Cristovam: A chuva não gosta dos pobres?
"Por que a chuva não gosta dos pobres?", perguntou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) ao comentar a destruição causada pelas enchentes em Alagoas e Pernambuco. A resposta, conforme disse em discurso nesta quinta-feira (24), está na postura dos políticos: não agem corretamente para proteger a população que sofre com as cheias ou com a falta de chuva.
Depois de lembrar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobrevoou nesta quinta-feira áreas alagadas de Pernambuco e Alagoas, Cristovam previu que, daqui a duas semanas, com o fim das chuvas, o drama da população será esquecido. No próximo ano, como disse, com um novo presidente da República, as cenas se repetirão, "como se a chuva não gostasse dos pobres, quando, na verdade, somos nós que não gostamos deles".
Proveito
O senador sugeriu tirar um mínimo de proveito da tragédia: despertar o país para a necessidade de mobilizar recursos técnicos e financeiros e fazer obras de drenagem, de proteção de ladeiras, de contenção de encostas e de construções sólidas, que protejam a população pobre.
Mas, antes, segundo Cristovam, é preciso resolver uma questão: embora digam que política é "coisa ruim", é a política que decide se a engenharia e os recursos financeiros serão usados para proteger a população pobre das chuvas ou para beneficiar os ricos.
- É a política que faz o orçamento e define para onde vai o dinheiro público. Temos que eleger pessoas que vão cuidar das prioridades certas, que vão perceber que as chuvas ameaçam a população e que os recursos e os conhecimentos existentes já permitem evitar essas tragédias.
Cristovam afirmou que "os pobres também não cuidam de si quando não votam certo, porque não despertaram para um fato: o risco de que a próxima chuva destrua sua casa está dentro da urna onde depositam seus votos".
- O estrago da chuva hoje é provocado pelo estrago na urna na eleição passada.
Seca
Quanto aos efeitos da seca, o senador salientou que o país adotou um modelo de produção que substituiu a produção de pequenos animais que sobrevivem com pouca chuva pela pecuária de grande porte. Segundo disse, adotou-se uma produção não adaptada à realidade do semiárido.
Para ele, é um equívoco tentar submeter a natureza à produção que se deseja, ao invés de submeter a produção às características naturais. O fato, como disse, é que se escolhe um desenvolvimento desequilibrado ecologicamente e, depois, se atribui a culpa às oscilações pluviométricas.
O senador questionou a ação da Petrobras no Nordeste: quando perfurava um poço e encontrava água, a empresa tapava o buraco, "porque só o petróleo tem valor". O fato, como observou, é que a água está debaixo dos pés dos flagelados pela seca, porque o país não usa a tecnologia para retirá-la e levá-la a quem dela necessita.
24/06/2010
Agência Senado
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