Médicos avaliam mudança de lei









Médicos avaliam mudança de lei
Especialistas aprovam projeto que flexibiliza critérios para contratação de doentes graves pelo Estado

As medidas anunciadas pelo governo do Estado para garantir o ingresso no serviço público de pessoas aprovadas em concursos que são portadoras de doenças graves, contagiosas ou incuráveis, porém estão em condições de exercer suas funções no momento da perícia médica, foram vistas com bons olhos pelo diretor científico da Sociedade de Cardiologia do RS, Enio Casagrande. Segundo ele, o projeto que será enviado à Assembléia, no próximo dia 1º, corrigirá distorções existentes no texto atual, como a avaliação dos critérios de qualificação das doenças e a definição de onde essas pessoas podem atuar e de que tipo de atividades podem exercer.

Entre as doenças elencadas no texto a ser modificado, estavam as cardiopatias graves. Casagrande disse que qualquer pessoa que sofra de doenças do coração pode e deve trabalhar, respeitando as suas limitações, como a impossibilidade de fazer esforços físicos. 'Claro que um cardiopata não será professor de Educação Física, mas pode trabalhar na biblioteca ou na secretaria da escola', afirmou o diretor. Para ele, discriminar as pessoas é uma atitude desumana.

O coordenador do programa de Aids do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e membro das comissões nacional e municipal de Aids, Jair Ferreira, participou das discussões e da elaboração do decreto de 20 de junho que garantiu o direito de pacientes com Aids em tratamento de ingressarem no serviço público. Ferreira disse que o projeto que será enviado à Assembléia Legislativa deverá corrigir contradições existentes na lei em vigor, retirando a tuberculose do rol das doenças incuráveis e redimensionando o direito à aposentadoria integral.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, existem hoje no país cerca de 600 mil pessoas portadoras do HIV e outras 120 mil têm a doença. No Rio Grande do Sul, o número de novos casos registrados anualmente fica em torno de 2,5 mil, em um universo de aproximadamente 50 mil gaúchos infectados. Ferreira afirma que, antes dos chamados 'coquetéis', há seis anos, o número de doentes que morriam em até dois anos era de 80%. Hoje, com o tratamento universalizado, esse índice caiu para 20%. 'E esses são justamente os que não fazem o tratamento', destaca o coordenador. Para o epidemiologista, o doente de Aids é como o diabético que precisa tomar a insulina diariamente.


Bernardi se preocupa com Centro
O candidato do PPB ao governo, Celso Bernardi, criticou ontem, durante entrega de panfletos na Esquina Democrática, o descaso da prefeitura com o Centro de Porto Alegre. Segundo ele, ao contrário das grandes cidades de todo o mundo, onde a zona central é apresentada como cartão postal, em Porto Alegre se trata de área insegura e de difícil circulação. 'É inadmissível que estando na prefeitura há 14 anos o PT ainda não tenha conseguido solucionar os graves problemas que perturbam os usuários do Centro', salientou, ao lado da sua vice, Denise Kempf.

Bernardi argumentou que até 1999 o efetivo da Brigada Militar previsto para o patrulhamento da área central, compreendido por Dr. Flores, Mauá, General Câmara e Salgado Filho, era de cerca de 200 policiais, o que na prática dava uma média diária de 120. 'Atualmente, o efetivo previsto passou para 80 homens, o que resultou numa média de menos de 60 policiais ao dia', garantiu. Obedecendo à definição do Tribunal Regional Eleitoral, o PPB ocupou de manhã e no final da tarde a Esquina Democrática para distribuição de propaganda dos seus candidatos.


Barrada
A deputada Maria do Rosário, do PT, enfrentou dificuldades ontem à noite para subir ao palanque do presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva no Largo Glênio Peres. Inconformada, protestou contra os seguranças.


Candidato promete dar chances iguais
Lula enfatizou ontem, durante comício no Largo Glênio Peres, em Porto Alegre, que priorizará a educação e garantirá o crédito aos alunos. Destacou que negros, mulheres e deficientes físicos devem ter as mesmas oportunidades de trabalho. Afirmou que investirá forte na cultura popular e manterá diálogo com os prefeitos de todas as cidades do país. O candidato salientou ainda que a montadora Ford 'pegou dinheiro do Estado para se instalar na Bahia'. Fez duras críticas também à Petrobras por ter contratado mão-de-obra de Cingapura para construir sua plataforma.


