De volta para o futuro



De volta para o futuro O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), é o candidato preferido dos deputados da base governista para disputar a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Pesquisa do Ibope mostra que os parlamentares gostariam de ver reeditada na eleição do ano que vem a aliança que elegeu Tancredo Neves e José Sarney em 1985. Neto de Tancredo, Aécio foi apontado como melhor candidato da base por 25% dos entrevistados. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), filha do ex-presidente, é a preferida de 21% dos governistas. Em terceiro lugar, o ministro da Saúde, José Serra (PSDB), recebeu 7% dos votos de deputados de PSDB, PMDB, PFL, PPB e PTB. Entre os presidenciáveis do PMDB, o mais bem cotado foi o senador Pedro Simon (RS), que ficou em quarto lugar, com 7% das intenções de voto. Outro dos pré-candidatos tucanos, o governador do Ceará, Tasso Jereissati, é o preferido de 5% dos parlamentares consultados. O percentual é o mesmo do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, único candidato do PPB citado. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, ficou com a pior colocação: 0%. O vice-presidente Marco Maciel também não obteve apoio dos parlamentares governistas (1%). O governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), recebeu o apoio de 2% dos consultados. Desafeto dos governistas do PMDB, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), não apareceu na pesquisa. Maioria quer ter candidato próprio Os pesquisadores do Ibope — que não informou quem encomendou o levantamento — entrevistaram 240 deputados da base governista entre 25 e 27 de setembro e 2 e 4 de outubro. O levantamento mostra que 71% dos parlamentares consultados preferem que seus partidos tenham candidato próprio à Presidência. Apenas 24% dos entrevistados acham que seu partido deve se aliar com outra legenda da base. No PMDB e no PFL, essa tendência é mais forte: 82% dos peemedebistas e 79% dos pefelistas preferem a tese de candidatura própria. Entre os tucanos, 66% preferem ter candidato próprio e 96% escolheram um nome do PSDB entre os possíveis candidatos da base: Aécio (55%) é o preferido com o dobro do segundo colocado, Serra (25%). Em terceiro no ranking dos deputados do PSDB ficou Tasso (8%), seguido de Paulo Renato (0%). No PFL, a preferida é Roseana, com 69% de apoio dos parlamentares pefelistas. Entre os peemedebistas ouvidos, Simon continua como o mais bem cotado (27%). Aécio: “Meu projeto passa por Minas” Aécio comentou o resultado da pesquisa com o discurso de sempre: de que não se apresentou como candidato. Aécio está em alta com os parlamentares, principalmente depois que aumentou para R$ 12 mil o valor da verba de gabinete. — Vejo como uma homenagem ao trabalho que estamos fazendo na Câmara. Sensibiliza-me e me dá mais confiança para continuar rigoroso na defesa de uma agenda ética e política para Parlamento — disse Aécio. O deputado disse que o resultado da pesquisa não deve influenciá-lo a ponto de lançar-se como um dos nomes do PSDB para a sucessão de Fernando Henrique. — Não é esse meu projeto. Meu projeto político passa por Minas Gerais — afirmou Aécio, que vai disputar com o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e com o ex-governador Eduardo Azeredo a indicação de candidato tucano à sucessão de Itamar. PF prende dois libaneses com certidões falsas BRASÍLIA. A Polícia Federal descobriu que dois libaneses conseguiram certidões de nascimento falsas e as apresentaram em cartórios da Justiça Eleitoral do Distrito Federal. Segundo a PF, o objetivo deles era retirar passaportes do Brasil e, assim, obter visto para entrar como brasileiros em países europeus. Os dois foram presos. A denúncia foi enviada em agosto pelo corregedor-geral eleitoral do Distrito Federal, desembargador Otávio Barbosa, ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Garcia Vieira. Os juízes eleitorais de estranharam as datas recentes da emissão de carteiras de identidade a pessoas que não falavam português fluentemente. Por meio de um levantamento minucioso, descobriram que os números dos livros de registro de nascimento não existem nos cartórios citados nos documentos. Segundo Barbosa, funcionários dos cartórios eleitorais do Distrito Federal já identificaram outros cinco estrangeiros que tentaram fazer o mesmo. Eles também estão sendo investigados. Sem