Expectativas de crescimento norteiam debate sobre mineração
A recuperação da economia mundial e o aumento da demanda nacional são fatores que indicam perspectivas de crescimento para o setor de mineração, conforme especialistas que participaram, nesta quinta-feira (12), de debate na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI). Os convidados, no entanto, sugeriram medidas para incentivar o consumo de cimento, por meio de políticas habitacionais, fomentar a produção nacional de fertilizantes e melhorar o planejamento da mineração no país.
De acordo com o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração, Paulo Camilo Vargas Pena, o setor poderá retomar, a partir de 2011, o volume de exportações de minérios verificado antes da crise econômica. Segundo explicou, a perspectiva de crescimento da economia da China, de mais de 9%, é promissora para o Brasil, uma vez que os chineses são os maiores compradores da produção brasileira e atores importantes no cenário mundial da mineração.
Mas ele ressaltou que haverá um reajuste nos níveis de demanda da produção brasileira e que não serão repetidos os índices observados em 2006 e 2007. De acordo com o diretor, a produção de minérios do país cresceu de US$ 8 bilhões, em 2000, para US$ 28 bilhões, em 2008.
Paulo Vargas apontou ainda a necessidade de que se adote uma política para incrementar a produção de fertilizantes. Segundo informou, o país importa volume significativo dos componentes dos fertilizantes, sendo mais de 90% do potássio, 75% de nitrogênio e 51% de fósforo. Além disso, esses produtos têm elevada carga tributária, disse ele. Para o diretor, é necessário também ampliação dos investimentos do país em pesquisa geológica. O instituto que preside foi criado há 30 anos e congrega mais de 130 empresas.
Cimento
O vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, José Otávio Carvalho, defendeu a implantação de política para incentivar a demanda do produto, essencial, como reforçou, para contribuir com a redução do déficit habitacional de mais de seis milhões de moradia. Embora haja a expectativa de que Brasil passe a ser, a partir deste ano, o quarto consumidor mundial de cimento, o consumo per capita é baixo em relação a outros países, segundo informou. Ele ressaltou, entretanto, que Brasil foi um dos poucos que registrou elevação do consumo do produto nos últimos meses.
Carvalho também reforçou a necessidade de melhoria da infraestrutura de transporte. O setor, como explicou, é altamente dependente de logística. Além disso, disse ele, trata-se de um dos setores que mais consome energia elétrica e petróleo. Ele observou que o cimento é feito à base de calcário e é o componente para formação do concreto, produto mais consumido no mundo depois da água.
Agregados
O diretor-executivo da Associação Nacional das Entidades de Produtores de Agregados para Construção Civil, Fernando Mendes Valverde, afirmou haver no país uma enorme demanda reprimida de areia e pedra britada para atender as obras de infraestrutura e de habitação em que esses produtos são fundamentais. Ele informou, entretanto, serem positivas as perspectivas de crescimento do consumo até 2015, estimadas, no total, em 27%.
Valverde apontou também a necessidade de planejamento para a atividade no país. Segundo explicou, todas as "pedreiras" estão situadas nas periferias das cidades e sofrem estrangulamento em razão da aceleração da urbanização, o que requer, como ressaltou, um ordenamento territorial para o setor.
Agregados, como explicou, são produtos minerais como areia, cascalho, resíduos da construção civil que se misturam com o cimento para formar o concreto ou com o asfalto para produzir o concreto asfáltico.05/11/2009
Agência Senado
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