Filiação
José Fortunati, candidato da Frente Trabalhista (PDT-PTB-PAN) ao governo do Estado, participou ontem de ato de filiação em Nova Barreiro, na região Celeiro. O vereador Paulo Josias Machado, com 12 anos de mandato, e o ex-vereador Vilmo Zanetti deixaram o PT e ingressaram no PDT. Fortunati abonou as fichas de filiação.


Social
Germano Rigotto, candidato da coligação União pelo Rio Grande (PMDB-PSDB-PHS) ao governo do Estado, disse ontem, em Jaguarão, que terá como maior desafio a inclusão social. Ele pretende criar projetos baseados em políticas para a expansão da oferta de emprego, associados ao desenvolvimento econômico regional.


Médicos avaliam mudança de lei
Especialistas aprovam projeto que flexibiliza critérios para contratação de doentes graves pelo Estado

As medidas anunciadas pelo governo do Estado para garantir o ingresso no serviço público de pessoas aprovadas em concursos que são portadoras de doenças graves, contagiosas ou incuráveis, porém estão em condições de exercer suas funções no momento da perícia médica, foram vistas com bons olhos pelo diretor científico da Sociedade de Cardiologia do RS, Enio Casagrande. Segundo ele, o projeto que será enviado à Assembléia, no próximo dia 1º, corrigirá distorções existentes no texto atual, como a avaliação dos critérios de qualificação das doenças e a definição de onde essas pessoas podem atuar e de que tipo de atividades podem exercer.

Entre as doenças elencadas no texto a ser modificado, estavam as cardiopatias graves. Casagrande disse que qualquer pessoa que sofra de doenças do coração pode e deve trabalhar, respeitando as suas limitações, como a impossibilidade de fazer esforços físicos. 'Claro que um cardiopata não será professor de Educação Física, mas pode trabalhar na biblioteca ou na secretaria da escola', afirmou o diretor. Para ele, discriminar as pessoas é uma atitude desumana.

O coordenador do programa de Aids do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e membro das comissões nacional e municipal de Aids, Jair Ferreira, participou das discussões e da elaboração do decreto de 20 de junho que garantiu o direito de pacientes com Aids em tratamento de ingressarem no serviço público. Ferreira disse que o projeto que será enviado à Assembléia Legislativa deverá corrigir contradições existentes na lei em vigor, retirando a tuberculose do rol das doenças incuráveis e redimensionando o direito à aposentadoria integral.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, existem hoje no país cerca de 600 mil pessoas portadoras do HIV e outras 120 mil têm a doença. No Rio Grande do Sul, o número de novos casos registrados anualmente fica em torno de 2,5 mil, em um universo de aproximadamente 50 mil gaúchos infectados. Ferreira afirma que, antes dos chamados 'coquetéis', há seis anos, o número de doentes que morriam em até dois anos era de 80%. Hoje, com o tratamento universalizado, esse índice caiu para 20%. 'E esses são justamente os que não fazem o tratamento', destaca o coordenador. Para o epidemiologista, o doente de Aids é como o diabético que precisa tomar a insulina diariamente.


Saúde

IDOSO I - O V Fórum Municipal do Idoso de Porto Alegre acontece hoje, das 14h à s 18h, no auditório Dante Barone, na Assembléia Legislativa. O encontro discutirá 'Qualidade de Vida: direitos humanos e saúde do idoso'.

IDOSO II - O projeto Produzir na Terceira Idade, do Colégio Aplicação, realizará no dia 29, às 14h, no salão 2 da Reitoria da Ufrgs, o curso 'Viver Bem, só Depende de Você'. Inscrições serão feitas no local a partir das 13h30min. Informações pelo fone 3330-5598.

DOR - A partir de setembro, o SUS distribuirá, gratuitamente, nos centros de referência credenciados, medicamentos a base de morfina, codeína e metadona para as pessoas que sofrem com dor crônica. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 60 mil pacientes precisam usar sistematicamente os remédios supercontrolados.


