Dom Chemello critica guia eleitoral








Dom Chemello critica guia eleitoral
Presidente da CNBB espera que cessem agressões entre candidatos nos programas de rádio e TV

BRASÍLIA - O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Jayme Chemello, disse ontem que espera que os candidatos à Presidência da República melhorem o tom usado no horário eleitoral gratuito. Segundo ele, a troca de acusações é normal, mas é necessário o entendimento. "Eu vi algumas rusgazinhas, mas isso é normal. Quem tem de intervir é a Justiça Eleitoral. Pouco a pouco eles vão se acomodando. Vai haver um entendimento de que este não é o caminho", afirmou.

Dom Jayme, que é bispo de Pelotas (RS), também comentou o conteúdo dos programas de Governo dos quatro principais candidatos, Anthony Garotinho (PSB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), José Serra (PSDB) e Ciro Gomes (PPS). Ele disse que ouviu muitas pessoas dizendo que os programas são "quase iguais". As declarações do presidente da CNBB foram dadas em entrevista coletiva após o encerramento da 1ªReunião do Conselho Permanente da entidade.

Ele também fez críticas ao Governo FHC afirmando que não existe a estabilidade econômica conforme diz o presidente. "O Governo diz que fez tudo para termos uma economia estável, mas não é estável coisa nenhuma. Quem sabe como estará o dólar amanhã?"

O bispo comentou ainda a iniciativa da entidade de se reunir com os principais candidatos e o fato de Ciro Gomes (PPS) ter sido o único até agora a não responder o convite. "O diálogo é muito importante para a CNBB, até mesmo com quem não gosta de nós. Ninguém não poderá dizer que a CNBB não recebeu este ou aquele".

O vice-presidente da CNBB, Dom Marcelo Carvalheira, arcebispo de João Pessoa (PB), também concordou com a decisão de FHC de chamar os candidatos para uma conversa sobre a situação do país e a transição de Governo. "Isso me pareceu uma atitude muito boa de quem está preocupado com o país e não apenas com a irradiação das realizações de seu Governo", declarou Carvalheira.

A CNBB distribuiu ontem um documento com propostas para reflexão sobre as eleições de 2002. No documento, ela fala de critérios e orientações que a Igreja Católica noBrasil deve colocar em prática para ajudar seus fiéis a cumprir seu dever eleitoral, com consciência e responsabilidade.


Ciro muda linha do programa eleitoral
Queda nas pesquisas levou o candidato do PPs a valorizar os aliados e ouvir suas críticas

O presidenciável do PPS, Ciro Gomes, assimilou parte das críticas que recebeu de aliados após queda nas pesquisas e começou a mudar a linha do seu programa eleitoral gratuito. Mas manteve intacto o comando político da campanha. Também não aceitou pressões do PTB e do PFL para afastar o publicitário Einhart Jacome da Paz. As primeiras mudanças já aconteceram na última quinta-feira, no horário eleitoral noturno de Ciro. A atriz Patrícia Pillar, mulher do candidato, voltou a ser estrela do programa, como ocorreu na pré-campanha.

"Acompanhando a história de Ciro e conhecendo-o, eu me apaixonei por ele", afirmou a atriz, que se apresentou como "brasileira, trabalhadora e mulher do Ciro Gomes". Ela disse que o candidato "fala o que pensa e às vezes usa uma força de expressão", e que "os que estão no poder há muito tempo estão tentando convencer você de que Ciro não diz a verdade e é pavio curto".

Ciro abandonou o ambiente frio de estúdio para investir mais nas imagens de comícios, além de aparecer ao lado dos aliados, para tentar mostrar que sua candidatura tem amplo apoio. Anteontem, após o locutor dizer que "para governar, quanto mais gente, melhor", Ciro apareceu com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC) e o ex-governador Antônio Britto (PPS-RS), entre outros.

