PDT apresenta balanço negativo
PDT apresenta balanço negativo
O PDT protagonizou, ontem, mais um capítulo da campanha eletrônica, quando levou ao ar, em horário nobre noturno da TV, um programa partidário com críticas pesadas contra o Governo Jarbas Vasconcelos (PMDB). O alvo preferencial foram as suspeitas de superfaturamento da principal obra jarbista, a duplicação da BR-232, levantadas pelo Tribunal de Contas da União. A novidade foi uma comparação feita entre esta a BR-230, da Paraíba, que liga Campina Grande à capital João Pessoa.
Ambas teriam a mesma extensão, isto é, 118km, só que a primeira custa quase o dobro e é executada com o dinheiro do povo pernambucano, enquanto a segunda é bancada pelo governo federal. O presidente do PDT, José Queiroz, que é líder da oposição na AL e como tal assumiu a frente nas denúncias contra a BR-232, enfatizou ser "muito estranho" o Governo Jarbas não efetuar o realinhamento dos preços da BR-232, como recomendou o TCU, fazendo a obra superar os R$ 300 milhões.
Várias vezes durante a propaganda os dizeres "Corrupção não, o PDT é a voz do povo" se destaca numa tela com um fundo preto. No final, a administração jarbista foi acusada de, "mesmo turbinada com um caixa de R$ 2 bilhões", fracassar nas áreas de educação e saúde e sobretudo segurança e finanças. "A segurança é caótica", destacava um locutor no programa. "A máquina fazendária não funciona. O desempenho de Alagoas e da Paraíba é melhor. A administração vai entrar no seu terceiro ano com um déficit de R$ 400 milhões", complementou o mesmo locutor.
Para o secretário de Governo e presidente do PMDB, Dorany Sampaio, José Queiroz "continua a fazer falácia, mas no final a população vai ver que ele está maquiando a realidade". Segundo Dorany, não dá para comparar as BRs 232 e 230, porque a 232 é feita para durar 50 anos e suportar um volume de tráfego bem superior. "Não dá para comparar coisa diferentes como se fossem iguais", ponderou. O governador Jarbas Vasconcelos disse que Queiroz iria responder se mentisse. Dorany admitiu que a área jurídica do PMDB examinar o assunto.
Prefeitura do Recife define nova logomarca
Depois de nove meses de administração, a Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) finalmente apresentou, ontem, para a Imprensa a marca de sua gestão que será adotada daqui por diante até o término do mandato. O novo slogan será usado nas propagandas institucionais, na sinalização de programas ou ação da atual gestão, como por exemplo, nas placas de obras ou serviços e também no apoio de eventos que a PCR venha fornecer. A marca, no entanto, não é de fácil compreensão.
Sete palavras-chaves foram selecionadas para representar a nova logomarca: participação, o rio a as pontes, ação coletiva, acesso e união. A logomarca exibe uma ponte sobre o rio, representando os símbolos da cidades. Acima dela aparecem círculos que representam o povo. Logo abaixo vêm o nome da Prefeitura do Recife e a frase: ação por uma vida melhor.
A intenção da PCR é passar para a população a identidade visual de um governo popular e democrático. "A ponte une, permite que as pessoas trafeguem de um lugar para o outro, representa passagem, união e democracia", explicou o diretor-presidente da Makplan, José Nivaldo Júnior.
Os conceitos da marca foram produzidos pelas Makplan, Studio 2 e 3 Pontos, agências vencedoras da licitação da PCR para cuidar da propaganda institucional, financeira e cultural da administração petista. Ao contrário da marca da gestão que ganhou novo visual, o timbre oficial da PCR permanecerá o mesmo. "Nas administrações anteriores o que prevalecia era a marca da gestão. A inovação vai ser no material produzido pela PCR que será sem vínculo com a gestão", explicou José Nivaldo Júnior.