alternativa, José Ignácio vai para o PGT Depois de ter deixado o PSDB para não ser expulso e de ter sido recusado pelo PMDB, o governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira, filiou-se ao desconhecido Partido Geral dos Trabalhadores (PGT), registrado no Tribunal Superior Eleitoral em setembro de 1999 e sem representação no Congresso. É nessa condição que o governador capixaba enfrentará no dia 17, na Assembléia Legislativa, a votação do pedido de impeachment contra ele. O governador é acusado de graves denúncias de irregularidades e corrupção em seu governo. O presidente da Assembléia, o pefelista José Carlos Gratz, ex-aliado de José Ignácio e que há pouco mais de dois meses engavetou o pedido de impeachment, assumiu com o PFL nacional o compromisso de retomar a votação na próxima semana. Os diretórios estaduais dos três maiores partidos — PSDB, que elegeu José Ignácio, e PMDB e PFL, que participaram da sua coligação — estão sob intervenção dos diretórios nacionais. Todos comprometidos com a aprovação do impeachment do governador. — Agora o impeachment não tem volta. Vamos ter que arrumar a política no Espírito Santo — disse o deputado José Carlos Fonseca, quando conseguiu aprovar na executiva nacional do PFL, quarta-feira passada, uma resolução em que o partido se compromete a votar pelo afastamento de José Ignácio do governo. Essa decisão foi fundamental para forçar a mudança de posição do PFL capixaba, que ainda resistia em romper com o governador. Diante disso, Gratz marcou a votação. Apesar das pressões, José Ignácio trabalha para conquistar a maioria dos 30 votos da Assembléia Legislativa. Os partidos que fazem oposição ao seu governo reconhecem que ele poderá conseguir os votos necessários para se manter no governo. Programa de rádio de Garotinho é proibido pelo TRE O Tribunal Regional Eleitoral do Rio determinou a retirada do ar do programa “A paz do senhor governador”, na Rádio Melodia. Em sua decisão, o juiz Antônio Carlos Nascimento Amado afirma que o programa, do qual o governador Anthony Garotinho (PSB) participava, exibia “notória e evidente propaganda eleitoral indevida”. No programa, Garotinho falava das realizações de seu governo e de sua campanha à Presidência. O juiz multou o governador em 50 mil Ufirs (cerca de R$ 53 mil) e a Rádio Melodia em 20 mil Ufirs (cerca de R$ 21.200). Foi a segunda vez que a Justiça Eleitoral proibiu a veiculação de programas do governador. Há dois meses, o TRE proibira o “Fala, governador”, exibido pela TV Record e pela Rádio Tupi. Ontem, Garotinho fez críticas ao PT, autor da representação para a retirada do programa do ar. Ele anunciou que recorrerá da decisão: — O PT tem feito a política da volta da censura. Se eles fazem isso antes de chegarem ao poder, não sei o que serão capazes de fazer depois. FH vai visitar 5 países em outubro e novembro BRASÍLIA. O presidente Fernando Henrique decidiu manter compromissos internacionais, apesar da guerra no Afeganistão. Entre outubro e novembro, ele visitará cinco países: Espanha, França, Peru, Chile e Estados Unidos. Os compromissos mais importantes são na França, onde fará um discurso na Assembléia Nacional no próximo dia 30, e nos EUA, onde participará da reunião de abertura da Assembléia Geral da ONU, em Nova York, nos dias 10 e 11 de novembro. Pela primeira vez, Fernando Henrique fará o discurso de abertura da reunião da ONU. Normalmente a tarefa cabe ao chanceler ou a um embaixador. O presidente pretende falar sobre a situação internacional depois dos atentados nos EUA e a posição brasileira no episódio. Procuradores do Pará vão pedir na Justiça o bloqueio dos bens de Jader BRASÍLIA. Sem mandato há menos de uma semana, o ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA) terá agora de enfrentar o que mais temia: uma batalha judicial sem as regalias que a impunidade parlamentar lhe garantia. O Ministério Público do Pará estava concluindo ontem a ação que deverá apresentar à Justiça até amanhã contra o ex-senador, pedindo o bloqueio de seus bens e de seus parentes para garantir o ressarcimento aos cofres públicos de R$ 14,5 milhões desviados do Banpará. De acordo com a nota técnica da 5 Câmara de Patrimônio Público, o desvio de verba teria beneficiado Jader, seus parentes, aliados e suas empresas. Atualizado, esse valor chega a R$ 30 milhões. Segundo os procuradores do Pará, Jader também terá de prestar contas sobre a parcela do dinheiro