Em Minas, FHC e Itamar selam paz e trocam elogios
Em Minas, FHC e Itamar selam paz e trocam elogios
Pessoas estendem faixas de protestos no Palácio da Liberdade
O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), pretendem encerrar seus mandatos com a imagem de dois amigos e políticos que souberam dar a volta por cima para apagar arestas passadas.
Foi com esse intuito que ocorreu o encontro entre eles na manhã de ontem, em Belo Horizonte, quando FHC e Itamar selaram de vez a paz, agindo como se não tivessem vivido às turras em pouco mais de três anos, apesar de um protesto em frente à sede do Executivo mineiro tentar manter tudo isso bem vivo.
Foram rasgados elogios de um ao outro e declarações enaltecendo o "espírito democrático" do encontro, conforme ressaltou o presidente, realizado no "símbolo da grandeza do espírito de Minas Gerais", segundo o governador, que é o Palácio da Liberdade.
O mesmo palácio onde Itamar ordenou como ato simbólico, no segundo mandato de FHC, que fosse cercado e protegido pela PM mineira de uma ação militar que ele imaginou que o presidente implementaria para desestabilizá-lo.
Essa reconciliação vai gerar cerca de R$ 1 bilhão ao Estado, que está em crise financeira, já que FHC assinou decreto autorizando que seja feito um encontro de contas entre o Estado e a União.
FHC definiu isso: "É a busca de um mecanismo que permite que a sua gestão [Itamar] seja coroada, como deve ser".
Mas o presidente disse que sua ida a Minas não era por este motivo. "Minas é a terra do encontro democrático", disse, completando mais tarde: "De minha parte, vocês nunca viram nenhum gesto que não fosse de tentativa de entender a situação, relevar aquilo que eventualmente tivesse que relevar. Não sou pessoa de estar com coisas pequenas".
No seu discurso, Itamar lembrou de FHC como seu ministro da Fazenda que se "empenhou" para acabar com a inflação e apagou a idéia, como afirmara nos últimos anos, de que a gestão FHC é a responsável pelas mazelas da economia brasileira.
Culpou o mercado pela instabilidade e turbulência. Falou da "ação inescrupulosa de especuladores". Disse Itamar: "Minas não faltará ao Brasil neste momento, como nunca faltou no passado. Acima das divergências partidárias, trabalharemos para construir a unidade nacional".
Em entrevista, o presidente disse que a ajuda financeira a Minas não é uma questão política e nem sequer eleitoral. Disse ser uma questão de justiça: "Nesta reta final de governo, tudo que for justo o governo federal fará".
Explicou que tratam-se de demandas antigas, que vinham sendo feitas ainda na gestão do antecessor de Itamar e aliado de FHC, Eduardo Azeredo (PSDB), rival do atual governador. E disse que faz isso também com outros Estados, citando AM, RJ, GO e ES.
Em frente ao Palácio da Liberdade, onde a guarda de honra e banda de música da PM esperavam o presidente, cerca de 40 pessoas estendiam faixas de protesto: "Itamar, FHC e Aecinho: tudo por dinheiro"; "Aécio, Itamar e FHC: Minas não é um balcão de negócio"; "PSDB nunca mais" e "Itamar, o Judas mineiro" eram algumas das 16 faixas.
Os manifestantes disseram pertencer a um "movimento popular", mas não o identificaram. Coincidência ou não, o vice-governador de Minas, Newton Cardoso, candidato ao governo, tem feito duras críticas a Itamar acerca da sua reconciliação com FHC e também ao PSDB. Sua assessoria negou participação no protesto.
Na pesquisa espontânea, Lula tem 38%, e Serra, 15%
Resultado se refere a eleitores que têm telefone em casa; Garotinho e Ciro ficam com 10%
O candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 38% das intenções de voto -espontâneas- para presidente da República entre eleitores que têm telefone fixo em casa; José Serra (PSDB), 15%; Anthony Garotinho (PSB), 10%; e Ciro Gomes (PPS), 10% também.
Esse resultado faz parte do rastreamento eleitoral do Datafolha, a série de pesquisas feitas por telefone desde o início do horário eleitoral na TV, e tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Na pesquisa espontânea, o entrevistador não diz os candidatos que estão em disputa, com o objetivo de medir quais nomes estão na cabeça do eleitor. Por isso, a taxa dos que não sabem em quem votar é sempre maior do que na pesquisa estimulada -que é a pergunta seguinte no questionário e na qual o pesquisador lê os nomes dos candidatos.
