FGTS incide em ajuda de custo paga por serviço no exterior
FGTS incide em ajuda de custo paga por serviço no exterior
A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) assegurou ao bancário aposentado Zulmiro Baltazar Neves o direito de receber os recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Trabalho (FGTS) recolhidos a menos pelo Banco do Brasil (BB), referentes ao período em que prestou serviço no exterior. Admitido em 1941 no BB, Neves trabalhou em Montevidéu (Uruguai), entre 1974 e 1977, na cidade do Panamá, de 1979 a 1985, e em Roma (Itália), de 1990 a 1991.
Nos três períodos, o BB recolhia o FGTS sobre o salário que o bancário receberia caso estivesse trabalhando no Brasil, correspondente ao cargo de gerente-adjunto de agência e não sobre o salário real pago em dólar. De acordo com o Banco do Brasil, o Conselho Curador do FGTS havia considerado correto, para efeito de recolhimento, o procedimento de enquadrar nesse cargo todo empregado designado para exercer gerência de agência no exterior.
Para a instituição, não caberia incluir na base de cálculo a ajuda de custo com alimentação, habitação e outras despesas, pagas em razão da diferença de custo de vida entre os países. Entretanto, para o relator do processo no TST, ministro Barros Levenhagen, ´se o empregado foi transferido para o exterior e passou a perceber seu salário em moeda estrangeira (dólar), os depósitos do FGTS devem incidir sobre o total de sua remuneração".
Segundo jurisprudência consolidada nos julgamentos do TST, ´o FGTS incide sobre todas as parcelas de natureza salarial pagas ao empregado em virtude de prestação de serviços no exterior". O enunciado reflete o entendimento adotado pelos colegiados julgadores do Tribunal de que ajuda de custo-exterior possui natureza salarial.
Indústria paranaense divulga a sua agenda para o crescimento
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) divulgou ontem o documento, entregue aos pré-candidatos ao Palácio Iguaçu na semana passada, onde estão expostas todas as sugestões dos industriais paranaenses para o crescimento do setor nos próximos quatro anos. Segundo a proposta, o segmento industrial responde atualmente por 37,5% do Produto Interno Bruto estadual, que no ano passado foi estimado em R$ 75,8 bilhões, o correspondente a 6,8% do PIB nacional.
O presidente da Fiep e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Carlos Gomes Carvalho, disse que o documento intitulado ´A Indústria e o Paraná - Uma agenda para o crescimento", não tem pretensão de ser um plano de governo, mas sim de levar ao conhecimento dos pré-candidatos o que pensam os empresários e industriais do Paraná. ´A nossa base foram as consultas permanentes que fazemos ao empresariado paranaense e o documento demonstra o pensamento do setor", afirmou.
Entre as sugestões, o documento prioriza a reforma tributária que, segundo Carvalho, não é uma solicitação apenas do empresariado, mas de toda a sociedade que arca com a carga tributária atual. ´O que nós queremos é que todos paguem menos tributos, não só os empresários", afirmou. De acordo com ele, a reforma tributária é a saída para o aumento nas exportações. ´Nós precisamos fazer com que o nosso produto seja competitivo em todo o processo de exportação e não apenas na produção", completou.
A reforma política, a criação de uma política industrial e de uma agenda de competitividade também foram citadas como prioridade. ´O problema é que no Brasil tudo é prioridade", enfatizou. Carvalho disse também que o País precisa melhorar as suas relações de trabalho, a começar pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). ´Nós defendemos a manutenção das conquistas dos trabalhadores, mas também uma maior flexibilização das leis trabalhistas para que haja uma política de emprego", disse.
Segundo Carvalho, esta é uma iniciativa inédita. ´É a primeira vez que oferecemos subsídios aos candidatos a respeito da indústria paranaense. Espero que as entidades que representam outros setores também encaminhem suas sugestões", ressaltou. Carvalho disse que o documento ainda não está finalizado porque novas sugestões podem surgir. ´Se forem válidas serão encaminhadas aos candidatos", completou.
O documento elaborado pela Fiep teve como base um outro documento, feito pela CNI e que deve ser entregue aos pré-candidatos à presidência da República na próxima quinta-feira, em Brasília.
A receptividade dos pré-candidatos ao documento da Fiep foi positiva. O candidato do PT, deputado federal Padre Roque Zimmermann não fez uma avaliação do conteúdo, mas disse que ficou surpreso ao recebê-lo. ´Normalmente esses órgãos não enviam seus documentos aos candidatos petistas", afirmou. ´Acho a iniciativa muito importante. As sugestões dos empresários são sempre interessantes e nós vamos analisá-las", disse. O candidato ressaltou que pretende participar de encontros com empresários e industriais paranaenses para poder avaliar melhor as sugestões do setor. ´Certamente irei participar de encontros com eles se for convidado", ironizou.
