Eleitor mostra boa informação









Eleitor mostra boa informação
Especialista surpreende-se com conhecimento da vida política pelos eleitores, mas acha que maioria ignora realidade parlamentar

Os dados da pesquisa Vox Populi/Correio que relacionam a opinião do eleitor com os assuntos políticos impressionaram especialistas na área. Para o cientista político Válder de Góes, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep), a percepção demonstrada pelos entrevistados de que Serra reúne as melhores condições para obter maioria no Congresso é ‘‘um dado realista’’. Para Válder, porém, o realismo do eleitorado não é o mesmo quando avalia que essa capacidade é pouco importante.

‘‘Ao indicar Serra como aquele que pode ter melhores relações com o Congresso, o eleitor demonstra estar bem informado sobre o jogo político. De fato, ele é o candidato que reúne em torno de si a melhor constelação de líderes políticos’’, avalia Válder de Góes. ‘‘Mas atribuir apenas 1% de importância à capacidade de obter maioria parlamentar é ignorar que esse é o primeiro mandamento da governabilidade’’, completa. Válder observa que os projetos políticos mais voluntariosos, que ignoravam a necessidade de relação entre os Poderes Executivo e Legislativo, fracassaram no Brasil. Os casos mais notórios são os ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor.

Para Válder, porém, influi nessa opinião do eleitor a impressão de que o presidente Fernando Henrique Cardoso, na busca por obter maioria, abriu mão de imprimir personalidade própria ao seu governo. ‘‘O grande jogo de conciliação política do atual governo prejudicou a visão de que a boa relação política é importante’’, observa Válder de Góes.

Para o cientista político Murilo de Aragão, da Arko Advice e do site Brasil em Tempo Real, o eleitorado tem uma visão ‘‘errada e distorcida’’ da importância da relação política com o Congresso. ‘‘O eleitorado, em geral, tem uma imagem péssima do Congresso. E, erroneamente, acha que o presidente da República é um super-homem. Apenas agora, com 15 anos de democracia, há um início de percepção de que existem três Poderes que precisam conviver. Essa imagem errada só será corrigida com o exercício da democracia’’, observa.

Peso governista
A imagem de que Serra é o candidato com melhores condições de garantir governabilidade na sua relação com o Congresso é correta, para Aragão, porque o eleitor o identifica com o atual centro de poder do país. Isso, no entanto, também traz prejuízos. É por essa mesma razão que o eleitor desconfia da capacidade de Serra combater a corrupção. ‘‘Ainda que ele, pessoalmente, pareça imune a essa questão, ele é contaminado pela relação com o poder’’, analisa Murilo de Aragão.

‘‘Tanto quanto Lula ou Ciro, a história de Serra também não é marcada por denúncias de corrupção. Mas o eleitor sabe que a corrupção se dá no governo’’, completa Válder. O dado mais importante, nesse caso, para o cientista político, favorece Lula. ‘‘As pesquisas de intenção de voto já mostravam que ele não caiu pelas denúncias de corrupção na prefeitura de Santo André. Agora, fica corroborado esse fato’’, conclui Válder. Para Murilo, porém, não é tão simples. ‘‘Essas denúncias já produziram efeito na população mais informada’’, acredita.


O poder não interessa
Identificado pelos eleitores como o candidato com melhor relação com o Congresso, Serra não consegue transformar essa qualidade em votos

Os analistas políticos não têm dúvida de que o ex-presidente Fernando Collor, se tivesse maior apoio político no Congresso, dificilmente acabaria deposto em um processo de impeachment.

Em seu primeiro governo, o presidente Fernando Henrique Cardoso fez várias alterações no capítulo econômico da Constituição com facilidade porque a sua base parlamentar já ultrapassava o mínimo necessário de 60% do Congresso para aprovar as emendas.

As ‘‘forças terríveis’’ que levaram o ex-presidente Jânio Quadros a renunciar nada mais eram do que falta de respaldo político para governar. São três exemplos das vantagens que o apoio político pode trazer a um presidente da República, e das desvantagens possíveis no caso contrário.

A pesquisa Vox Populi/Correio, porém, demonstra que o eleitor dá pouquíssima importância a isso. Pior para o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra. Entre os nomes que disputam a sucessão de Fernando Henrique Cardoso, é Serra o que os eleitores mais identificam com a capacidade de obter maioria no Congresso e conquistar poder político.

