Delcídio diz que revisão do Tratado de Itaipu poderá pôr em risco um dos projetos hidroelétricos mais exitosos do mundo
Em pronunciamento nesta quinta-feira (17), o senador Delcídio Amaral (PT-MS) afirmou que uma revisão do Tratado de Itaipu, assinado entre o Brasil e o Paraguai nos anos 70, para o fornecimento de energia, vai obrigar a uma ação entre o Legislativo dos dois países. Segundo ele, o debate poderá levar a "explicações de difícil entendimento" e pôr em risco um dos projetos hidroelétricos mais exitosos da América do Sul e do mundo.
Delcídio Amaral disse que Itaipu "não é um negócio", mas uma "grande obra de engenharia financeira e de relação diplomática entre dois países". Segundo ele, a usina não foi concebida sob "ótica negocial", mas como um grande projeto de geração de energia em que o Paraguai é visto como um país irmão, levando-se em conta as assimetrias existentes entre os dois países à época da assinatura do acordo.
- O foco de Itaipu é mais amplo, a administração é competente e garante ao Paraguai a auto-suficiência energética. O Paraguai tem direito à metade da geração de Itaipu, que é hoje a usina com a maior potência instalada do mundo, que agregou uma série de tecnologias que servem hoje de referência para as demais barragens brasileiras e do mundo - afirmou.
O senador pelo PT do Mato Grosso enfatizou que a discussão sobre o Tratado de Itaipu não pode ser politizada, referindo-se à recente campanha eleitoral paraguaia. E contestou informações divulgadas pela imprensa de que o Brasil pagaria apenas US$ 3 ao Paraguai pelo megawatt/hora da energia gerada pela usina. Segundo ele, esse tipo de informação serve para confundir a opinião pública, levando-a a acreditar que o Brasil detém vantagens em relação ao Paraguai no empreendimento binacional.
- É preciso derrubar esses argumentos. Pagamos US$ 42,5 por megawatt/hora, acrescidos de US$ 3, pela remuneração por cessão de energia. O discurso político é equivocado e fora da realidade do que representa Itaipu. Se há condição de se discutir alguma coisa de Itaipu, acho ótimo. Itaipu trouxe otimização energética, navegabilidade. Se existem espaços a avaliar, vamos discutir isso, mas não mexer em um tratado exitoso - defendeu, ressaltando que 95% da economia de Itaipu é consumida pelo Brasil e o restante pelo Paraguai.
Em apartes, manifestaram apoio a Delcídio Amaral os senadores José Agripino (DEM-RN), Renato Casagrande (PSB-ES) e Tião Viana (PT-AC).23/04/2008
Agência Senado
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