Ontem, a Folha publicou a parte dos resultados do rastreamento referente à pesquisa estimulada.
Na "média móvel" dos dois últimos levantamentos, 24% dos entrevistados na pesquisa espontânea não souberam dizer em quem votar. Na estimulada, o índice de "não sabe" foi de 5%.
Por isso, na estimulada, os candidatos obtém taxas maiores: Lula, 42%, Serra, 21%, Garotinho, 14%, e Ciro, 13%.
Segundo analistas, o levantamento espontâneo mede uma intenção mais consolidada de voto. No caso de Lula, nas últimas seis rodadas, sua taxa espontânea vem se aproximando da estimulada a diferença agora é de quatro pontos (42% a 38%). No caso de Serra, a diferença vem se mantendo em cerca de seis pontos.
Para Lula, Armínio não dá conta do recado
Questionado sobre o responsável pelo "terrorismo econômico" que teria elevado o dólar, petista diz que, se soubesse, mandava prender
Ontem, horas depois de o dólar raspar na casa dos R$ 4, o presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que, num eventual governo seu, vai substituir Armínio Fraga porque o atual presidente do Banco Central "não está dando conta do recado".
A declaração foi feita para uma platéia formada por 86 correspondentes de veículos de comunicação estrangeiros, que realizaram entrevista coletiva com Lula num hotel paulistano.
"É muito desagradável ficar falando de pessoas. Não tenho nada de pessoal contra o Armínio Fraga. Todas as vezes que o vi na televisão, achei que era um técnico competente, que tratava os números bem. Mas o dado concreto é que ele também não está dando conta do recado", disse Lula, ao ser questionado se havia chance de Armínio ser mantido no cargo.
O petista disse que, em caso de vitória, não irá "indicar ministro por pressão de mercado, mas em função das necessidades que o PT vê para os interesses do Brasil".
De acordo com Lula, o sucessor de Armínio deve ser "alguém que conheça as sutilezas do mercado, mas que também conheça a sutileza da fome, do desemprego. Se conhecer os dois lados, o coração do presidente do Banco Central vai balançar toda vez que ele tiver de tomar uma decisão".
O presidenciável petista criticou os especuladores e considerou reducionista a definição que a mídia faz do mercado.
"Eu sou mercado. Ou não sou? Ninguém me ouve para nada. O José Alencar [seu candidato a vice] é mercado. Ou a empresa dele não faz parte desse mercado? Ele não é ouvido. Quando falam de mercado, vocês falam de uma Bolsa de Valores de São Paulo que tem apenas 400 empresas movimentando recursos e de alguns bancos que querem sugar dinheiro de uma única vez", afirmou.
"Vamos falar do mercado financeiro mas também do produtivo, dos consumidores, para poder se ter uma noção maior desse famoso mercado, que alguns tratam como Deus. O dia em que plantar tomate for mais rentável que comprar títulos do governo, esse mercado de que vocês falam terá menos poder."
Questionado sobre quem era o responsável pelo "terrorismo econômico" que teria levado o dólar ao patamar atual, Lula disse: "Se eu soubesse, mandava prender".
O petista minimizou a responsabilidade do governo FHC na desvalorização do real, atribuindo a crise a "fatores externos" e, ao atacar os especuladores, elogiou o presidente. "A insensatez desses especuladores não te m limite. Vi um discurso do FHC que eu assinaria embaixo, sobre a falta de responsabilidade de alguns no trato de questões tão sérias."
Mas, questionado se um governo seu daria o calote na dívida externa, parou com os afagos. "A única possibilidade que o Brasil tem de ter um calote é continuar esta política econômica. Não seria nem calote, seria a falência."
Lula citou a carta divulgada em junho pelo PT na qual o partido promete honrar dívidas.
O candidato disse que o atual governo não acalma a turbulência no mercado por estar na reta final. "Ninguém aposta muito em quem está saindo. Prefere governar com os que estão entrando."
Alca e Mercosul
Crítico da posição dos EUA na Alca, Lula usou o país como exemplo ao defender uma política mais agressiva de comércio exterior ("eles são intransigentes na defesa dos seus interesses") e disse que seu governo estreitaria as relações com o daquele país.
Ao enfatizar a necessidade de investimentos no setor produtivo, atacou a gestão FHC. "Você não verá um governo chorando na TV, reclamando dos EUA, da França, da Inglaterra e se colocando como coitadinho."
