Delegado diz que atuação de neonazistas no RS é grave




O delegado da Polícia Civil do Rio Grande do Sul Paulo César Jardins afirmou, no plenário do Senado, existir uma "dura realidade" de neonazismo em seu estado que culminou, neste mês, com uma ameaça direta ao senador Paulo Paim (PT-RS). Ele assegurou que a Polícia Civil do RS continuará combatendo os grupos neonazistas, cuja atuação foi classificada por ele como "grave".

O delegado participou, nesta sexta-feira (19), da sessão de homenagem ao Dia da Consciência Negra e de solidariedade a vítimas de preconceito e discriminação. Jardins mostrou um vídeo, apreendido no início de novembro, que contém ameaças aos negros e, mais diretamente, ao senador Paim. Ele contou que a pessoa que ameaça o senador na gravação já foi identificada.

A gravação foi encontrada pelo grupo policial de combate ao neonazismo instituído pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul há oito anos. Ele tem células em São Paulo, Santa Catarina e Paraná. Em 2005, narrou ele, quando o mundo inteiro lembrava os 60 anos do fim do holocausto, houve a primeira manifestação neonazista em Porto Alegre, na qual um grupo de jovens judeus foi brutalmente agredido por 12 neonazis. A partir desse episódio, o grupo da Polícia Civil do RS começou a estudar as origens do hitlerismo para entender a motivação dessas pessoas.

Com o estudo, o delegado entendeu que não se tratava de grupos de marginais, mas de uma ideologia, o que exigia preparo específico dos policiais. Isso porque os membros desses grupos pensam, conforme o delegado, que negros, homossexuais e judeus são subraças.

- E eles têm prazer em pensar que odeiam essas pessoas - afirmou.

Integrantes de grupos neonazistas, explicou o delegado, quando presos, não se apresentam como presos comuns, mas como jovens idealistas e como presos políticos. O comportamento deles, disse ainda, é de extrema soberba.

De acordo com Jardins, atualmente cerca de 40 pessoas estão indiciadas em inquéritos policiais e várias são consideradas foragidas.

Ainda segundo Jardins, no final do ano passado, o grupo da Polícia Civil conseguiu desmontar, ao mesmo tempo, cinco células de neonazistas no Rio Grande do Sul. Foram apreendidas nas operações bombas, armamento, munição e farto material de discriminação e combate ao homossexualismo. Ele disse acreditar que, com isso, conseguiram evitar um atentado a uma sinagoga e a uma parada livre em Porto Alegre.

19/11/2010

Agência Senado


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