O Brasão com dois leões segurando a bandeira de Pernambuco será usado nos fardamentos escolares, na papelaria oficial, nos veículos da PCR, em editais e no Diario Oficial. A marca oficial da Prefeitura também será adotada nas fachadas e sinalização de unidades de saúde, escolas e nos prédios da Prefeitura em geral.
Joaquinzista assume direção do PFL local
A decisão do deputado federal Joaquim Francisco de permanecer no PFL já começa a surtir efeito dentro do partido. Ontem, o vereador Roberto Andrade (PFL) confirmou que será o novo presidente do diretório municipal da legenda. Como não há outro nome para disputar o cargo, ele ocupará a presidência por aclamação. A posse deve acontecer na próxima semana durante um ato solene. Hoje, Roberto Andrade conversa com o presidente estadual da legenda, deputado licenciado André de Paula, para os acertos finais do evento.
Há pouco mais de 15 dias, o nome do pefelista foi indicado ao presidente estadual do PFL, pela bancada pefelista na Câmara Municipal do Recife. Na oportunidade, o parlamentar recusou o convite, alegando que iria esperar a decisão de Joaquim. "Sou do grupo dele e não poderia decidir nada sem saber qual atitude que ele iria tomar". explicou Andrade. Ele substituirá o ex-secretário municipal de Serviços Públicos da PCR, Heraldo Borborema, que integra o grupo político do ex-prefeito do Recife Roberto doMagalhães (PSDB).
O vereador Roberto Andrade atua no PFL há 22 anos e é tido como o braço direito de Joaquim Francisco. A principal meta do pefelista à frente do diretório municipal é de fortalecer a legenda para disputar as eleições em 2002. "Vou começar a trabalhar assim que receber o passaporte para dirigir o diretório", disse. Ontem, André de Paula anunciou que havia recebido, há dois meses, um documento de Heraldo Borborema, solicitando o afastamento do cargo. "Vou conversar com Roberto Andrade para marcar com um ato solene sua chegada à direção municipal do partido", disse.
Na Câmara Municipal, Roberto Andrade pretende trabalhar no sentido de ampliar a bancada do PFL. O pefelista disse que recebeu, ontem, o aval de Joaquim Francisco para assumir a nova missão. "Vamos conversar com os colegas que já demonstraram o desejo de mudar de partido e também com aqueles que deixaram o PFL e se filiaram a outras legendas", afirmou.
Eudo quer evitar nova cassação na Assembléia
Deputado também solicita salários do período em que esteve afastado
A mesa diretora da Assembléia Legislativa marcou uma reunião extraordinária, às 10h de hoje, para discutir o "caso Eudo". Especificamente o recurso da Casa quanto à volta do deputado Eudo Magalhães (sem partido), determinada pelo Tribunal de Justiça. Ele foi cassado por decoro parlamentar, mas retornou ao Legislativo em 6 de agosto deste ano. Seus advogados convenceram os desembargadores de que Eudo Magalhães teve seu direito de defesa cerceado. A minuta do pedido de suspensão do mandado de segurança obtido no TJ está pronta, mas a procuradoria da Casa corre o risco de refazê-la, caso os deputados considerem um requerimento encaminhado por Eudo Magalhães.
Segundo o segundo vice-presidente da AL, André Campos (PTB), neste documento, Eudo Magalhães solicita que a Assembléia não inclua no recurso que será remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) a solicitação de uma liminar. Ela poderia acarretar a saída temporária do parlamentar até que o mérito da matéria seja julgado. E é este item que será posto em discussão na reunião da mesa coordenada por Romário Dias (PFL).
"A Assembléia deve recorrer, mas a decisão sobre a forma tem que ser política", comentou Campos. Foi o petebista quem procurou o presidente da AL, Romário Dias (PFL), para que agendasse a reunião extra. Eudo preferiu não falar sobre o assunto, repassando a tarefa para seu advogado, Mário Gil Rodrigues. Mário Gil não foi encontrado pelo DIARIO.
