João Paulo volta criticando PT e PPS
João Paulo volta criticando PT e PPS
Depois de passar 9 dias na Europa, prefeito do Recife chega pregando a unidade na Frente de Esquerda
O prefeito do Recife, João Paulo (PT), retornou ontem de uma viagem de nove dias à Europa e não poupou críticas aos seus aliados políticos. Segundo o petista, a troca de farpas entre representantes PT e PPS em nada contribui para a perspectiva da Frente de Esquerda, que é manter a unidade em 2002, no cenário político local e nacional. Ao fazer essa afirmação, o prefeito mandou um recado direto para o deputado federal Fernando Ferro (PT), o senador Roberto Freire (PPS) e o prefeito de Petrolina Fernando Bezerra Coelho (PPS), que nos últimos chegar a bater-boca pela Imprensa.
De acordo com João Paulo, esse tipo de comportamento não vai resolver as diferenças existente entre os partidos. "Temos que sentar e conversar. As questões pontuais de cada legenda e a composição política não pode sair se discussão acontecer dessa forma", avaliou. João Paulo disse ter acompanhado todos os acontecimentos pela Internet.
Na avaliação do prefeito, o argumento utilizado pelo deputado Fernando Ferro para rebater as declarações do senador Roberto Freire, que colocou o PT como um potencial adversário para 2002, não foi coerente. Ao fazer o contra-ataque Ferro chegou a recomendar que o PPS deveria entregar os cargos que ocupa na PCR. "Essa proposta é equivocada. Até porque fizemos uma aliança de quatro anos com os partidos. Além disso, temos critérios para afastar um secretário". Segundo o prefeito, o afastamento só pode acontecer se o secretário não corresponder as necessidades da pasta ou se ocorrer um rompimento com um partido de sustenção ao Governo.
Sobre as declarações de Fernando Bezerra Coelho, que teria confidenciado a amigos seu desejo de trabalhar para impedir a unidade dos partidos em torno de uma candidatura do PT, João Paulo disse não acreditar que o prefeito tenha feito tal desabafo. "Tenho conversado com Fernando e não senti esse desejo dele. Acho que ele pode está insastisfeito com algumas coisas, mas, apesar disso, jamais passaria para o outro", concluiu. O prefeito se referiu a uma possível ida de Bezerra Coelho para o PFL, partido de sustentação ao Governo Jarbas Vasconcelos (PMDB).
Quanto a uma possível aproximação de Bezerra Coelho com Jarbas, João Paulo disse que, por enquanto, tudo não passa de especulação. "Até agora Fernando não assumiu nada publicamente. Temos que respeitar e ter cuidado com nossos aliados políticos", amenizou.
PSB discute alianças para 2002
A direção executiva do PSB promoverá hoje, às 9h30, no escritório político do ex-governador Arraes, uma reunião de preparação do Congresso Estadual do partido, que acontecerá no próximo final de semana. Os socilaistas irão discutir a mobilização dos militantes e também a renovação dos quadros da direção da legenda, diante do afastamento de alguns integrantes. Segundo a coordenação do PSB, alguns pessoas se afastaram do cargo por conta de funções assumidas fora do partido. Enquanto outras não estavam comparecendo as reuniões ordinárias do grupo.
Na última sexta-feira, o deputado federal Eduardo Campos se reuniu com 15 vereadores do PSB do Recife, Jaboatão, Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, municípios que compõem a Região Metropolitana Sul do Estado. A reunião de hoje estava marcada para as 17h, mas foi antecipada em razão de um encontro de Eduardo Campos com o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PSB), no início da noite.
Apesar de não haver confirmação por parte dos socilaistas, a informação é de que na reunião da executiva estadual também será discutida a política de alianças da legenda para a eleição de 2002 e a possibilidade do partido sair com candidato próprio na disputa pelo Governo do Estado.
Paralisação ameaça formatura de 40 mil
Alunos de universidades federais são penalizados
BRASÍLIA - A greve dos professores das universidades federais ameaça a formatura de cerca de 40 mil dos 460 mil estudantes que estão há 56 dias sem aula. O segundo semestre deve ter, por lei, cem dias letivos. Se as aulas recomeçassem nesta segunda-feira, já seriam necessários mais de dois meses apenas para recuperar as que foram perdidas. Nesse caso, o semestre terminaria somente em fevereiro, quando as aulas do próximo ano letivo deveriam estar começando. Mas mesmo esse cálculo não vale para todas as universidades públicas federais.