Já o candidato do PDT, senador Álvaro Dias, disse que ainda não recebeu o documento, mas que está conversando com o empresariado, por conta própria, desde o ano passado. ´Tenho colhido as sugestões das associações, federações e entidades de classe em todo o Paraná, para poder avaliar cada uma e poder incluir as melhores no meu plano de governo", enfatizou.
Dias ressaltou que as propostas recolhidas estão sendo analisadas por 100 técnicos das mais diversas áreas. Segundo ele, as sugestões dizem respeito aos mais variados assuntos de interesse da sociedade paranaense, mas a maioria envolve a agroindustrialização. ´O que o paranaense quer é a simbiose entre a indústria e a agricultura, e não o desenvolvimento de apenas um destes setores", destacou.
Ao falar sobre política, José Carlos Gomes Carvalho, que atualmente é filiado ao PTB, defendeu uma maior união da bancada paranaense no Congresso Nacional e a participação do empresariado como fonte de informações aos deputados e senadores.
Carvalho disse que ´o Estado perde, e muito, pela falta de consenso". Entre essas perdas, citou o Porto de Paranaguá que, segundo ele, não recebe investimentos federais há mais de dez anos. ´A bancada paranaense é competente, mas precisa se harmonizar", ressaltou.
Vendas caem 1,7% em S. Catarina
A pesquisa Indicadores Industriais, realizada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), registra uma queda de 1,75% nas vendas acumuladas nos três primeiros meses de 2002, em comparação com o mesmo período do ano passado. O presidente da Fiesc, José Fernando Xavier Faraco, diz que o resultado é fruto de fatores macroeconômicos negativos como taxas de juros, câmbio e ambiente internacional que, segundo ele, continuam determinantes para o desempenho industrial.
Apesar da queda acumulada, em março a indústria registrou crescimento de 13,19% em relação a fevereiro. ´A pesquisa da Fiesc, realizada em 220 empresas, confirma a tendência de expansão das atividades industriais a partir do terceiro mês do ano", diz Faraco. A principal influência do crescimento das vendas em março foi o bom desempenho da indústria alimentar, em especial de frango, suínos e soja, além de vestuário, cristais, bebidas e mecânica - principalmente para máquinas para indústrias madeireiras, que também apresentaram resultados positivos. Na comparação das vendas acumuladas em 2002, comparadas com 2001, verifica-se quedas em bebidas e material de transporte.
Em março o número de dias úteis foi maior que em fevereiro, refletindo em aumento do volume de horas trabalhadas. O acréscimo de postos de trabalho também contribuiu para o resultado positivo deste indicador. As variações positivas mais expressivas em relação a fever eiro ocorreram nas cristalerias (mais horas extras) e em material elétrico e de comunicação, que registraram contratações e mais dias úteis, além de menos férias que no mês anterior. No trimestre, as horas apresentam crescimento de 12,72%, porém em relação a 2001 estão menores em 3,74%.
A massa salarial líquida real cresceu 1,87% no mês de março em relação a fevereiro. Maiores acréscimos ocorreram em metalurgia (reajuste salarial) e material elétrico e de comunicação (mais horas pagas). No ano, a folha líquida acumula crescimento de 3,08% e em relação a iguais meses de 2001 acréscimo de 0,41%.
O percentual médio de utilização da capacidade instalada passou de 82,87% em fevereiro para 83,25% em março. O maior crescimento foi observado na indústria do vestuário. Em março de 2001 as indústrias catarinenses operaram com 85,15% de sua capacidade de produção.
A indústria catarinense apresentou, ao lado do Rio Grande do Sul, o quinto melhor desempenho de vendas reais entre 12 Estados Pesquisados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O crescimento de 13,19% obtido tanto por Santa Catarina como pelo Rio Grande do Sul, ficou acima da média nacional, de 11,8%.
Essa taxa, de 11,8%, foi a maior dos últimos dez meses, mas, na avaliação da CNI, ainda ficou aquém do que seria de se esperar, dados os fatores sazonais e o fato de que março teve três dias úteis a mais que fevereiro. O crescimento das vendas reais entre fevereiro e março foi comum a quase todos os estados pesquisados. A Bahia foi o único estado a registrar queda, ainda que de pequena magnitude. Dos demais onze estados, nove apresentaram taxas de crescimento de dois dígitos, superiores à média nacional.