Os ataques ao governo Fernando Henrique, para tentar minar a candidatura de Serra, também começaram na propaganda eleitoral de anteontem. O primeiro item atacado foi a saúde. "A Organização Mundial de Saúde adverte: o Brasil é um país doente", disse o locutor, enquanto eram mostradas filas em hospitais e depoimentos sobre falta de remédios.

Com a queda nas pesquisas, o candidato passou a ouvir mais seus aliados. Conversou muito com Tasso Jereissati, Bornhausen e Roberto Freire. Já os líderes do PFL e PTB aproveitaram para apresentar suas críticas. O trabalho de Einhart já não tem a aprovação unânime entre os aliados. A qualidade do programa é apontada como principal causa da queda nas pesquisas. "O programa do Serra é rico e bem feito. O do Ciro, pobre e mal feito. É preciso jogar dinheiro e gente capacitada", afirmou ACM. Deputados do PTB estiveram reunidos com o líder Roberto Jefferson (RJ) e foram unânimes em defender o afastamento de Einhart do comando, mas a hipótese foi descartada.


Lula elogia Governo militar
BRASÍLIA - Os elogios do candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, à política econômica e de planejamento de longo prazo adotada no Brasil durante o regime militar, foi recebida com estranheza por alguns, com surpresa por outros e com bons olhos por vários oficiais da ativa e da reserva. O ex-senador Jarbas Passarinho, com grande trânsito nos quartéis, traduziu o reconhecimento do petista como parte de um plano estratégico de moderação, onde se procura o pragmatismo de resultados para fazer valer um ditado que ele ouvia na época do extinto PSD (em política, feio é perder).

Ele considera a postura de Lula uma "nítida tentativa de aproximação com a categoria".

Ele recordou-se do que ouviu do deputado Gerson Peres (PDS-PA), quando deixou a caserna e assumiu, nomeado, o Governo do Pará: "O senhor está saindo do quartel para a política e, na política, o senhor vai ver até boi voar". O ex-senador diz que está mesmo vendo boi voar, quando vê Lula elogiando a política econômica dos militares ou apertando as mãos do ex-governador Orestes Quércia e do ex-presidente José Sarney.

Segundo ele, as declarações de Lula estão agradando muito a área militar, que é nacionalista, mas ressalva que isso, certamente, deverá provocar a ira de muitos radicais do partido, que já haviam sido contidos há dois anos, quando Lula fez elogio semelhante ao Governo militar. "Agora, ele foi mais direto, e elogiou o Médici, considerado o grande vilão do período militar", completou Passarinho.

Até agora, apenas o candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, aceitou o convite do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, e compareceu ao Clube Militar, há três semanas, quando fez um discurso tentando conquistar pelo menos parte do eleitorado, estimado em um mínimo de 1,5 milhão de pessoas, podendo chegar a sete milhões de votos. Até 15 dias atrás, Ciro, apesar de ser considerado no setor "uma caixinha de surpresa", estava concentrando a preferência do eleitorado militar.

Apesar das restrições que existem em relação a Lula, os militares lembram que o PT tem sido o único partido a defender os interesses da categoria no Congresso.


DAC começa investigar queda de aviões
TAM diz que vazamento deixou uma aeronave sem combustível e trem de pouso quase leva outra a incêndio

SÃO PAULO - As causas dos acidentes com os dois aviões Fokker 100 da TAM que fizeram pousos forçados, ontem, no interior de São Paulo, começam a ser investigadas hoje pelo Departamento de Aviação Civil e pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas.

O primeiro pouso aconteceu no pasto de uma fazenda, às 10h45, em Birigüi, e deixou quatro feridos, sem gravidade. A hipótese, admitida pela própria empresa, é de que tenha ocorrido um vazamento de combustível não captado pelo painel. O avião, que transportava 29 pessoas, ficou praticamente sem combustível em pleno vôo.