"Depende de como estavam as universidades quando pararam. Algumas ainda não tinham nem mesmo feito as matrículas", explica Roberto Leher, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes). O sindicato já há algum tempo ameaça com a suspensão do semestre. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, diz que não aceita o cancelamento nem do semestre nem dos vestibulares. Esse é apenas um dos impasses entre o Governo e os professores. O sindicato acusa o Ministério da Educação de não querer investir nas universidades, sobretudo em pesquisas e na formação dos professores.
"É uma visão neoliberal do Banco Mundial que o Governo adotou: de que a América Latina não precisa desenvolver pesquisa, mas apenas fornecer matéria-prima e mão-de-obra", afirma Leher. O diagnóstico de Paulo Renato também é duro. Corporativismo e ineficiência, segundo ele, são os principais problemas das universidades federais.
"As universidades federais têm um ensino de qualidade, mas precisam ir mais além, ter mais pesquisa, mais contato com a sociedade. O que emperra isso é o corporativismo", afirma o ministro. Paulo Renato considera que há uma certa má vontade de professores e funcionários para aceitar mudanças, que acabam tendo de ser quase impostas. Um exemplo seria a Gratificação de Estímulo à Docência (GED), criada no fim de 1998.
A intenção, segundo o ministro, era premiar os professores de acordo com seu desempenho acadêmico, incluindo o número de horas em sala de aula. Uma daspropostas do sindicato dos professores para pôr fim à greve é incorporar a gratificação ao salário, o que acabaria com a avaliação. Para Paulo Renato, é um sinal de corporativismo. Para o sindicato, uma maneira de corrigir algo errado.
"A GED falha em duas coisas. Primeiro, ela acaba com a isonomia entre professores com qualificação idêntica, o que na nossa visão é errado. Segundo, os professores passam por avaliações constantes, sempre que vão mudar de nível nas universidades, o que torna essa avaliação de desempenho desnecessária e errada", afirma Leher.
Paulo Renato, no entanto, não está disposto a abrir mão do que considera um símbolo das mudanças que tem conseguido fazer nas instituições de ensino federais. Entre elas, estão o aumento do número de vagas mesmo sem a contratação de professores, o que elevou a proporção de alunos por professor. Em 1994, essa relação era de sete alunos para cada professor. Hoje, está próxima de 12. Mesmo assim, ainda está baixa, em comparação com os padrões de universidades de países desenvolvidos. Na Alemanha, por exemplo, a proporção é de 26 estudantes por professor. Nos Estados Unidos, é de 14 alunos para cada docente.
Suspeita de superfaturamento
PIRAJU (SP) - Fazenda Ceres, ponta de lança de um projeto da Força Sindical de estender sua atuação à área rural, com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, está sob suspeita de ter sido comprada a preços superfaturados. O caso já foi enviado pela Procuradoria de Justiça do Estado para o Ministério Público Federal.
A fazenda, de 300 alqueires, foi comprada em abril por R$ 2,3 milhões para assentar 73 famílias da Força da Terra (braço rural da Força Sindical) com financiamento do Banco da Terra. Mas, segundo depoimentos colhidos p or uma comissão da Câmara Municipal de Piraju, no interior de São Paulo, o preço real da fazenda fica entre R$ 900 mil e R$ 1,5 milhão.
A Fazenda Ceres é um dos principais projetos do presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que usou imagens da propriedade no último programa eleitoral do PTB, do qual é vice-presidente nacional. Só nos estados de São Paulo e Rio Grande do Norte, a Força da Terra deve receber mais de R$ 160 milhões do Banco da Terra, segundo protocolos assinados pelo ministro Raul Jungmann com a central sindical.
Paulinho tem antigas ligações com Piraju. Sua mulher, Elza de Fátima Costa Pereira, é da região e chegou a ensaiar uma candidatura a prefeita no ano passado. A rádio da cidade hoje é de um advogado da Força Sindical. O fazendeiro Nelson Monteiro de Souza depôs na Câmara de Vereadores e afirmou: "A venda de parte da fazenda foi oferecida por R$ 3 mil o alqueire e possivelmente o proprietário aceitaria uma proposta de R$ 2.500", disse Nelson, conhecido fazendeiro da cidade.