Lula defendeu ainda a ampliação do Mercosul. Foi a segunda entrevista do candidato à imprensa estrangeira na campanha.
O Tribunal Superior Eleitoral deu ontem à noite ao petista direito de resposta de 1 minuto no horário eleitoral gratuito de José Serra (PSDB) devido à propaganda tucana que comenta a exigência de diploma de curso superior para concurso de fiscal de rua realizado pela Prefeitura de São Paulo.
Lula afirma que equipe econômica pode esperar
Na primeira referência à formação de sua eventual equipe econômica, o presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ontem um recado ao mercado, que cobra dele definição rápida sobre nomes para o Ministério da Fazenda e o Banco Central. "Estão querendo apressar: "Quem vai ser o presidente do BC?" Não interessa, é um problema meu. "Quem vai ser o ministro da Fazenda?" Não interessa, deixa eu ganhar a eleição primeiro. Como é que eles querem que eu fique formando equipe se eu nem ganhei o jogo?", afirmou, em discurso para cerca de 10 mil pessoas em Florianópolis.
Afirmou que pretende formar seu ministério, se eleito, "ouvindo os aliados". No discurso de cerca de 30 minutos, Lula fez um "mea culpa" sobre erros cometidos em campanhas passadas.
"Possivelmente eu tenha me equivocado ao dizer determinadas coisas em outras campanhas. Quem sabe as nossas derrotas tenham sido para a gente ficar mais experimentado, mais calejado, mais ousado e mais preparado para governar o nosso país?"
Disse que o PT poderia ter decepcionado seu eleitorado em 1989 se tivesse vencido a eleição. "Eu fico pensando: em 89, nós éramos tão jovens, o PT era tão novo, tinha apenas nove anos de idade. Será que, se tivéssemos ganho, o PT teria a estrutura e a sabedoria que tem hoje para fazer as reformas?", afirmou, ressalvando que "obviamente o governo seria melhor que o de Collor".
Ao falar sobre a crítica de que não poderia ser presidente por não ter diploma, Lula comparou-se ao escritor Machado de Assis. "Um metalúrgico vai poder provar, como Machado de Assis, que nunca teve diploma universitário e fundou a Academia Brasileira de Letras, que pode mudar a história desse país." À noite, em comício em Porto Alegre, o petista afirmou que o doutorado que conseguiu foram as três derrotas que sofreu nas eleições de 89, 94 e 98.
Petistas fazem elogios e críticas a Cuba
Preocupado com a imagem externa de seu candidato à Presidência, o PT tentou ontem minimizar a importância das relações de Luiz Inácio Lula da Silva com o ditador cubano Fidel Castro e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Coube ao presidente do PT, José Dirceu, a defesa mais clara de Cuba, onde morou entre 1968 e 1971, após ter sido banido do Brasil pelo regime militar.
"Evidentemente, nós não cuspimos no prato em que comemos. Eu sou solidário ao povo cubano e defendo a autodeterminação de Cuba, como o PT defende, e o fim das medidas que têm sido adotadas contra a economia de Cuba, como nos próprios EUA hoje uma parcela importante da opinião pública defende", declarou, em entrevista a 80 correspondentes estrangeiros.
Lula disse que há "preconceito" entre aqueles que criticam as relações que mantém com Cuba e Venezuela. "Não temos de estar preocupados com que os outros pensam das nossas relações. Cada país tem de estabelecer sua estratégia de política de comércio exterior e fazer com a maior lisura possível e com a maior publicidade possível. Não temos o que esconder nas nossas relações internacionais", afirmou Lula.
Quando um repórter perguntou que experiência de Cuba poderia trazer para o Brasil, o petista respondeu: "Nós também queremos saber", disse, provocando risos entre os jornalistas presentes.
Lula elogia e mantém relações pessoais com Chávez, a quem visitou em dezembro do ano passado, e Fidel, com quem se encontrou em Cuba em novembro de 2001. Mas não quer associar seu projeto político ao deles, tentando demonstrar que tem relação semelhante com líderes de outros países. "Não temos preferência nas relações internacionais. Queremos manter relações com todos os países do mundo. As mais diplomáticas possíveis. Vale para Cuba, Venezuela, França, El Salvador, Chile, Peru, Guatemala. Vamos fazer alianças pensando nos interesses do Brasil e na democratização do mundo", disse.