Agenda dos candidatos

HOJE
11 Celso Bernardi (PPB)
17h: Bossoroca. 18h30min: Viaja para São Luiz Gonzaga.
12 José Fortunati (PDT-PTB-PAN)
10h: Ametista do Sul. 15h: Rodeio Bonito. 20h: Palmeira das Missões.
13 Tarso Genro (PT-PCB-PC do B-PMN)
17h30min: Viaja a Vacaria.
15 Germano Rigotto (PMDB-PSDB-PHS)
11h: Nova Petrópolis. 15h: reunião de coordenação da campanha.
23 Antônio Britto (PPS-PFL-PT do B-PSL)
Viaja a Caxias do Sul e a Veranópolis.
40 Caleb de Oliveira (PSB)
14h: Gravataí. 18h: Alvorada.
43 José Vilhena (PV)
19h30min: reunião interna de campanha.


Ciro diz que não aliciará Itamar
O candidato da Frente Trabalhista à Presidência da República, Ciro Gomes (PPS-PDT-PTB), encontrou-se ontem com o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, às 11h30min, no aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte. Ciro negou que tenha pedido apoio de Itamar. 'Um homem da altura de Itamar não pode ser aliciado', assegurou. Itamar retornava de Juiz de Fora e Ciro chegava à capital mineira para se encontrar com empresários e participar, à noite, de comício em Nova Lima. 'O encontro foi apenas uma feliz coincidência. Avisaram-me que o governador estava lá. Para meu prazer e meu dever, fui abraçá-lo', disse o candidato na Associação Comercial de Minas Gerais.


Tribunal aponta aumento do eleitorado em 4,9%
O Tribunal Superior Eleitoral divulgou ontem que 115,271 milhões de brasileiros estarão aptos a votar em outubro. O crescimento foi de 4,9% em relação à eleição municipal de 2000, quando havia 109,8 milhões de eleitores. São Paulo ainda tem o maior número de votantes, 25,6 milhões, seguido de Minas Gerais (12,6 milhões), do Rio de Janeiro (10,2 milhões) e da Bahia (8,5 milhões). O município com mais eleitores é São Paulo, com 7,5 milhões.


Serra exige empenho dos aliados
Reuniu-se com governadores e ouviu conselhos de que deve estar mais ligado a Fernando Henrique

O candidato da aliança PSDB-PMDB à Presidência, José Serra, e a sua vice, Rita Camata, reuniram-se ontem no comitê de campanha, em Brasília, com os governadores que o apóiam. O encontro serviu para consolidar a base político-eleitoral do tucano. Serra cobrou dos presentes engajamento à campanha buscando mostrar força depois que o candidato da Frente Trabalhista (PPS-PTB-PDT), Ciro Gomes, conquistou o segundo lugar nas pesquisas. Participaram os governadores do Ceará, Beni Veras; de Santa Catarina, Esperidião Amin; de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos; do Rio Grande do Norte, Fernando Freire; do Piauí, Hugo Napoleão; de Sergipe, Albano Franco; do Pará, Almir Gabriel; de São Paulo, Geraldo Alckmin; do Distrito Federal, Joaquim Roriz; e de Mato Grosso, Rogério Sales.

Políticos ligados ao candidato entendem que ele deve passar ao eleitorado a idéia clara de que tem o apoio do governo e também solidificar sua base de sustentação política formada pelo PSDB, pelo PMDB e por setores do PFL e do PPB. Assessores de sua campanha entendem que Serra precisa se apresentar mais vinculado ao governo Fernando Henrique que, por sua vez, deveria ser explícito em relação à adesão ao tucano. Uma pesquisa feita pelo Ibope no mês passado concluiu que menos da metade dos entrevistados não identifica Serra como candidato governista. Quanto à pergunta sobre quem é o candidato governista, 43% apontaram Serra; 9% indicaram Luiz Inácio Lula da Silva, do PT; 8% optaram por Ciro; e 8%, por Anthony Garotinho, do PSB.

Outro componente considerado fundamental para ajudar Serra seria manter a unidade da aliança política que o apóia e a confiança dos partidos em torno do candidato tucano. A preocupação é evitar adesões de aliados de Serra ao presidenciável Ciro ou mesmo a Lula.


