Debate traz estratégias opostas para governo
Debate traz estratégias opostas para governo
Genro usa elo com Lula
Os candidatos que disputam o governo gaúcho, Germano Rigotto (PMDB) e Tarso Genro (PT), demonstraram ontem, em seu segundo debate televisivo, ter estratégias opostas para suas eventuais administrações. Eles também divergiram ao relacionar suas candidaturas aos candidatos presidenciais com quem mantêm ligações político-partidárias.
Tarso utilizou sempre o fato de ser correligionário de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Rigotto não explorou sua aliança com José Serra (PSDB). Rigotto criticou o fato de a Ford ter deixado o Rio Grande do Sul, abrindo sua fábrica na Bahia e disse estar disposto a participar da guerra fiscal.
Tarso acusou Rigotto, que é deputado federal, de não ter estado presente no Congresso quando foi votada a ampliação do regime automotivo para o Nordeste, pelo qual o governo federal ajudou a Bahia a dar incentivos para atrais a empresa. Rigotto não negou que deixou de votar.
Esse foi um dos momentos tensos do debate, exibido pela TV Pampa, retransmissora da Record. Rigotto iniciou falando do seu mérito de ter chegado ao segundo turno com o discurso da união pelo Estado. Tarso vinculou seu governo à possível Presidência de Lula e falou em avançar mais em relação à atual administração petista no Estado, do governador Olívio Dutra.
Temas como pedágios e privatizações serviram como motivo para contrapontos. Referindo-se à administração do ex-governador Antônio Britto (ex-PMDB e atualmente no PPS) como ""o governo anterior, do PMDB", Tarso chamou Rigotto de ""privatista". Rigotto disse que o governo petista não terminou com os pedágios instalados na época de Britto.
Pesquisa
A diferença entre Rigotto e Genro caiu 8,2 pontos percentuais, segundo a pesquisa Cepa, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
A pesquisa foi divulgada ontem pelo jornal ""Zero Hora" e mostra Rigotto com 54,5%, 14,8 pontos percentuais à frente de Tarso, que tem 39,7%. O Cepa ouviu 1.763 eleitores em 49 municípios gaúchos na última terça-feira. A margem de erro é de 2,4 pontos percentuais para mais ou menos.
Ontem o Tribunal Superior Eleitoral negou pedido de Genro para proibir a campanha de Serra de veicular a propaganda eleitoral com críticas à administração petista gaúcha. No horário eleitoral gratuito, Serra cita o caso da montadora Ford, que trocou o Rio Grande do Sul pela Bahia para instalar uma fábrica. O ministro-auxiliar Gerardo Grossi afirmou que o fato não é inverídico.
PT admite negociar mais corte de gasto do governo com o FMI
Coordenador de plano de Lula diz ter compromisso com meta "necessária" para estabilidade
O PT admitiu ontem a possibilidade de elevação, se necessário, da meta de superávit primário acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI), na revisão do acordo prevista para o mês que vem. A medida equivaleria a um esforço fiscal adicional, incluindo corte de gastos num eventual governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar disso, líderes petistas ressalvaram acreditar que a mudança não será necessária.
Analistas do mercado financeiro prevêem que a meta, de 3,75% do PIB para 2003, precisará ser aumentada em razão do incremento na taxa básica de juros e da disparada no valor do dólar.
Coordenador do programa de governo de Lula, Antônio Palocci disse ontem que o partido "está comprometido" com a meta de superávit "que for necessária" para estabilizar a economia, e não rejeitou a elevação ao ser questionado sobre a possibilidade.
"Estamos comprometidos com a meta de superávit que for necessária para garantir a estabilização da relação dívida/PIB", declarou o coordenador.
Palocci disse ser muito cedo para tratar do assunto. "Não vamos sofrer por antecipação. Temos um compromisso [com o superávit] que não é uma peça eleitoral", declarou, durante visita à sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Os petistas lançaram um documento conjunto com a Bolsa de Valores de São Paulo com propostas para o mercado de capitais, em mais um sinal enviado de que teriam comportamento responsável na condução da economia.
A meta de superávit equivale à economia que o governo faz para honrar seus compromissos. Por um lado, serve como sinal ao mercado de que não haverá calote; por outro, retira dinheiro da economia e pode ter efeito recessivo.
Os aumentos nos juros e no dólar acarretam elevação da dívida pública porque eles corrigem os títulos do governo em poder do mercado. Estima-se que a dívida pública brasileira tenha subido de 58% para algo como 66% do PIB nas últimas semanas.
