Iniciativa inspirada em programa norte-americano



Proerd funcionava por meio de parceria da Polícia de Los Angeles e do seu Distrito Escolar

O modelo seguido pelo Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) surgiu nos Estados Unidos e funcionava por meio de parceria do Departamento de Polícia de Los Angeles com o Distrito Escolar daquela cidade. Denominado Dare (Drug Abuse Resistance Education, sigla em inglês), o esforço cooperativo resultou em dados estatísticos que mostraram a eficiência dos programas de prevenção às drogas.

Da Califórnia, o Dare expandiu-se para todos os estados norte-americanos e mais de 40 países. No Brasil, com o apoio do Dare internacional, a iniciativa recebeu o nome de Proerd.

O Rio de Janeiro foi o primeiro Estado brasileiro a implantar a medida. Em 1993, policiais cariocas, coordenados por equipes de Los Angeles, ofereceram treinamento de duas semanas a 20 oficiais da Academia de Polícia Militar do Barro Branco, em São Paulo.

Na época, as aulas práticas e teóricas aos instrutores incluíam 17 lições sobre efeito das drogas, pressões, maneiras de dizer não, autoconfiança e influência da mídia para o consumo de produtos alucinógenos. A corporação utilizou tais conceitos em sala de aula até 2006.  

Em 2003, uma pesquisa do Grupo Inderdisciplinar de Estudo de Álcool e Drogas (Grea), do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), apontou que alunos, professores e policiais deram nota 9,5 ao Proerd. “Faltava atualizar material didático, instrutores e abordar outros temas, entre eles os malefícios do solvente”, conta a tenente Adriana Nunes Nogueira, chefe da seção de Planejamento da Divisão de Apoio a Programas Educacionais (Dape) da PM.

A tendência foi confirmada na pesquisa do Cebrid, que indicou aumento no uso de solventes, inalantes e de moderador de apetite entre as meninas.

Atualizando conteúdos – No mundo globalizado, as crianças têm acesso rápido à informação, o que motivou a Diretoria de Ensino do Proerd a atualizar o conteúdo das aulas. “Passamos a estimular o pensamento crítico, escutar os alunos, questioná-los e inspirar reflexões”, recorda a tenente. A partir daí, o curso começou a destacar, em dez lições, temas que motivavam a autoconfiança do jovem e o treinamento de sua habilidade de resistência a um convite para experimentar drogas.

As crianças começaram a questionar. Ela cita o caso de um garoto da 4ª série que assistiu às aulas do Proerd num colégio da Luz, zona central da cidade. Ele ficou indignado ao avistar, próximo ao Centro de Estudos Musicais Tom Jobim, um banner com foto do ilustre músico que homenageia o nome da escola, fumando charuto. O garoto relatou sua revolta em carta enviada à Secretaria de Estado da Cultura, que inseriu outra imagem do compositor, tocando piano.

A partir da apostila, os policiais discutiram vários assuntos com os alunos da 4ª série. Entre eles, investindo em sua própria vida, efeitos das drogas, estatísticas, técnicas comerciais e responsabilidades sociais e legais. 

“Não abordamos a droga em si para não despertar a curiosidade das crianças. Falamos das drogas e suas conseqüências legais, fisiológicas e sociais”, explica a tenente Adriana.  

Mais comunicação – A major Lilian Cristina da Silva, coordenadora operacional do Proerd, adianta que em 2009 pretende-se atualizar o currículo do programa e incluir na discussão em sala de aula os malefícios resultantes do consumo das “drogas de balcão”. Ou seja, medicamentos adquiridos na farmácia e consumidos em grande quantidade, sem autorização médica.

Outra novidade, prevista para novembro de 2008, é envolver instituições, igrejas, escolas e familiares e discutir a importância da comunicação, características da cultura jovem, relações com a família e influência das drogas. A tenente Adriana diz que a idéia é facilitar a comunicação entre pais e filhos, já que alguns lares são desestruturados e observa-se a ausência de espiritualidade. Além destes fatores, quando a comunidade oferece poucas opções de lazer e de acesso a programas de saúde e de educação, o ambiente é favorável ao uso de drogas.

Instrutores de SP treinam oficiais de todo o País

O Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) funciona em todos os estados brasileiros. Os Estados Unidos, Brasil e México são os países do continente americano que mais desenvolvem a iniciativa para prevenção às drogas, de acordo com a capitão Rita de Cássia Romão Azevedo, chefe da Divisão de Apoio a Programas Educacionais (Dape) da Polícia Militar. Em São Paulo, está presente em 97 Batalhões da PM da capital e interior.

Desde 1997, os instrutores da PM paulista responsabilizam-se pela formação de, no mínino, uma equipe de policiais das demais federações atuantes no programa.

A major Lilian Cristina da Silva, coordenadora operacional do Proerd, informa que o ingresso dos soldados nesta área é voluntário e depende da escolha de cada um. Ela relaciona algumas habilidades imprescindíveis para atuar na área de educação: facilidade de comunicação, aptidão com público infanto-juvenil, iniciativa, espírito de equipe e saber ouvir. Não são admitidos candidatos fumantes. Exige-se, no mínimo, dois anos de atuação nas atividades operacionais da PM.   

Ao todo, os oficiais aspirantes a instrutores participam do curso de formação composto de dez aulas de 45 minutos. São duas semanas de curso (80 horas/aula).

Capacitação – O mais recente treinamento ocorreu nas duas primeiras semanas de junho, numa universidade da zona norte da capital e reuniu 49 policiais de diversas cidades paulistas.

Além da abordagem de todas as lições da apostila do Proerd, a capacitação incluiu também o estágio em sala de aula, no último dia do curso. Esta foi a experiência do soldado Gomes, relatada no início do texto.

“Antes de vir para cá (curso), o pessoal passou por seleção no próprio Batalhão. Se a pessoa for introvertida é desqualificada”, avisa o capitão João Marcos de Araújo, do 23º Batalhão da PM do interior, Lorena, coordenador das aulas.

O soldado Samuel Pereira Batista trabalha na corporação há cinco anos, dois deles dedicados à Ronda Escolar em Votuporanga, na região de São José do Rio Preto. Decidiu atuar no Proerd porque adora crianças. Para ele, o treinamento está aprimorando seu relacionamento com os pequenos: “Os instrutores nos ensinam como tratar melhor as pessoas e ouvir seus problemas. Entrei no Proerd porque quero ser ainda mais útil à sociedade e contribuir para que os estudantes se afastem das drogas e da violência”. 

Valores – O que chama a atenção da soldado Lígia Lopes da Rocha, do 5º Batalhão da PM Metropolitano, há dez anos na Ronda Escolar, é a carência das crianças por amizades sinceras que motivem o desenvolvimento pessoal. “A Ronda Escolar existe para mudar a visão em relação aos policiais e mostrar que somos amigos”. A vontade de expressar ainda mais este sentimento a estimulou a ingressar no Proerd. “Meu objetivo é valorizar as crianças e adolescentes e mostrar-lhes sua importância pessoal e para a sociedade. Se usam drogas é porque perdem o referencial, o que prejudica seu futuro”, analisa.

Da Agência Imprensa Oficial



06/19/2008


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