O Rio de Janeiro foi o principal destaque, com crescimento de vendas superior a 40%, o dobro do observado no Amazonas e em Goiás, que registraram a segunda e terceira maiores taxas de crescimento, respectivamente. No Rio de Janeiro, todos os setores pesquisados mostraram crescimento. A maior influência no resultado veio do setor químico, devido ao reajuste dos preços dos combustíveis, acima da média do setor, e do aumento das exportações. Verificou-se, ainda, maior demanda de medicamentos e de produtos destinados ao setor naval, além da retomada dos investimentos nas empresas de material elétrico. No Amazonas, a proximidade da Copa do Mundo impulsionou as vendas das empresas de material elétrico e de suas fornecedoras. Também houve aumento da demanda de produtos do setor mecânico, especialmente para os estados do Sul e Sudeste, de produtos têxteis e de bebidas.
Em Goiás, registrou-se aumento das exportações de produtos alimentares, em especial de derivados de soja, e da demanda global em outros setores. Na Bahia, a queda de 0,57% das vendas reais foi ocasionada, principalmente, pela paralisação para manutenção de empresas do setor químico, um dos mais representativos do estado. Houve ainda uma redução, por parte das empresas de telefonia, das encomendas de produtos de metalurgia, além de redução das exportações destes produtos.
Santa Helena de cara nova
Os vinhos chilenos Santa Helena que, dos importados estão entre os mais consumidos no Brasil (são 130 mil caixas por ano, segundo a Interfood, que importa a marca com exclusividade), estão com novos rótulos em suas linhas Siglo de Oro, Reservado e Selección Del Directorio. Na Siglo de Oro houve mudanças também no formato da garrafa. As novas embalagens fazem parte de várias mudanças estruturais pelas quais passa a Santa Helena. A vinícola, de propriedade da Viña San Pedro, passa a ser uma empresa independente dentro do grupo. Com isso, ganhou sede própria e, aos poucos, toda a produção de seus vinhos passará e vir de vinhedos Santa Helena, separados dos vinhedos San Pedro.
Com esta mudança, a Viña Santa Helena sozinha passa a ser a terceira maior vinícola do Chile. O objetivo destas mudanças, segundo a empresa, é reforçar os valores da marca de Santa Helena, como sua origem chilena e o fato de ser pioneira na exportação de vinhos finos ao Brasil. Hoje, a vinícola exporta seus vinhos para 40 países em todos os continentes. A Santa Helena ficará localizada, agora, no Vale do Colchagua, considerado o melhor local para produção de vinhos finos do Chile.
É lá que fica a casa antiga que ilustra os novos rótulos. Mas as novidades não ficam só na embalagem. A linha Reservado, a mais vendida entre as três, acaba de ganhar duas novas variedades que já estão disponíveis no mercado brasileiro, o Reservado Carmenère - que está se tornando a uva símbolo do Chile - e o Reservado Syrah. A Carmenère dá origem a vinhos com textura aveludada, cor profunda e aromas herbáceos.
A Syrah gera vinhos ricos e complexos, com aromas de pimenta, especiarias, cerejas e nozes torradas. A Reservado da Santa Helena apresenta os vinhos para o dia-a-dia, frutados, jovens, sem passagem por estágio em madeira. Hoje, a linha é composta pelos brancos Chardonnay e Sauvignon Blanc e pelos tintos Merlot, Cabernet Sauvignon, e agora, Carmenère e Syrah.
Ouro e Prata quer ser operadora logística
A Ouro e Prata Cargas está preparando, para o próximo mês de agosto, a sua mudança do Porto Seco, na zona norte de Porto Alegre, para a sua sede de Cachoeirinha, na região metropolitana, onde, com a unificação com a Ouro e Prata Armazéns Gerais, pretende consolidar-se como uma nova operadora logística no mercado gaúcho. Ao todo, na sede de Cachoeirinha, a empresa terá um total de 39 mil metros quadrados de área construída, funcionando em regime de armazém geral e de centro de distribuição, reunindo a oferta de serviços de armazenagem e de distribuição de mercadorias de seus mais de 5 mil clientes. A intenção da empresa é construir nove novos armazéns no local.
´Vamos otimizar nossas operações, reunindo essa oferta de serviços num mesmo local", disse o gerente de marketing Antonio Fernandes. Em Porto Alegre, num terreno próprio de 33 mil metros quadrados, a Ouro e Prata Cargas mantém, até agosto, um armazém de transbordo de 7 mil metros quadrados, onde as mercadorias são separadas e embarcadas conforme o seu destino final. ´Concentramos a nossa coleta neste armazém, de onde as mercadorias seguem suas viagens para a região Sul do País e para o estado de São Paulo. Lá, as mercadorias ficam hospedadas por cerca de 24 horas, desde a sua chegada até seus embarques finais. Esse serviço será, a partir de agosto, feito no novo armazém que já estamos construindo na sede de Cachoeirinha (investimento de R$ 400 mil)". A empresa ainda não definiu qual será o destino do terreno do Porto Seco.
