Produção de petróleo recuou, admite diretora-geral da ANP



A produção de petróleo no Brasil poderia ser maior este ano, conforme reconheceu a diretora-geral da diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), engenheira Magda Maria de Regina Chambriard, cuja recondução foi aprovada nesta quarta-feira (9) pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI). Segundo ela, a produção de maio de 2012 foi 1,2% menor do que a registrada no mesmo período de 2011.

Antes da sabatina – em que a recondução da engenheira foi aprovada por 21 votos favoráveis e apenas um contrário –, a presidente da CI, senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), fez um comentário sobre as dificuldades enfrentadas pelas Petrobras. Como Lúcia Vânia, vários senadores questionaram Magda Chambriard a respeito dos maus resultados financeiros da estatal, mas a indicada para continuar no comando da ANP evitou comentar a situação.

Magda Chambriard defendeu uma descentralização dos investimentos na exploração de petróleo, já que atualmente 85% da produção nacional se originam da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Segundo ela, a concentração de riquezas na região Sudoeste é “algo torto”. O avanço da tecnologia e o interesse pelo gás, em sua avaliação, viabilizam a exploração de áreas interiores de estados como Mato Grosso, Maranhão e Piauí e áreas litorâneas do Ceará, Pará e Amapá.

Respondendo à senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Magda Chambriard disse que o Amazonas tem grande potencial para a exploração de gás e petróleo. O óleo retirado no estado até agora, segundo ela, tem qualidade superior ao Brent (petróleo extraído do Mar do Norte, que é referência na comercialização na Bolsa de Londres)

Vários senadores, a começar pelo relator da indicação, Delcídio Amaral (PT-MS), questionaram a diretora-geral da ANP sobre ausência de leilões de novas áreas e ela respondeu que a falta de uma definição legislativa sobre a questão dos royalties lança dúvidas sobre o assunto. O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) observou que o Congresso Nacional não discute aumento de alíquotas, mas apenas a redistribuição dos royalties.

Reavaliação

Respondendo a uma pergunta de Delcídio Amaral sobre a reexplotação dos campos petrolíferos em operação, Magda Chambriard explicou que esse termo técnico define o ajuste do projeto à realidade. Ela informou que a ANP solicitou aos concessionários desses campos de petróleo uma atualização de dados para discutir a reexplotação dos campos a partir de 30 de setembro. O procedimento, em sua avaliação, é importante para melhorar a produção do petróleo do pós-sal.

Depois de ouvir de Delcídio Amaral uma análise sobre a “revolução silenciosa” dos Estados Unidos no campo energético – o país cortou drasticamente suas necessidades de importação de petróleo com o shale gas e o shale oil, respectivamente gás e óleo retirados de rocha xisto –, a diretora-geral da ANP disse que o Brasil precisa ampliar a participação dos biocombustíveis e do gás em sua matriz energética.

Mas discordou dos senadores Ricardo Ferraço e Cyro Miranda (PSDB-GO) quanto a uma suposta desorganização no etanol, que, segundo ela, evitou que o país gastasse R$ 13,5 bilhões na importação de petróleo em 2011. Quanto à falta de competitividade do preço do etanol nas bombas de combustíveis, apontada pelo parlamentar goiano, a diretora-geral disse que a produção de etanol está mais concentrada no Centro-Sul do país.

Denúncia

A diretora-geral da ANP comprometeu-se a enviar por escrito à comissão resposta a um questionamento de Ricardo Ferraço sobre denúncia da Folha de S. Paulo desta quarta-feira quanto a um suposto acesso de um consultor a informações sigilosas da agência. Segundo a Folha, mesmo depois de ter deixado a ANP, o geólogo Paulo de Tarso Araripe, de março a novembro de 2007, entrou e saiu 900 vezes do prédio da ANP.

Conforme o jornal, o destino era sempre o mesmo: a Superintendência de Definição de Blocos (SDB), onde são armazenadas informações que descrevem o potencial para exploração de petróleo e gás de todos os blocos petrolíferos do país. Na época, ainda de acordo com o jornal, a SDB era de responsabilidade de Magda Chambriard. Ela alegou desconhecimento desse fato e disse que, após levantamento na ANP, prestará os esclarecimentos por escrito.



08/08/2012

Agência Senado


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