Debate reúne oito candidatos









Debate reúne oito candidatos
Confronto na TV Pampa teve tensão entre Tarso, de um lado, e Britto e Bernardi, de outro

Críticas à partidarização da Polícia Civil e da Brigada Militar e uma rápida discussão entre Celso Bernardi (PPB) e Tarso Genro (PT) marcaram os principais momentos do debate dos candidatos ao governo do Estado, ontem à noite, na Rede Pampa.

Apesar de o debate ter começado menos de duas horas depois da divulgação da pesquisa Cepa-UFRGS, que aponta um empate técnico entre Germano Rigotto (PMDB) e Antônio Britto (PPS), o candidato do PMDB não foi atacado por ninguém. Os alvos principais foram o governo Britto, alvejado por Tarso e Caleb de Oliveira (PSB), e a atual administração, criticada por Britto, Rigotto e Bernardi.

As acusações começaram já na primeira intervenção dos oito candidatos presentes, quando Tarso qualificou o governo Britto como um “desastre econômico, que gerou crescimento medíocre”. Os ataques de lado a lado eram intercalados por perguntas mais amenas, dos candidatos com menor intenção de voto. Uma das propostas mais curiosas partiu de José Vilhena (PV), que prometeu, como medida de valorização da terceira idade, dar aos gaúchos completarem 100 anos o título de cidadão honorário.

Britto e Rigotto não se atacaram, preferindo criticar a proposta orçamentária para 2003 e falar sobre a adesão à guerra fiscal. A concessão de incentivos foi a causa do desentendimento entre Tarso e Bernardi. O petista disse que Bernardi e Britto, em uma pergunta anterior, haviam “se ajudado”, usando o espaço para criticar a saída da Ford do Estado. Com o dedo em riste, Bernardi protestou para Tarso:

– Mais respeito com a minha dignidade, represento um partido. Não sou auxiliar de ninguém.

– Não disse que eras auxiliar, e sim que vocês estão se ajudando. Achas que impressiona alguém com isso? – devolveu.

Na volta do intervalo, Tarso usou o tempo de uma de suas respostas para se defender da acusação de que o governo atual havia partidarizado a segurança pública:

– Duvido que a Brigada Militar e a Polícia Civil se deixem partidarizar. Isso é uma infâmia.


Empate técnico no segundo lugar
Tarso lidera pesquisa Cepa-UFRGS, e Germano Rigotto está a 1,2 ponto percentual de Antônio Britto

Um empate técnico no segundo lugar é a novidade da mais recente pesquisa para governador do Estado do Centro de Estudos e Pesquisas em Administração (Cepa) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

De acordo com o levantamento, Antônio Britto (PPS) está com 22,6%, e Germano Rigotto, com 21,4%. O petista Tarso Genro segue líder, com 34% das intenções de voto – tinha 34,3% na anterior.

Em comparação com a pesquisa dos dias 18 e 19, Britto perdeu 3,4 pontos percentuais, enquanto Rigotto subiu 3,8 pontos percentuais. O candidato do PPB, Celso Bernardi, que está em quarto lugar, apresentou um crescimento de 8% para 9,4%. O percentual de indecisos caiu de 9,3% para 8,3%, e o índice dos que pretendem votar nulo ou em branco passou de 3,1% para 2,3%.

Perguntados sobre em qual candidato não votariam de jeito nenhum, 42,5% indicaram o nome de Britto. Tarso é o segundo mais rejeitado, com 28%. No levantamento anterior, Britto tinha a rejeição de 38,8% dos entrevistados e Tarso, de 27,3%. Celso Bernardi é rejeitado por 6,1%, enquanto Rigotto não será votado, sob nenhuma hipótese, por 5,2%

O Cepa-UFRGS entrevistou 1.755 eleitores de 48 municípios gaúchos no dia 24 de setembro. A margem de erro do levantamento é de 2,4 pontos percentuais para mais ou para menos.


Empresários pregam voto anti-PT
Criticar o governo do Estado foi o objetivo de três encontros realizados ontem no Interior

As cinco principais entidades empresariais do Estado realizaram ontem, em Pelotas, na Zona Sul, o primeiro de uma série de encontros no Interior para discutir política e economia.

Durante mais de duas horas, os presidentes da Fiergs, da Federasul, da Fecomércio, da Farsul e da FCDL fizeram críticas ao governo do Estado e revelaram temor diante de uma eventual vitória do PT nas eleições. De Pelotas, os dirigentes foram a Rio Grande participar de um encontro semelhante. À noite, repetiram a programação em Passo Fundo.

A iniciativa, inédita na história das cinco entidades, deve ser mantida ao longo das próximas semanas e percorrer outros municípios. No encontro em Pelotas, quase cem empresários e dirigentes de entidades de classe locais lotaram uma ala da Churrascaria Lobão, no Centro.
No primeiro pronunciamento, o presidente da Fiergs, Renan Proença, defendeu a concessão de incentivos fiscais e lamentou a crescente fuga de mão-de-obra registrada na Metade Sul. Foi muito aplaudido quando disse que ‘‘incentivo não é palavrão’’.

– Hoje, o Estado não é mais atraente para investimentos. Isso gera um êxodo permanente em busca da sobrevivência – disse.

As críticas mais ácidas foram dirigidas ao governo estadual e desferidas pelos presidentes da Farsul, Carlos Sperotto, e da Federasul, Paulo Afonso Feijó. Sperotto citou as invasões de terras, as desapropriações efetuadas por decreto e a destruição do Relógio dos 500 anos. Ao final, conclamou os presentes a angariar votos contra o PT. Segundo ele, a entidade já vem fazendo isso numa peregrinação pelo Interior. Esta semana, a direção da Farsul comçpleta o qüinquagésimo encontro com sindicatos rurais.