Em Cachoeirinha, a Ouro e Prata Armazéns Gerais possui um terreno de 66 mil metros quadrados, onde dois prédios (14 mil metros quadrados de área construída) concentram a operação, em regime de centro de distribuição, de 150 clientes, todos envolvidos com defensivos agrícolas. ´A Monsanto, a Basf e a Iharabras possuem escritórios próprios na nossa sede. Elas estocam seus produtos nos nossos armazéns, de onde fazem suas comercializações", disse o gerente de marketing.
Além do novo armazém de transbordo (5 mil metros quadrados), a Ouro e Prata terá mais oito armazéns dedicados a carga geral em Cachoeirinha, onde será possível a hospedagem de produtos adquiridos pelas empresas-clientes. ´Lá, elas poderão usufruir da nossa frota (cerca de 300 veículos) para a transferência dessas mercadorias até seus destinos finais. Esses armazéns também poderão funcionar em regime de centros de distribuição, onde essas empresas poderão fazer a gestão de seus estoques de matérias-primas ou produtos acabados, controlando a recepção, expedição, faturamento e controle da distribuição de suas mercadorias. Teremos assim, a operação de um complexo logístico, com a possível participação operacional de parceiros nacionais e internacionais".
As novas constru ções em Cachoeirinha acontecerão conforme o mercado exigir. ´Por enquanto, vamos oferecer em Cachoerinha aquilo que vínhamos oferecendo no Porto Seco. Mas, certamente em breve, estaremos iniciando a construção dos novos armazéns para a nossa consolidação de operadores logísticos. Tudo isso faz de um plano de reorganização da empresa. Otimizando serviços e custos, poderemos servir melhor os nossos clientes", disse Antonio Fernandes.
A empresa surgiu em 1939, quando os irmãos Willy Eugênio e Raimundo Fleck fundaram a Empresa de Transportes Criciumal, na cidade de mesmo nome, região Norte do Estado. Hoje, a Ouro e Prata atende os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul em suas linhas normais. Mas com carga completa, os caminhões viajam por todo o País e pelos países do Mercosul.
Refap investe US$ 650 milhões em ampliação e modernização
A Alberto Pasqualini Refap S.A., refinaria localizada na Região Metropolitana de Porto Alegre que está ampliando e modernizando sua unidade com um investimento de US$ 650 milhões, vai aplicar R$ 7,2 milhões em cinco projetos ambientais no estado. Na manhã de ontem, foi assinado no Palácio Piratini um termo de compromisso que atende a legislação federal e prevê o investimento de até 0,6% do valor do empreendimento em unidades de conservação. Cerca de R$ 700 mil serão destinados ao Parque Guajuviras, localizado em Canoas, município onde está localizado a refinaria. No total, 558 hectares de área verde serão preservados no parque e aproximadamente 150 hectares vão abrigar um distrito industrial. Será feito um estudo sobre o impacto ambiental na área para definir as empresas que vão ocupar o distrito. Hoje, os principais produtos do município são os derivados do petróleo.
Segundo o diretor financeiro da Refap, Hamilton Ribeiro, as obras de ampliação da unidade estão em andamento desde 2001 e vão permitir que a refinaria aumente sua capacidade de processamento de petróleo de 20 mil para 30 mil metros cúbicos por dia. Em junho deve ser inaugurada o novo flare com 104 metros, que ameniza o impacto das emissões atmosféricas. A previsão é de que as outras obras sejam finalizadas em junho de 2004.
Em 30 dias deve ser elaborado um cronograma para a execução do projeto do Parque Guajuviras. A refinaria fica responsável pela escolha de um coordenador para acompanhar sua implantação e execução. O município de Canoas, por meio da Secretaria Municipal de Preservação Ambiental, deve manter o parque como uma Unidade de Conservação de uso público, preservando seus ecossistemas. A prefeitura também vai definir uma coordenadoria técnica e administrativa para acompanhar e supervisionar o projeto. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) vai acompanhar a aplicação dos recursos, a prestação de contas e aprovar os relatórios trimestrais.
O Parque Guajuviras era de propriedade da família Renner, que doou a fazenda ao Estado em 1973. Em 1995, o governo estadual repassou a área ao município de Canoas. O apelo da comunidade local chamou à atenção para a necessidade de transformar a fazenda em uma área de preservação ambiental.