O procurador da Casa, Sílvio Pessoa Júnior, tem viagem para Brasília marcada. Ele pretende ingressar com o recurso - que possui 100 páginas - amanhã. Sílvio limitou-se a dizer que iria pedir suspensão do mandado e evitou adiantar os argumentos utilizados pela procuradoria. Ele irá juntar as notas taquigráficas do TJ referentes ao dia do julgamento do mandado que reintegrou Eudo à Assembléia Legislativa. Provavelmente, serão anexadas, ainda, as notas taquigráficas da época em que o parlamentar foi cassado.
RETROATIVO - É a equipe de Sílvio Pessoa que está avaliando também o pedido apresentado por Eudo Magalhães para o pagamento de todos os subsídios que deixou de receber no período em que esteve fora da Assembléia. Um primeiro pedido foi apresentado e teve parecer contrário da Procuradoria da Casa. Um segundo, que é uma solicitação de reconsideração, ainda está em análise. Eudo poderá receber R$ 96 mil pelos 14 meses em que esteve afastado, caso tenha aprovado seu requerimento.
Nova manobra favorece Jader Barbalho
Indicação de ex-presidente do Senado para CCJ surpreende peemedebistas e oposição vai argüir suspeição
BRASÍLIA - O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), indicou o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) para integrar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em substituição a Pedro Ubirajara (PMDB-MS), suplente do recém-eleito presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS). A formalização da indicação foi lida ontem no plenário do Senado.
A alteração permitirá que Jader participe da votação, na CCJ, de um parecer sobre uma questão de ordem levantada na quinta-feira passada por ele próprio no Conselho de Ética. Barbalho quer ter direito a apresentar ao conselho uma nova defesa, antes da leitura do relatório da comissão de três senadores que investigou denúncias de envolvimento dele em irregularidades no Banco do Estado do Pará. Ubirajara ocupou a vaga no Senado enquanto Tebet foi ministro da Integração Nacional.
questão - O relator do pedido é o senador Osmar Dias (PDT-PR). Outro que levantou a questão de ordem sobre o direito de defesa foi o próprio presidente do conselho, senador Juvêncio da Fonseca. Diascriticou a indicação. "É um direito do líder, mas cabe discutir se é ético dar a ele o direito de falar na discussão de um assunto em que ele é o suspeito de estar envolvido", afirmou.
Dias afirmou que uma eventual decisão da CCJ dando o direito de defesa ao senador paraense poderia adiar a abertura do processo contra o senador paraense indefinidamente. "Se for assegurado o direito amplo de defesa, ele (Jader Barbalho) poderá obter um milhão de testemunhas, pedir perícia técnica e audiências públicas para que isso chegue até pelo menos dezembro e se chegar lá, dificilmente esse processo vai para frente", avaliou.
Dias comentou a possibilidade de Jader decidir renunciar caso o processo contra ele seja aberto. "Essa brecha precisa ser discutida", disse. "Estou vendo que com essa brecha meu parecer poderá definir se ele vai renunciar ou não". A senadora Heloísa Helena (PT-AL) informou ontem à tarde que os parlamentares de oposição irão argüir a suspeição do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) na reunião de amanhã da Comissão de Constituição e Justiça. Ela disse que o Regimento prevê a possibilidade de que um senador não participe de votação em que é parte diretamente interessada.
"Ele deve participar das discussões, mas não das votações," disse a senadora. "Atitudes como essa atiçam as relações no Senado e na sociedade e acabam favorecendo a agilidade e o rigor nas investigações", completou.
manobra - O pedido de parecer da CCJ foi considerado uma manobra realizada pelo PMDB para tentar adiar a votação do relatório dos senadores Jefferson Péres (PDT-AM) e Romeu Tuma (PFL-SP). O relatório aponta indícios de envolvimento de Jader nos desvios de aplicações financeiras do Banpará. "Minha expectativa é de que haja bom senso e o relatório não seja aprovado pois não há provas contra mim", insistiu ontem Jader.
