LAURO CITA LIVRO DE FHC PARA CONDENAR AUTORITARISMO



Ao analisar hoje (dia 15) no plenário a proximidade do processo eleitoral e se posicionar contrário à reeleição do presidente da República, o senador Lauro Campos (PT-DF) lembrou o livro Autoritarismo e Acumulação, escrito pelo próprio Fernando Henrique Cardoso, onde ele explica que o autoritarismo brasileiro está ligado à acumulação de capital. "Como o governo não está podendo reduzir mais ainda os salários, tem de usar uma maior dose de autoritarismo, de acordo com o método de análise feita nesse livro que eu citei do professor FHC", observou Lauro.

O senador disse que, ao chamar de "vagabundos" as pessoas que se aposentaram precocemente, o presidente Fernando Henrique Cardoso esqueceu-se de que ele próprio se aposentou aos 38 anos de idade como professor, durante o regime militar, e hoje recebe R$ 5.400 por mês.

Lauro citou entrevista concedida pelo sociólogo Francisco de Oliveira na semana passada, em que este afirmou que o presidente Fernando Henrique Cardoso havia se transformado em um tirano. O mesmo sociólogo, segundo Lauro, já havia no ano passado classificado o presidente como déspota. "Esta opinião é de uma pessoa que trabalhou com Fernando Henrique Cardoso durante 12 anos e que o conhece melhor do que qualquer um de nós", ressaltou o senador. Ele também lembrou opinião do intelectual Leandro Konder, externada em 1997, que considerava que a vaidade do presidente havia ultrapassado a sua inteligência.

- Respondendo à colocação de Konder quase um ano depois, o presidente disse que sua inteligência é muito maior do que a sua vaidade. Ao dizer isto, ele está reafirmando a sua vaidade. Fernando Henrique é tão vaidoso que afirma que a sua inteligência, que ele próprio considera quase infinita, é maior do que sua vaidade, que ele reconhece ser imensa. Talvez as duas se tangenciem no infinito - ironizou Lauro Campos.

Em aparte, o senador Edison Lobão (PFL-MA) contestou as opiniões dos intelectuais citados por Lauro Campos. "Eu acho que todos nós temos um pouco de vaidade em alguns momentos e por determinadas razões. Agora, chamar o presidente da República de um déspota e um tirano é, evidentemente, um absurdo", defendeu Lobão, acrescentando que considerava Fernando Henrique "um democrata, um intelectual, um homem inteligente, capaz".



15/05/1998

Agência Senado


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