Além de colaborar com o Parque Guajuviras, a Refap está investindo R$ 2,8 milhões no Parque Estadual de Itapuã, onde constrói uma estrada interna e estacionamento. A refinaria também vai adquirir veículos, equipamentos de informática e fazer a contratação de pessoal para trabalhar em Itapuã. Para o Parque Delta do Jacuí vão ser destinados R$ 2,5 milhões para recolocar famílias que habitam no local, comprar barcos e veículos. Outros R$ 800 mil serão direcionados à Reserva Biológica Banhado de São Donato, na fronteira oeste do estado, e mais R$ 380 mil estão sendo aplicados no Parque Zoológico de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana, que completou 40 anos de atividades.
Feira de aves e suínos atrai 160 empresas de genética a Florianópolis
Começa hoje, em Florianópolis, a maior feira de negócios da indústria latino-americana de aves e suínos, a AveSui, que se estende até o dia 10 de maio no Centro de Convenções (CentroSul). São 130 estandes e mais de 160 empresas dos segmentos de genética, saúde animal, nutrição, equipamentos, processamento, embalagens e serviços apresentando seus produtos e novidades para a cadeia produtiva da carne suína e de frango.
A empresa organizadora do evento, a Gessulli Agribusiness, estima que sejam concretizados negócios de até R$ 200 milhões durante os três dias do evento, que deve receber um público de 15 mil pessoas. Além da feira, a AveSui estará promovendo um amplo debate sobre produtividade, qualidade e competitividade, durante o Seminário Internacional sobre Qualidade de Carne de Aves, com a coordenação técnica da União Brasileira de Avicultura (UBA), e o Seminário Internacional sobre Produção, Mercado e Qualidade da Carne de Suínos, coordenado pela Embrapa Suínos e Aves.
Os seminários serão realizados nos dias 8 e 9 de maio, das 8h30 às 17 horas, nos auditórios Arvoredo 2 e 4 do CentroSul. Também serão discutidos temas atuais da avicultura e suinocultura mundiais como rastreabilidade na indústria avícola e suinícola, novos mercados para a carne de frango brasileira, e o uso da homeopatia para a produção de suínos orgânicos, entre outros.
A maior feira setorial realizada no Brasil também irá priorizar os debates sobre as últimas novidades na área de genética, saúde animal, equipamentos, nutrição e processamento, entre outros (veja temário técnico). Preocupados com a qualidade das carnes brasileiras no exterior, a AveSui proporcionará a produtores, técnicos e estudantes a possibilidade de aperfeiçoamento técnico.
A meta dos exportadores brasileiros é vender, neste ano, 350 mil toneladas de carne suína e 1,4 milhão de toneladas de frangos para o exterior. As perspectivas tendem a ser ainda melhores e os números poderão crescer com a consolidação de novos mercados, como o japonês, europeu, americano e canadense.
Ao longo dos anos, mas especificamente no último biênio, países como Arábia Saudita, Holanda, Emirados Árabes e Rússia tornaram-se mercados cativos dos produtos brasileiros em geral e dos catarinenses em particular. O crescimento das vendas de suínos é enorme e deverá ultrapassar os 35%, se for confirmada a previsão do setor de exportações de 350 mil toneladas neste ano. Em 2001, as vendas ao exterior somaram 265 mil toneladas. A produção interna também deve aumentar. A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) calcula que o volume de carne suína produzida pelo País em 2002 chegue a 2,5 milhões de toneladas, num crescimento de 10% sobre as 2,2 milhões de toneladas conseguidas em 2001. O consumo interno também deverá aumente dos atuais 11 quilos per capita para 12,5 quilos.
Para este ano, a Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), prevê um aumento para 1,5 milhão de toneladas embarcadas, com a possível abertura dos mercados americano e canadense para o frango brasileiro. Outra forte entidade do setor, a União Brasileira de Avicultura (UBA), estima produção acima de 7,5 milhões de toneladas de carne de frango em 2002, contra 6,6 milhões de toneladas produzidas em 2001.
Medabil apresenta casa totalmente industrializada
O Grupo Medabil apresentou ontem, em Porto Alegre, o Sistema Construtivo Casaforte. A inovação consiste na montagem de residências utilizando-se apenas PVC, concreto e aço, com custos e prazos menores em comparação aos métodos e materiais convencionais. As primeiras 131 casas estão sendo construídas no Condomínio Residencial Valparaíso, em Canoas, na região Metropolitana.
No total, a área receberá três mil residências, financiadas pela Caixa Econômica Federal (CEF). No canteiro de obras, os perfis à base de PVC são encaixados entre si - pelo sistema macho-fêmea - e recebem concreto em seu interior, tornando as habitações as primeiras totalmente industrializadas lançadas no mercado brasileiro.
