Duhalde já admite a volta do câmbio fixo na Argentina
- Duhalde já admite a volta do câmbio fixo na Argentina
- O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, cogitou restabelecer o câmbio fixo no país, menos de dois meses depois de adotar a livre flutuação do peso em relação ao dólar.
"Está dentro das possibilidades, do que se pode fazer. Não podemos descartar nada", afirmou o presidente argentino, que estuda criar câmbio fixo de dois pesos para um dólar.
O ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, descartou a possibilidade e afirmou que não trabalha "com nenhuma outra hipótese" além das medidas tomadas até agora.
O FMI, fundamental para o sucesso do novo plano, considera a liberação do câmbio um ponto essencial na política econômica argentina. O dólar fechou o dia cotado a 2,15 pesos.
Duhalde aumentou seu próprio salário de 2.500 para 3.000 pesos, mas condicionou o pagamento dos funcionários públicos à arrecadação tributária. "Não parece que será possível pagarmos os salários", disse.
Os bancos que operam na Argentina, alvos de constantes ataques, pediram trégua em anúncio no qual diziam não ter culpa pela atual crise. (pág. 1 e B1)
- A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), desautorizou publicamente seu secretário da Saúde, Eduardo Jorge, em entrevista coletiva para anunciar o dia de combate à dengue no município. Eles divergiram sobre a responsabilidade do Ministério da Saúde na epidemia.
Após a prefeita ter dito que o Governo federal não investiu em campanhas, Jorge afirmou: "O que a Marta falou é verdade, se a gente tivesse investido em comunicação pesada...". Foi interrompido pela prefeita: "A gente não! O Ministério da Saúde têm de investir".
Jorge disse que falava da situação no País. "Mas nós não somos Brasil. Se o Governo e o ministério tivessem investido como nós, não estaríamos nesta situação", reagiu ela. Até anteontem, o ministro da Saúde era José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência. (pág. 1 e C4)
- O provável candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, ameaçou desistir da disputa caso não possa contar com alianças partidárias.
O petista negocia o apoio do PL, criticado por alas do próprio PT. "Eu não estou disposto a perder uma quarta eleição. Se for para marcar posição (disputar sem chances de vitória), que saia outro companheiro qualquer", disse Lula durante palestra em São Paulo.
Para o pré-candidato, o partido já tem maturidade suficiente par saber se deve ou não fazer alianças. (pág. 1 e A4)
- O ex-presidente do Paraguai Raúl Cubas Grau retornou a seu país, onde se entregou às autoridades e foi preso, depois de três anos de exílio no Brasil.
Cubas Grau é acusado de envolvimento no assassinato de seu vice-presidente, Luis Maria Argaña, que deflagrou uma crise que levou à sua renúncia.
Félix Argaña, filho do morto, disse que a volta põe o Judiciário sob suspeita: "Por que voltou agora? Vamos ver se impera a impunidade". (pág. 1 e A11)
- (Bogotá) - Tropas colombianas iniciaram ofensiva terrestre para a retomada da área de 42 mil km² concedida há cerca de três anos à guerrilha Farc para o fracassado processo de paz.
Os guerrilheiros parecem ter fugido para as montanhas, e a principal cidade já foi tomada.
O Brasil enviou cem agentes da PF à região da fronteira para reforçar a vigilância. (pág. 1 e A10)
- O governo de Angola divulgou declaração segundo a qual militares do país mataram Jonas Savimbi, 67, líder da Unita (União Nacional para a Independência Total de Angola). O grupo, fundado em 1966 para combater a colonização portuguesa, luta, desde 75, contra o governo angolano.
Em Portugal, um porta-voz da Unita disse não ter condições de confirmar a informação. O governo promete exigir o corpo de Savimbi. (pág. 1 e A12)
Colunistas
PAINEL
Nos últimos cinco anos, o Governo FHC reduziu em 71,5% a verba destinada para a erradicação do Aedes aegypti do País. O programa de combate à dengue, doença que tornou-se uma dor de cabeça par José Serra, recebeu R$ 248,5 mi em 1997. Em 2001, foram R$ 70,9 mi.
Editorial
“RECESSÃO NOS EUA
As oscilações da economia norte-americana, durante o período de crescimento acelerado, eram freqüentemente interpretadas como indícios de que a recessão logo viria. Os prognósticos falharam inúmeras vezes, até que finalmente a recessão de fato ocorreu.
Agora, ocorre fenômeno análogo: os sinais são ambíguos e a cada safra de indicadores renovam-se as esperanças de que a recessão esteja próxima do fim. Mas os prognósticos, mais uma vez, têm sido seguidamente frustrados pela realidade.
O déficit comercial nos EUA, por exemplo, está sofrendo uma redução. Para os economistas, esse é um sinal de que de fato a maior economia do mundo começa a superar o período recessivo. (...) (pág. A2)
Topo da página
02/23/2002
Artigos Relacionados
Projeto que simplifica mercado de câmbio volta a tramitar
Pimentel nega retaliação à Argentina, mas admite que produtos do país serão monitorados ao entrarem no Brasil
Banco Central volta a intervir no mercado de câmbio para segurar a alta do dólar
Suassuna: encontro com Duhalde foi um sucesso
Duhalde defende uma maior integração no Mercosul
Duhalde critica 'anarquia' e quer voltar ao FMI