do Banpará que usou para pagar dívidas e que teria ido parar na conta de terceiros. Pelo menos três operações foram identificadas pela 5 Câmara, entre elas a compra de uma fazenda e reformas no prédio do Diário do Pará” e numa das casas do ex-senador. Os procuradores do Pará também vão aprofundar as apurações sobre a participação do ex-senador em fraudes contra a extinta Sudam. Até a semana passada, eles estavam impedidos de conduzir os inquéritos porque Jader era senador. Agora, terá prioridade a investigação sobre os negócios que Jader tinha com o empresário José Osmar Borges, apontado como principal fraudador da Sudam. Senadores comemoram decisão de procuradores No Senado, a notícia de que o Ministério Público pretende cobrar de Jader os recursos desviados do Banpará foi comemorada, especialmente pelos integrantes do Conselho de Ética. Para o coordenador das investigações, senador Romeu Tuma (PFL-SP), a conduta dos procuradores do Pará só comprova que seu relatório solicitando a abertura de processo contra Jader estava correto. Tuma fora acusado por Jader de ter alterado depoimentos e provas para condená-lo. — A renúncia do senador só suspendeu o processo político. Na Justiça, a ação continuará correndo. Não tenho dúvidas de que as provas materiais apresentadas pelo Banco Central são verdadeiras — afirmou o pefelista. Para a senadora Heloisa Helena (PT-AL), o Ministério Público está cumprindo o seu papel e isso é fundamental para a democracia: — Como a renúncia do senador fortalece no imaginário da população a sensação de impunidade, é importante que o Ministério Público aja com rigor neste momento. Marta é vaiada por professores em SP SÃO PAULO. O que deveria ser um evento em homenagem ao educador Paulo Freire se transformou num episódio constrangedor para a prefeita Marta Suplicy. Ontem de manhã, no encontro com dois mil educadores no Auditório do Anhembi, em São Paulo, a prefeita foi vaiada pelo público quando tentou explicar a mudança no Orçamento de 2002 para a área de educação. Em contrapartida, os professores aplaudiram de pé a ex-prefeita e deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP). Quando entrou no auditório, Marta logo foi surpreendida por uma faixa com os dizeres “30% da educação —- redução e traição”. O clima ficou mais tenso quando Luiza Erundina entrou no auditório ovacionada pelos professores. — É sempre assim quando me encontro com os funcionários. Acho que é um reconhecimento da valorização que o nosso governo deu à educação — disse a ex-prefeita. Marta não consegue dar explicações aos professores Durante seu discurso, Marta ainda tentou dizer que sua prioridade é a educação, mas foi impedida pela platéia. — Sei que não deveria falar disso, mas vocês terão resultados em quatro anos — disse. Após a cerimônia, Marta afirmou não ter ficado incomodada com a situação. — Tinha um grupo que veio instruído para fazer a manifestação, mas isso faz parte. Acho que em vez de fingir que não escutava, eu falei sobre o tema — afirmou. Erundina, como os professores, também criticou o projeto da prefeitura de reduzir de 30% para 25% os gastos com educação e de incluir na verba os gastos com inativos, uniforme e transporte escolar. — Deve-se investir muito em educação, mesmo porque não é gasto, é investimento. Agora esses 30% têm de ser gastos com os educadores da ativa e melhoria de equipamentos — disse. Erundina acredita que Marta irá rever a questão e que a opinião da população sobre a atual gestão do PT mudará no decorrer do próximo ano. — Acho que a partir do segundo ano de governo ela irá rever sua posição e assegurar essa meta orçamentária. Sei que as finanças municipais estão numa situação grave, porém, acho que é preciso manter os gastos — disse Corregedor defende investigação sobre Medeiros BRASÍLIA. O corregedor-geral da Câmara, Barbosa Neto (PMDB-GO), disse ontem que, se confirmadas as denúncias contra o deputado Luiz Antônio de Medeiros (PL-SP) de arrecadação de recursos junto a empresários para montar a Força Sindical e de desvio de parte do dinheiro para contas no exterior, estará caracterizada a quebra de decoro parlamentar. O corregedor receberá hoje do deputado petista Jair Meneguelli (SP) pedido de abertura de inquérito contra Medeiros. — Se a origem do dinheiro remetido ao exterior é duvidosa, não tenho dúvidas de que houve quebra de decoro. Não quero fazer prejulgamento. Mas, se as denúncias forem