A empresa gaúcha dá 30 anos de garantia às casas, que podem ser montadas em apenas quatro dias.
Utilizando-se perfis sem pintura ou textura, o custo do metro quadrado é de apenas R$ 350. Para estabelecer uma comparação, a empresa diz que uma casa de alvenaria, por exemplo, tem um custo de aproximadamente R$ 500 por metro quadrado. A Medabil investiu R$ 15 milhões na construção de três fábricas - em Recife (PE), Porto Alegre e Extrema (MG) - para fornecimento dos componentes.
Para o presidente do grupo, Attilio Bilibio, a grande vantagem do Sistema Construtivo Casaforte é a conjugação entre baixo custo e durabilidade. Bilibio entende que a tecnologia pode ajudar a equacionar o déficit habitacional brasileiro de 6 milhões de moradias. ´Normalmente, as casas de classe média-baixa têm durabilidade de dez a 15 anos. Isto faz com que, embora exista demanda não atendida de milhões de habitações e, ao mesmo tempo, haja recursos para financiá-las tanto na CEF quanto em bancos privados, torna-se impraticável ampliar os prazos de financiamentos, o que é essencial para reduzir o valor das prestações", avalia o empresário.
O sistema desenvolvido pela Medabil foi aprovado nos testes conduzidos pelo Laboratório de Ensaios e Modelos Estruturais (LEME), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Entre outras características da Casaforte estão a resistência à propagação do fogo, à umidade, a imunidade ao ataque de cupins, mofo e corrosão. Como o concreto é misturado com isopor, as paredes também propiciam isolamento térmico e acústico. Segundo Bilibio, o material também foi testado em laboratórios do Canadá. ´As casas resistem a ventos de até 250 quilômetros por hora e terremotos de até 7 graus na escala Richter", garante o empresário. ´Esta é a casa do futuro, uma revolução para a construção civil ", prevê.
Os perfis são produzidos em três versões: in natura, com pintura ou textura, recomendados de acordo com o poder aquisitivo do interessado. Segundo Bilibio, o valor médio do metro quadrado das casas construídas com textura, a opção mais cara, ficou em R$ 413. Os perfis fabricados hoje pela Medabil se adaptam a residências de, no máximo, três quartos. Mas também existe a possibilidade de produção de perfis para plantas diferenciadas. O empresário revela que existe um projeto de construção de um condomínio de luxo no litoral norte do Estado, com casas que deverão custar a partir de R$ 500 mil. O garantia de 30 anos concedida pela Medabil também é válida para as chapas galvanizadas utilizadas no telhado, mesmo no litoral, onde há o desgaste provocado pela maresia.
A meta de empresa é chegar à dezembro com uma média de 600 residências construídas por mês. A capacidade atual é de 50 casas a cada 30 dias. As habitações montadas hoje em Canoas têm entre 50 e 60 metros quadrados, consumindo em média duas toneladas de PVC cada uma. A Medabil também pretende dar treinamento para os profissionais das construtoras interessada em trabalhar com o PVC. Atualmente, apenas duas empresas estão licenciadas.
O lançamento da Casaforte é o resultado de uma joint venture firmada pela Medabil com o grupo belga Tessendorle Chemie. O sistema também foi desenvolvido com o apoio do grupo Odebrecht, fabricante de PVC. Fundado há 35 anos, o Grupo Medabil projeta faturar este ano R$ 220 milhões, montante 20% superior ao resultado de 2001. Para 2003, a previsão é de um faturamento de R$ 350 milhões, sendo que R$ 100 milhões devem vir da venda das casas industrializadas. Além das unidades no Rio Grande do Sul, Pernambuco e Minas Gerais, responsáveis pela produção de material para a Casaforte - esquadrias, forros, portas, janelas, divisórias e revestimentos em PVC -, a Medabil atua na fabricação de estruturas metálicas, sendo líder nacional no segmento, através de uma outra joint venture com a norte-americana Varco Pruden Buildings.
Plano de Ação prevê faturamento dobrado
A Plano de Ação, agência de comunicação especializada em marketing promocional, prevê para este ano um crescimento de 100% do seu faturamento de R$ 13 milhões obtido no último exercício, principalmente por conta da captação de novos negócios. ´Nos primeiros cinco meses, já garantimos um crescimento de 50%. Agora, a expectativa é de superação", afirmou o diretor-geral, Guilherme Milnitsky.