Também presente ao ato, o senador eleito Aloizio Mercadante disse que a atual meta já é um "esforço muito grande para a sociedade". Ele afirmou que a economia, da ordem de R$ 49 bilhões, é duas vezes o orçamento da Saúde e três vezes o da Educação.
"Agora, é um esforço que tem que ser feito. A crise cambial traz consequências muito mais dramáticas que um esforço de superávit primário", afirmou.
O senador também afirmou ser cedo para dizer se a meta precisará ser elevada ainda mais. Mercadante disse acreditar que a taxa de juros cederá após a eleição, e que o câmbio, "artificial", também irá baixar.
"Se houver uma reversão de expectativas e, no processo de transição, uma reacomodação da taxa de câmbio, esse cenário [aumento da meta] não se realiza."
Carlos Vereza defende Regina Duarte
O ator Carlos Vereza defendeu a atriz Regina Duarte durante o ato político de apoio a Serra, ontem, na ABI (Associação Brasileira de Imprensa). Assim como Regina, Vereza declarou ter medo de um eventual governo Lula (PT).
"Eu estou aqui não para defender a Regina Duarte, minha amiga, até porque ela não precisa disso. Estou aqui para dizer que o medo e a insegurança são provocados pela falta de credibilidade do candidato do PT", disse.
No início da semana, Regina Duarte provocou polêmica ao dizer estar com medo de que um governo Lula possa trazer de volta a inflação. Anteontem, a atriz Paloma Duarte defendeu o petista.
"Uma biografia não pode ser reescrita em menos de seis meses. Esse é o Luiz Inácio Lula da Silva que há apenas um ano pregava contra tudo o que agora defende. O que acontece então? Investidores nacionais, estrangeiros, uma parcela significativa da população, têm medo, sim, e eu estou com medo", disse Vereza.
Lula e Serra dividem apoio de evangélicos
No Rio, petista reúne 500 líderes de várias denominações; em São Paulo, tucano recebe apoio da Quadrangular
Os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB) receberam ontem o apoio de líderes de igrejas evangélicas.
No Rio, Lula se reuniu com cerca de 500 lideranças das igrejas Assembléia de Deus, Universal do Reino de Deus, Batista, Sara Nossa Terra, Metodista, Presbiteriana e Renascer. Em São Paulo, Serra recebeu à noite o apoio da Igreja do Evangelho Quadrangular que, segundo seus integrantes, reúne 2,5 milhões de fiéis no país.
Cercado de evangélicos, Lula usou a passagem bíblica sobre o rei Herodes (que, ao tomar conhecimento dos rumores de que havia nascido o rei dos judeus, ordenou a matança de todos os recém-nascidos do sexo masculino) para criticar a suposta "política do medo" do oponente: "Se a gente permitir que prevaleça a teoria do medo, vamos voltar há milhares de anos, quando Herodes, com medo do novo, queria matar todas as crianças. Se dependesse do meu oponente, Machado de Assis nunca poderia ser presidente da Academia Brasileira de Letras porque não tinha diploma", disse.
Fez referência à eleição de 1989, vencida por Fernando Collor: "Em 89, A apologia do medo fez esse país preterir Brizola, Covas, o Lula e outras pessoas de bem. A gente não tem que ter medo".
Em São Paulo, Serra disse receber a adesão da Igreja Quadrangular, que no primeiro turno apoiou Anthony Garotinho, do PSB, com "muita satisfação e alegria no coração". Elogiou o trabalho da Quadrangular na recuperação de jovens: "Sou cristão. Isso para mim não é apenas uma idéia de natureza política, mas também de liberdade intelectual".
O pastor e deputado federal Mário de Oliveira (PST-MG), presidente do Conselho Nacional da Igreja, disse que a opção por Serra foi feita devido à preocupação do tucano com a "preservação da família": "Ele é o que mais se ajusta aos nossos pensamentos".
Rio terá tropas federais no 2º turno
Outros sete Estados terão a presença do Exército no pleito do dia 27
O Estado do Rio de Janeiro contará com tropas federais para reforçar o esquema de segurança da votação do segundo turno, no próximo dia 27, a exemplo do que ocorreu em 6 de outubro. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ratificou pedido do TRE-RJ.
