Em resposta a senadores, ministro defende transgênicos



Diante de perguntas dos senadores Romero Jucá (PSDB-RR) e Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, defendeu a produção de alimentos transgênicos, que, na sua opinião, deve respeitar a demanda dos mercados. Ele explicou que os agricultores procuram as sementes geneticamente modificadas pelo barateamento do custo de produção da lavoura, mais baixo que no plantio tradicional devido ao menor uso de defensivos agrícolas.

O ministro concordou com a opinião do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) de que não há diferença em relação à produtividade obtida pelos dois tipos de produção. Valadares chegou a comparar a produtividade da soja no Paraná, cuja colheita atinge 2.800 quilos por hectare, em média, com o resultado da produção transgênica nos Estados Unidos, de 2.700 quilos por hectare.

Em relação à posição do governo sobre o cultivo e a venda de transgênicos, Rodrigues ressaltou que recentemente foi publicada medida provisória liberando a comercialização da atual safra de soja transgênica. Porém, continuou, existe uma decisão judicial que proíbe a venda do produto no mercado interno.

- Este ano, 10% da produção de soja nacional é transgênica. Não há como jogar isso para debaixo do tapete. Mas o Executivo não vai afrontar a decisão do Judiciário. Tanto que a medida provisória afirma que a comercialização irá seguir a legislação em vigor. A nossa expectativa é que haja uma nova legislação, com uma definição permanente para a comercialização - disse.

O ministro registrou que 70% dos consumidores mundiais não têm restrições a produtos transgênicos e que a Organização Mundial de Saúde declarou que os alimentos transgênicos atualmente disponíveis no mercado internacional passaram por rigoroso controle de risco, concluindo que é improvável que haja qualquer perigo à saúde humana. Até hoje, completou, não se observou qualquer efeito negativo de produtos transgênicos nas populações de países que consomem esses alimentos há muitos anos.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) quis saber se o ministro recomenda a sua família algum cuidado com o uso de alimentos transgênicos. Rodrigues disse que iria repetir o que falou há dois anos em Davos (Suíça) a militante da organização ambientalista Greenpeace. -Convidei-a para o meu centenário. Agora estou com 60 anos. E disse a ela que se a torta for de morango transgênico será bem-vinda do mesmo jeito-, contou.

Rodrigues também defendeu aos dois senadores do PSDB e ao senador Roberto Saturnino (PT-RJ) que o país continue a desenvolver pesquisa no setor de biotecnologia e transgenia para que não fique atrasado. Ele manifestou sua preocupação com a possibilidade de o Brasil brecar o desenvolvimento da pesquisa em biotecnologia e transgenia e se tornar dependente da pesquisa das multinacionais.

- A biotecnologia permite ganhar tempo com relação ao processo natural de melhoramento genético. O que precisa ser tratado é a ética na ciência. Qual o limite ético que o ser humano deve ter para que a ação humana na transgenia não transcenda a ação divina? - questionou.

Ele defendeu que o Brasil observe a sinalização dos mercados no que diz respeito ao consumo dos transgênicos. A Itália, conforme indicou, descartou a compra de transgênicos. Porém, se o consumo mundial aumentar, ele acredita que a tendência é que os países produtores liberalizem o seu cultivo. Assim, sustentou que haja políticas diferenciadas para produção e comercialização de transgênicos e de não-transgênicos.



15/04/2003

Agência Senado


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