Ele elogiou a eleição de Tebet para a presidência do Senado. "Ele é muito experiente e já fez parte de várias comissões." Jader negou que esteja preparando dossiês com denúncias envolvendo outros grupos políticos como vingança.
Artigos
Ainda a questão regional
Leonardo Guimarães Neto
Durante quantos minutos por ano as autoridades econômicas do atual Governo federal pensam a questão regional brasileira? É difícil responder com exatidão, mas considerando os atos recentes e o conteúdo e qualidade das medidas provisórias que tratam do problema regional brasileiro, como a que extinguiu a Sudene, não resta dúvida que este tema tem um peso muito reduzido nas preocupações dos que compartilham, na atual administração, das grandes decisões. Qualquer pessoa, medianamente desinformada sobre a questão regional, demoraria pouco tempo para redigir a referida medida provisória. Esse descaso do atual Governo com as desigualdades regionais ocorre no momento em que tanto os especialistas como a própria sociedade reconhecem que é cada vez maior a heterogeneidade espacial do País e, em decorrência disto, é crescente a necessidade de se incorporar esta questão em todas as políticas e programas econômicos e sociais.
Na infra-estrutura, nas políticas industriais e agropecuárias, nas políticas sociais, nos programas voltados para a criação de emprego. Todos estão cientes, hoje, de que o corte regional ou sub-regional é, no caso brasileiro, um critério que deve permear todas as ações governamentais e de que muitos erros têm sido cometidos pelo fato de se fazer abstração do território e da especificidade que ele comporta num país continental e desigual, com o Brasil.
A história do planejamento regional no País mostra como foi demorada a consolidação de um tal processo que, embora presente de forma fragmentária e pouco sistemática em administrações anteriores à de JK, somente no final dos anos 50 e início dos anos 60, toma corpo e passa a constituir-se uma prática que se difundiria pelas regiões e pelos estados. Todos sabem que esta conquista não é fruto do conhecimento e da imaginação de planejadores isolados que, por sua capacidade de convencimento, tenham criado e implantado o planejamento regional. Resultou, isto sim, de movimentos sociais que, no interior das reivindicações porreformas de base, passaram a exigir um tratamento diferenciado para as populações que vivem nas regiões mais atrasadas. É evidente que o papel de economistas e planejadores, como Celso Furtado foi da maior importância, no entanto, não se pode deixar de registrar a influência determinante dos movimentos sociais, das igrejas progressistas, dos partidos de esquerda, da melhor Imprensa nacional e de empresários com visão mais ampla dos problemas nacionais. O que a ditadura militar não conseguiu destruir - embora tenha esvaziado as instituições de planejamento eliminando sua profunda articulação com as forças sociais - o atual presidente, com duas medidas provisórias, alcançou em cheio o que restou desse planejamento, sem colocar nada em seu lugar.
Não vale a explicação de que o presidente, com o viés de quem pensa a região mais industrializada como se fosse o País, desconsiderou a importância das diferenças regionais e, em decorrência, a necessidade de recuperar o planejamento como um instrumento fundamental para melhoria das condições de vida dos que residem nas regiões periféricas.. O que ocorre é que nenhum presidente exerce seu mandato isoladamente. E no caso de FHC, trata-se de um mandatário cercado, por todos os lados, do apoio de inúmeros políticos do Nordeste e Norte. Houve, nesse episódio, uma omissão que não permitiu, sequer, uma discussão mínima a respeito das formas de atuação governamental no tocante à questão regional, ou a respeito das deficiências que o planejamento regional apresentava e, até mesmo, dos desvios dos recurso que deflagrou a liquidação da Sudene e da Sudam. Como a reversão dessas medidas extremas parece remota no atual governo, resta esperar, na campanha política que se aproxima, as explicações convincentes dos que se omitiram. E, evidentemente, as novas e criativas propostas dos omissos.