O outro avião pousou no Aeroporto de Viracopos, às 12h10, em Campinas. Nenhuma das 47 pessoas que eram transportadas ficou ferida. O aparelho se arrastou pela pista de barriga por 400 metros e provocou faíscas, deixando os passageiros em pânico. Os bombeiros conseguiram evitar que ele se incendiasse. Neste caso, a causa provável, segundo a TAM, foi um defeito no trem de pouso.

O avião que pousou em Birigüi, a 535 quilômetros de São Paulo, foi fabricado em 30 março de 1994, tinha 21.917 horas de vôo e teve sua última revisão feita dia 12 julho, segundo a TAM. O Fokker decolara de Guarulhos (SP) e seguia para Campo Grande (MS), Cuiabá (MT) e Brasília.

A pastagem fica a cerca de 500 metros da Rodovia Roberto Rollemberg e próxima do gasoduto Brasil-Bolívia. Ao descer, a aeronave atropelou e matou uma vaca e ainda se arrastou por cerca de 300 metros. Não houve explosão ou princípio de incêndio, o que reforça a suspeita de que o combustível tenha vazado durante o vôo. Com o impacto, o avião teve os trens de pouso arrancados. Também houve danos nas turbinas e na parte traseira da fuselagem.

Os passageiros feridos receberam os primeiros socorros ainda no local do pouso.

Depois José Jorge Rezende, de Nova Olímpia (MT), Mário Valente, de São Paulo, Susan Lannes Andrade e Maria de Fátima Cardoso, ambas de Cuiabá, foram levados para a Santa Casa de Birigüi com escoriações e dores musculares. Foram atendidos e liberados em seguida.

O Fokker 100 que pousou em Campinas SP) partiu às 8h40 de Salvador (BA) com destino a São Paulo.


SUS distribuirá mais um remédio
O Governo federal iniciará na próxima semana a distribuição de mais um remédio para o tratamento de hepatite C crônica. A entrega do Interferon Peguilado será feita pelo Sistema Único de Saúde. O Ministério da Saúde já garante a distribuição do Interferon tradicional e do Ribavirina, que será ampliada através do SUS. A estimativa é que a inclusão do terceiro medicamento beneficie 1.200 pacientes. O governo ampliou de 49 para 90 o número de remédios distribuídos no mesmo sistema, destinados a 70 doenças consideradas excepcionais. Eles têm alto custo e são, geralmente, de uso contínuo.


Acidentes custam R$ 23,8 bilhões
A falta de segurança no local de trabalho custa caro. Um levantamento do Ministério da Previdência Social aponta que anualmente são gastos cerca de R$ 23,8 bilhões por causa de acidentes. Recursos que correspondem a 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Esse valor corresponde ao dinheiro pago pelas empresas durante os primeiros 15 dias de afastamento do funcionário e pela Previdência em auxílio-doença, pensão e aposentadoria. No Estado essa conta não foi fechada. Aqui, há registro apenas das ocorrências por ano, que chegam a 6,1 mil. Considerando apenas o benefício social, no valor mínimo de R$ 200,00 por segurado, esse número equivale a R$ 1,22 milhão.

O desembolso causado pelos acidentes é considerado elevado pelo gerente de projetos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Baldur Shubert. "É um volume extraordinário", atesta o gerente. De acordo com ele, para cada R$ 1,00 investido em campanhas de prevenção a acidentes são gastos entre R$ 4,00 e R$ 5,00 com pagamento de aposentadorias e pensões causadas por eles. Shubert argumenta que o melhor caminho para os empresários é aplicar recursos em segurança do trabalho.

E o Ministério está empurrando os patrões para esse caminho. O ministro da Previdência, José Cechin, enviou uma proposta de projeto de lei à Casa Civil que promete revolucionar o quadro atual. Lançou mão da redução de 50% das alíquotas do Seguro contra Acidentes de Trabalho (SAT). Hoje, as empresas pagam alíquotas de 1%, 2% e 3% sobre a folha de salários. O percentual varia de acordo com o grau de insalubridade da atividade desenvolvida.