A agência, que nasceu no Rio Grande do Sul em 1992 e, apenas um ano depois, transferiu sua sede para Curitiba como estratégia para atender o mercado nacional, já que 80% de seus clientes estão em São Paulo. ´Somos a maior agência fora de São Paulo e estamos entre as dez maiores do País neste segmento", observou Milnitsky. Com esta esperada expansão, a empresa pretende estar entre as cinco maiores até o final do ano.
Para atingir seus objetivos, a Plano de Ação criou diferenciais de mercado, como a ´Universidade Aberta de Merchandising" e o ´Supermercado Escola" que permitem a simulação de ações e de elementos de merchandising no ponto de venda de auto-serviço (lojas de conveniência, farmácias e supermercados, por exemplo). ´Temos gôndolas, iluminação e toda a ambientação semelhante à do ponto de venda ´, afirmou o diretor geral.
Dentro da estrutura, há ainda um simulador de loja da Global Telecom - uma das empresas atendidas pela agência - com móveis, material de merchandising e aparelhos celulares. ´As equipes de promotores são treinadas e qualificadas dentro do espaço que simula os pontos de venda onde vão trabalhar. Temos 307 promotores nos pontos de venda da Global," afirmou Milnitsky.
A logística é outro ponto importante para a empresa, que investiu numa área de 2,5 mil metros quadrados (m²), em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, para armazenar e distribuir os produtos de clientes. ´Sai mais barato para o cliente enviar a mercadoria de São Paulo para Curitiba, para que nós façamos a distribuição para a Bahia, por exemplo, do que deixá-la armazenada num depósito de São Paulo", comparou o diretor de atendimento da agência, Márcio Tavares.
O banco de dados da empresa tem 80% dos pontos de venda do País. ´Podemos por exemplo, saber de uma promoção de preços que esteja acontecendo numa loja do Nordeste, e informar nossos clientes de forma imediata", observou Dado Borell, da Plano de Ação, complementando que estes dados permitem ao cliente planejar a quantidade exata de material utilizado nas ações, evitando desperdícios.
A agência tem 700 funcionários fixos e aproximadamente 300 temporários que trabalham nas diversas ações promocionais e eventos. Esta semana, está realizando a campanha nacional dos cartões de crédito do HSBC. ´Foi uma operação que aconteceu simultaneamente do Acre ao Rio Grande do Sul, com 302 pontos de venda", afirmou Tavares.
A Maratona Porto a Porto, evento que marcou a inauguração do Complexo de Pontes de Porto Camargo, no Paraná, também foi realizado pela Plano de Ação. A empresa ainda fará a seletiva do mundial de hipismo, que acontecerá em Curitiba, com patrocínio do HSBC e da Audi.
A agência pretende realizar 70 eventos até o final do ano, que devem representar 20% do seu faturamento - 80% são de contratos anuais com a Bristol - Myers Squib, Global Telecom, Natura, Procter & Gamble, Spaipa, Paraná Equipamentos, HSBC, Audi e Phytoderm, entre outras.
Artigos
A democratização do microcrédito
José Arthur Assunção
Nós, brasileiros, somos empreendedores por natureza. O risco proveniente da atividade empresarial parece estar no sangue. No entanto, os negócios, de modo geral, são mal planejados ou mal administrados. Por isso, apesar de um número imenso de empresas serem abertas a cada dia, outro número não menos imenso fecha também todos os dias. Para que esse quadro se reverta e o tão esperado desenvolvimento sustentável enfim ocorra, torna-se necessário não somente o fornecimento do crédito, mas um acompanhamento efetivo da atividade exercida pelos microempreendedores, responsáveis pela maioria dos postos de trabalho existentes no Brasil.
A solução para esse impasse é incrementar um tipo de financiamento ainda embrionário no País, o microcrédito, que já se constitui em realidade promissora em muitos países do mundo. O que faz essa modalidade de crédito diferenciar-se das demais é o acompanhamento passo-a-passo da empresa como também o treinamento disponibilizado.
Não basta financiar a máquina de costura, é preciso, principalmente, acompanhar a costureira desde o início, dando-lhe o suporte necessário e verificando se o dinheiro está sendo empregado realmente na atividade-fim proposta no contrato inicial. Seguindo essa logística, diminui sensivelmente a possibilidade de quebra do negócio.
No entanto, para financiar os microempreendedores atualmente contamos apenas com Organizações Não-Governamentais e Sociedades de Crédito ao Microempreendedor, que movimentarão cerca de R$ 20 milhões em 2002, provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas esses recursos são ainda irrisórios se comparados, por exemplo, ao que é movimentado pelo Grameen Bank, de Bangladesh, que empresta cerca de US$ 1 bilhão por ano nessa modalidade.