Com 300 alqueires, a R$ 3 mil o alqueire, o preço da fazenda seria de R$ 900 mil. A Força pagou R$ 7.500 por alqueire, com dinheiro do Banco da Terra. O presidente da Força da Terra em Piraju, Júlio Piacenzzo Galhardo, disse à Câmara que chegou a atuar como representante de um corretor que oferecia a fazenda a R$ 5 mil o alqueire. Na condição de presidente da Força da Terra, Piacenzzo foi o principal responsável pela escolha da propriedade, aprovada em assembléia pela maioria dos 72 assentados. Ou seja, ele tentou vender a fazenda por R$ 1,5 milhão, não conseguiu e, pouco depois, comprou a propriedade com financiamento do Governo por R$ 2,3 milhões.
No último dia 15, a Procuradoria de Justiça do Estado enviou representação ao Ministério Público Federal, em Marília, pedindo a investigação do suposto desvio de dinheiro público. Pelo menos cinco dos 72 assentados já desistiram do projeto.
Governo reavalia política de exportação
Cotação do dólar acima de R$ 2,50 pode estimular vendas externas, mas resultado ainda é tímido
BRASÍLIA - Estimativas do Ministério da Fazenda indicam que a cotação do dólar entre R$ 2,40 e R$ 2,50 seria mais do que suficiente para estimular as exportações e gerar significativos superávits na balança comercial. Como a moeda norte-americana ficou acima desse patamar nos últimos meses e os resultados do comércio continuaram tímidos, o Governo foi obrigado a reavaliar o assunto, reconhecer erros e, numa mudança de estratégia, montar um esquema agressivo para tentar fazer as exportações decolarem.
"Cometemos um erro crasso quando previmos um superávit de US$ 11 bilhões em resposta à desvalorização de 1999 e agora repetimos o erro ao esperar uma reação forte da balança à taxa de câmbio", diz um técnico do ministério. Segundo ele, uma avaliação mais abrangente indica que o câmbio fixo por muito tempo e o aumento das importações, como ocorreu até a desvalorização de 1999, gerou um desestímulo para as empresas exportarem. "Muitas saíram do mercado", afirma. "A volta delas demoraria entre três e quatro anos."
Um estudo feito pelo ex-diretor de Política Econômica do Banco Central Sérgio Werlang mostra que a cotação do dólar a R$ 2,45 equivale à taxa de câmbio praticada em 1992, quando o Brasil gerou superávits comerciais significativos. Foram US$ 15,2 bilhões em 1992 e outros US$ 13,3 bilhões no ano seguinte. "A diferença é que, naquela época, não havia uma abertura para importações como temos hoje", avalia Werlang.
"É razoável supor que, com o câmbio um pouco acima dos R$ 2,45, a probabilidade das exportações deslancharem é grande. O difícil é prever esse nível, mas uma taxa de R$ 2,70 não é absurda." O agravante para o técnico da Fazenda é que, apesar dos esforços do governo, o cenário atual de retração da economia mundial deve ser um novo fator de inibição. O certo, admite, é que o Brasil perdeu o "timing das exportações". Pois há dois anos, além da desvalorização, o País tinha a seu favor os mercados internacionais, principalmente os Estados Unidos, em ritmo de crescimento. Com o governo prestes a lançarnovo pacote para estimular as exportações, ele se conforta: "É melhor agir tarde do que nunca, pois, apesar de tudo, nós garantimos a inflação sob controle."
Responsável pela política de bandas cambiais até a desvalorização de 1999, o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco admite que o câmbio ficou um tempo sobrevalorizado. "Mas não muito", frisa. E garante que o câmbio sozinho não consegue mudar o ritmo das exportações. "É preciso baixar o custo Brasil que ninguém ouve mais falar", afirma, referindo-se à carga tributária, aos altos custos portuários e dos fretes. Para Franco, falta também infra-estrutura adequada para o Brasil se consolidar como um País exportador.