O objetivo é repetir o aparato mobilizado no primeiro turno para garantir tranqüilidade aos eleitores em razão dos problemas de segurança relacionados ao crime organizado e ao narcotráfico.
O pedido é anterior à série de atentados no Rio, nos últimos dias, em que traficantes armados atacaram vários pontos da cidade em ação coordenada. Esses episódios reforçaram a necessidade da presença do Exército no Estado.
Em ofício enviado no último dia 12 ao diretor-geral do TSE, Miguel Campos, a diretora-geral do TRE, Soraya Faria, afirma que a primeira votação foi tranqüila graças ao amplo noticiário sobre a presença do Exército nas ruas e conclui que, por isso, seria necessário repetir a operação.
Desta vez, o risco de formação de filas decorrentes de atraso é menor, porque os eleitores terão que digitar apenas o número de seu candidato a presidente. A disputa ao governo foi decidida no primeiro turno, com a vitória de Rosinha Matheus (PSB).
Outros Estados
Além do Rio, outros sete Estados conseguiram o envio de tropas federais. São eles: Acre, Amazonas, Bahia, Pará, Rio Grande do Norte, Roraima e Tocantins. Em todos eles, o Exército já atuou em 6 de outubro. Os motivos mais frequentes são riscos de tumultos em aldeias indígenas e conflitos entre trabalhadores rurais e proprietários de terras.
No novo turno, o pedido do Rio é o único extensivo a todo o Estado. No caso do Tocantins, o Exército deverá dar cobertura apenas em uma aldeia indígena, no município de Tocantínia. Na Bahia, a presença das tropas deverá ficar limitada a duas cidades: Camaçari e Dias D'Ávila. No Pará, estão contemplados 64 municípios.
Em agosto, os comandos das Forças Armadas chegaram a pedir ao TSE que só aprovassem essa proteção especial nos locais em que a sua presença for imprescindível, pois não haveria recursos financeiros que permitam atuação ampla como nas eleições anteriores. Mas o único pedido negado no primeiro turno foi o do TRE da Paraíba, porque o próprio governo do Estado dispensou a ajuda.
Contra a lei, PSDB grava programa em escola pública
A exemplo do PT, campanha de Alckmin transformou unidade estadual do interior em locação para programa eleitoral
A campanha do governador de São Paulo e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSDB), usou uma escola estadual de Cajuru (311 km de SP) para gravar cenas para o programa eleitoral, que foi ao ar na terça. A Lei Eleitoral proíbe a cessão de prédios públicos para o uso em campanha política.
As imagens na escola Galdino de Castro foram feitas no início de setembro pela agência GW Comunicação, que produz os programas eleitorais de Alckmin. A prefeita de Cajuru, Benedita Margarida do Nascimento, é tucana.
O PT adotou o mesmo procedimento na captação de imagens para um programa do presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva, veiculado também na terça. No caso, as gravações foram feitas em uma escola municipal de Ribeirão Preto, administrada pelo PT.
No programa de Alckmin, a professora Rosane Abdala Furquim dá um depoimento em que defende o programa de progressão continuada implantado pelo governo tucano no Estado.
Professores da escola disseram à Folha que foi a diretora Lourdes Eufrosina da Costa Andrade quem autorizou a entrada da equipe de filmagem na escola. Ela também teria pedido a Rosane para gravar o depoimento.
Uniformes
"Eles pegaram alunos uniformizados de várias classes, colocaram todos em uma sala e simularam uma aula", disse a professora Maria Izabel Gomes Morgado, que dá aulas de inglês na escola.
De acordo com Maria Izabel, os alunos achavam que as gravações seriam usadas pela EPTV, retransmissora da TV Globo em Ribeirão Preto, em uma reportagem sobre a progressão continuada. Maria Izabel disse que os professores da escola estão revoltados com o uso da escola no programa de Alckmin porque eles não concordam com o sistema do Estado.
"A professora Rosane" me disse que deu o depoimento porque ela não poderia negar um pedido da diretora", disse.
No dia da gravação, a equipe do PSDB distribuiu formulários aos alunos e professores para que eles autorizassem o uso das imagens.
Ricardo Penteado, advogado de Alckmin, disse que não há irregularidade no uso de imagens.
"Não pode colocar o serviço público a serviço do candidato, mas pode mostrar o serviço público em seu funcionamento normal", disse o advogado da coligação.