confirmadas, foi, no mínimo, um deslize ou ato ilícito praticado pelo deputado — disse. Denúncia pode ser a primeira no conselho Jair Meneguelli apresenta hoje à Corregedoria-Geral da Câmara representação pedindo abertura de processo no recém-aprovado Conselho de Ética da Casa. A denúncia, a primeira a ser apurada pelo conselho, põe em xeque o novo Código de Ética da Casa, segundo o qual os processos só podem ser abertos com apresentação de provas contra o deputado. O corregedor terá que decidir se instala uma comissão de sindicância para levantar provas contra Medeiros ou se remete diretamente à Mesa da Câmara o pedido de abertura do processo contra o deputado no Conselho de Ética, que deverá ser criado amanhã. — Precisamos saber que provas são essas que o código exige. As denúncias são muito sérias e merecem ser investigadas. A forma, quem vai decidir é a Mesa — disse ele. Já o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), disse que Mesa vai dar o encaminhamento devido ao caso. — Mas antes quero me informar melhor — disse ele. Medeiros pede para ser ouvido pelo PL Hoje Medeiros vai apresentar sua defesa ao partido, o PL. Ao solicitar ontem a reunião da bancada, ele pediu que o partido não tirasse qualquer conclusão antes de ouvi-lo. Jurou que não enviou recursos públicos ao exterior e que sua casa, avaliada em R$ 500 mil, foi comprada graças a um financiamento da Caixa Econômica Federal. — Queremos ouvir suas justificativas. Se ele provar que o dinheiro não é público, terá o apoio do PL. Se ficar comprovado que é dinheiro público, aí a história é outra — disse o vice-líder do PL, Bispo Rodrigues (RJ), dando a entender que o PL poderá apoiar as investigações na Câmara. Representante da Igreja Universal do Reino de Deus no Congresso, Rodrigues diz, porém, que a denúncia é fruto de uma estratégia do Palácio do Planalto para desestabilizar o PL, que estuda uma aliança com o PT. O deputado Pedro Celso (PT-DF) disse que pretende aproveitar para investigar o envolvimento de Medeiros e do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, no desvio de milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Ministério Público tenta bloquear bens de Jader BRASÍLIA. Sem mandato há menos de uma semana, o ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA) agora terá de enfrentar o que mais temia: uma batalha judicial sem as regalias que a impunidade parlamentar lhe garantia. O Ministério Público do Pará estava concluindo ontem a ação que deverá apresentar à Justiça até amanhã contra o ex-senador, pedindo o bloqueio de seus bens e de parentes para garantir o ressarcimento aos cofres públicos de R$ 14,5 milhões desviados do Banpará. De acordo com a nota técnica da 5 Câmara de Patrimônio Público, o desvio do dinheiro teria beneficiado Jader, seus parentes, aliados e suas empresas. Atualizado com juros e correção monetária, esse montante pode subir para R$ 30 milhões. Investigação sobre fraude na Sudam será aprofundada Segundo os procuradores do Pará, Jader também terá de prestar contas sobre a parcela do dinheiro do Banpará que foi usada pelo ex-senador para pagar dívidas e que, por isso mesmo, teriam ido parar na conta de terceiros. Pelo menos três operações desse tipo foram identificadas pela 5 Câmara, entre elas a compra de uma fazenda, as reformas no prédio do jornal “Diário do Pará” e em uma das casas de Jader. Os procuradores do Pará também pretendem aprofundar as investigações sobre a participação do ex-senador em fraudes contra a extinta Sudam. Até a semana passada, eles estavam impedidos de conduzir esses inquéritos porque Jader era senador. Por enquanto, terá prioridade a investigação sobre os negócios que Jader tinha com o empresário José Osmar Borges, apontado como principal fraudador da Sudam. No Senado, a notícia de que o Ministério Público pretende cobrar de Jader os recursos desviados do Banpará foi comemorada, especialmente entre os integrantes do Conselho de Ética, que foram duramente criticados pelo ex-senador antes de sua renúncia. Tuma aprova decisão dos procuradores do Pará Para o coordenador das investigações, senador Romeu Tuma (PFL-SP), a conduta do Ministério Público do Pará só comprova que o seu relatório solicitando a abertura de processo contra Jader estava correto. Tuma foi acusado por Jader de ter alterado depoimentos e provas apresentadas pelo Banco Central para condená-lo. — A renúncia do senador só suspendeu