Coube a Dirceu apontar divergências com o regime cubano.
"[Cuba tem] uma estrutura política que não é a que nós defendemos. Não é a que o PT construiu aqui no Brasil. Temos posição clara sobre isso. O Lula tem, nós todos temos. Nascemos lutando pela liberdade sindical, pelo direito de greve, pela liberdade de organização partidária, pelas eleições diretas, pela liberdade de imprensa e continuamos com a mesma opinião. Agora cada povo tem que resolver seus problemas de maneira democrática."
Instado por um jornalista, Dirceu comentou o período em que viveu em Cuba. "Não tenho vergonha dos anos em que vivi lá. Pelo contrário. Tenho boas lembranças. Obtive a solidariedade e o apoio do povo cubano."
O PT mudou sua forma de defesa de Cuba. Em 1984, aprovou documento em que pregava prioridade na relação com o país. Já em manifesto de 1991 o partido defendia "reformas democráticas" naquele país.
Na sua viagem a Cuba em 2000, Lula disse que Fidel era um "exemplo de ética". No ano seguinte, fez sua crítica mais direta ao regime. "Não acredito em socialismo com partido único, com falta de liberdade de organização sindical e também não acredito em modelo político em que o Estado seja tutor da sociedade."
"Financial Times" vê Lula perto da vitória
O jornal britânico "Financial Times" publicou na sua edição de ontem editorial analisando o cenário político e financeiro diante de uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de domingo. "Se as pesquisas podem ser tomadas como guias, Luiz Inácio Lula da Silva está próximo de se tornar o próximo presidente do Brasil", diz o editorial.
Segundo o jornal, os investidores internacionais têm motivos para preocupação, mas ressaltou o perigo de que essa preocupação tenha sido exagerada: "A conversão do líder do PT para um estilo social-democrata e o seu compromisso com a estabilidade econômica, como metas de inflação e taxas de câmbio flutuantes, ainda são recentes" para inspirar total confiança dos investidores. Mas o editorial lembra que diversas administrações municipais do PT foram honestas e eficientes e diz que o partido está preparado para montar uma equipe de governo com nomes do setor privado.
O jornal francês "Le Monde" publicou ontem entrevista concedida pelo presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Enrique Iglesias, na qual este se diz "otimis ta" com a evolução da economia brasileira caso se confirme a vitória do presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT): "Conheço Lula e as pessoas que o cercam e creio que ele vai desenvolver uma política séria e creio que o mercado vai negociar com Lula. O Brasil é muito pragmático. As coisas vão caminhar bem".
PT sonda PPS sobre renúncia, diz Herrmann
Coordenador da Frente nega possibilidade de desistência e pede que integrantes da aliança assistam ao debate
Integrante da coordenação da campanha de Ciro Gomes (PPS) à Presidência, o deputado João Herrmann afirmou ontem que foi sondado na semana passada pelo PT sobre a possibilidade de o ex-governador desistir da disputa em favor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda no primeiro turno.
Segundo Herrmann, os interlocutores do recado foram os coordenadores de programa de governo de Lula, Antônio Palocci Filho, e de José Genoino, José Machado.
A conversa ocorreu, de acordo com o pepessista, horas depois da divulgação de pesquisa Datafolha que indicou Lula com 48% dos votos válidos. Com esse percentual, o petista, em tese, encontrava-se a dois pontos percentuais de uma vitória já no primeiro turno.
"Respondi que estava disposto a discutir o segundo turno na eleição para o governo de São Paulo", disse Herrmann, representante de Ciro nas discussões que buscaram a união das esquerdas em torno de um único candidato.
Machado nega a conversa, e Palocci não foi localizado até o fechamento desta edição. A iniciativa do PT é mais uma entre as propostas de renúncia que o presidenciável tem recebido desde que surgiu a possibilidade de a eleição ser encerrada em um único turno.
Desde a semana passada, foram várias as pressões feitas nesse sentido, inclusive por integrantes da Frente Trabalhista. Entre eles, o filósofo Roberto Mangabeira Unger, coordenador do programa de governo de Ciro, e o presidente do PDT, Leonel Brizola. Herrmann nega essa hipótese. "Só se os outros três candidatos também renunciarem", ironiza.
Em nota divulgada ontem, o coordenador diz ter enviado cartas a todos os candidatos a cargos majoritários e proporcionais, diretórios estaduais e municipais das siglas que compõem a Frente (PTB, PPS e PDT), reafirmando sua confiança na passagem de Ciro para o segundo turno.