A alavancagem do microcrédito somente ocorrerá no Brasil quando houver participação direta das financeiras. Para tanto, é preciso haver vontade política por parte do governo e das instituições financeiras. Ocorrerá, a partir daí, uma democratização dessa modalidade de financiamento e o natural é que a movimentação de recursos seja infinitamente superior à atual.
Implantar programas de microcrédito como política pública é, sem dúvida, a melhor maneira de inserir os excluídos no mercado de trabalho, dando-lhes não somente apoio financeiro, mas também o suporte técnico necessário para o sucesso do empreendimento. O microcrédito é bom para todos. Financia a geração de renda e de poupança. Mas para que efetivamente dê resultado e vire realidade é preciso que as financeiras também sejam inseridas no programa do BNDES por contarem com estrutura e pessoal treinado exclusivamente para esse fim, além de estarem muito mais perto do povo do que qualquer outra instituição e atuarem em todo o território nacional.
Colunistas
NOMES & NOTAS
Bancada cooperativista
Grandes responsáveis pelo bom desempenho da balança comercial brasileira, as cooperativas agropecuárias querem aumentar, nas eleições de outubro, sua bancada na Câmara Federal, hoje integrada por 225 dos 514 deputados. O assunto foi discutido ontem em evento do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Segundo o presidente da entidade, João Paulo Koslovski, o importante é o compromisso do candidato com o setor, e não sua filiação partidária.
Leite de fora
O deputado Cezar Silvestri, do PPS paranaense, relator da CPI do Leite na Assembléia Legislativa, está preocupado com mais uma informação sobre o setor que recebeu recentemente em Brasília, durante reunião com o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes: centenas de prefeituras brasileiras estariam preferindo importar leite de países vizinhos, como a Argentina, para utilizar na merenda escolar. ´Precisamos inibir esta prática que prejudica os produtores", afirma o parlamentar, desconfiado dos dados. Numa consulta à prefeitura de Curitiba, a CPI do Leite foi informada que o leite em pó predominaria nos programas de alimentação popular. A CPI decidiu, agora, solicitar às demais prefeituras paranaenses o mesmo tipo de informação.
Fogo cerrado
O PMDB e o PPS já abriram fogo contra o senador Álvaro Dias (PDT-PR), pré-candidato ao governo do Paraná. As legendas distribuíram à imprensa notas questionando os resultados da pesquisa de intenção de voto divulgada no último domingo, dando a enormidade de 50% de preferência para Dias.
Modernização
Rio do Sul, de Santa Catarina, foi o primeiro município brasileiro a contratar recursos do Programa de Modernização das Administrações Tributárias Municipais (PMAT), uma linha de crédito, com recursos do BNDES, agenciada pelo Banco do Brasil. Os recursos, de R$ 821 mil, são para modernização da administração tributária do município e melhoria da qualidade dos gastos públicos nas áreas administrativa, de assistência à criança, saúde, educação e geração de trabalho e renda.
Sudam
Os procuradores da República que compõem a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), encarregada das investigações de fraudes da extinta Sudam, estão sendo esperados hoje em Curitiba para colher novos depoimentos de envolvidos e testemunhas no chamado ´Caso Usimar". Os depoimentos serão tomados a partir das 9 horas, na sede da Polícia Federal, que já tinha instaurado inquérito policial sobre o caso. O grupo fica em Curitiba até amanhã.
CUB mais alto
O Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil calculado pelo Sinduscon-PR foi reajustado em 0,42% no mês de abril. O CUB, que aumentou 0,07% em março, refletiu em abril o movimento de alta de preços também confirmado pelo índice de inflação no período. Nos quatro primeiros meses do ano, o índice acumula aumento de 1,05% e, nos últimos doze meses, de 8,86%, variação pouco menor que a inflação (IGP-M de 8,92%) no período. Os custos da mão-de-obra permanecem estáveis há nove meses.
Conceito ´A"
O Centro de Tecnologia em Eletrometalmecânica (CTEMM) do SENAI de Joinville, Santa Catarina, obteve recomendação com conceito ´A" dos auditores do Ministério da Educação (MEC) para seu novo curso de nível superior, em Gestão da Produção e Serviços Industriais. Nos próximos dias, o MEC deverá publicar no Diário Oficial da União a aprovação para o funcionamento deste que é o segundo curso de nível superior do SENAI/CTEMM e o quinto que o SENAI de Santa Catarina fornecerá de forma independente. ´É um dos primeiros cursos criados sob a nova concepção da organização curricular, baseada em competências", afirma a diretora do SENAI/CTEMM, Hildegarde Schlupp.
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05/08/2002
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