o processo político. Na Justiça, a ação continuará correndo. Não tenho dúvidas de que as provas materiais apresentadas pelo Banco Central são verdadeiras — afirmou. Para a senadora Heloisa Helena (PT-AL), o Ministério Público está cumprindo o seu papel e isso é fundamental para a democracia: — Como a renúncia do senador fortalece no imaginário da população a sensação de impunidade, é importante que o Ministério Público aja com rigor neste momento. PF descobre dois libaneses com documento falso BRASÍLIA. A Polícia Federal descobriu que dois libaneses conseguiram certidões de nascimento falsas e as apresentaram em cartórios da Justiça Eleitoral do Distrito Federal. Segundo a PF, o objetivo era retirar passaportes do Brasil e, com eles, obter visto para entrar como brasileiros em países europeus. Os dois foram flagrados por servidores da Justiça ao apresentar os documentos falsos. A denúncia foi enviada em agosto pelo corregedor-geral eleitoral do Distrito Federal, desembargador Otávio Barbosa, ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Garcia Vieira. O ministro encaminhou aos cartórios, no mês seguinte, a recomendação de “máxima cautela de forma a evitar o alistamento dos estrangeiros”. Depois os libaneses foram presos. Os juízes eleitorais estranharam as datas recentes da emissão de carteiras de identidade a pessoas que não falavam português fluentemente. Depois de um levantamento, a Justiça Eleitoral descobriu que os números dos livros de registro de nascimento não existem nos cartórios citados nos documentos. Segundo Otávio Barbosa, funcionários dos cartórios eleitorais identificaram outros cinco estrangeiros que tentaram fazer o mesmo e estão sendo investigados. Artigos Lições da democracia MARCO MACIEL Dois dias antes dos atentados terroristas nos Estados Unidos, o historiador Eric Hobsbawm estabelecia, em artigo intitulado “A falência da democracia”, uma série de premissas a partir das quais chegou à conclusão de que os instrumentos clássicos da democracia liberal já não são adequados nem capazes de lidar com os problemas deste século. De forma inteligente e não menos provocativa, como na maioria de seus textos, Hobsbawm arrematou : “Esses mecanismos estão confinados dentro das fronteiras de Estados-nação, cujo número está crescendo, e enfrentam um mundo global que está além de seu âmbito de atuação. Não está claro nem sequer até que ponto poderão ser aplicados no interior de um território extenso e heterogêneo que possui, sim, um quadro político comum, como é o caso da União Européia.” Para justificar sua desesperança, ele afirma ainda que os Estados Unidos “enfrentam e competem com uma economia mundial que opera por meio de unidades totalmente diferentes e às quais as considerações de legitimidade política e interesse comum não se aplicam: as empresas transnacionais. E, sobretudo, enfrentam uma era em que o impacto da ação humana sobre a natureza e o globo já se transformou em força de proporções geológicas. Sua solução, ou mitigação, vai exigir medidas para as quais, com quase certeza, não será encontrado apoio com a contagem de votos ou medição das preferências dos consumidores. Isso não é uma notícia encorajadora para as perspectivas de longo prazo da democracia do planeta”. Estendi-me nas transcrições porque me parecem indispensáveis para compreendermos as razões e os fundamentos de seu pessimismo. Não participo das crenças na inevitabilidade das previsões de um dos grandes historiadores contemporâneos. O exemplo da União Européia invocado por ele serve ao meu otimismo. É bom lembrar que foi a democracia liberal que permitiu o surgimento da integração da Europa. Enquanto prevaleceu a “Era dos extremos”, título sugestivo de um dos volumes da obra histórica do professor Hobsbawm, a Europa não foi capaz de se entender. O que se começou como uma comunidade de interesses econômicos setoriais — a Comunidade Européia do Carvão e do Aço, na década de 50 — terminou se transformando em algo impensável alguns anos atrás: uma comunhão de nações com interesses comuns em todos os campos. A renúncia de parte da antiga soberania não significou retrocesso político, em nenhum dos 15 países que hoje a integram. Ao contrário, representou progresso não só político, mas também financeiro, econômico, cultural e até, como veremos em pouco mais de três meses, monetário, com a moeda única e o desaparecimento de um dos símbolos do Estado e