Em São Paulo, professores reprovados vão dar aulas



No estado mais rico do país, a questão do piso salarial ficou em segundo plano ao se revelar que em São Paulo existem professores na rede pública que levam zero em provas sobre as matérias que eles deveriam ensinar aos alunos. No dia 17 de fevereiro passado, três mil professores temporários da rede estadual paulista zeraram uma prova de classificação realizada pela Secretaria de Educação para aferir a qualificação dos candidatos a entrar nas salas de aula neste ano.

A polêmica imediatamente começou entre o governo José Serra e o Sindicato dos Professores (Apeosp), que considerou a prova "desorganizada" e conseguiu uma liminar na Justiça para impedir que o estado negasse acesso às salas de aula a 1,5 mil dos três mil reprovados (estes já haviam sido contemplados com classes).

Notas zeros não foram o único fato assustador. Segundo a secretária de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, se a prova tivesse contado na atribuição de aulas de 2009, 45 mil dos cem mil professores temporários que já estão na rede teriam sido substituídos por professores de fora da rede, porém que tiraram notas melhores.

A prova continha 25 questões de múltipla escolha referentes à matéria - Biologia, Matemática, Sociologia etc. - que eles desejariam lecionar, com base no currículo adotado pela Secretaria de Educação de São Paulo. Dos 214 mil professores que fizeram a prova, apenas 111 acertaram todas as questões em seus campos de "conhecimento".

O sindicato alega que a forma correta de se avaliar os professores é o concurso público. Seus representantes justificam as atitudes contra a prova, apontando possíveis irregularidades em sua elaboração (erros de português) e aplicação (falta de sigilo).

Há cerca de 230 mil professores na rede estadual de ensino de São Paulo, dos quais 130 mil prestaram concurso público para assumir as vagas. Os outros professores, cerca de cem mil, são os chamados "temporários", pois trabalham sob regime de contrato temporário. Desde 2006 não é aberto um novo concurso.

Sylvio Guedes - Jornal do Senado 



09/03/2009

Agência Senado


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