No texto, pede que todos assistam ao debate da quinta-feira, participando do que chama de "Noite de Cristal", e cita pesquisas da campanha que indicariam que 38% dos votos para o Planalto ainda não estão ""cristalizados".
Aliados do presidenciável no PTB, no PPS e no núcleo da campanha procuraram ontem minimizar o efeito da declaração de Brizola a favor do apoio a Lula. Avaliam que o pedetista busca "sobreviver" politicamente, tentando atrair os votos dos petistas no Rio. Brizola ocupa a quarta colocação na disputa pelo Senado.
Garotinho e Ciro têm encontro fechado no Rio
Os presidenciáveis Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS) tiveram um encontro fechado no aeroporto Santos Dumont, no Rio, ontem, por pelo menos meia hora.
As assessorias das campanhas, oficialmente, disseram em notas ou pessoalmente que os dois apenas trocaram frases de "boa sorte".
Nos bastidores, contudo, coordenadores da campanha de Garotinho afirmam que o encontro pode ter "oficializado" um pedido feito pelo coordenador da campanha de Ciro, deputado João Herrmann (PPS), para que ambos desistam da campanha antes do primeiro turno e apóiem a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciando as desistências no último debate, previsto para quinta-feira, na TV Globo.
As assessorias dos candidatos divergem sobre quem teve a iniciativa para o encontro "por acaso". A de Ciro diz que Garotinho foi até o hangar da TAM procurar o pepessista. A de Garotinho, que Ciro procurou o candidato no hangar da Líder.
Segundo a assessoria de Ciro, a frase dita por Garotinho foi: "Nós temos chance de fazer um segundo turno de esquerda". Ciro teria respondido: "Claro que sim, vamos lutar".
Em campanha ontem na região do ABCD paulista, Garotinho afirmou que apenas desejou ao outro "boa sorte, nada demais". O presidenciável fez campanha corpo-a-corpo nos centros comerciais.
Em São Bernardo, Garotinho foi a uma reunião em uma igreja da Assembléia de Deus, onde pediu aos evangélicos que ajudem a "multiplicar" seus votos.
Em alguns calçadões dos centros, onde é proibida a circulação de veículos, para substituir o carro de som, o secretário-geral do PSB, Pedro Coelho, tocava o jingle da campanha em um aparelho de som no ombro.
Garotinho, muito rouco, conversava com as pessoas nas lojas e ruas. Na hora do almoço, comeu quibes numa lanchonete. Chegou a trocar, tirando das camisas de duas pessoas, adesivos dele pelos de Lula. Ambas não reclamaram e abraçaram o candidato.
Giro pelo país
PMDB de Jader Barbalho ataca governador tucano
Com o registro cassado na semana passada, o candidato tucano ao governo do Pará, Simão Jatene, virou o principal alvo de ataques dos adversários políticos na reta final da campanha.
No horário eleitoral, Jatene foi alvo de todos os adversários, inclusive do PMDB -partido que é coligado nacionalmente com o PSDB. O presidente do PMDB no Pará é o ex-senador Jader Barbalho, acusado pelo Ministério Público Federal de desvio de recursos na extinta Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia).
O PSDB local rebateu os ataques no horário político com ataques contra a aliança branca entre o candidato ao governo do Estado Ademir Andrade (PSB) e Jader Barbalho.
Jatene teve a candidatura cassada pela Justiça por suposto uso da máquina administrativa.
Seus advogados recorreram no sábado contra a decisão. Como sua candidatura está sub judice, Jatene continua em campanha e com o espaço no horário eleitoral.
Tucanos usam imagens de Covas contra 2º turno
Para tentar evitar o segundo turno para governador do Ceará, o candidato a senador Tasso Jereissati (PSDB) resolveu "turbinar" o palanque dele e do candidato tucano ao governo, Lúcio Alcântara: além da presença do humorista Tom Cavalcante, Tasso está usando imagens do governador Mário Covas, que morreu em 2001, em comícios -fazendo elogios ao grupo liderado por ele no governo do Ceará. A presença de Tom ajudou a lotar dois comícios: foram 30 mil pessoas em cada um, segundo os organizadores (em Caucaia e Sobral). Tom relembrou as eleições de 1986, a primeiro do grupo de Tasso, em que também estava no palanque Ciro Gomes (PPS). José Serra não foi citado nos comícios. Em Sobral, participou o irmão de Ciro, Cid Gomes (PPS), prefeito da cidade. De acordo com pesquisa do instituto EMData, Lúcio tem 42% de intenções de voto. O petista José Airton Cirilo, que até há um mês tinha 5%, tem 12% e está empatado com Sergio Machado (PMDB).