nação. Não hesitaria em dizer, portanto, que hoje há mais democracia na Europa comunitária do que em qualquer outra parte do mundo. Os atentados que enlutaram a Humanidade no dia 11 poderiam arrefecer nossa crença e esperança num século menos conturbado, menos violento e mais seguro. A meu ver, porém, eles apontam exatamente em sentido contrário ao que nos indica Hobsbawm. Em primeiro lugar, convém lembrar que as ameaças ao interesse comum não partem de nenhum país em que impera a velha e testada democracia liberal. Além disso, deter, reprimir e punir as condutas anti-sociais de toda e qualquer empresa, por mais poderosa que seja, pode ser mais fácil do que prevenir as condutas dos delinqüentes sem causa e sem rosto. Em segundo lugar, não podemos esquecer que o mundo civilizado se antecipou à necessidade de uma ação concertada em áreas como a repressão e a punição aos crimes transnacionais, com o tratado de criação do Tribunal Penal Internacional. Assim, é lícito esperar que os efeitos desumanos e devastadores dos atentados acelerem a cooperação internacional nessa área, em face da reação universal que esses atos provocaram, apressando a ratificação do instrumento que permita sua próxima instalação. Nas circunstâncias atuais, um avanço dessa natureza seria extremamente útil para evitar a generalização de conflitos. Ações afirmativas em todas as áreas apontadas por Hobsbawm, a começar pela questão ambiental, são frutos da internacionalização das pautas políticas, como a tutela dos direitos humanos, a proteção das minorias, a questão urbana, a discriminação racial, a condição feminina e a erradicação da pobreza, para citar as mais evidentes a partir de iniciativas da ONU. Quanto mais convergência houver em assuntos dessa natureza, maiores serão o progresso humano e a cooperação internacional. Os problemas com que nos defrontamos, da influência e do poder das empresas transnacionais em face da globalização, não têm sido encarados com a ótica realista de uma pauta que, antes de ser econômica é, sobretudo, política. Quanto mais amplos e poderosos os mercados, mais poder regulatório eles terão para conter os excessos, domar as condutas indesejáveis, reprimir as práticas abusivas e punir os infratores. Qualquer dos pequenos mercados que integram a União Européia é, sem dúvida, importante ante um grande cartel. Mas qualquer grande cartel se tornará impotente se ousar desafiar os grandes blocos econômicos que estão se formando, inclusive o Mercosul. A produção globalizada implica um mercado igualmente globalizado em suas preferências, suas práticas e seus costumes, que exigirão cada vez mais qualidade, menores preços e melhores produtos. A generalização do recall , inclusive no Brasil, mostra que os Estados democráticos, baseados nos princípios universais da legitimidade e da ética, detêm os instrumentos necessários, embora ainda não suficientes para impor a preferência não só dos seus consumidores, mas sobretudo de seus cidadãos. O panorama mundial neste século não é só o da competição, mas também o da cooperação. E isso está cabalmente demonstrado no que me parece a mudança do paradigma político no cenário internacional. O poder tomado apenas como capacidade de dissuasão, de contenção e de repressão será cada vez mais inviável num mundo cada vez mais diversificado. E o que justifica essa suposição é a própria constatação do autor, quando alude ao crescimento do número de Estados-nação, que virtualmente quadruplicou nos últimos 50 anos. Parece-me fora de dúvida que a vulnerabilidade a que estamos todos sujeitos não está calcada só nos interesses econômicos das empresas, nas convicções ideológicas dos diferentes grupos sociais ou no poder militar das grandes potências. Vem, isto sim, de atitudes, ameaças e ações que possam fragilizar a democracia. O que a democracia nos tem ensinado, inclusive com os supostos fracassos que possa ter experimentado na América Latina, segundo constata o professor Hobsbawm, é a sua capacidade de resistir às tentativas de destruí-la e cujas origens são, quase sempre, mais internas do que externas. Nisso reside a sua vitalidade e essa é a base de sua legitimidade. As reações e as respostas que temos encontrado para o desafio da consolidação da democracia no continente têm culminado com soluções democráticas. Essa, a meu ver, a melhor das lições da democracia. E aí residem as fundadas razões de minha esperança. Colunistas PANORAMA