Justiça em lugar de vingança
Frei Aloísio Fragoso
Faz precisamente uma década. Pouco antes de deflagrar-se a guerra do Golfo Pérsico, havia uma voz clamando no deserto. Era o Papa João Paulo II fazendo os últimos apelos de acordo e diplomacia, a fim de evitar a solução das bombas. Inutilmente. O primeiro Busch, pai do atual, já decretara: quem não lutar conosco, está contra nós. Outras nações, amedrontadas, tratavam de calar-se ou perfilar-se. E a mídia se preparava para divertir o público, transformando as cenas de guerra em show pirotécnico.
Agora, novamente o Papa tenta ser ouvido: "As feridas da Humanidade causadas pelo terrorismo não podem ser curadas com novas bombas" (Osservatore Romano). Mas, em meio ao histrionismo bélico do segundo Busch, a voz do bom senso torna-se inaudível. Descartada.
Argumenta o presidente norte-americano com a necessidade de aniquilar os focos onde são aliciados, treinados e patrocinados os terroristas. Neste caso, ele teria de começar em seu próprio território. Forças políticas e militares dos Estados Unidos têm sido hábeis em administrar cursos de terrorismo em benefício próprio. Até poucos anos, patrocinaram ditaduras militares na América Latina, com seus milhares de cadáveres, vítimas de torturas e mortes clandestinas.
Isso para citar apenas o terrorismo provocado pelas armas de fogo. Existe, além deste, o terrorismo causado por outras armas não menos mortíferas e ainda mais perigosas, porque não mostram as aparências da morte. É a política econômica apadrinhada pelo FMI e outros organismos internacionais, com sustentação nos Estados Unidos. A diferença é que as suas vítimas, em número de milhões e habitantes de todas as nações, não morrem de um só golpe e por isso não produzem a mesma comoção. Elas morrem pouco a pouco. Quando já ninguém escuta seus gemidos de indigência e penúria, elas dão o último suspiro.
Não estamos advogando perdão para os terroristas. Somente alertando o líder do mais poderoso país do Mundo a trocar seus gritos de guerra por clamores de justiça. A convocar suas Forças Armadas, CIA, FBI, seu povo, seus aliados para cavar o ninho do terrorismo até suas últimas raízes e arrastá-lo ao tribunal da Justiça. Porém, se não tiver a paciência de esperar o tempo de identificá-los, então que faça sua guerra particular, não queira nos impor, e a todos os povos, uma solidariedade armada, que não terá como distinguir entre culpados e inocentes. Não lhe compete declarar uma guerra mundial, muito menos maquiar a guerra com a farsa maniqueísta de combate entre o Bem e o Mal.
Guerra justa ou guerra santa é apenas ideologia legitimadora. Toda guerra é resultado do ódio e da ambição. Em guerras nunca houve nem haverá vencedores reais. Apenas convencionais. Porque o número de vítimas humanas, de parte a parte, faz de toda a Humanidade a única perdedora. Mesmo os que alcançam a vitória, no sentido bélico da palavra, só d=podem decantá-la por algum tempo. Passada a primeira euforia, nasce um vazio na alma coletiva, aquele sentimento natural, que sobrevêm às pessoas sadias, quando descobrem que, para alcançar seus objetivos, tiveram de destruir os próprio irmãos de natureza.
Somos solidários com o grande povo norte-americano e até compreendemos o seu primeiro ímpeto de vingança, frente ao espetáculo das vítimas inocentes. É o desabafo de uma dor sem limites. Contudo somos povos cristãos. Oramos para que também os seus sentimentos de vingança mudem em exigências de justiça. A justa punição pacifica sua alma ferida, enquanto a vingança, ainda que ofereça um primeiro momento de satisfação, acaba deixando para sempre o gosto amargo de sangue e fel. Só a justiça poderá favorecer a paz. E atrair a adesão interior de todo cidadão do Mundo livre para repensar as lições da História, provando o absurdo de todas as guerras.
Absurdo maior seria concluir que colocar-se contra a política belicista dos Estados Unidos é colocar-se em favor dos terroristas. Não. A grande pátria norte-americana não é uma divindade. Busch não é Deus.