Artigos
Regina Duarte e o bibelô
Clóvis Rossi
SÃO PAULO - Regina Duarte, como qualquer brasileiro, tem todo o direito de dizer que tem medo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Toda campanha eleitoral, no mundo inteiro, divide-se, em geral, em dois eixos: um é a defesa do próprio candidato; o outro, o ataque aos adversários (ou ao adversário quando o jogo fica mano a mano).
Expressar sentir medo do adversário é, portanto, das regras do jogo. Tanto é que Ciro Gomes disse, rigorosamente, a mesma coisa, ainda que com outras palavras, e, não obstante, foi aceito depois aos beijos pelo PT.
Também é do jogo patrulhar os adversários ou qualquer pessoa que não concorde com o candidato ou o partido. Nisso, aliás, os petistas são mestres há muitos e muitos anos.
O que não é do jogo é o preconceito. Nem para atacar Lula, nem para atacar Regina Duarte. A frase do candidato petista, segundo a qual Regina tem medo das novas atrizes da Globo, é preconceituosa e é prima-irmã de "o papel da minha mulher é dormir comigo", que acabou de matar a candidatura Ciro Gomes.
Não cabe na boca de ninguém com um mínimo de respeitabilidade e fica indecente na boca de quem, como Lula, é vítima permanente do preconceito -tanto nesta como nas suas campanhas anteriores.
Fico absolutamente à vontade para dizer tais coisas porque jamais tive medo do PT ou de Lula, jamais tive preconceito contra Lula ou contra o PT e jamais deixei de criticar os que exibiam o preconceito, como aconteceu com Mário Amato, então presidente da Fiesp. Não tive medo do patrulhamento do outro lado, que também existe e que também é forte. Só está menos estridente, porque se sente minoritário desta vez.
Mas o mais elementar sentido comum manda reconhecer que há, sim, gente que tem medo do PT e de Lula. Como há gente que tem medo de José Serra e/ou da manutenção das políticas do atual governo.
Essa gente tem de ser convencida, e não tratada como inimiga da pátria, como se Lula fosse um bibelô a ser protegido até das palavras.
Colunistas
PAINEL
Calmante imediato
Se vencer a eleição presidencial, Lula deverá divulgar os principais nomes de sua equipe econômica em 28 e 29 de outubro -nos dois dias seguintes ao pleito. A fim de acalmar o mercado e iniciar imediatamente a transição com a equipe atual e os entendimentos com o FMI.
Lista no bolso
Os membros da equipe econômica já foram escolhidos por Lula e, se não houver alterações significativas nas próximas pesquisas, serão convidados na próxima semana. Nenhum político petista deverá assumir os principais cargos do setor.
Secos e molhados
A poucos dias da eleição, Lula faz de tudo para tentar fugir de temas polêmicos. Ontem, em São Bernardo (SP), o presidenciável passou boa parte de seu discurso falando de linguiça apimentada e de suas pescarias.
Câmera lenta
O "tracking" diário do PSDB aponta que a diferença entre Lula e Serra está caindo aos poucos, mas em uma velocidade menor do que a necessária para o tucano virar o jogo.
Sempre no ataque
Sem muita alternativa, Serra continuará a atacar Lula em seu programa eleitoral a fim de tentar atrair o voto de grupos em que o candidato petista está forte, como evangélicos, jovens e trabalhadores urbanos.
Contradição interna
Serra usará na TV declaração dada por Genoino (PT) após o debate de anteontem com Alckmin (PSDB) em SP: "Com o debate, ganha o eleitor. Com o debate, as propostas ficam mais claras e as soluções também. Isso é bom para a democracia".
Governo enguiçado
São cada vez mais rotineiras no comitê de Serra as reclamações sobre a atuação de FHC na campanha: "Uma coisa é você não usar a máquina. Outra coisa é você emperrar a máquina", reclama um tucano.
Tese polêmica
Assessores jurídicos do Senado consideram que não é necessário aprovar uma emenda constitucional para mudar a data da cerimônia da posse do futuro presidente. O novo mandato começa em 1º de janeiro, dia que não é considerado muito convidativo para a presença de autoridades internacionais.
Passagem de faixa
Segundo avaliação de assessores jurídicos do Senado, a data da cerimonia da posse pode ser alterada com base no artigo 78 da Constituição, o qual prevê que o presidente eleito tem até 10 dias para assumir o cargo.
Festa organizada
Planalto, Itamaraty e Senado já montaram um grupo de trabalho para preparar a cerimônia da posse do futuro presidente.