POLÍTICO – TEREZA CRUVINEL Pior para nós Ainda que não tenha havido turbulência nos mercados no dia seguinte ao início da guerra antiterrorismo liderada pelos Estados Unidos, todas as avaliações são de piora do cenário econômico mundial, e em particular para países emergentes dependentes de capital externo. O Brasil não escapará dessas repercussões econômicas, que num segundo momento serão também políticas. A parte que nos toca foi discutida na reunião do presidente com alguns ministros na noite de domingo e freqüentava ontem avaliações tanto de líderes governistas como de oposição. Se a retaliação americana for prolongada, como antecipou o próprio presidente americano, e alcançar outros países, como foi também admitido, a incerteza dirigirá os investimentos para portos mais seguros. As prioridades de financiamento vão mudar radicalmente, inclusive as de agências multilaterais como o FMI e o Banco Mundial. A prioridade dos Estados Unidos agora está voltada para os países da coalizão que o apóia, ainda que haja alguns regimes de “democracia relativa” nessa aliança. O regime militar do Paquistão, por exemplo, já está colhendo os frutos do alinhamento, ganhando ajuda americana direta e a reavaliação de sua dívida pelo Clube de Paris. Deixa também a desejar a “democracia” do Uzbequistão, presidido por um tirano, e a da também fundamentalista Arábia Saudita, embora mais discreta no apoio. Já os emergentes-dependentes, ainda que plenamente democratizados, ainda que tenham feito o dever de casa do receituário liberal, terão suas dificuldades aumentadas pela incerteza global. Alguns mais do que os outros, como a Argentina. Se a guerra se prolongar, a incerteza se aprofundar e o economia global se deteriorar, o fato econômico terá sua tradução político-eleitoral no Brasil do ano que vem, nisso concordam governistas e seus adversários. Mas honestamente ninguém pode prever hoje quem seria o beneficiado. Se um aumento da recessão pode tornar o governo mais impopular, prejudicando seu candidato, por outro lado o aumento da instabilidade internacional pode fortalecer a confiança do eleitor num governo já testado em lidar com crises que vêm de fora. Algumas batatas cairão em nossa cabeça, o que de todo modo é melhor do que a mistura de pão e bombas.Embolou o meio de campo sucessório no PSDB e a escolha do candidato foi novamente adiada para março. O elemento novo agora é a preferência dos aliados por Aécio Neves.Estilo e moral A nota de sábado “Fim de caso, fim de época”, atribuindo ao estilo de fazer política de ACM e Jader Barbalho alguma determinação no processo que levou à renúncia de ambos, incomodou ACM. — Não posso ser comparado com alguém que está respondendo a tantos processos de corrupção. Alguém que só caiu porque eu tive coragem de acusá-lo, embora o presidente da República tenha ignorado meu aviso de que elegeria um presidente do Senado que seria investigado pela Polícia Federal. A comparação restringiu-se ao estilo, ao voluntarismo de dois atores com alma de cacique. Mas faltou mesmo ressalvar as diferenças de ordem moral em cada processo. Ao contrário de Jader, ACM não tem contas a acertar com a Justiça, foi acusado de um ilícito parlamentar, a violação do painel eletrônico. Na Bahia, o ex-senador prepara sua volta. O povo o quer governador. Ele, até por razões simbólicas, prefere voltar ao Senado.Estado de guerra Começa hoje a nova tática parlamentar do governo no plenário da Câmara, concebida pelo secretário-geral do PSDB, Márcio Fortes. Todo dia, haverá uma tropa de governistas de plantão, pronta para rebater, olho por olho, dente por dente, os ataques da oposição. O deputado Darcídio Perondi (PMDB-RS) é o escalador do time diário de atacantes.Fora de hora O governo do Paraná retoma a iniciativa para vender a Copel, companhia de eletricidade do estado. Ciro Gomes avisa aos interessados: se isso acontecer, e for ele o próximo presidente, reestatizará a empresa. Não é hora de vendê-la, tanto por causa da crise de energia como pela queda no valor de suas ações. Espera que Lula e outros presidenciáveis da oposição assumam o mesmo compromisso.VINÍCIUS DE MORAIS, Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Joaquim Nabuco, Antônio Houaiss.... Esses e outros grandes nomes da cultura nacional têm em comum o fato de terem sido diplomatas. “O Itamaraty na cultura brasileira” é um livro primoroso, de quase 400 páginas, com tiragem