Lula: 'Brasil tem medo dos grandes'
Defende subsídio a produtos nacionais se outros países seguirem atual política de comércio exterior

O candidato ao Palácio do Planalto pela coligação PT-PL-PC do B-PCB-PMN, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ontem, em Ijuí, que as autoridades brasileiras 'não têm auto-estima suficiente' para defender os interesses do país. Segundo ele, falta coragem ao atual governo para brigar na Organização Mundial de Comércio (OMC) porque teme sofrer retaliações de outros países e da própria organização. 'O Brasil tem medo dos grandes. Porém, se fosse assim, Davi não conseguiria derrotar Golias', comparou. As críticas de Lula se referiram à política agrícola do governo, tanto que chegou a defender, pela primeira vez na campanha, o subsídio aos produtos nacionais se os países que têm relação com o Brasil seguirem a atual linha de comércio exterior. 'Ou param de dar subsídio ou a gente terá de fazer o mesmo com o nosso agricultor', declarou, em seminário com representantes de entidades ligadas ao setor. Lula ponderou que o ideal seria que ninguém precisasse recorrer a subsídio. 'Se os países põem dinheiro nos seus produtos para poder exportar, brigaremos na OMC contra isso', disse, referindo-se, principalmente, à União Européia, que injeta cerca de 15 bilhões de dólares a cada ano na agricultura como forma de subsídio.

O presidente Fernando Henrique Cardoso também foi criticado por Lula. 'Não tem presidente que fez mais política exterior do que Fernando Henrique, mas o resultado foi zero', declarou. O candidato do PT propôs ainda a criação da secretaria de comércio exterior, ligada diretamente à Presidência da República, e a indicação de um representante em cada embaixada brasileira para tratar do assunto.

Na visita ao Rio Grande do Sul, Lula se comparou ao ex-presidente Nelson Mandela. 'A vitória dos Silva no Brasil vai gerar processo semelhante ao que ocorreu na África do Sul, onde a maioria da população negra elegeu Mandela', afirmou, referindo-se ao seu sobrenome. De Ijuí, Lula veio a Porto Alegre. Visitou à tarde o Sistema Guaíba/Correio do Povo, acompanhado do governador Olívio Dutra e do candidato ao Palácio Piratini, Tarso Genro. Eles foram recebidos pelo presidente, Renato Bastos Ribeiro.


Ijuí
Ao lado dos candidatos do PT ao governo, Tarso Genro, e ao Senado, Emília Fernandes, o presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva discursou ontem na Praça da República, em Ijuí. Lula deixou o município depois de visitar a Cotrijuí.


Caixa dois leva o prefeito de Curitiba a ser indiciado
O prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, do PFL, foi indiciado ontem à tarde por crime eleitoral. O juiz eleitoral Jorge de Oliveira Vargas não considerou válida a liminar que suspendia o indiciamento, concedida terça-feira pelo relator do Tribunal Regional Eleitoral. A Polícia Federal denunciou Taniguchi em relação ao inquérito sobre as denúncias de caixa dois na sua campanha para a reeleição em 2000.


Financial Times diz que PT abandona propostas
A edição on-line do jornal britânico Financial Times destaca que o PT 'abandonou na terça-feira oficialmente muitas de suas propostas anticapitalistas, mas delineou um substancial aumento no gasto público e na intervenção governamental como par te de seu programa para as eleições de outubro'. Segundo o jornal, embora o PT tenha criticado no passado o processo de privatização e a liberalização dos fluxos de capitais, não propõe reversão.


Frente Popular questiona texto
A Frente Popular (PT-PCB-PC do B-PMN) pedirá à Justiça Eleitoral investigação criminal para saber a autoria e a procedência de material gráfico distribuído no Centro de Porto Alegre sob o título 'Podem ir arrumando as gavetas'. O texto traz críticas à condução do Banrisul pelo governo Olívio Dutra e é assinado pelo movimento formado por funcionários demitidos do banco. 'Durante quase quatro anos, esses que ainda enchem a boca para falar de socialismo, não hesitaram em agir como os piores banqueiros. Vamos varrer a depravação da nossa vida e da do Banrisul', afirma o texto.

