Cristovam pede que intervenção do DF não seja partidarizada
"A intervenção é uma questão dentro do marco legal previsto na Constituição, porém, significará, sem dúvida alguma, um fracasso não da democracia, mas de todos nós, políticos do Distrito Federal". O comentário foi feito pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que, da tribuna do Plenário, posicionou-se contra a partidarização do assunto. Ele avaliou que se os partidos começaram a assumir posição sobre a intervenção ou não do governo do DF, pelo menos na aparência a decisão que o Supremo Tribunal Federal (STF) tomar poderá ser interpretada como em benefício de um ou outro partido.
O senador declarou que o Distrito Federal não é a única unidade da federação brasileira a sofrer com a corrupção. Cristovam registrou que o "mensalão" não foi inventado em Brasília, nem que a prisão de governantes ou ex-governantes seja privilégio da capital do país. Por outro lado ele concordou com o fato de que a gravidade das imagens exibidas deu uma dimensão diferente ao caso.
- Intervenção não é falta de democracia, se for feita dentro dos cânones, dentro das regras, dentro da Constituição. É um erro dizer que seria falência da democracia. Não! É a falência da política, é a falência dos políticos. E o Poder Judiciário vem nos salvar. Eu espero que isso não seja preciso, mas, se for, não vamos dizer que isso está fora do marco legal - afirmou Cristovam Buarque.
Em aparte, o senador Gerson Camata (PMDB-ES) disse que está torcendo para que a solução para os problemas do Distrito Federal se dê através da posse de um governador obedecendo a linha sucessória, e não pela via da intervenção. Depois de registrar que foi um dos primeiros a lutar pela autonomia de Brasília, o senador Epitácio Cafeteira (PTB-AM) confessou que os fatos atuais estão fazendo com que ele comece a se arrepender dessa batalha que travou.
Por sua vez, o senador Mão Santa (PSC-PI) posicionou-se contra uma intervenção no governo do Distrito Federal e chamou de "aloprados" os que defendem tal tese. Lamentando a crise que se abateu sobre a administração do DF, o senador César Borges (PR-BA) defendeu uma solução democrática e constitucional para o caso. Ele opinou que a intervenção não pode ser descartada, mas somente se for adotada em última instância.
Para o senador Papaléo Paes (PSDB-AP), a melhor saída para o Distrito Federal é a intervenção. Ele opinou que a Câmara Legislativa "está praticamente toda comprometida pela corrupção", fato que inviabilizaria outra solução. O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) defendeu a aprovação de uma reforma política que institua o financiamento público de campanha e mude o sistema de voto proporcional.
O senador Osmar Dias (PDT-PR) alertou para a necessidade de haver uma renovação na classe política do Distrito Federal. Ele destacou que nos últimos anos três senadores do Distrito Federal tiveram que responder a processos no Conselho de Ética: Luiz Estevão, que foi cassado, e Joaquim Roriz e o próprio José Roberto Arruda, que renunciaram ao mandato para evitar a cassação.
24/02/2010
Agência Senado
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