‘‘Serra é o candidato do governo. Ele desfruta das vantagens e padece das desvantagens que decorrem dessa situação’’, avalia o presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra. Assim, se na corrida sucessória Serra é o representante de quem está no poder, é natural que ele seja, para o eleitor, o mais poderoso. Essa é a opinião de 60% dos entrevistados. Ciro Gomes, do PPS, é poderoso na avaliação de 54%. Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, na de 45%. E Anthony Garotinho, do PSB, é visto como poderoso para 39%. Apenas 27% dos ouvidos pelo Vox Populi acham que Serra não tem essa qualidade. Isso lhe garante o maior saldo (a diferença entre aqueles que acham que o candidato possui tal característica e aqueles que não pensam assim): 33%. O saldo de Ciro Gomes é de 25%. O de Lula é mínimo: 4%. O de Garotinho, negativo: a maior parte acha que o candidato do PSB não tem poder. Seu saldo é de menos 7%.

Na pesquisa feita pelo Vox Populi com exclusividade para o Correio foram apresentadas aos entrevistados duas listas. A primeira continha 18 qualidades necessárias a um presidente da República. As pessoas escolhiam daquela lista três que julgassem mais importantes.

O problema de Serra é que ninguém julgou importante que o próximo presidente fosse poderoso. Da mesma forma, foi apresentada uma lista com 13 problemas que serão enfrentados pelo próximo governo. Os eleitores votaram nos três que julgavam mais graves. Conseguir apoio no Congresso foi considerado um problema grave apenas para 1% dos entrevistados. Sério mesmo é tratar da saúde pública, resolver o desemprego e combater a violência urbana.

Melhor em saúde
E é justamente na relação com o Congresso que Serra dá um banho na concorrência. Ele é o mais capaz e empenhado em obter apoio na opinião de 71% dos entrevistados. Ciro aparece com 64%. Lula e Garotinho têm 47% e 45%, respectivamente. O desempenho de Serra só é melhor na visão que os eleitores têm quanto à capacidade e o interesse em lidar com saúde pública. No caso, ele obteve 74% (a discussão dos temas sociais abordados na pesquisa será assunto da reportagem de amanhã). ‘‘Dos partidos que apóiam oficialmente um candidato à Presidência, Serra tem na sua coligação os dois maiores. Então, em termos de maioria parlamentar, ele sai com vantagem mesmo’’, aponta Marcos Coimbra.

A carreira política de Lula iniciou-se no comando de imensas greves de metalúrgicos na região do ABC paulista no final da década de 70 e início dos anos 80. Isso talvez explique o fato de boa parte das pessoas desconfiarem que ele terá dificuldades em lidar com greves e grevistas caso venha a ser o presidente. A maior parte ainda demonstra confiança nele nesse ponto: 44%. Mas um percentual praticamente igual duvida: 43%. Saldo, portanto, de apenas 1%. Aqui, porém, a vantagem não é de Serra, com saldo de apenas 2%.

Ciro tem desempenho bem melhor. Para 49%, ele terá capacidade e empenho para lidar com greves. Duvidam disso 34%. Um saldo, portanto, de 15%. Garotinho novamente vai mal. Na opinião de 49%, ele será incapaz de cuidar do problema, contra 35% que depositam confiança nele. Um saldo negativo, portanto, de 14%.

DIÁLOGO NORTE-SUL
O comissário de comércio da União Européia, Pascal Lamy, disse ontem aos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB) que a política agrícola do bloco econômico que representa está mudando progressivamente para um modelo ‘‘mais aberto’’, em que a redução de subsídios dará mais mercado para produtos importados. Lamy participa hoje de reunião Mercosul-União Européia no Itamaraty. Ele afirmou que considera o Mercosul é parte da solução, e não um problema, para a situação econômica dos países do Cone Sul. Sobre os candidatos, evitou uma análise aprofundada: ‘‘É claro que há diferenças entre a posição dos dois candidatos, mas não vou contar porque não devo interferir no processo eleitoral do Brasil’’. Lamy disse, porém, que as diferenças são mais de método do que de substância, já que os dois defendem o Mercosul. Por problemas de agenda, nâo houve encontros com Garotinho e Ciro.


Conversa com o FMI
Apesar das negativas oficiais, mercado mantém expectativa de negociação de novo empréstimo ao Brasil. Vice-diretora do Fundo Monetário encontra-se hoje com FHC

A vice-diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, reuniu-se ontem durante mais de uma hora com o presidente do Banco Central Arminio Fraga, na sede do banco no Rio de Janeiro. Também esteve com o presidente do Dresdner Bank no Brasil, Winston Fritsch. Armínio e Fritsch recusaram-se, porém, a dizer o que conversaram com Krueger. O presidente do Dresdner afirmou, por intermédio da assessoria de imprensa, que ‘‘não se sente confortável’’ para comentar o encontro com a representante do FMI.

