Mozarildo critica sugestão de boicote a produtos brasileiros



O senador Mozarildo Cavalcanti (PPS-RR) criticou sugestão feita aos países industrializados pela revista inglesa The Economist, de evitar a importação de carne e soja provenientes do Brasil, sob o argumento de que as pastagens e plantações estariam "comendo" a floresta amazônica. A seu ver, a reportagem pode ser vista como mais uma ameaça à expansão do agronegócio brasileiro, que cresceu mais de 7% no ano passado e registrou, nos primeiros nove meses de 2003, um superávit de US$ 18 bilhões.

A matéria da revista inglesa, observou o senador, foi rapidamente divulgada em várias partes do mundo por organizações não-governamentais (ONGs) ligadas à área de meio-ambiente. Ele ressaltou que as pastagens e plantações de soja se restringem à área da Amazônia Legal destinada ao agronegócio e que existem ainda, na região, 100 milhões de hectares a serem utilizadas para a produção, sem prejuízo das populações indígenas e do meio ambiente.

Por outro lado, alertou Mozarildo, as disputas comerciais entre as nações, especialmente no setor agrícola, são muito fortes. Ele recordou que os países industrializados gastam, atualmente, cerca de R$ 1 bilhão por dia em subsídios a seus agricultores.

- Não podemos ser ingênuos e não nos podemos deixar levar pela emoção, pela história mal contada, por um discurso politicamente correto que, a bem da verdade, nada mais representa que a defesa de interesses escusos - afirmou Mozarildo.

Na opinião do senador, a atuação das "aparentemente desinteressadas" ONGs ligadas às questões ambiental e indígena pode estar influenciada por "pensamentos menos conscientes ou nobres". Ele observou que o Brasil, cujas novas fronteiras agrícolas se encontram nas regiões Norte e Centro-Oeste, poderá em breve ultrapassar os Estados Unidos e tornar-se o maior produtor mundial de soja.

UnB

Mozarildo registrou ainda o resultado de pesquisa realizada por pesquisadores do Departamento de Ciências Contábeis e Atuariais da Universidade de Brasília (UnB), segundo o qual o custo de cada aluno nas etapas de graduação, mestrado, doutorado ou residência atinge, em média, R$ 5,7 mil. Na opinião do senador, a pesquisa leva a um resultado mais próximo da realidade do que um outro cálculo, este feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que aponta uma despesa por aluno bem maior: R$ 9,4 mil.

Segundo o senador, a diferença se deve ao fato de o TCU utilizar valores globais, dividindo o orçamento pelo número de alunos, enquanto o estudo da UnB desconsidera, como custo do aluno, recursos provenientes de convênios e prestações de serviços. Ao ressaltar a fidelidade da pesquisa da UnB à realidade do mundo acadêmico, Mozarildo afirmou que o ensino superior público não necessita de "fábulas de recursos para funcionar".

- O estudo também demonstra que pode ser mais barato investir em um aluno no ensino superior público do que no privado e que não é sustentável a idéia do Ministério da Educação de adquirir vagas ociosas nas universidades particulares. Por que investir R$ 15 mil ou R$ 20 mil em instituições particulares, se o custo público não ultrapassa R$ 5 mil, em média? - questionou o senador.



04/05/2004

Agência Senado


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