Em meio às manifestações, o presidente da Câmara de Diretores Lojistas de Pelotas, Fernando Estima, cogitou a possibilidade de criação de um fundo para financiar candidaturas.
– Fundo não é feio. O do PT é o maior do país – comentou Proença.

Nenhum dos presentes citou o nome dos candidatos de oposição ao governo do Estado. Para Feijó, o que está em discussão é o modelo econômico adotado no Estado.


Britto faz visita a Santa Rosa
Candidato considera previsível avanço de Rigotto e elogia a campanha, à exceção do PT

Pouco mais de uma hora foi o tempo de permanência do candidato Antônio Britto (PPS) em campanha ontem em Santa Rosa.

Foi suficiente para acusar seu opositor Tarso Genro (PT) de ter o “monopólio da baixaria” no Estado.

Britto considerou previsível a aproximação de Germano Rigotto (PMDB) nas pesquisas.
– O PT é o único partido que tem mexido com a honra dos outros candidatos. A campanha, à exceção do PT, é elogiável do ponto de vista da crítica política e da inexistência da baixaria pessoal – afirmou.

Para o ex-governador, o crescimento de Rigotto e Celso Bernardi (PPB) nas pesquisas é natural por quatro fatores: são bons concorrentes, possuem partidos fortes, bastante tempo de propaganda na TV e entraram somente agora no “pinga-fogo” da campanha.

Britto chegou às 10h a Santa Rosa. De uma Blazer branca, acenou para os cabos eleitorais e depois conversou com pedestres e comerciantes em uma caminhada na Avenida Rio Branco.
O representante da aliança O Rio Grande em 1º Lugar respondeu a perguntas nas ruas. O agricultor Oto Grossmann, 47 anos, cobrou medidas para auxiliar os pequenos produtores no momento da comercialização dos alimentos, e não só na época do plantio.

– Não adianta eles darem o dinheiro para a gente produzir se nós não temos chance de vender. Quando vamos ao comércio para vender, o fiscal sai atrás da gente para nos prender – reclamou Grossmann.

– Esse cara é genial. Essa conversa foi maravilhosa porque ele levantou dois problemas: o agricultor não tem obrigação de saber vender e o sistema de fiscalização para o pequeno produtor está muito complicado. A rede de feiras, feirões e Ceasas é fundamental para esse pessoal que não sabe comercializar o seu produto – respondeu Britto.

Ao deixar Santa Rosa, no final da manhã, Britto ainda comemorava uma expectativa de crescimento entre os eleitores da região de Ijuí. Na noite de quarta-feira, o candidato recebeu o apoio do prefeito Valdir Heck (PDT), que considerou “muito importante”.

– O nosso voto está estampado, está aberto e é de Britto – discursou Heck ao lado de Britto no CTG Clube Farroupilha.


Tarso pretende discutir incentivos
Petista planeja repartir com empresários o poder de decisão sobre estratégias de desenvolvimento

Os empresários terão um novo papel caso a Frente Popular (PT-PCB-PC do B-PMN) se mantenha à frente do Palácio Piratini: discutir os critérios de concessão de incentivos fiscais às empresas.
Para uma platéia de 200 pessoas, em Viamão, dividida entre militantes e empresários locais, o candidato Tarso Genro (PT) assegurou que pretende repartir com o empresariado as decisões sobre as estratégias de desenvolvimento econômico para o Estado.

– Os empresários vão discutir se querem a aplicação de US$ 500 milhões para atrair uma única empresa ou para melhorar seus negócios – afirmou o candidato.

Tarso enumerou ações do programa de governo que poderão ampliar os negócios e a produção no Estado. Citou a criação do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico, da Casa do Exportador e do Gabinete de Cooperação como ferramentas capazes de impulsionar o crescimento econômico do Estado “de baixo para cima”:
– No atual governo, o Rio Grande do Sul cresceu 11,7%. Com a chegada de Lula à Presidência e a transição para um novo modelo de apoio à empresa e à agricultura nacionais, teremos uma oportunidade para crescer até o dobro.

Ao longo da campanha, Tarso tem ressaltado a idéia de esgotamento do modelo neoliberal no Brasil, que chegou ao ocaso precisando de US$ 30 bilhões para pagar juros, e não para investir na produção. A teoria econômica exposta pelo candidato está embasada na crítica ao que denomina de “teoria do enclave”, segundo a qual bastaria atrair uma só empresa para impulsionar a cadeia produtiva de uma localidade.

– A saída é oposta ao enclave: reforçar a base produtiva local e até mesmo rearticular a relação de uma grande empresa como a GM e a Goodyear com as empresas locais – explicou.
Depois do almoço, Tarso aproveitou o deslocamento ao estúdio de TV, onde gravaria o programa eleitoral, para conceder uma entrevista ao jornalista Andreas Missbach, do semanário suíço de esquerda Woz.


Novos policiais nas ruas
Ao encerrar o ciclo de entrevistas do telejornal RBS Notícias, da RBS TV, o candidato a governador Tarso Genro (PT) garantiu ontem que 3 mil novos policiais poderiam ser contrados com rapidez para ampliar a capacidade do Estado de enfrentar a violência.
– Não vamos poupar na contratação de policiais – disse.

Nos seis minutos de entrevista, o candidato também assegurou a criação de forças-tarefa regionais para enfrentar o crime organizado e repetiu que uma das medidas será a criação da Secretaria da Segurança, desmembrada da pasta da Justiça.

Tarso disse que irá adotar uma política salarial “realista” e encontrará em conjunto com o funcionalismo uma saída para o problema previdenciário. O candidato lembrou que o atual governo concedeu 43,62% de reajuste, apesar da situação financeira do Estado.