Para o ex-secretário de Política Econômica do ministério José Roberto Mendonça de Barros o problema maior é que as exportações nunca estiveram no programa estratégico do Governo. O que fez com que encolhesse o número de empresas exportadoras. "Quatorze mil empresas já exportaram e hoje são poucas as que são profissionais nas vendas aoexterior", diz.
Segundo ele, "até há pouco o resultado financeiro do Tesouro Nacional era o mais importante" e, por isso, o Governo deixou de financiar adequadamente o setor exportador. Ele explica que montar toda a estrutura para exportação demora anos e envolve não só o produto em si, mas toda a estrutura de produção, a modelagem, o design e a cultura do país. "No Chile, todo mundo fala que o país só cresce se exportar", compara.
Na avaliação de Guido Mantega, da Fundação Getúlio Vargas e principal assessor econômico do petista Luís Inácio Lula da Silva, o dólar no patamar de R$ 2,70 é estimulante para as exportações. Mas argumenta que "já ficou provado que a desvalorização não é suficiente para alavancar a balança comercial" e prega o aumento dos financiamentos. Ele considera, entretanto, que agora o governo está no caminho certo trabalhando também para reduzir a carga tributária das exportações. Mantega concorda que o Brasil perdeu a melhor chance de dar uma virada nas vendas ao exterior em 1999, masressalta que nunca é tarde.
Colunistas
DIARIO Político
Política real
Há uma questão que precisa ser melhor analisada em Pernambuco: o que move o governador Jarbas Vasconcelos no jogo sucessório nacional e por que ele tem tratado Itamar Franco com tanta fúria? Somando os fatos desde o início da gestão dele, não é difícil entender seu papel nesse jogo. De início, deve-se dizer que, certamente, Jarbas tem interesse em participar do processo por razões mais subjetivas - como acreditar, pelo menos em parte, no projeto de desenvolvimento nacional implementado ao longo das duas gestões de Fernando Henrique. Mas há o pragmatismo óbvio do jogo político: o apoio a FHC pode retornar sob a forma de apoio do Governo Federal à sua administração no Estado. É algo semelhante ao que tem feito João Paulo no Recife. Brizola quando governador do Rio de Janeiro manteve uma relação excelente com o então presidente Fernando Collor. Conseguiu construir a milionária Linha Vermelha. Miguel Arraes esteve bem também com FHC nos primeiros anos de seu governo. Chegou a acertar a antecipação de R$ 700 milhões da venda da Celpe - o que acabou sendo atropelado pelo processo eleitoral de 98, por pressões de Jarbas e Mendonça Filho. O que acontece agora com Jarbas é resultado da frutífera relação com FHC. Desde 99, Jarbas já conseguiu: rolar a dívida da operação dos precatórios; antecipação pela venda da Celpe e da Compesa; recursos para as obras do Aeroporto; e investimento na expansão do metrô do Recife. Chega-se a cerca de R$ 1 bilhão em apoio? Essa conta ainda precisa se r feita. Ela é um estímulo e tanto para missões como a de lutar por manter o PMDB na base governista.
Deputados governistas dizem que a recomendação veio do Palácio: ninguém deve falar sobre chapão e chapinha para evitar envolvimento antecipado do governador. Eles temem que, por causa das articulações, Jarbas chegue no ano que vem com a "corda no pescoço".
Animado
O conflito no PPS com Fernando Bezerra Coelho virou motivo de piada. Luciano Siqueira (PCdoB) caiu na gargalhada quando o publicitário José Nivaldo apresentava a nova campanha televisiva da prefeitura e disse que tinha matado dois coelhos, produzindo vídeos multitemáticos. Luciano reagiu pedindo que parasse porque já havia ruído demais com Coelho.
Choque
A secretária Terezinha Nunes ocupa posição privilegiada no núcleo central de decisão do Governo Jarbas Vasconcelos (PMDB). Supera suas atribuições como chefe da equipe de comunicação. Não é por outro motivo que se ouvem queixas freqüentes de grupos importantes da administração - de pefelistas, tucanos e peemedebistas.
Mania
O presidente do PTB, deputado André Campos, não pára de receber elogios pelo programa partidário exibido na semana passada. Por falar na propaganda, pelo jeito, mais uma vez, o PTB vai fazer moda. Na Assembléia, virou mania o "Preste atenção, rapaz!", dito pelo ator Walmir Chagas, que interpretou o Mané Chinês na campanha de 2000. Até os governistas entraram na brincadeira.