O coordenador da campanha da Frente Popular ao governo, José Eduardo Utzig, considerou que esse tipo de material rebaixa o nível da campanha por não ter a assinatura dos responsáveis. Ele observou que todos os panfletos distribuídos pelo comitê do candidato Tarso Genro, mesmo com críticas a outras administrações, é de total responsabilidade da coordenação da campanha. Sobre o panfleto atacando o governo anterior e que foi levado à Justiça pelo PPS, Utzig exaltou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de liberá-lo, na noite de terça-feira. O material com considerações e comparações entre o anterior e o atual governo voltará a ser distribuído.


Maluf promete liberdade de ação à Polícia Militar
Ao prometer que dará liberdade à Polícia Militar para exercer o 'direito de trabalhar' diante da reação de bandidos, o candidato ao governo Paulo Maluf disse ontem, em Ituverava, São Paulo, que 'reagir à agressão é legítima defesa e não constitui pecado nem na religião católica'. Ele fez essa declaração ao ser recebido pelo presidente da Câmara Municipal, Sérgio Cerqueira, do PT. Criticou também o governo estadual.


Partido decide hoje rumo de Garotinho
Reunião entre o presidenciável Anthony Garotinho, e o presidente do PSB, Miguel Arraes, define hoje o futuro da candidatura. A pressão nos estados é para que o partido possa fazer coligações. Lídice da Mata, na Bahia, Jacó Bittar, em São Paulo, e Wilma Faria, no Rio Grande do Norte, ameaçaram ontem desistir de concorrer aos governos. Também aumentaram as queixas contra o método de ação de Garotinho, que se aproxima mais de evangélicos do que da militância do partido. 'A crise é tão grave que não temos perspectiva de mudar o rumo', admitiu a deputada federal Luiza Erundina.


Poderão votar 69,8 mil brasileiros no exterior
O número de eleitores brasileiros que moram no exterior e se cadastraram para votar cresceu consideravelmente em relação a 2000. Estarão aptos a participar das eleições de outubro 69,8 mil pessoas. Na última disputa, eram 43,3 mil. Há mais concentração de eleitores brasileiros nos Estados Unidos, com 24,4 mil. Vêm em seguida Portugal (6,4 mil), Itália (4,7 mil) e Alemanha (3,9 mil). O menor contingente está na Argélia, com dois eleitores.


Presidente do STJ está revoltado com cortes
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Nilson Naves, ficou revoltado com o novo corte no orçamento do poder Judiciário. Naves, que está em recesso, afirmou ontem que nova redução de despesas vai atingir a manutenção da máquina de órgãos públicos. Segundo o STJ, as áreas atingidas serão serão limpeza, pessoal e custeio. Ele ressaltou que a redução do orçamento não afetará os reajustes salariais aprovados pelo Congresso.


Protestos marcam Dia do Motorista
Caminhoneiros do Estado não aderiram à paralisação convocada para hoje, mas podem parar em breve

O Rio Grande do Sul adotou a postura de não aderir à paralisação dos caminhoneiros, convocada para hoje pelo presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e coordenador nacional do Movimento Paradão, José da Fonseca Lopes. 'Constatei, no início da semana, que não havia articulação suficiente para mantermos a mobilização para esta quinta-feira, quando se comemora o Dia do Motorista', argumentou Lopes. Ele reuniu-se ontem com dirigentes regionais da categoria, em Porto Alegre. Lopes advertiu que a mobilização foi apenas adiada por alguns dias.

'Com certeza, desencadearemos um movimento forte nos próximos dias', sustentou o dirigente. A meta da categoria é pressionar o governo federal a retomar as negociações com as lideranças do setor, como forma de garantir a formalização da planilha de custo tarifário, a operacionalização do vale-pedágio e a tarifa referencial de fretes. Na pauta de reivindicações também constam pedidos de reforço da segurança na malha rodoviária. 'Muitos caminhoneiros estão largando o volante por medo da morte. Somente neste ano, cinco gaúchos já foram assassinados por assaltantes às margens das rodovias', frisou. Segundo ele, a exemplo do que ocorreu nos três últimos anos, o Brasil vai parar. 'Não vamos aderir ao Movimento Paradão devido às conseqüências judiciais decorrentes das paralisações anteriores', explicou Valmir Tomazi, da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do RS e de Santa Catarina.