Bernardi propõe plano de obras públicas
Em palestra na Câmara da Agropecuária, Comércio e Indústria (Cacis) de Três Passos, na noite de quarta-feira, o candidato do PPB ao governo do Estado, Celso Bernardi, disse que, se eleito, estabelecerá um Plano de Diretor de Obras Públicas.

No documento, constará o perfil das obras públicas estaduais projetadas e em andamento, de forma que permita a definição das prioridades e do cronograma físico-financeiro:
– Temos hoje dezenas de obras rodoviárias paralisadas ou inacabadas e outras tantas necessárias e não iniciadas, caracterizando um verdadeiro desperdício de dinheiro público.

Durante o encontro, os empresários das regiões Nordeste Colonial e Celeiro manifestaram preocupações sobre o asfaltamento na região. Indagado sobre a possibilidade de atender à demanda de asfalto da maior região produtora de grãos do Estado, Bernardi disse que não assumirá compromissos que não possa cumprir ao chegar no governo.

O pepebista disse que sua meta é construir mil quilômetros de estradas, extensão que, segundo ele, pode ser suportada pelos cofres públicos. Entre as obras, assegurou que irá concluir a que se tornou a principal reivindicação rodoviária da região Celeiro: a pavimentação da RS-402, que liga Três Passos a Tenente Portela.

O candidato participou de reuniões internas de campanha, antes de se dirigir para o debate na TV Pampa, que se iniciaria às 21h20min.


Rita e Rigotto juntos no norte do Estado
Duas semanas após visitar o noroeste do Estado, a candidata a vice-presidente Rita Camata (PMDB) voltou ontem ao Rio Grande do Sul.

Ao lado de Germano Rigotto (PMDB), candidato ao governo do Estado, Rita cumpriu um roteiro de campanha em Passo Fundo e Carazinho, na Região Norte.

Acandidata comemorou o crescimento de Rigotto, a quem chamou de “jovem batalhador”. Em relação à disputa presidencial, Rita foi cautelosa e disse não fazer ataques a opositores. A estratégia eleitoral adotada pela chapa que compõe com o candidato à Presidência José Serra (PSDB) consistiria, segundo a deputada federal, em comparar as histórias dos candidatos e “reproduzir ações que compõem o programa de governo”.

Embora a estrela da visita fosse a candidata, que esbanjava energia e cordialidade por onde passava, Rigotto também disputava a atenção da imprensa e dos curiosos. O candidato disse estar recebendo apoio de partidários do PDT e do PTB e que as pesquisas não demonstram o real crescimento da candidatura. Para ele, as intenções de voto na candidatura seriam maiores:
– Tarso e Britto saíram na frente pela exposição na mídia, mas em lugar nenhum do Brasil houve uma mudança de perspectiva como aqui. Queremos um Estado sem ódio ou rancor.

Rita e Rigotto chegaram a Passo Fundo por volta de 10h e caminharam por três quadras da Rua Moron, no centro do município. No caminho, pararam para tomar cafezinho, conversaram com lojistas e vendedores ambulantes.

No final da manhã, a comitiva formada pelo candidato a senador Odacir Klein (PMDB) e por dezenas de candidatos a deputado da região seguiu para Carazinho. Lá, Rita foi recebida por uma multidão aos gritos de “Ucha, ucha, ucha, a Rita é gaúcha”. Entre as propostas para o Estado, ela enfatizou o apoio à agricultura familiar e à instalação de empresas.

– O Rio Grande do Sul tem potencialidade muito grande para aumentar as exportações, que é uma de nossas metas de governo – afirmou.

Depois de cerca de uma hora de discursos, o almoço foi servido no mesmo local. Rita deu autógrafos e, ao final, fez pausa para acender um cigarro. A visita encerrou-se com outro cafezinho, por volta das 14h30min, na casa do candidato a deputado federal Osvaldo Biolchi (PMDB).


Rigotto e Tarso empatam no 2° turno
Candidato do PMDB tem 1,9 ponto a mais que o petista, e os dois estão à frente de Britto

A pesquisa do Cepa-UFRGS mostra que em um eventual confronto no segundo turno, Germano Rigotto (PMDB) teria 46,1% dos votos e Tarso Genro (PT), 44,2%.

Como a diferença é de 1,9 ponto percentual, e a margem de erro de 2,4 pontos para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados.

Na disputa com Antônio Britto (PPS), Tarso leva vantagem de 11,2 pontos percentuais. Britto perde em todas as simulações de segundo turno, inclusive no confronto com Celso Bernardi (PPB), que na pesquisa do primeiro turno tem 9,4%.

Na pesquisa espontânea, em que não se apresenta ao entrevistado um cartão com os nomes dos candidatos, Tarso aparece em primeiro lugar, com 28,2%. Britto (18%) e Rigotto (16,4%) estão tecnicamente empatados. Os votos brancos e nulos somam 2,1%, e os indecisos, 28,4%

Rigotto foi quem mais cresceu em relação à pesquisa anterior, realizada nos dias 18 e 19 de setembro. Na espontânea, a vantagem de Britto era de 7,7 pontos e caiu para 1,6. O Cepa-UFRGS ouviu 1.755 eleitores no dia 24 de setembro.


PTB começa a se dividir no apoio a Ciro Gomes
O PTB começa a se dividir diante da queda vertiginosa de Ciro Gomes (PPS) nas pesquisas. A cúpula do partido se reuniu no começo da semana para discutir seu futuro num eventual segundo turno entre o petista Luiz Inácio Lula da Silva e o tucano José Serra.