Artigos
Mercado x país
Clóvis Rossi
SÃO PAULO - A julgar pela maioria das opiniões que os jornais vêm publicando, não há coisa mais fácil do que governar o Brasil. É só escolher um presidente do Banco Central que agrade ao mercado e todos os problemas estarão solucionados.
É uma tese fascinante. Pena que não combine com a realidade. Não há presidente de BC de mais agrado do mercado do que Armínio Fraga. No entanto Fraga não conseguiu segurar o dólar, não conseguiu segurar a inflação, não conseguiu alavancar o crescimento.
Ou, em português claro e franco: não deu certo. Só não fracassou no pagamento das contas cobradas pelo mercado, daí por que é o favorito deles. Não vai nessa constatação nenhuma crítica. Não creio que Fraga aja por má-fé. É ideologia. Ele acredita no que faz, acredita que esteja ajudando o Brasil.
O diabo é que o problema do Brasil não é o dólar a R$ 4 ou a R$ 3 ou mesmo a R$ 2. O problema do Brasil são a miséria indecente, a obscena distribuição de renda, o desemprego elevado (e os baixos salários para a maioria dos que estão empregados), o pífio sistema educacional (público e privado, como se verificou em pesquisa na semana passada), a debilidade da atenção à saúde, a violência exacerbada, a degradação urbana e quantos etc. o leitor quiser agregar.
Nada disso muda se o dólar sobe ou se o dólar baixa. Pode até ser que, subindo a moeda norte-americana, o pãozinho fique mais caro (afinal, o trigo passou a ser mercadoria majoritariamente importada).
Mas, para o público, não existe essa relação de causa e efeito, até porque o pãozinho não fica mais barato quando o dólar cai, embora fique mais caro quando sobe.
A vida real explica, pois, por que 80% estão votando em candidatos em que o mercado não confia. Será sábio escolher um presidente do BC que contrarie a massa?
Colunistas
PAINEL
Nova defecção
Vice de Ciro, Paulinho aderiu à campanha de voto útil pró-Lula. Em evento da Força Sindical em SP anteontem com sindicatos de 19 categorias, em vez de pedir apoio ao candidato do PPS, pregou que o "importante agora é votar contra José Serra".
Contagem regressiva
O seguinte boato circula no PT: Serra teria nas mangas uma espécie de bomba para ativar contra o partido de Lula no debate da TV Globo, na quinta.
DNA governista
O PFL calcula que, se Lula vencer a eleição, pelo menos 30 deputados federais eleitos migrariam para o PL de olho nas benesses do governo federal.
A história se repete
A possibilidade de Lula vencer no primeiro turno tem atraído apoios cada vez mais exóticos para o petista. O candidato a deputado federal Siomar, do PPB, anunciou sua adesão num comício do PT no sábado. No local, havia também faixas da Juventude do PSDB e do MR-8.
Água fria
Reunida ontem, a cúpula do PT avaliou que o fechamento do comércio em várias regiões do Rio por ordem do Comando Vermelho praticamente inviabilizou a passagem Benedita da Silva para o segundo turno. A crise de segurança é o principal problema do governo do Rio.
Forças ocultas
Para o PT, Benedita não terá tempo hábil para reverter a crise de segurança. Teorias conspiratórias petistas vêem até o dedo de aliados de Garotinho no fechamento do comércio, para facilitar a vitória de Rosinha (PSB) no primeiro turno.
Medo de contágio
Jackson Lago (PDT), candidato ao governo do MA, encheu o Estado com fotos suas ao lado de Ciro em agosto e setembro, quando o presidenciável estava em alta. Há duas semanas, aparece sozinho nos cartazes.
Base de apoio
O comitê de Romeu Tuma (PFL-SP) está preocupado com a reta final da disputa ao Senado. A avaliação é que ele teria que chegar a 6 de outubro com uma boa margem de vantagem, pois tem uma estrutura de campanha mais fraca do que as de Quércia e Mercadante.