Nas metalúrgicas, por exemplo, ele é de 3%. Já nas indústrias de calçados fica na casa dos 2% e nas papelarias em 1%. Pelo projeto de Cechin, todos os empresários que investirem vão pagar metade do percentual atual. Por sua vez, os que resistirem ao desconto continuarão arcando com a alíquota cheia. "Trata-se de um incentivo espetacular. É bom para a empresa, que terá menos custo, e para os funcionários, que terão mais segurança", avalia Shubert.

O novo modelo de Seguro contra Acidente será debatido durante o workshop "Os riscos do trabalho no Brasil e no Mundo", que será realizado em Brasília entre os dias 2 e 4 de setembro. O encontro será promovido pelo Ministério da Previdência e a Conferência Interamericana de Seguridade Social. Representantes da Organização Ibero-Americana de Seguridade Social vão discutir os principais modelos de prevenção no Mundo.


Colunistas

DIARIO POLÍTICO - Divane Carvalho

Lamentável retrocesso
Decisão de Justiça se discute sim, principalmente quando ela implica na volta da censura prévia, um instrumento abominável usado nas ditaduras e que não cabe no Brasil democrático. Ao censurar antecipadamente temas que não podem ser abordados nos programas eleitorais, o TRE retorna ao tempo dos generais e sem nenhum constrangimento, como se pode constatar pelo resultado da votação do Pleno. Porque somente o desembargador Marco Maggi votou contra essa aberração provocada por Sérgio Guerra (PSDB), para impedir que seus adversários falassem do denominado Escândalo do Orçamento. Um esquema de corrupção que abalou os alicerces do Congresso Nacional, em 1993, envolvendo muitos políticos e empreiteiras. Tão grave que foi criada uma CPI para investigá-lo, da qual o deputado tucano saiu absolvido.

Motivo mais do que suficiente para ele não ter nenhum receio sobre a questão, pelo menos em tese. Mas não é só Guerra que se beneficia com a decisão do Tribunal de censurar, previamente, o que vai ser mostrado no horário gratuito. A partir de agora qualquer candidato pode entrar com uma ação preventiva, como fez o postulante a uma das vagas do Senado pela União por Pernambuco, pois com jurisprudência firmada todos terão o direito de censurar qualquer assunto com a certeza de que serão atendidos.

Ou o Tribunal poderá ser acusado de proteger esse ou aquele concorrente, o que não seria confortável para os juízes. A decisão do Pleno do TRE, data venia, é um lamentável retrocesso ao tempo da ditadura militar.

João Paulo participa do Encontro Temático Regional de Cultura como Política do Estado, hoje, às 9h, no Recife Plaza Hotel. durante seminário que discute o tema para o programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Campanha
Tereza Leitão (PT) promove, hoje, oficinas de mamulengo e modelagem para crianças, a partir das 14h, no seu comitê que fica na rua do Príncipe, 225. Além de música e uma feira de artesanato para os adultos.

Faixa 1
Pedro Eurico (PSDB) e Raul Jungmann (PMDB) lembravam os palhacinhos da faixa, ontem, nas primeiras horas da manhã, abordando motoristas e pedestres nos sinais de trânsito da avenida Caxangá.

Faixa 2
A diferença era que, em vez de ajudá-los como fazem os educadores do trânsito, eles distribuíam santinhos com seus números, Pedro Eurico para estadual e Jungmann federal. Campanha dura, essa.

Encontro 1
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu o encontro com artistas e intelectuais, quinta-feira, no Rio de Janeiro, lendo uma carta que Ariano Suassuna (foto) mandou declarando que vota nele.

Encontro 2
Depois de dizer que era amigo de Arraes (PSB), em quem votará para deputado federal, Ariano escreveu:" Voto em Lula porque ele é o legítimo representante do Brasil real em condições de dirigir o País".

Encontro 3
Tânia Bacelar, secretária de Planejamento da PCR, foi a única nordestina a falar no evento e disse que uma das riquezas do Brasil era sua diversidade econ


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