O PTB integra, junto com PPS e PDT, a Frente Trabalhista, que dá sustentação a Ciro. A maior parte da bancada prefere Serra, mas o presidente da sigla, deputado José Carlos Martinez (PR), que concorre à reeleição, faz campanha para Lula.

– Ele (Martinez) tem dito para os eleitores que se não forem votar em Ciro, que votem no Lula – revela um influente petebista.

Martinez nega, mas em conversas com interlocutores já teria inclusive revelado ser favorável à renúncia de Ciro em favor de Lula ainda no primeiro turno. A proposta partiu do filósofo Roberto Mangabeira Unger, um dos mentores do candidato do PPS.

Martinez coordenava a campanha de Ciro, mas se afastou depois de não conseguir explicar um empréstimo de US$ 1,6 milhão contraído junto a Paulo César Farias, ex-tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor. O petebista atribui a Serra as denúncias contra ele na imprensa, que causaram turbulência na campanha da Frente Trabalhista.

Sua posição tem preocupado alguns petebistas. O líder do PTB na Câmara, Roberto Jefferson (RJ), chegou a telefonar e pedir cautela a Martinez. Jefrferson fez um levantamento junto à bancada. Dos 28 deputados ouvidos, apenas dois – Arnaldo Faria de Sá (SP) e Eduardo Seabra (AP) – concordam com Martinez. O ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury não se manifestou e os demais estarão com Serra.

A avaliação de Jefferson é de que o presidente Fernando Henrique Cardoso tem forte influência junto à bancada petebista no Congresso e entraria em cena para beneficiar o tucano.
– FH não gasta meia hora no telefone para convencer a nossa bancada a apoiar Serra – reconhece Jefferson.

O vice de Ciro, o sindicalista Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, também tem demonstrado resistência em relação a Lula. Uma eventual vitória do petista favoreceria a Central Única dos Trabalhadores (CUT), rival da Força Sindical de Paulinho.

Os problemas na Frente Trabalhista não estão restritos ao PTB. No Paraná, o candidato do PDT ao governo, Álvaro Dias, recolheu o material de campanha em que aparecia ao lado de Ciro. No PPS, o candidato do partido ao governo de Mato Grosso, Blairo Maggi, já defendeu a renúncia de Ciro em favor de Lula.


Garotinho X Serra
Ameaçado pelo crescimento de Garotinho nas pesquisas, Serra decidiu atacar o candidato do PSB. O tucano definiu o adversário como mentiroso. Garotinho devolveu a acusação e classificou Serra como “a versão tucana de Toninho Malvadeza”

O novo duelo da campanha eleitoral, entre os candidatos José Serra (PSDB) e Anthony Garotinho (PSB), teve confrontos com artilharia pesada ontem. Os dois se acusaram de “mentirosos”.
Serra atacou Garotinho no programa eleitoral, mas usou o personagem Beto 45 para bater em seu novo alvo. Garotinho criticou o adversário em entrevista em São Paulo.

– Ele agora é o Serra Malvadeza, a versão tucana do Toninho Malvadeza – disse Garotinho, comparando o tucano ao ex-senador Antonio Carlos Magalhães.

– Ele (Garotinho) promete e mente – afirmou Beto 45, que o PSDB apresenta na propaganda eleitoral como “analista político”.

Serra decidiu partir para o confronto com Garotinho como resposta ao crescimento do candidato do PSB nas pesquisas. Parte da tática é a mesma utilizada contra Ciro Gomes (PPS): tentar desqualificar o adversário como mentiroso. Garotinho reage com as mesmas armas e acusa Serra de falar inverdades.

Segundo Garotinho, “o desespero faz Serra prometer aumento do salário mínimo para R$ 300 e mudar a data de aumento para 1º de janeiro”.

– Serra sabe que o segundo turno será entre mim e Lula e está tentando criar um fato político – afirmou, voltando a dizer que pretende aumentar o mínimo para R$ 280 em 1º de maio de 2003.
Ontem, Garotinho também comentou seu novo projeto, o que garante aos aposentados o mesmo valor da contribuição. E explicou:
– Quem contribuiu com três salários mínimos, vai receber três salários mínimos. Quem contribuiu com 10, vai receber 10.

Depois da entrevista no jornal O Estado de S. Paulo, Garotinho reconheceu que é o novo alvo de Serra:
– Serra, com todo o dinheiro que tem, com o apoio de 15 governadores, com o apoio dos banqueiros, com o apoio do presidente da República, está perdendo para o Garotinho. Para ele, a situação é de muito desespero.

As promessas que Garotinho vem fazendo para os aposentados fora ironizadas no programa de Serra.

– Com seu jeito descontraído de animador de auditório, ele vem brincando com nossos aposentados – disse Beto 45.

O personagem afirmou que o tucano vai elevar em quatro anos o mínimo para R$ 300, mais a correção da inflação, ampliar o programa de erradicação do trabalho infantil, levar o bolsa-alimentação para mais de 2,5 milhões de mães, gestantes e crianças e dobrar o número de equipes do programa saúde da família.

O “analista político” falou da proposta de mínimo do PSDB em resposta à afirmação de Garotinho de que Serra teria defendido um aumento de apenas R$ 11 para o salário.

Ontem, pela primeira vez os ataques do programa de Serra se concentraram em Garotinho. Beto 45 debochou de outro compromisso do candidato – a construção de casas populares a R$ 1, “uma historinha impossível de acreditar”.

Beto 45 encerrou seu comentário dizendo que não é hora para brincadeiras e que o eleitor deve ter muito cuidado para não cair em armadilhas:
– Você sabe como é essa garotada, né?