O líder do Movimento Paradão reiterou que não pretende bloquear rodovias. 'Não é o nosso objetivo, mas, se alguns caminhoneiros não aderirem à paralisação, serão interceptados e impedidos de prosseguir a viagem', alertou. 'Os transportadores de cargas estão praticamente impossibilitados de trabalhar, em razão das constantes elevações de preço dos combustíveis e da defasagem salarial', disse o deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS), integrante da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados. Segundo ele, o transporte rodoviário de cargas está 'completamente abandonado' pelas autoridades brasileiras. 'Perderam o rumo, pois não sabem a quem recorrer', comentou.


Artigos

Da série milagres modernos
Percival Puggina

A província do Elesaquistão era a menina dos olhos do partido. Ali, as idéias do companheiro Gramsci, plantadas com mãos jardineiras, davam frutos políticos nas cidades e nos campos, e a hegemonia se consolidava conforme planejado.

Difícil, muito difícil, o começo. Fazer política andando de ônibus ou em cima de um Lada com pneus carecas, distribuindo panfletos de dia e pichando muros à noite, vendendo distintivo e bandeirinha para arrumar dinheiro, fazendo reunião para programar reunião para organizar reunião, imprimindo propaganda em mimeógrafo, infiltrando gente nos seminários, nos jornais, nas escolas e nas universidades, conquistando gradualmente os sindicatos, cativando um músico aqui, um escritor ali, foi tarefa que exigiu dedicação intensa e exclusiva.

E começou assim a diferença. Em Elesaquistão havia padres que rezavam missa e padres que faziam política; professores que davam aula e professores que faziam política; jornalistas que relatavam fatos e jornalistas que faziam política; juízes, promotores e advogados que operavam a Justiça e outros que faziam política. Em quaisquer organizações da sociedade havia os que faziam as coisas andarem e outros que só faziam política. Com tanta gente fazendo apenas política era inevitável que ela acabasse feita. E ficou tão bem feita que o partido chegou ao poder, no qual, para espanto geral, deixou o governo de lado e continuou fazendo política.
Os companheiros trocaram os ônibus por aeronaves, abandonaram os Ladas e acorreram às concessionárias de veículos importados do maldito mundo capitalista. Substituíram os mimeógrafos pela policromia das máquinas rotativas e o papel reciclado pelo mais primoroso cuchê. O partido ganhou uma sede, regalaram-na a alguns amig os e compraram outra. Montaram uma estrutura capaz de cobrir toda a província com propaganda em apenas 24 horas.

Um cidadão de Elesaquistão, velho adversário do poder econômico, ficou intrigado. 'Se podem fazer tudo isso vendendo distintivos e bandeirinhas, como não conseguem tornar próspera nossa província?', perguntava ele, sem encontrar resposta razoável.


Colunistas

PANORAMA POLÍTICO - A. Burd

RADIOGRAFIA DA GESTÃO PÚBLICA
Auditório atento ouviu, ontem, a ex-ministra Cláudia Costin em uma das mais lúcidas exposições sobre desafios da gestão pública no país. A iniciativa foi do Sindaf. Principais itens abordados: 1) os gastos sociais se deslocam em benefício da classe média, a começar pelas aposentadorias privilegiadas; 2) a maioria dos administradores públicos raramente se preocupa em fazer com menos, preferindo modelos gastadores; 3) a área de saneamento não pode ser privatizada; 4) persiste a arrogância de tecnocratas do serviço público que convive com o sistema de políticos clientelistas; 5) o cidadão, principal cliente do setor público, deve cobrar mais eficiência; 5) a reforma do Estado não pode ser feita com servidores consultando a si próprios.

QUEM MANDA
O afastamento de políticos da maioria das campanhas majoritárias tem motivo: os marqueteiros tomaram conta, gritam e dão as ordens. Os detentores de mandato ou não já admitem: perderam o jogo.

TIRA TIME DE CAMPO
O presidente nacional do PTB, José Carlos Martinez, pediu para deixar comando da campanha de Ciro Gomes. Teme dar explicações sobre sua relação com a família de Paulo César Farias. Perigo na área.