Poder de negociação
Garotinho disse a aliados que fará de tudo para levar a eleição ao segundo turno, mesmo que a disputa fique entre Lula e Serra. Aposta que terá no mínimo 15% dos votos, o que renderia um grande poder de barganha para negociar apoio ao PT. Pedirá um ministério para o seu grupo.
Diálogo partidário
Se Lula vencer no primeiro turno, o poder de negociação de Garotinho ficará bem mais restrito. O petista procuraria diretamente a cúpula do PSB para obter apoio no Congresso.
Militância bíblica
Em Manaus, as igrejas evangélicas orientam seus fiéis a distribuir, cada um, 40 adesivos da campanha de Garotinho. A estratégia foi apelidada de "a multiplicação dos votos".
Cotovelada interna
A eleição não acabou, mas já há uma espécie de caça às bruxas no comitê de Serra. Pimenta da Veiga tem sido chamado de "petista". Dizem que, se tivesse sido contratado para trabalhar na campanha do PT, o coordenador do PSDB não teria conseguido atrapalhar tanto o tucano.
Mais ou menos
Serra tem, teoricamente, apoio dos dois principais candidatos ao governo de SC: Esperidião Amin (PPB) e Luiz Henrique (PMDB). Mas nenhum deles até agora pediu voto para o tucano em seus programas de TV.
Plano de ação
Ronaldo Lessa (PSB-AL) tenta convencer Geraldo Sampaio (PDT) e Judson Cabral (PT) a desistir da disputa ao governo de Alagoas para apoiá-lo. Com isso, o atual governador espera derrotar Fernando Collor (PRTB) já no primeiro turno.
TIROTEIO
Do deputado Luciano Zica (PT), sobre Serra participar de missa do padre Marcelo:
- A imagem do padre Marcelo Rossi benzendo Serra pareceu mais um ato de extrema-unção da candidatura tucana.
CONTRAPONTO
Insuficiência narrativa
No último dia 12 de setembro, o ex-ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Olavo Drummond participou em Brasília de um ato de comemoração do centenário do nascimento do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976).
Vice-presidente do Memorial JK, Drummond foi jornalista de política e cobriu eventos memoráveis de Minas Gerais, repleta de parlamentares folclóricos e "causos" políticos. No evento em Brasília, Drummond encontrou-se com o deputado federal Heráclito Fortes, do PFL do Piauí. O deputado, que conhece a história do ex-ministro, foi logo perguntando, com uma ponta de saudosismo:
- E as histórias de Minas, ministro? Minas Gerais não tem mais histórias?
Drummond respondeu de pronto, sorrindo:
- História, tem. Não tem é personagem...
Editorial
PÂNICO NO RIO
Só pode ser qualificada como intolerável a demonstração de força que bandidos fizeram ontem ao "determinar" o fechamento do comércio e a paralisação de serviços na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ao que consta, a ordem para parar a metrópole partiu da associação criminosa conhecida como Comando Vermelho e seria uma represália ao fato de alguns de seus líderes que estão presos em um batalhão da PM não estarem recebendo visitas.
Desta vez, a ação facinorosa não ficou circunscrita a áreas pobres, tendo atingido também bairros como Ipanema, Botafogo, Copacabana e Leme, e até outras cidades importantes, como Niterói e São Gonçalo.
Para o governo fluminense, o que houve foi um movimento orquestrado e com conotações políticas, dada a proximidade das eleições. Não há elementos para acreditar que o dito Comando Vermelho tenha candidato à Presidência ou ao governo do Rio, mas seria precipitado, por outro lado, descartar a possibilidade de interesses escusos terem magnificado o pânico que reinou na cidade para tentar obter dividendos eleitorais.
É inadmissível que a segunda maior cidade do Brasil e uma das maiores do mundo seja paralisada apenas porque traficantes condenados já não conseguem desfrutar de regalias na prisão.
O problema da criminalidade transcendeu há muito a esfera das divisões administrativas. O desafio lançado pelo tráfico já não é uma afronta apenas ao governo do Rio, mas ao próprio poder público, o que exige uma resposta enérgica de toda a sociedade brasileira.
Um grupamento social, para manter-se minimamente coeso e gerando riqueza, precisa ser capaz de organizar-se para ao menos evitar que marginais se assenhoreiem do ritmo da cidade e definam seu calendário. Nenhuma tarefa é tão básica quanto a de formar um Estado que não possa ser continuamente desafiado por criminosos. Infelizmente, é nesse imperativo que se está fracassando.
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10/01/2002
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