Efraim diz que celebração dos 18 meses de governo foi ato eleitoral



O senador Efraim Morais (PFL-PB) afirmou, nesta quarta-feira (7), que a  celebração dos 18 meses do governo Lula foi, na verdade, um ato eleitoral, uma jogada de marketing, que tentou a transformação da paralisia administrativa em encenação de eficiência gerencial. De acordo com o senador, o governo fez um apanhado de dados colhidos nos ministérios, alinhavando realizações administrativas corriqueiras e relacionando-as em um documento a ser distribuído aos candidatos do PT como peça de campanha.
- De toda aquela encenação, confesso não ter percebido uma diretriz clara, um projeto para o país – comentou. Efraim acrescentou que, no afã de mostrar o governo Lula como “o que não é – ou seja, como um governo de grandes realizações” -, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, incluiu no balanço dos 18 meses de governo matérias que ainda não haviam sido aprovadas pelo Congresso, como a nova Lei de Falências e as parcerias público-privadas (PPP). - Tal como ocorreu em outros balanços apresentados por este governo desde a posse, tentou-se afastar a imagem de paralisia administrativa. Mas ela é uma evidência. Prova disso é que o governo a nega a todo instante. Fossem as ações visíveis e seus resultados perceptíveis para a população e não haveria a necessidade desses desmentidos. Não haveria, sequer, a necessidade de investidas na mídia para apresentar balanços artificiais, como ocorreu na segunda-feira - observou. Efraim disse ainda que o ministro Dirceu incluiu, entre as ações do governo, algumas que não saíram do papel, como a Política Nacional de Saneamento Ambiental e o Programa Universidade para Todos, fazendo “um curioso balanço de fatos não ocorridos, um inédito balanço de intenções”. Ainda sobre a celebração dos 18 meses de governo, o parlamentar afirmou que “o núcleo duro do governo pode até pensar que está enganando a sociedade com esse tipo de iniciativa, mas, se estiver mesmo acreditando em tudo o que disse e nos simbolismos de unidade e de força política que tentou transmitir ontem, o enganado é o próprio governo e o resultado será mais desarticulação, mais intrigas e menos realizações”.

Segundo o senador, os fatos não sustentam a afirmação do ministro Dirceu, durante o evento, de que “este governo não rouba e não deixa roubar”. O governo, disse Efraim, não fez nada para punir o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, “pilhado em flagrante de extorsão para prover fundos de campanha para candidatos do PT", e impediu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o fato. Para Efraim, que foi aparteado pelo senador José Jorge (PFL-PE), ao menos nesse episódio, o governo, se não deixou roubar, deixou que o roubo ficasse impune.



07/07/2004

Agência Senado


Artigos Relacionados


Justiça Eleitoral tem condições de realizar plebiscito em seis meses, diz presidente do TSE

Passa na CCJ projeto que obriga filiação partidária e domicílio eleitoral pelo menos 30 meses antes das eleições

Projeto obriga filiação partidária e definição de domicílio eleitoral pelo menos 30 meses antes das eleições

Para Efraim Morais, cem dias do novo governo restabeleceram fundamentos do governo anterior

Efraim questiona intenções do governo

Efraim não acredita em promessa do governo