ATO FALHO
1) No comício do PT, ontem, em Porto Alegre, o deputado federal Paulo Paim chamou Miguel Rossetto de vice-presidente, para logo depois corrigir. É o chamado ato falho, que no fundo costuma revelar o desejo de quem o comete; 2) o senador mineiro José Alencar, do PL, candidato a vice na chapa de Lula, não foi citado durante o comício de ontem; 3) Lula estará hoje em Chapecó, cuja prefeitura o PT conquistou em 2000.

AUMENTAÇÃO
Cidreira volta ao noticiário: os secretários municipais obtiveram reajuste salarial de 87% retroativo a 1o deste mês. Mesmo estando em recesso, a Câmara foi convocada para período extraordinário. Serão R$ 10 mil a mais por mês. Duas categorias de servidores com cargos em comissão pegaram a carona com a mesma vantagem. Não adiantaram os votos contrários de vereadores de PMDB, PT e PT do B, que ontem entraram com denúncia na 4a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor.

EM REFORMAS
Tanto reclamam reformas que Brasília reage. Para se antecipar, começaram neste mês de recesso. Não se imagine que sejam a tributária ou a política. Estão em reforma os edifícios do Senado e da Câmara dos Deputados. O túnel que liga os dois prédios também. Dinheiro? Bem, é o que não falta na ilha da fantasia.

NÃO ABRE MÃO
Bancada do PT na Câmara exige a relatoria na comissão especial que examinará o projeto que regulamenta a previdência dos municipários.

DISSE-QUE-DISSE
Em Novo Hamburgo, PMDB fervilha: Paulo Kopschina, que desistiu esta semana de concorrer à Câmara, ficou intrigado por não ter recebido convite para o ato de lançamento do deputado estadual Jair Foscarini à reeleição. Este afirma que iniciativa não coube a ele, tendo sido homenageado. Que embrulho!

MILAGRE DO RETOQUE
Já não se fazem mais fotos de candidatos para propaganda como antigamente. Agora, são submetidas a retoques com programas de computador. Suavizam-se feições dando nova expressão, mais jovial. Provavelmente, como os candidatos gostariam sempre de se ver no espelho.


Editorial

TERRORISMO NA AMÉRICA LATINA

Convencionou-se, depois do 11 de setembro de 2001, que o terror tem residência fixa e personagens próprios: o Oriente Médio e Osama Bin Laden e seus fanáticos. A força da mídia norte-americana levou o mundo ocidental a essa particularização de pensamento coincidente com o do presidente Bush. Mas o terror não tem um só endereço nem um só personagem; instalou-se também na América Latina, mais precisamente na Colômbia, e seu braço executor se chama, em sigla, Farc, as forças revolucionárias que hoje dominam grandes áreas do país. Agora mesmo, agências internacionais de notícias informam que as Farc exigem a renúncia de prefeitos e vereadores das cidades colombianas, sem distinção de partidos, sob pena de execuções sumárias. Em detalhe, que o prefeito de uma cidade chamada Colón, departamento de Putumayo, renunciou como exigência revolucionária para receber de volta sua filha tomada como refém. Seria executada se houvesse recusa ao ultimato, assim como seria capturado o próprio prefeito na primeira oportunidade.

Haverá terrorismo tão escancarado e mais ignóbil? A estrutura básica das instituições políticas de um país começa pelo município. É aí que os cidadãos sentem democracia, no convívio quotidiano com as autoridades que, no regime democrático, escolheram pelo voto. Rompidos os laços entre os indivíduos e o Estado que constituíram, o que subsiste é a violência. E, da violência ao terror, o caminho é curto.O que se passa na Colômbia atual está a exigir uma atenção especial do mundo democrático e suas representações. A Organização das Nações Unidas tem que se voltar para o país, afinal, o terrorismo que as Farc estão pondo em prática conflita violentamente com quaisquer objetivos reformistas aceitáveis. Quando um movimento revolucionário armado toma esse caminho, deixa de ser de um só país, das aspirações de seu povo, do interesse do seu governo, para tornar-se uma chaga universal. O combate ao terrorismo, sob cuja capa, aliás, foram cometidos tantos crimes no Afeganistão e em outros lugares, precisa acontecer também aqui na América, mas sob forma suasória. Tarefa para um Kofi Annan e outros do mesmo naipe, em especial.


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07/25/2002


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