Em Araxá (MG), onde esteve ontem, Serra falou da proposta de reajuste para o mínimo. Disse que, acrescida a inflação do período, o mínimo ultrapassará os R$ 300 até o final de 2006. Além disso, a correção não mais seria feita a partir de maio, como ocorre atualmente, mas já a partir de janeiro, ou seja, logo depois da posse do presidente.


PL começa a debater divisão de cargos com Lula
A possibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva assumir a Presidência acendeu o sinal de alerta na direção do PL. O aliado do PT na disputa presidencial já pensa em nomes do seu próprio quadro para compor um eventual governo petista.

Embora não tenha havido garantia de cargos durante o processo de formalização da aliança, o presidente nacional do PL, Waldemar da Costa Neto, deixou claro a sua preferência pelo nome do candidato a vice na chapa de Lula, senador José Alencar (PL-MG), para ocupar o Ministério da Indústria e do Comércio. Ou, então, que a pasta seja ocupada por um nome indicado pelo senador.
– O senador Alencar pode dar uma grande contribuição nessa área da indústria e do comércio. O nome dele é espetacular e sei que poderia ajudar muito num governo Lula – disse Costa Neto.

Ele garantiu ontem, no entanto, que em momento algum o partido negociou cargos ou ministérios antes de fechar o conturbado acordo com o PT. Ao comentar a possível composição de um governo petista, rasgou elogios ao colega de legenda, chamand o-o de “espetacular”. Comentando a possível vitória do PT, lembrou ainda que no PL “tem muita gente qualificada”.

Especula-se que a dificuldade dos petistas em bater o martelo com o PL teria surgido das discussões sobre a ocupação de cargos. A direção dos dois partidos nega os boatos. José Alencar, por sua vez, é cauteloso ao falar de futuras possíveis composições. Alegando que Lula é o “chefe” do governo e cabe apenas a ele definir cargo no governo, o senador considera precipitada essa discussão.

Lula passou o dia em São Paulo e à noite deu entrevista ao Jornal Nacional, da Globo. O candidato comentou a guerra civil na Colômbia e, diante da pergunta se apoiava ou não as Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc), respondeu:
– Se eles tivessem a consciência que tenho, teriam formado um partido político para disputar as eleições.


Luluzinhas
Centenas de eleitoras do deputado Mendes Ribeiro Filho (PMDB) reuniram-se para um jantar no Clube Caixeiros Viajantes na noite de quarta-feira, em Porto Alegre.

O convidado de honra, Germano Rigotto, candidato do PMDB ao governo do Estado, chegou com quase duas horas de atraso . Mendes Ribeiro estava do lado de fora, esperando por ele. Lá dentro, as convidadas – eufóricas – não perdiam a empolgação.

– Mendes, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!

Um grupo de 30 homens apareceu no chamado Jantar das Mil Mulheres, mas não pôde entrar. Poucas exceções foram abertas – entre elas, para o senador Pedro Simon (PMDB).

– Eu vim de metido – confessou.

Você tem fome de quê?
Eleitores gaúchos descobriram um novo uso para as bandeiras de propaganda do tucano José Serra: elas viraram prato e toalha de mesa.

O material foi bastante requisitado durante comício do PPB, ontem, em Chiapeta, na região noroeste do Estado. Só esqueceram dos pratos.

– Aqui, um candidato serve o almoço e outro serve a janta – disse um morador.

Eu recomendio!
Está marcada para hoje, no centro de São Paulo, a carreata do Seu Creysson.

O evento, para o qual estão sendo providenciados cem Fuscas e Brasílias, será gravado para o programa Casseta & Planeta, da Rede Globo.

Trata-se de uma sátira às eleições 2002. Segundo os “cassetas”, os carros velhos estão concorrendo ao Senado.

Ratoeira
Ninguém vai ao Ratinho.

O SBT convidou todos os candidatos à Presidência para uma entrevista no Programa do Ratinho.

Ciro Gomes (PPS) foi o único que aceitou. Mas, para evitar acusações de favorecimento, a direção do programa decidiu cancelar o convite.

Tira-dúvidas
Quem não votou na última eleição pode votar no dia 6?
Pode. O cadastro só é cancelado depois que o eleitor deixa de votar em três eleições consecutivas e não apresenta justificativa.


O cantor e compositor baiano Caetano Veloso, que fez campanha para o presidente Fernando Henrique em 1998, agora se mostra meio indeciso. Em entrevista para o lançamento do show Eu Não Peço Desculpa, em parceria com Jorge Mautner, Caetano revelou que vai votar em Benedita da Silva (PT) para o governo do Rio e em Leonel Brizola (PDT) para o Senado. Quanto à Presidência da República, disse que o voto era secreto e distribuiu elogios:

– Lula é fantástico. Seria um orgulho para a história do país um ex-operário chegar a presidente. Serra é maravilhoso, foi um grande ministro da Saúde. Do Ciro eu gosto desde que ele era prefeito e governador. E o Garotinho, naquele palanque que caiu, tinha a presença física do Miguel Arraes.

Depois de citar duas vezes o filósofo Mangabeira Unger, coordenador do programa de governo de Ciro, Caetano acabou abrindo o voto:

– Quando falo do Mangabeira logo dizem que vou votar no Ciro. Mas li no jornal esses dias que o próprio Mangabeira parece que vai apoiar o Lula já no primeiro turno. E tomara que apóie. E tomara que o Lula ganhe.

Caetano só se irritou quando cobraram o apoio da mãe dele, dona Canô, ao ex-presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães:

– Qual o problema com o ACM? Ele fez parte do governo durante oito anos. Só no fim do mandato foi que o Fernando Henrique, que é muito chique, resolveu se livrar dos bregas da política.