As únicas palavras dirigidas a Krueger de que não se fez segredo partiram dos manifestantes do PSTU. Cinco militantes do partido receberam a segunda funcionária mais importante da hierarquia do FMI na porta do BC com bandeiras vermelhas, aos gritos de ‘‘fora, fora já daqui, o FHC e o FMI’’ e ‘‘fora Alca’’, em referência à Área de Livre Comércio das Américas, em fase de negociação com os Estados Unidos.

Visitas de representantes do FMI têm, em geral, caráter técnico. Eles limitam-se a colher informações, que são mais tarde analisadas na sede do fundo, em Washington, e servem para a negociação de acordos. Desta vez, porém, a vice-diretora-gerente está em visita informal ao país. Na quinta e na sexta-feira participará em São Paulo de um congresso sobre econometria.

Hoje de manhã ela viaja do Rio para Brasília e almoça com o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Em seguida, às 15h45, reúne-se com o ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral. Às 17 horas,
encontra-se com o presidente Fernando Henrique Cardoso.

A expectativa do mercado, negada pelo FMI, é que Krueger esteja negociando um novo acordo de financiamento para o governo brasileiro, mais generoso do que o acordo em vigor até o final deste ano. Na quinta-feira passada o dólar chegou a cair por conta dessa expectativa. Essa idéia é reforçada pelo fato de que, na próxima semana, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Paul O‘Neill, deverá se encontrar em São Paulo com Malan. Os Estados Unidos são o principal acionista do FMI e sua posição tem maior peso nas decisões do fundo.

Para o diretor do Banco Itaú e ex-diretor do Banco Central Sérgio Werlang, o FMI e o governo ‘‘estão deixando tudo engatilhado para, assim que sair o resultado da eleição presidencial, assinar alguma coisa’’. Werlang afirmou que, embora certamente a vice-diretora-gerente do (FMI), Anne Krueger, tenha vindo oficialmente ao Brasil para participar do congresso de econometria em São Paulo, o fato de ela ter agendado outros encontros com autoridades, além da reunião com o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, indica que ela pode estar aproveitando a viagem para negociar um futuro acordo.

A opinião é contrária à do ex-presidente do BC e consultor Affonso Celso Pastore, para quem Krueger veio apenas para participar do congresso a visita a Fraga é protocolar. ‘‘Não acredito que ela esteja vindo aqui para negociar um acordo com o Arminio Fraga. Tenho a impressão de que esse acordo vai ser fechado, se for fechado, no próximo governo’’, disse Pastore.

Segundo Werlang, seria bom se os candidatos dessem uma declaração de que aceitam, pelo menos em linhas gerais, um acordo com o Fundo, ‘‘caso eles concordem’’. Ele afirmou também que o fato de o aumento do custo dos títulos brasileiros ter sido desproporcional em relação ao aumento sofrido pela dívida de vários países, mostra que o ‘‘problema externo generalizado é muito pequeno em relação ao problema interno criado no Brasil’’.

Segundo Werlang, o problema básico é fiscal e a chave para uma política econômica é um ajuste grande, com superávit primário da ordem de 6% do Produto Interno Bruto (PIB). Pastore não quis arriscar dizer qual seria o superávit primário suficiente para estabilizar a dívida pública em relação ao PIB. Afirmou, porém, que considera o atual nível, de 3,75%, insuficiente.


PT lança hoje seu programa de governo
A decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de vetar na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) uma reserva de recursos de R$ 5 bilhões dificultará a possibilidade de realização da promessa de buscar um salário mínimo de US$ 100, caso o vencedor da eleição presidencial seja o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta de aumento do salário mínimo está no Programa de Governo do PT, que Lula divulgará hoje em Brasília. O programa tem forte cunho social, com políticas de inclusão da população abaixo da linha de pobreza e ações voltadas para os trabalhadores e para a geração de empregos.

O lançamento do programa de governo será o primeiro grande ato da campanha de Lula no Distrito Federal. O candidato petista chegará ao Aeroporto de Brasília às 12h30. Uma carreata irá acompanhá-lo até a Câmara dos Deputados. No Auditório Nereu Ramos, da Câmara, Lula apresentará suas propostas para governar o país.

O programa tem 88 páginas e está dividido em quatro partes: Crescimento, emprego e inclusão social; Desenvolvimento, distribuição de renda e estabilidade; Inclusão social, e Infraestrutura e desenvolvimento sustentável. O PT proporá uma transição da atual política econômica, presa ao que o partido chama de ‘‘âncora fiscal’’, para uma situação de maior crescimento e de menor dependência do sistema financeiro internacional. O PT propõe a retomada de taxas de crescimento de 7% ao ano. Atualmente, o país cresce à ordem de 2,5% ao ano. Para o partido, a âncora fiscal — o sistema que combina alta tributação e altas taxas de juros — atrapalha o crescimento, mas terá de ser superada de forma gradativa.

