Demóstenes quer do governo "negociação sincera com o Congresso" em relação à crise



O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) aconselhou o governo a procurar o Congresso Nacional de forma desprendida e realista para negociar medidas que assegurem o máximo de tranqüilidade possível enquanto durar a crise financeira e econômica internacional. Na opinião do parlamentar, chegou o momento de o governo abandonar sua postura de negligência em relação à gravidade do quadro, tanto nos mercados de capitais e financeiros quanto na chamada economia real.

- O governo tem de descer do pedestal e procurar o Congresso, de maneira sincera, mostrando, por exemplo, qual é a verdadeira situação dos bancos brasileiros - cobrou o parlamentar.

Demóstenes Torres criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por emitir sinais de que o consumo deve continuar sendo estimulado, quando os indicadores da economia mundial apontam para uma recessão e graves problemas no crédito. O irrealismo de Lula seria acreditar que o mercado interno poderia compensar a inevitável queda na renda das exportações.

Para o parlamentar, tanto o presidente quanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega, têm errado ao prolongar a idéia de que o país poderia ficar livre da maré de incertezas globais e que nada abala a saúde dos bancos brasileiros ou o poder de fogo das reservas cambiais do país.

- Observem o quanto a hesitação do governo norte-americano em adotar medidas contra a crise acabou piorando o cenário - advertiu o senador do DEM.

Demóstenes criticou ainda o governo por desconfiar da oposição e atribuir a ela uma torcida pela crise como fonte de instabilidade para o governo e suas pretensões eleitorais em 2010.

- Ninguém aqui no Senado vê vantagens numa crise - afirmou o parlamentar, que recomendou, ainda, ao governo contenção dos gastos públicos.

Ele lembrou que, pela manhã, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado adiou a votação de um projeto que estabelecia, com urgência, a criação de 2,4 mil cargos.

- Sobrou juízo ao Congresso, que não entrou nessa loucura, digamos assim, de querer aumentar as despesas e agravar a crise fiscal que se avizinha - analisou Demóstenes.



08/10/2008

Agência Senado


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