Frase do dia
O Lula já não é mais aquele Lula. O povo poderá escolher entre a oposição genuína e a Denorex: parece mas não é

Anthony Garotinho,
candidato do PSB à Presidência da República, ontem, durante sabatina
no jornal O Estado de S. Paulo, evocando o slogan de um antigo xampu anticaspa


Artigos

A educação de trânsito no Brasil
Diza Gonzaga, presidente da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga

Temos de partir da premissa de que há muito vem ocorrendo uma confusão entre “educar” e “informar”. Em sua grande parte, as campanhas institucionais mais informam do que educam, pois são desenvolvidas para dar “publicidade à legislação”. Elas informam os pedestres e motoristas de que o correto é atravessar na faixa de segurança, obedecer aos sinais, usar cinto etc. No entanto, todos somos sabedores de que faixas de segurança e semáforos só existem nas ruas centrais e principais avenidas, nos bairros residenciais elas são praticamente inexistentes. Os sinais de trânsito e o número de pontos para cada infração cometida são fator comum nas campanhas institucionais, e sabemos que não é o desconhecimento da legislação que causa a grande maioria dos acidentes e sim o comportamento reinante de que lei não pega, de que é gostoso desrespeitar as regras, de que “a adrenalina de um veículo a 200 por hora é o que há de mais legal”, a conversa de que “só tomei dois copinhos de cerveja e estou bem, até dirijo melhor quando bebo”, essa cultura de ter de provar que é melhor, que sua moto e seu carro são mais velozes. O que mata no Brasil é a cultura, a manha, o jeitinho, o faz-de-conta. O Brasil brinca de tratar com seriedade a “guerra do trânsito”. Pois para cada propaganda de conscientização existem outras dezenas incitando a velocidade.

O primeiro passo para desenvolver ações eficientes de educação para o trânsito é fazer uma análise dos trabalhos que já vêm sendo desenvolvidos. Por todo o Brasil existem milhares de “escolinhas de trânsito”, desde as mais modernas até as mais modestas com carrinhos elétricos ou modelos de plástico, porém todas têm a mesma metodologia, colocar a criança na condição de motorista e mostrar-lhe como respeitar a sinalização. Entendemos que é preciso refletir melhor sobre esta forma de educação:

O que mata no Brasil é a cultura, a manha, o jeitinho, o faz-de-conta

Será que isto não incentiva a criança, desde pequena, a querer conduzir um veículo?

A Fundação Thiago de Moraes Gonzaga acredita que é preciso investir pesado em atividades educativas que visem colocar a criança em uma posição adequada à sua condição de pedestre, passageiro, ciclista, skatista. Devemos rever a paixão pelo automóvel, que ajudamos a desenvolver desde pequenos, em nossos filhos, essa paixão auxilia na queima de etapas importantes do desenvolvimento de toda criança e adolescente, pois o aprendizado para conduzir veículo só deve acontecer a partir dos 18 anos.

A luta para vencer a “guerra do trânsito” é uma batalha a médio e longo prazo e é preciso políticas públicas permanentes e duradouras, muitos governantes estão mais preocupados com a “próxima eleição do que com a próxima geração”, e esse equívoco faz com que considerem a pintura de faixas de segurança como educação.

A complexidade da cultura de trânsito enraizada em nossa sociedade faz com que todos precisem ser educados para o trânsito, desde a criança até os motoristas mais antigos, que têm dificuldade de se adaptar à nova realidade .

Sem a pretensão de apresentar uma fórmula definitiva para combater a violência no trânsito, buscamos, através da participação de jovens, educadores, pais, refletir e elaborar propostas e ações que contribuam para substituir aquelas que já tragaram tantas vidas prematura e inutilmente.


Colunistas

ANA AMÉLIA LEMOS

Inquietações com a Alca
Produtores rurais de Bagé, Itaqui e Uruguaiana não escondem as dúvidas sobre o impacto da Alca – Área de Livre Comércio das Américas – sobre o agronegócio. O plebiscito realizado pela CNBB contribuiu para aumentar as preocupações. Na verdade não foi uma consulta popular sobre a Alca, mas um manifesto político contra a Alca. As discussões foram levadas às escolas públicas gaúchas e, como queriam seus patrocinadores, o sentimento de oposição a esse projeto de integração comercial aumentou, mesmo que não se saiba bem o que é isso.

A implantação da Alca, prevista para 2006, seria a integração comercial, com tarifas reduzidas e até extintas, no comércio entre as 34 nações das três Américas. O Produto Interno Bruto desse bloco é calculado em US$ 11,4 trilhões e a população chega a 783 milhões de habitantes. A idéia dessa integração é do governo norte-americano e começou a ser discutida em 1994, a partir de uma reunião de todos os presidentes da região, exceto Cuba, em Miami.

Nesse processo, a preocupação é de todo o setor produtivo brasileiro porque alguns não se sentem preparados para concorrer com tarifas de importação zeradas. É por isso que a diplomacia fixou estas linhas para a discussão do tema: 1) não quer pressa na implantação; 2) quer, primeiro, fortalecer o Mercosul; e 3) exigirá, se houver o acordo, acesso dos produtos agrícolas aos mercados mais ricos, como Estados Unidos e Canadá, que mantêm barreiras ao aço, às carnes, ao suco de laranja e aos calçados, por exemplo.

É natural que produtores, trabalhadores, governos e área política tratem com cautela a Alca. Do PIB da região, os Estados Unidos ficam com 77,7%. A Alca pode ser uma alternativa interessante para as exportações brasileiras desde que inteligentemente negociada. Um acordo só é bom se todos os protagonistas do bloco tiverem condições de alavancarem o crescimento econômico. Se a vantagem for unilateral, a Alca será apenas uma tentativa de anexação, portanto, negativa.