Para a política de emprego, o PT propõe a criação de 10 milhões de novos empregos. Não há ainda detalhes sobre como isso ocorrerá, mas o partido propõe a divulgação hoje de uma cartilha específica sobre a questão trabalhista. Promete também a redução da atual jornada de trabalho, das atuais 44 horas semanais para 40 horas semanais (oito horas por dia, de segunda a sexta).

O PT pretende retomar o Programa do Álcool (Proalcool), criado nos anos 80 para superar a crise do petróleo. Para o partido, o domínio de uma tecnologia própria para um combustível que não depende de importação e que não está sujeito ao risco de se esgotar na natureza é fundamental para a diminuição da dependência externa.

O partido propõe ainda uma política de desenvolvimento regional, a partir da recriação da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) e Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), agências que o governo extinguiu quando surgiram denúncias de corrupção.

O PT insistirá na reação da entrada do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Teme prejuízos para o país se aceitar entrar no mercado livre com os países da América do Norte e os Estados Unidos mantiverem suas políticas protecionistas. Para se contrapor à Alca, propõe a revitalização do Mercosul e uma aproximação maior com os países da América Latina e com as economias em crescimento, como a Índia.

Os projetos petistas que deram resultado, como a bolsa-escola, estão previstos e a promessa é ampliá-los com com relação ao que faz hoje o governo. O detalhamento maior do programa será conhecido hoje.


Apoio do PFL divide PPS
Partido de Ciro Gomes não se entende sobre a adesão do PFL. Grupo liderado por Carlos Alberto Torres rejeita idéia. O de Augusto Carvalho considera normal. O pefelista Paulo Octávio confirma reunião que decidirá o futuro das legendas

A possível adesão do PFL do Distrito Federal à campanha de Ciro Gomes dividiu o PPS. Um dia depois de o candidato do partido ao GDF, Carlos Alberto Torres, descartar a presença de pefelistas no palanque do presidenciável em Brasília, dirigentes do PPS amenizaram o discurso do colega e marcaram para amanhã reunião em que pretendem tomar uma posição oficial sobre o eventual apoio do
PFL.

No domingo, em Taguatinga, Carlos Alberto condenou a tentativa de aproximação do PFL e avisou que só aceitaria dividir o palanque de Ciro se os pefelistas retirassem o apoio à candidatura do governador Joaquim Roriz (PMDB) à reeleição. ‘‘Não há legitimidade ideológica nisso. É puro jogo de interesses’’, disparou.

A posição do candidato ao Buriti, porém, surpreendeu colegas de partido.‘‘É uma surpresa para mim. Respeito a posição do nosso candidato, mas não vejo nenhum problema em um eventual apoio eleitoral do PFL a Ciro em Brasília’’, reagiu o ex-deputado federal Augusto Carvalho, vice-presidente do PPS. ‘‘Vamos tentar afinar o discurso na reunião de quarta-feira (amanhã)’’, avisou.

A aproximação do PFL de Brasília com Ciro Gomes começou na semana passada. O presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), pediu ao deputado federal Paulo Octávio que a legenda siga o movimento de outros diretórios regionais do PFL e apóie a candidatura de Ciro.

Embora os dois principais aliados do PFL no DF — PMDB e PSDB — façam campanha para José Serra (PSDB), Octávio informou a Bornhausen que muitos integrantes do partido têm simpatia pela candidatura de Ciro. E marcou para quinta-feira reunião da executiva regional para decidir se haverá adesão à campanha do ex-ministro da Fazenda.

Para Augusto Carvalho, o eventual apoio do PFL em Brasília é importante para fortalecer a campanha de Ciro. ‘‘Não podemos prescindir de nenhum apoio. O PFL está coligado com Roriz, mas não devemos misturar a disputa local com a nacional’’, defendeu. O presidente regional do PPS, Amauri Pessoa, admitiu que não há consenso no partido sobre o apoio do PFL. ‘‘O ideal seria que o PFL apoiasse também o candidato do PPS ao governo. Mas, lamentavelmente, a verticalização das alianças permite esses palanques híbridos’’, disse.

Carlos Alberto manteve a posição e espera que na reunião de amanhã o partido confirme a condição de só aceitar dividir palanque se o PFL romper com Roriz. ‘‘O palanque de Ciro em Brasília é formado por PPS e PDT. Não há espaço para promiscuidade’’, alfinetou.

