Especialistas criticam sistema de ensino tradicional em audiência pública na CE
O problema da formação profissional não se resolve apenas com a escola tradicional, afirmou, nesta quinta-feira (5), Luiz Carlos de Souza, diretor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e superintendente operacional do Serviço Social da Indústria (Sesi) de São Paulo. Souza participou de audiência pública para debater idéias e propostas para a educação brasileira e o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), na Comissão de Educação (CE).
Conforme informações dadas por Souza na audiência, 82% dos alunos de cursos técnicos do Senai saem com emprego garantido no mercado de trabalho. Esse fato ocorre porque, segundo ele, os cursos são voltados para a capacitação profissional e têm efetiva participação do industrial, "que cobra esse plano de investimento". O Senai tem, hoje, 83 centros tecnológicos e 14 faculdades de Tecnologia, estas últimas com o objetivo de formar tecnólogos com cursos de duração de três anos.
O diretor do Senai e superintendente do Sesi de São Paulo informou ainda que o Sesi atua na área de educação básica e tem, atualmente, 115 mil alunos no ensino fundamental.
- O Sesi tem uma missão muito bem definida e atua em apoio à indústria e ao trabalhador, à sua educação e qualidade de vida. Nossos professores têm salários dignos e planos de previdência complementar. E isso não é só discurso. O Sesi e o Senai não são uma escola da elite, são escola de elite para filhos dos trabalhadores - afirmou.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, vai lançar um novo telecurso para a educação integral de jovens e adultos, com investimentos de R$ 20 milhões, segundo informou Souza. Esse telecurso funcionará, inclusive, para deficientes visuais.
Escola cartesiana
A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Juçara Maria Dutra Vieira, também criticou a escola tradicional, dizendo que, atualmente, os alunos têm muitos recursos de informações, que proporcionam uma atualização constante de dados e conceitos, devido às mudanças e avanços tecnológicos. Os educadores, por seu turno, segundo ela, estão precisando de uma educação continuada para poder acompanhar os novos tempos, além de um piso salarial profissional e melhores condições de trabalho.
- Hoje, os alunos aprendem muitas coisas, mas ainda estão numa escola cartesiana.
A presidente da CNTE disse ainda que os recursos para a educação são insuficientes e que o governo e os parlamentares devem discutir novas fontes de financiamento para o setor.
O presidente da CE, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), disse que o objetivo dessa e de outras audiências sobre o assunto é buscar rumos para a educação brasileira.
05/07/2007
Agência Senado
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