Sala de espera
Geraldo Alckmin (PSDB) ou José Genoino (PT) já têm uma dor de cabeça prevista com os empreiteiros para os primeiros dias de governo em SP. Eles vão pedir reajuste no preço das obras públicas. A decisão foi tomada em reunião na Apeop, entidade de construtores.
Indenização
José Ferreira da Silva, irmão mais velho de Lula, foi indenizado ontem pelo Ministério da Justiça como anistiado político. Frei Chico, como é conhecido, receberá R$ 18 mil.
Pensando no futuro
Sarney Filho reuniu-se com a direção do PV e definiu que irá se filiar à sigla. O partido elegeu cinco deputados e fará parte da base de eventual governo Lula. O ex-ministro de FHC foi eleito para a Câmara pelo PFL, partido cuja atual direção diz que não aceitará integrar gestão petista.
De novo
Como o pefelista Rubem Medina não foi reeleito no Rio de Janeiro para a Câmara, o peemedebista Henrique Eduardo Alves (RN) passará a ser no ano que vem o deputado federal com mais tempo de Casa. Vai para o seu nono mandato.
TIROTEIO
Do deputado Tilden Santiago (PT-MG), sobre o PSDB:
- Eis a lógica tucana subjacente: Discordar da atriz Regina Duarte é patrulhamento. Grampear telefone alheio é prova de espírito democrático.
CONTRAPONTO
Acerto de ponteiros
Conhecido no CE como defensor da política do "bebe mas faz", Domingos Pontes (PPB), prefeito de Caucaia, esperava impaciente Tasso Jereissati, então candidato ao Senado.
Como Tasso sempre faz piadas com as bebedeiras de Domingão, o prefeito tentou segurar de todas as formas a sua "sede", mantendo-se sóbrio.
-Hoje eu mesmo decreto a lei seca por aqui- afirmou aos seus cabos eleitorais.
A comitiva de Tasso, no entanto, atrasou muito a sua chegada ao município. Domingão aproveitou para "vistoriar obras" da cidade, como disse aos que o rodeavam.
Quando Tasso chegou ao palanque, brincou com Domingos:
-Você já está calibrado?
O prefeito não se incomodou: -Prometi não beber até a hora combinada para iniciar o comício, como você se atrasou...
Os eleitores aplaudiram.
Editorial
ESPAÇO PARA CRESCER
Cresce a preocupação quanto à perspectiva da economia brasileira em 2003. Os motivos imediatos são evidentes: a taxa de juros subiu e o dólar se mantém muito alto há semanas, reforçando as pressões sobre a inflação. Isso agrava a incerteza que seria natural surgir num período de transição política que se desenvolve em meio a um quadro internacional adverso. Generalizou-se, assim, a impressão de que se estreita o espaço para a economia crescer em 2003. Mas ainda há grande dispersão de avaliações quanto ao grau da restrição ao crescimento .
Muitos esperam uma pequena aceleração do crescimento: a expansão do PIB passaria do ritmo pouco superior a 1% esperado para 2002 para taxa na faixa de 2% a 2,5%. Outros prevêem estagnação. E há até quem avente uma retração forte do PIB, mirando-se no exemplo da Argentina.
Essa última hipótese parece bastante remota, dadas as claras diferenças entre os dois países. Não há nenhum indício de que o sistema bancário brasileiro esteja ameaçado de ingressar em crise comparável à que tanto contribuiu para a "débâcle" da economia argentina em 2002. Além disso, a partir da adoção do câmbio flutuante, em 1999, o Brasil vem ajustando suas contas externas progressivamente. E nos últimos meses, desde que a escassez de crédito internacional se agravou, o ajuste das contas externas expresso na elevação do superávit na balança comercial- se acelerou nitidamente, indicando rápida capacidade de adaptação da economia.
A disponibilidade de crédito externo será um condicionante central do espaço que a economia brasileira terá para crescer em 2003. A aversão ao risco dos investidores internacionais se encontra em nível atipicamente alto. Ilustra isso a forte demanda por títulos públicos dos EUA considerados de baixíssimo risco- , que oferecem o retorno mais baixo dos últimos 40 anos.
As dificuldades para o Brasil crescer serão grandes, se a aversão ao risco no plano internacional permanecer tão extremada ao longo dos próximos meses. Mas algum arrefecimento não parece impossível, e tenderia a abrir melhores perspectivas para o Brasil em 2003.
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10/18/2002
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