com um apelo à Justiça".
Processos
Cerca de 34 mil processos estão com o andamento prejudicado no STJ por conta da paralisação de quase um mês da Imprensa Nacional, responsável pela edição do Diário da Justiça. Porque os autos só podem se liberados com a publicação dos acórdãos e das decisões dos ministros.
Tereza Duere, do PFL, participa da cerimônia de encerramento das atividades do Judiciário, amanhã, no Tribunal de Justiça de Pernambuco. Quando recebe homenagem " pelos serviços prestados à Justiça social".
Editorial
Relações dominadoras
A Autoridade de Promoção Comercial (TPA) conferida ao presidente George W. Bush pela Câmara de Representantes não é um mandato para negociar acordos comerciais segundo as regras da livre competição. Em completo desabono ao antigo conceito do fast track, a delegação de poderes aprovada pelos deputados ergue verdadeiro dique à concorrência na disputa do mercado norte-americano. Sem a menor cerimônia, impõe barreiras alfandegárias, cria cláusulas sobre direitos trabalhistas, condiciona o intercâmbio a requisitos ambientais, prevê sistemas de cotas e adicionais aduaneiros.
Viola os próprios compromissos assumidos pelos Estados Unidos na recente rodada ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Doha, Catar, no mês passado. Assim, a lei antidumping não será objeto de discussão na próxima reunião da OMC. Também a questão dos subsídios à agricultura ficará fora da pauta. A TPA mantém as leis de defesa comercial às quais o governo recorre para justificar procedimentos mercantilistas condenados pela OMC.
O elenco das restrições acolhidas na TPA prevê itens agrícolas considerados "sensíveis a importações". A classificação consagra princípio subjetivo, sem dúvida para garantir margem à aplicação de protecionismo fiscal ou simples embargo à entrada dos produtos. Só mediante avaliação da International Trade Comission e consulta prévia ao Congresso, os chamados sensíveis terão curso no mercado americano. Já a importação de têxteis e vestuário dependerá de entendimento com a Comissão de Orçamento.
Está delineado com todas as letras o processo de bloqueio às esperanças das economias secundárias de concorrer em regime de liberdade no mercado dos EUA. A formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) enfrenta aí obstáculo intransponível. O Brasil é atingido de maneira direta. As limitações aprovadas pela Câmara de Representantes retiram capacidade competitiva de trezentos a quinhentos produtos da pauta exportadora. Pelo menos, é o que informa levantamento preliminar realizado pelo Ministério das RelaçõesExteriores.
Um bloco comercial como a Alca, projetado para estender-se do Canadá à Patagônia, não terá existência real se o principal parceiro, os EUA, insistir em relações dominadoras de poder sobre os mercados locais. Ou admite ceder às exigências da igualdade nos critérios de concorrência, ou não avançará para além do malogro. O insucesso com certeza prejudicará com maior intensidade as nações abaixo do Rio Grande. Mas o isolamento com certeza não atenderá aos interesses norte-americanos.
Resta aguardar que o Senado, chamado a oferecer a última palavra sobre a TPA, reveja o mandato com o qual Bush não poderá fomentar o comércio mundial via acordos. O empecilho não exclui os EUA de seus efeitos funestos.
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12/20/2001
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