Reunião
A resistência de parte do PPS não é única dificuldade do PFL para participar da campanha de Ciro. Na semana passada, o PSDB avisou que deixará de fazer campanha para Paulo Octávio, candidato ao Senado, se os pefelistas debandarem do palanque de Serra.

Apesar dos problemas, Octávio confirmou para quinta-feira reunião da executiva regional do PFL para decidir o assunto. Diante das dificuldades, ele admitiu que a direção do partido pode liberar os filiados para apoiar os candidatos a presidente que quiserem. ‘‘O PFL não fez coligação para a campanha presidencial e pode escolher o candidato que quiser para apoiar’’, afirmou.

O parlamentar ironizou a resistência de parte do PPS à possibilidade de adesão do PFL de Brasília à campanha de Ciro. ‘‘Nós estamos sendo convidados pelo Ciro para somar esforços em Brasília. Se há resistências, esse é um problema que deve ser resolvido entre a direção regional e a nacional do PPS’’, concluiu.


Como seduzir o eleitor
Começou a campanha eleitoral. Por toda cidade, cartazes, faixas e santinhos divulgam os nomes dos candidatos interessados em uma vaga no governo. Em meio às mesmas propagandas, é preciso abusar da criatividade para conseguir chamar a atenção do eleitor. Cientes disso, os candidatos investem em produtos irreverentes na tentativa de se diferenciar dos adversários. Surgem chaveiros luminosos, cartões magnéticos, plantas, cofres e até camisinhas. E haja inovação para bater a concorrência.

As idéias originais começam com santinhos high-tech, como o do ex-senador José Roberto Arruda (PFL), candidato a uma vaga de deputado federal. Arruda abriu mão de instrumentos tradicionais de campanha, como camisetas e bonés. E guardou, literalmente, uma carta na manga. Mantém no bolso santinhos feitos em forma de um cartão magnético de banco. Os cartões levam a foto, o nome e o número do candidato, além de telefones úteis ao cidadão como o do Corpo de Bombeiros, do Procon, da Polícia.

De tão especiais — foram feitos 10 mil deles — só o próprio Arruda o distribui. Mesmo assim, depois de uma bate-papo inicial com o potencial eleitor. ‘‘É um trabalho exclusivo, bastante pessoal’’, diz o candidato. Ele traz para o Distrito Federal um produto conhecido por enquanto apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo. A prefeita Marta Suplicy (PT) foi uma das que aderiram ao cartão na eleição passada.

Outra abordagem criativa adotada pelo ex-senador é o Disque-Arruda, usado já em outras eleições. Pelo telefone, as pessoas podem dar sugestões para a eleição e para o mandato, prestar solidariedade, desfazer dúvidas e mesmo reclamar. O número 0800-6002525 funciona das 8h às 18h, de segunda à sexta, e das 8h30 às 12h30 aos sábados. Segundo a assessoria do candidato, em apenas três dias de funcionamento, Arruda já recebeu cerca de 400 ligações.

O ex-governador Cristovam Buarque, candidato ao Senado pelo PT,
também trouxe novidades para a campanha. Nos comícios e eventos, os eleitores recebem um chaveiro vermelho, com a caricatura de Cristovam. O brinde tem uma utilidade a mais: luminoso, pode ser usado pelos pedestres como sinalizador na hora de atravessar a faixa.

Mais surpresas
‘‘Temos de sair da mesmice das campanhas. As propagandas precisam ser mais criativas’’, reconhece Cristovam. A idéia do chaveirinho é direcionada principalmente para as crianças. ‘‘Porque serei um senador preocupado com o futuro delas’’, justifica. O ex-governador promete mais surpresas ao longo da campanha.

As crianças também são o alvo dos brindes do deputado distrital Alírio Neto, candidato a reeleição pelo PPS. Para se diferenciar da concorrência, o parlamentar optou por distribuir ikebanas (pequenos arranjos com flores miniaturas) e cofrinhos de papelão em forma de casinhas. As ikebanas foram usadas na campanha anterior do deputado. São distribuídas nos estacionamentos e nas ruas, para serem penduradas no retrovisor do carro.

Já os cofrinhos são a novidade deste ano. Foram confeccionados cinco mil para serem entregues aos eleitores. A garotada são os mais interessados. ‘‘A casinha pode funcionar como brinquedo ou como cofre. O dono escolhe’’, brinca Alírio. O deputado diz que os brindes diferentes são uma saída para quebrar o gelo ao se aproximar das pessoas. ‘‘É uma abordagem mais descontraída para os eleitores


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