Demóstenes pede fim das confrontações no Senado
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse, em pronunciamento no Plenário, que o Senado Federal chegou a um ponto extraordinariamente baixo e precisa dar um basta a essa situação em que está envolvido. Segundo suas palavras, a sessão desta quinta-feira (6) talvez tenha sido a mais degradante já presenciada por ele no Senado. Falando pouco depois da dura discussão entre os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Renan Calheiros (PMDB-AL), Demóstenes conclamou os senadores a dar fim a essa clima de confrontação.
- Nós não podemos ficar passando vexame diariamente - disse o senador. -É isso o Senado Federal? Ninguém está preocupado com o que vai acontecer, com o que a população está pensando de nós? Qual é a imagem que temos? Somos um bando de fouchés, figuras menores; figuras que vêm aqui com o único objetivo do enriquecimento pessoal e não para defender os interesses da sociedade; figuras que trabalham nos bastidores; figuras que querem, sim, a desmoralização da Casa? - indagou ele.
Ao usar a expressão "bando de fouchés", Demóstenes Torres referia-se ao político francês Joseph Fouché (1759-1820) notório pela arte da sobrevivência política. Fouché entrou para a história por sua falta de compromissos outros que não os consigo próprio, estando sempre ao lado do grupo mais fortes.
O senador comentou a representação ao Conselho de Ética, apresentada pelo PMDB contra o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), lida pelo líder do partido, Renan Calheiros. Na opinião de Demóstenes Torres "a representação é desqualificada e não tem qualquer fundamento". Ele aconselhou o senador Arthur Virgílio a processar o PMDB porque no documento haveria uma insinuação de que ele se beneficiaria de parte do salário pago às pessoas contratadas em seu gabinete.
Demóstes Torres ressaltou que, se houve alguma quebra de decoro por parte de Arthur Virgílio, ele poderá ser punido com quatro tipos de penalidades que são: advertência, censura, suspensão e perda de mandato. Contudo, a seu ver, a perda de mandato ou a quebra de decoro precisam ser discutidas em razão do fato. Em sua opinião, não há um fato que a justifique. Demóstes afirmou que o senador do PSDB está sendo representado no Conselho de Ética porque é um opositor que quer o afastamento do presidente da Casa, senador José Sarney.
- O que aconteceu aqui está errado. O pronunciamento de hoje jogou gasolina na chama, incendiou em vez de apaziguar - disse Demóstenes Torres. - Será que isso tem marcha à ré? Será que o Senado, na atual configuração, poderá superar a crise? Eu aposto que não. Nós não temos mais como conjurar essa situação, nós não temos mais como resolver o problema que foi criado.
O senador disse que com tudo o que poderá acontecer de agora em diante, deixará o Senado com a imagem de uma Casa desmoralizada.
- Uma Casa desmoralizada, com homens desmoralizados à sua frente. Desmoralizados pelos fatos, desmoralizados pelas circunstâncias - lamentou.
Demóstenes Torres disse ter votado no senador José Sarney para a Presidência do Senado, mas agora pede a saída dele do cargo como condição para a pacificação da Casa. Segundo disse, o afastamento de Sarney é necessário para que o Senado possa passar por um processo de transição, para que não se repitam mais os erros, os crimes e as improbidades cometidas.
- Que cada qual pague pelo seu erro, cada qual pague pelo crime cometido, cada qual pague pela improbidade - defendeu Demóstenes. - Não foi o Senado que apodreceu, o que apodreceu foram os senhores senadores, alguns deles, que não têm condição de honrar esse nome, que não têm condição e nem espírito público. Quantos aqui não têm inteligência, têm uma capacidade suprema, mas não têm espírito público. Sem espírito público não se pode sentar numa cadeira dessas.
06/08/2009
Agência Senado
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