Colunistas
DIARIO POLÍTICO
Mil e um artifícios
A indicação de Jader Barbalho (PMDB-PA) para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado desagradou à maioria dos senadores. José Fogaça (PMDB-RS) não pensou duas vezes e disse que parecia coisa encomendada, enquanto a senadora Heloísa Helena (PT-AL), sempre contundente, foi logo dizendo que considerava a iniciativa uma provocação de Renan Calheiros (PMDB-AL), o líder do PMDB responsável pela indicação. É tudo isso e muito mais. É imaginar que os eleitores brasileiros não vão notar que a estratégia faz parte de um plano maior para tentar livrar a pele do senador paraense que, entre outras coisas, é acusado de desviar recursos do Banpará para sua conta pessoal. Pois é exatamente uma questão de ordem sobre esse caso, feita pelo próprio Jader, pedindo ampla defesa no Conselho de Ética antes da leitura do relatório que pede abertura de processo contra ele, que será examinada, amanhã, pela Comissão de Constituição de Justiça. Agora com o acusado fazendo parte dela, surrealismo puro, que ninguém imaginava pudesse acontecer. Se ele conseguir o que está querendo, certamente usará de mil e um artifícios, como depoimentos, perícia e coisas assim, para empurrar a confusão até dezembro. E se chegar lá, adeus. Vem o Natal, o recesso, começa o ano eleitoral, joga-se tudo debaixo do tapete e fica por isso mesmo. Só os eleitores poderão decidir essa questão , assim mesmo em 2002. Mas a torcida é grande para que eles consigam.
O Instituto Frei Caneca e o PFL Jovem lançam, hoje, o prêmio Luís Eduardo Magalhães de monografia. No auditório da Faculdade de Ciências Humanas, Esuda, às 19h
Horário
O abaixo-assinado contra o horário de verão cada dia aumenta mais. Frei Aluísio Fragoso, um dos coordenadores do movimento, informa que as assinaturas estão sendo colhidas no convento de Santo Antônio, no horário comercial e nas estações do Metrô.
Festa 1
A crise financeira passou longe da Empetur. Só no último dia 18, o Diário Oficial do Estado publicou convênios da empresa de turismo do Estado com Flores, Paulista, Agrestina, Jataúba, Itamaracá, Surubim, Jurema e Poção, com valores variando de R$ 5 mil a R$ 20 mil.
Festa 2
Entre os festejos, a Festa da Beterraba e Renascença, em Jataúba, que recebeu R$ 12 mil, a abertura do Verão, em Itamaracá, que teve R$ 6 mil e a Festa do Motocross, em Jurema, que conseguiu a ajuda de R$ 10 mil. E o contribuinte, coitado, mais uma vez dançando nessas contas.
Críticas
Carlos André (PSDB), candidato a deputado estadual, diz que não está preocupado com as críticas dos adversários dizendo que ele não vai se eleger:" Enquanto os maldosos criticam, seus ex-eleitores me aplaudem".
Assessor 1
Roberto Trevas é o novo assessor de João Paulo na área de captação de recurso e relações internacionais. A novidade já ganhou as ruas e tem secretário achando que é um caso de nepotismo, porque ele é irmão de Vicente Trevas, o secretário nacional de assuntos institucionais do PT.
Assessor 2
Há quem diga que a história é outra. Roberto Trevas teria sido colocado na PCR pelo PT nacional com a missão de conseguir recursos ,para agilizar projetos na área social. O que daria visibilidade à administração petista, garantindo o palanque para Luís Inácio Lula da Silva em 2002. Faz sentido.
Educação
Raul Henry diz que a oposição comete um equívoco quando critica o processo de eleição para diretores das escolas do Estado dizendo que há risco de existir um diretor de fato e outro de direito. O secretário de Educação garante que isso não acontecerá porque caberá aos eleitos escolher seus adjuntos.