JOSÉ BARRIONUEVO

Rigotto embala para o segundo turno
Faltando 10 dias para a eleição, a pesquisa publicada na edição de hoje confirma o crescimento de Germano Rigotto, que, mesmo estando em terceiro lugar, apresenta uma performance que já permite colocar o deputado caxiense no segundo turno contra Tarso Genro, derrubando Antônio Britto. O ex-governador polarizava o confronto com o petista desde as convenções partidárias (e em todas as avaliações anteriores).

Sucessão de erros derruba Britto
Contraponto do PT, eleito pelo governador Olívio Dutra como inimigo do partido e do novo governo, Antônio Britto começou a perder a eleição deste ano no dia em que decidiu não passar o cetro ao sucessor, sagrado nas urnas, deixando o cargo antes do término do mandato.

O segundo erro grave do ponto de vista político foi aceitar um emprego no Banco Opportunity, que nada tinha ainda a ver com a CRT, mas já era fortíssimo na área da telefonia. Cometeu o terceiro erro quando aceitou a casca de banana colocada por Pedro Simon na eleição direta para a presidência do PMDB e deixou um grande partido para se aventurar numa sigla sem nenhuma estrutura no Estado, confiando apenas no prestígio pessoal.

Quarto erro: não conseguiu formar a aliança trabalhista em torno de seu nome na convenção, gerando conflito com Brizola e a perda de importantes minutos no rádio e na TV. Quinto erro: colocou Nelson Proença como presidente do partido e coordenador da campanha, sendo ao mesmo tempo candidato a deputado federal.

Sexto erro: não soube se defender das denúncias dos adversários e terminou atingido em sua imagem. Sétimo: cometeu o mesmo erro de campanhas anteriores nos programas na TV, com um marketing equivocado, aparições artificiais, assumindo uma postura terna em meio aos ataques e deixando de investir na sua principal característica, o conceito como gestor público. Não soube vender nem mesmo as obras que realizou, respondendo com um mês de atraso às críticas às privatizações.

Peemedebista preocupa o PT
Em Viamão, ontem, numa reunião política, Tarso Genro manifestou sua preocupação com o crescimento de Germano Rigotto. A ordem no PT é poupar Britto, para que o ex-governador vá para o segundo turno. O peemedebista foi poupado na guerra estabelecida com Britto e se apresenta hoje como um adversário mais difícil de ser enfrentado diante dos baixos índices de rejeição. Rigotto tem uma boa estrutura partidária, realiza uma campanha bem centrada, só não assumiu ainda a postura de quem se apresenta para governar um Rio Grande dividido e em meio a séria crise financeira. Agora é opção efetiva de poder, na campanha mais importante, pelos ingredientes políticos, depois da provável escolha de Lula para presidente.

Tarso muda campanha
Na entrevista ao RBS Notícias, ontem, Tarso entrou no estúdio deixando do lado de fora a má vontade que costuma demonstrar em relação à atuação da imprensa. Inspirado em Lula, foi light, sorridente, procurando se mostrar amável, já dentro de uma nova estratégia para enfrentar um candidato com o perfil de Rigotto.
Sabe que tem pela frente um desafio diferente daquele enfrentado por Olívio em duas eleições anteriores. Para vencer o segundo turno, deve apagar a idéia da intolerância que mancha a administração do PT.
Largou bem.

Crescimento previsto na Página 10
Às vezes o colunista acerta em suas previsões:
• Notícia publicada na coluna em março de 2001 na Página 10, junto com a informação da Gazeta Mercantil de que Britto integraria o conselho do Banco Opportunity: “Ao integrar um conselho de operadoras celulares, Antônio Britto deixa claro seu desejo de não concorrer a governador. As notícias sobre o Opportunity (denúncias), ao qual passa a representar, provocariam um terremoto numa campanha eleitoral. O PMDB perde seu melhor candidato”. (Observação: em março de 2001 Britto integrava o PMDB.)

• Nota publicada no dia 30 de agosto de 2002, quando Rigotto tinha 5%, na lanterna: “Sustentado por um bom programa de propaganda na TV, Germano Rigotto (PMDB) deverá crescer nesta nova fase da campanha eleitoral, faltando 37 dias para a eleição. Além da mensagem e da postura política como candidato, Rigotto é beneficiado pelo confronto entre os dois primeiros colocados, que polarizam a campanha”.

• “Rigotto vive no Estado a posição cômoda de Lula em nível nacional.” (...)

• “Rigotto terminará motivando a base peemedebista e ajudando a campanha como um todo. Por menor que seja o crescimento, estimula os candidatos da coligação em todos os níveis.” (...)

• “Um palpite: não será surpresa se Rigotto, pelo perfil político, tirar votos também de Tarso.”

• Nota publicada na Página 10 no dia 13 de setembro: “Se não mudar os programas na TV e continuar abrindo a guarda para ataques dos adversários. Britto vai despencar”. Despencou.

No debate na TV, adversários cordiais
No debate realizado ontem na TV Pampa, Tarso Genro e Germano Rigotto conversaram, amistosos, antes do início da transmissão. No segundo turno, poderão estar frente a frente, dentro de uma nova realidade, numa nova eleição, que nada tem a ver com o primeiro turno, no confronto estadual mais importante do ponto de vista político.

• Britto centrou bem o discurso no debate de ontem ao insistir na importância da governabilidade do Estado. Se não reverter a tendência de queda, t erá um papel importante no confronto com o PT ainda no primeiro turno. Está no seu papel se revidar os ataques.

