Presidente da Abed critica MEC e diz que educação no país adota modelo de "tutelagem e paternalismo"



O presidente da Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed), Fredric Michael Litto, fez duras críticas ao modelo educacional do país, afirmando que a educação brasileira se caracteriza "por uma política de tutelagem e paternalismo". Esse modelo, segundo ele, torna inviável a expansão e o desenvolvimento da educação no Brasil.

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As afirmações e críticas do presidente da Abed foram feitas nesta quinta-feira (5) durante audiência pública realizada pela Comissão de Educação (CE), que debateu propostas para a educação brasileira e o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).

Litto disse também que existe uma mentalidade patrimonialista, com decretos, leis e regulamentos que delimitam a educação a distância. Criticou ainda o Ministério da Educação, afirmando que os consultores do MEC "agem como rolos compressores, esmagando a criatividade".

- O legado colonial português, que não deu importância à educação e à ciência, é a causa dos problemas da educação neste país. Temos que introduzir uma nova disciplina no ensino médio, dentro do pensamento sistêmico, que é para saber como estudar o futuro, como analisar tendências. Se tivéssemos tido isso, não estaríamos enfrentando tantos problemas com infra-estrutura nos aeroportos, escolas etc - afirmou.

Além de criticar a educação formal do país, Litto lançou propostas para os senadores sobre o uso mais direcionado da Internet na educação, mudança de currículo, com introdução de novos saberes, ensino a distância e outras medidas.

Litto explicou que a Abed é uma sociedade científica sem fins lucrativos, fundada em 1995, com 2.400 associados, entre pessoas físicas e instituições, das quais 50% são acadêmicas, 30% corporativas, 10% do chamado Sistema S (Sesc, Senac, Senai, Sesi, Sebrae) e 10% de colégios.

A entidade já conseguiu fundar um laboratório do futuro, com bibliotecas digitais, comunidades virtuais e, segundo Litto, capacitará dez mil educadores com novas tecnologias de comunicação.

O presidente da CE, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), parabenizou o palestrante "pela sua provocação, colocação e, sobretudo, pela ousadia". Disse, no entanto, que embora tenha lógica sua argumentação sobre a herança portuguesa, já faz bastante tempo que o país ficou independente.

- Não dá mais para jogar a culpa nos pobres dos portugueses. Tem lógica a colocação da herança, mas já deu tempo de nos livrarmos disso - disse Cristovam.

Retorno às universidades

Fernando Antônio Colares Palácios, membro da Associação Brasileira de Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem) e reitor da Universidade do Pará, disse, na audiência pública, que há registro de forte presença de profissionais já formados retornando às universidades.

O retorno desses profissionais, afirmou, modifica o antigo perfil do aluno egresso do ensino médio. Disse ainda que está havendo uma tendência para a especialização e que as universidades estão oferecendo cursos dessa natureza.

A Abruem, segundo informou, tem mais de 40 universidades no país, com cerca de 200 campi, quase todos em cidades entre 70 mil e 120 mil habitantes. Palácios propôs mais recursos para as universidades e disse que a entidade está negociando, junto ao Ministério da Fazenda, essa questão. Ele entregou um documento à CE com propostas para a educação.



05/07/2007

Agência Senado


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