Eleição
O empresário Mário Beltrão avisa que ainda não decidiu se vai disputar uma vaga na Assembléia Legislativa e se for candidato não será pelo PFL. Mas também não diz por qual partido seria.
Alanir Cardoso diz que o PCdoB ainda não tratou de coligação para 2002 e por isso não procede a informação publicada aqui, dizendo que a legenda se aliou ao PSB de Arraes para eleger Renildo Calheiros deputado estadual. Como ainda falta muito tempo para a eleição, vale aguardar.
Editorial
Soberania das nações
O discurso do presidente George W. Bush, proferido na noite da quinta-feira da semana passada, traçou um quadro preocupante do Mundo que emergirá dos escombros do World Trade Center. Nele, Washington se propõe liderar uma guerra sem tréguas contra terroristas e países que os apóiam ou lhes dão abrigo. Usará, para tanto, todas as armas - da diplomacia aos arsenais atômicos. A operação militar, segundo o presidente, será devastadora. A alternativa dos governos, ainda segundo Bush, é uma só. Ou estão com os Estados Unidos ou com os terroristas. Os primeiros serão amigos. Os demais, hostis. Não há espaço para indefinições ou neutralidade. Nem para outras lideranças.
O pronunciamento lembra um Mundo que imaginávamos sepultado com os escombros do muro de Berlim. De um lado, os Estados Unidos, xerifes do bem. Mocinhos, têm o destino de defender a liberdade no planeta. De outro, os outros. Hostis encarnam o mal. Devem ser combatidos. Se necessário, atacados preventivamente. É preocupante. Compreendemos a dor dos americanos. Ela é também a nossa dor. E a dor do Mundo inteiro que ama a paz e repele o terrorismo. O ataque covarde desferido contra inocentes por criaturas que escondem o rosto e se negam a se sentar à mesa de negociações para discutir diferenças merece a repulsa de todos os povos civilizados. É o retorno à barbárie.
A repulsa, porém, não implica renunciar à avaliação crítica dos fatos. Nem assumir culpas por atos presentes ou passados que não se tenham praticado. O resto do Planeta não pode pagar por erros cometidos pelos Estados Unidos. Vale lembrar que os dois monstros que ora assombram o nascer do Século XXI foram invenção de Washington ou ganharam poder com ajuda norte-americana dos tempos da guerra fria. Os talibãs obtiveram suporte financeiro, treinamento militar e apoio logístico da Agência Central de Inteligência (CIA) para combater a então União Soviética. Bin Laden, antes de passar para o "lado do mal", foi considerado um dos maiores aliados dos Estados Unidos por suas ações no Afeganistão. Recebeu armas e dinheiro de Washington a fim de recrutar voluntários no mundo árabe para lutar contra os soldados soviéticos. Agora, a criatura se volta contra o criador.
As nações são soberanas. Devem agir como acharem melhor. E não podem ser punidas por exercerem sua soberania. A dicotomia "ou está com os Estados Unidos ou com os terroristas" não cabe no jogo democrático. Com ela, a conquista de um Mundo multipolar corre o risco de ser jogada no ralo. O terror poderá acabar ou ser minimizado quando se estabelecer nova ordem mundial com base na redução da miséria e no respeito efetivo aos direitos humanos. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, é necessário aplicar mais US$ 6 bilhões por ano sobre os gastos atuais para acabar com a fome do Mundo. Bem menos que os US$ 40 bilhões que os Estados Unidos gastarão na guerra contra o terror e na reparação dos danos decorrentes dos atentados a Nova Iorque e a Washington.
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09/25/2001
Cyro Miranda faz balanço negativo do governo PT
Hartung diz que balanço da atuação do Senado no primeiro semestre é negativo
Fluxo cambial em julho apresenta resultado negativo
Pró-Sangue precisa de doadores dos tipos O negativo e A negativo
Ministério do Planejamento apresenta 8° Balanço do PAC 2
CAS apresenta balanço do primeiro semestre
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