• Rigotto não ganhará a eleição mostrando os olhos verdes e falando para o coração. Como opção efetiva de poder, deve sintonizar a propaganda e os programas à nova realidade. Todos os olhos estarão sobre ele agora. Inclusive do PT.

• Realizando uma campanha pobre, o PMDB ganha apoio fundamental para mobilizar as bases na última semana.

• Ouviu-se um palavrão numa reunião do PT numa sala da Câmara quando chegou a notícia de que Rigotto havia alcançado Britto na pesquisa do Cepa.

• A indústria desembarcou da campanha de Britto.

• Se quiser a oposição unida, Pedro Simon terá que reavaliar seu discurso em relação ao governo Olívio. A crítica do senador a Britto na questão do Opportunity, usada à exaustão pelo PT no rádio e na TV, pode dificultar uma reaproximação.


ROSANE DE OLIVEIRA

Voto útil
A euforia no PMDB com o crescimento de Germano Rigotto não é fruto apenas da perspectiva de chegar ao segundo turno. A possibilidade de tirar Antônio Britto da disputa tem sabor de vingança para a ala do PMDB com quem o ex-governador se incompatibilizou antes de ir para o PPS. Essa ala, à qual pertence o senador Pedro Simon, estava na contabilidade do PT como apoio certo no segundo turno contra Britto.

Por ironia, o PT que passou meses acumulando munição para abater as pretensões eleitorais de Britto agora corre o risco de ver classificado para o segundo turno um candidato com rejeição menor. Pela lógica, no segundo turno Rigotto abocanha a maior parte dos votos de Britto e de Celso Bernardi. Isso explica o primeiro lugar do candidato do PMDB nas simulações de segundo turno.

A explicação para a queda de Britto em todas as pesquisas vai além dos ataques do PT. Tarso também foi atacado e não caiu. Ocorre que o PT tem um eleitorado sólido, equivalente a um terço do Estado. São eleitores que, mesmo não estando filiados ao partido do governo, se mantêm fiéis ao candidato desde a prévia. De maio até agora, o menor índice que Tarso obteve nas pesquisas do Cepa-UFRGS foi 31,7%.

No início da campanha, Britto atraiu para sua candidatura a maioria absoluta dos antipetistas. Parte desse eleitorado não tinha maior identificação com o candidato ou com seu partido e migrou para Rigotto a partir do início da propaganda eleitoral. Não é coincidência que cada ponto perdido por Britto caia diretamente na cesta de Rigotto.

Com a queda nas pesquisas, Britto começa a perder o apoio dos empresários. De capitães da indústria, Rigotto já recebeu o aviso de que o candidato da preferência do PIB é o que se mostrar mais capaz de derrotar o PT. A isso se chama voto útil. Apoio empresarial vai além da pregação contra o voto no PT, feita em reuniões no interior do Estado pelos presidentes das maiores entidades empresariais do Estado. Significa dinheiro na campanha, coisa que o PMDB não conseguia quando Rigotto era considerado um candidato sem futuro.


Editorial

CONSCIENTIZAÇÃO PARA O VOTO

A 10 dias da maior eleição da história brasileira e a de maior grau de informatização, com um número recorde de candidatos e de eleitores, o país ingressa na fase durante a qual os brasileiros buscam o máximo de informação para embasar suas opções. A realização dos comícios de encerramento de campanha, a intensificação dos debates entre candidatos pelos veículos da mídia eletrônica e das propostas dos candidatos no horário eleitoral gratuito constituem-se em alternativas importantes para que o eleitorado possa fundamentar melhor suas escolhas. O fato de só agora as pesquisas sobre intenções de voto apontarem uma redução significativa no percentual de indecisos não deixa dúvidas: os eleitores, de maneira geral, vêm procurando buscar o máximo de informações antes de fazer e de consolidar suas escolhas.

O elevado nível da campanha de maneira geral, predominante até agora, precisa ser mantido até a apuração dos votos. Só assim o país poderá garantir que, mesmo com as atenções divididas com a evolução das dificuldades financeiras, os eleitores possam exercer com tranqüilidade as suas escolhas para a presidência da República, para governadores de 27 unidades da Federação, para 1.059 deputados estaduais ou distritais, 513 deputados federais e 54 senadores. Graças a sofisticados avanços tecnológicos, que transformaram as eleições nacionais em referência até mesmo para os países desenvolvidos, os brasileiros serão informados em tempo recorde sobre os resultados das urnas e sobre os casos em que haverá necessidade de votação em segundo turno. Assim como na área de informática voltada para facilitar a eleição num país da complexidade cultural e geográfica do Brasil, são visíveis os avanços colocados a serviço dos eleitores neste ano por parte de instituições como a Justiça Eleitoral e os meios de comunicação.

Só a informação consciente pode indicar aos cidadãos e à sociedade o melhor caminho para o futuro

Mesmo neste momento em que se acirram as disputas entre candidatos, partidos e coligações, a Justiça Eleitoral vem demonstrando agilidade suficiente para coibir abusos. Em conseqüência, tem conseguido evitar que a campanha se limite apenas aos ataques contra adversários, ao invés de se prestar preferencialmente para a exposição de programas dos candidatos em busca de voto. Da mesma forma, em nenhum outro momento os avanços na área de comunicação de massa haviam contribuído de forma tão intensa para fornecer o máximo de informações ao eleitor, facilitando a transparência do pleito e o processo de escolha.

Em meio à crítica situação econômica, nos planos externo e interno, só a informação consciente pode indicar aos cidadãos e à sociedade o melhor caminho para o futuro. Graças a esses esforços, portanto, os 115 milhões de brasileiros que acorrerão às urnas em outubro poderão comemorar tanto a vitória de seus candidatos como o avanço da própria democracia.


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09/27/2002


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