Humor
O clima é de alto astral na propaganda que a Prefeitura do Recife começou a veicular ontem. Mas ninguém quer nem ouvir falar nisso por causa das campanhas de Jarbas Vasconcelos na PCR.
Filiação
O PT já digeriu a entrada de João Lyra Neto e Pedro Eugênio na legenda graças à reunião de emergência da executiva no dia da filiação - que inclusive atrasou a recepção. Houve uma dura discussão. O partido acabava de punir o deputado Paulo Rubem por ter descumprido o estatuto, mas os caciques petistas insistiam em filiar os dois, de forma autoritária, assumindo tarefa que é da direção.
Ameaça
O deputado Antônio Morais (PSDB) voltou de São Paulo animado com o PSDB Municipal, jornal editado pela executiva tucana. Publicado mensalmente, apresenta uma coletânia de matérias já publicadas com denúncias contra a gestão de Marta Suplicy (PT). Se essa moda pega aqui...
A declaração de Antonio Ermírio de Moraes, no final da semana, em favor de Tasso Jereissati é sinal de que pouco importa a origem dos candidatos a presidente. Um cearense pode manter proximidade maior com a elite empresarial do País que um paulista do calibre de José Serra. Ser nordestino não é garantia de que se terá, um dia, políticas contra desigualdades regionais.
Editorial
Bioterrorismo
Nova frente contra o terrorismo está aberta nos Estados Unidos desde o último dia 5, quando o editor de fotografia do jornal The Sun, da Flórida, morreu contaminado por antraz. Já são quase cinqüenta os casos de pessoas atacadas pelo bacilo, entre as quais funcionários dos gabinetes dos senadores Tom Daschle (Dakota do Sul), Russel Fengold (Wisconsin) e uma assistente do apresentador Dan Rather, da rede de tevê CBS News. A correspondência é o meio que tem sido utilizado para disseminação da moléstia.
A colossal mobilização investigativa da polícia federal, o FBI, até agora não conseguiu reunir provas para vincular os ataques à rede terrorista Al Qaeda, comandada por Osama bin Laden. É fácil imaginar as dificuldades enfrentadas pelos contingentes policiais para identificar a origem da conspiração. O inimigo usa métodos tortuosos, age de forma sorrateira, mantém-se na sombra, oculta-se em meio a uma população multirracial de mais de 260 milhões de pessoas.
Uma onda de pânico se ergue a cada dia com maior ímpeto sobre o território norte-americano. Afinal, qual o risco potencial do antraz? A moléstia é transmitida por bacilo próprio que provoca infecção grave. A contaminação pode ocorrer por contato direto, ingestão ou aspiração. Porém, uma vez atacada após diagnóstico oportuno, é curável com facilidade. Não resiste às terapias com sulfamida, penicilinas ou outros antibióticos. Assim garantem os mais autorizados especialistas em enfermidades do gênero, como Sebastião Prado Sampaio, professor emérito de dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
A psicologia humana, ensinam as lições colhidas do comportamento social, é muito mais sensível aos apelos do medo do que às certezas da ciência. A ofensiva bacteriológica desfechada pelo terror, seja lá qual for a bandeira sob a qual se abriga, assentou aí a sua lógica. E colhe no rastro da operação sinistra o pavor de um povo que, até 11 de setembro, julgava-se a salvo de qualquer ameaça. O sóbrio Washington Post, um dos mais acreditados diários do Mundo, registra o fenômeno em sua dimensão real. E adverte que o sentimento de impotência diante do bioterrorismo cria sérias perplexidades na Casa Branca.
É notório, como reconhece o jornal, a falta de unidade no discurso dos líderes governamentais no tratamento da questão. Assim, mina-se cada vez mais a resistência moral do povo. Washington lida com um tipo de agressão pelo visto ignorado em sua estratégia de segurança. Contudo, da própria administração das tragédias sempre se recolhe experiência apta a superá-las. Aí está desafio aos Estados Unidos tão grande quanto os assaltos militares contra os antros terroristas no Afeganistão.
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10/22/2001
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