DUTRA INDAGA SOBRE CONSEQUÊNCIAS DA MORATÓRIA E DA DOLARIZAÇÃO
Depois de afirmar que tinha dois motivos para simpatizar com a indicação de Francisco Lopes para o cargo de diretor do Banco Central (pelo seu currículo e por ele não ter ligações com a iniciativa privada), o senador José Eduardo Dutra (PT-SE) indagou o que poderia ocorrer caso o país declarasse moratória ou dolarizasse sua economia. Mesmo votando contra a nomeação de Francisco Lopes para o cargo, José Eduardo Dutra elogiou quando Francisco Lopes concedeu sua primeira entrevista como diretor interino do BC, na qual disse que a equipe econômica tinha errado na sua política de manutenção do real.- Eu nunca tinha ouvido esta palavra na boca de nenhuma autoridade econômica, pelo menos nos últimos cinco anos. O ministro Pedro Malan, por exemplo, conjuga o verbo "errar" sem a primeira pessoa do singular nem a primeira pessoa do plural - ironizou José Eduardo Dutra. O senador por Sergipe informou que, segundo dados à sua disposição, a dívida de médio e longo prazo do setor privado saltou de US$ 37 bilhões, em 1995, para US$ 119 bilhões em novembro do ano passado. Dutra acrescentou que em apenas dez dias, com a desvalorização da moeda brasileira, estas dívidas cresceram, em reais, 40%. Diante destes dados, Dutra formulou a Francisco Lopes questões sobre o nível atual das reservas líquidas do Brasil e o volume de compromissos externos públicos e privados que vencem em 1999 e no ano 2000, entre juros, amortizações e outras obrigações.José Eduardo Dutra lembrou que há muito tempo autoridades e economistas, alguns até ligados ao governo, vinham criticando a política cambial adotada pelo Brasil e que o presidente Fernando Henrique Cardoso respondia a estas críticas classificando seus autores de "catastrofistas".- O receituário imposto ao Brasil pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) já vem dando errado em outros países. Muitos analistas, autoridades e políticos já vêm dizendo isso. Mas o governo insiste em não querer ouvir. Será que, a exemplo das críticas feitas à política cambial, estes que criticam o acordo com o FMI vão continuar sendo classificados no rol dos fracassomaníacos? - perguntou Dutra.LOPESRespondendo ao senador José Eduardo Dutra sobre o que seria melhor, a dolarização ou a moratória, Francisco Lopes disse que as duas soluções são ruins para o país. Ele classificou a moratória como uma opção que traria os efeitos econômicos piores. E disse que a dolarização, se não traz conseqüências econômicas tão terríveis, traz enormes prejuízos em termos políticos e em relação à nacionalidade.Sobre os números solicitados por Dutra sobre as reservas do país e os valores que serão pagos até o final do próximo ano, Francisco Lopes explicou que não dispunha daqueles dados em detalhes. Dizendo que não queria sonegar informações, ele adiantou que as reservas do Brasil hoje, incluindo recursos já liberados pelo FMI chegam a US$ 36 bilhões. Francisco Lopes acrescentou que as obrigações brasileiras previstas para os próximos 12 meses chegam a U$ 12 bilhões.
26/01/1999
Agência Senado
Artigos Relacionados
CAE realiza seminário sobre dolarização
Senado promove seminário sobre dolarização
SUPLICY APRESENTA CRONOGRAMA DE ESTUDOS SOBRE DOLARIZAÇÃO
Senadores cobram de Fraga posição brasileira sobre dolarização
Cabral pede a participação de senadores em seminário sobre dolarização
RELATOR INDAGA SOBRE OUTRAS IRREGULARIDADES NO TRT-SP