limitada, retratando esses seus quadros que foram também poetas, escritores ou pensadores. Organizado pelo embaixador Alberto da Costa e Silva, tem rica iconografia e textos de Carlos Guilherme Motta, Ivan Junqueira e outros intelectuais. Será lançado hoje às 18h no Itamaraty em solenidade presidida pelo chanceler Celso Lafer. O BNDES lança hoje no Rio a versão brasileira de “Desenvolvimento local — Caminhos e desafios para a construção de uma nova agenda”, obra do economista espanhol Francisco de Albuquerque, consultor do BID e da Cepal. Ele é o inspirador do programa que o banco está desenvolvendo em 21 microrregiões muito pobres do Brasil, cujas populações vivem situação de alto risco social. Induz ao desenvolvimento a partir do potencial, dos recursos e da cultura locais. Editorial Bombas e feijão Pelos planos anunciados, será uma semana inteira de bombardeios, dia e noite, no que resta de alvos estratégicos no Afeganistão: aeroportos, canhões e lançadores de mísseis, comandos militares espalhados pelo país. Há alvos em Cabul, a capital, e em Kandahar, onde se concentra a cúpula talibã. Em suma, uma prolongada operação arrasa-quarteirão, com visível preocupação de proteger a população civil. Não difere muito da versão oficial sobre os ataques ao Iraque durante a Guerra do Golfo. Mas uma novidade é notável. Mesmo que seja mais modesta do que se apregoa, e que não dê resultado na escala esperada, ela transforma a ofensiva num capítulo novo da guerra moderna: além dos aviões levando bombas, jatos C-17 lançaram em território afegão, só no primeiro dia, 37 mil pacotes de alimentos. A distribuição foi concentrada nos platôs centrais, onde vivem os grupos mais pobres da miserável população afegã. A distribuição de alimentos, simultaneamente com os bombardeios, é certamente a continuação da guerra por outros meios (jamais suspeitados por Clausewitz). E também uma pequena lâmpada acesa nestes dias escuros. Ela indica que a retaliação americana tem características opostas ao ataque indiscriminado de 11 de setembro. Sugere que não se pretende fazer terra arrasada do Afeganistão, e sim afastar do poder os talibãs, desmantelando o quartel-general do terrorismo internacional no país. A ajuda humanitária é a chave para essa guerra contida. Não há garantias. São controvertidas as informações sobre o caráter voluntário da adesão da população ao Talibã; assim como há insegurança sobre a capacidade dos inimigos do Talibã, na Aliança do Norte ou no exílio, de reconstruir o país. O relacionamento com o Paquistão — que hospeda numerosa facção talibã — é uma incógnita. É até possível que, pacificado o Afeganistão, o Paquistão passe a ser a bola da vez, num imbróglio que misture religião, petróleo e Cachemira (região disputada por Índia e Paquistão), exigindo atenção e talvez ação das potências ocidentais e do mundo árabe. Em suma, o início da resposta americana ainda não abre frestas para certezas. Mas a mão estendida à população civil cria perspectivas. Quem sabe os pacotes contendo, principalmente, lentilhas e feijão, não são o primeiro passo para a construção de um Afeganistão com liberdade religiosa e política, protegido pelas Nações Unidas de ambições de vizinhos? Foi possível no Timor Leste. É infinitamente mais difícil neste novo desafio — mas por que não tentar? A pacificação do país poderia roubar aos terroristas de Bin Laden a ajuda dos talibãs. Mas seus desconhecidos aliados pelo mundo afora não seriam um problema resolvido; nem desapareceriam os fatores que fazem nascer e ganhar força grupos como o desse milionário saudita. A cansada metáfora do barril de pólvora ainda precisa ser lembrada quando se pensa no Iraque, onde Saddam Hussein não reduziu em um decibel sua cantilena contra o grande satã, ou em Israel, incapaz de manter um cessar-fogo por tempo suficiente para uma discussão séria da paz. As declarações do primeiro-ministro Sharon, dizendo-se abandonado pelos EUA, sugerem um descontrole emocional que a insistência em instalar colônias em territórios disputados só faz confirmar. O que se pode saudar como o início da solução do problema Bin Laden, portanto, não pode ser visto como passo decisivo para a solução do enorme problema que o Oriente Médio representa para seus países, seus povos e a paz no mundo. Não há espaço para certezas. Mas sempre haverá para esperanças. Topo da página

10/09/2001


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