REQUIÃO QUER OUVIR PROFISSIONAIS DE IMPRENSA SOBRE PROPINAS
- O canal 12 do Paraná é uma concessão pública, aprovada pelo Senado. É intolerável que se venda o silêncio ou a cumplicidade de um canal de televisão por dinheiro pago por fora - disse o senador.
Requião afirmou que, quando era governador do Paraná, recebeu proposta dessa mesma repetidora da TV Globo no estado para definir a linha política de seu departamento de jornalismo, mediante pagamento de R$ 100 mil por mês.
- Não aceitei a patifaria e disse ao meu secretário de Comunicação Social, que iria denunciar a operação em entrevista coletiva. Meia hora depois, o diretor da TV, Francisco Cunha Pereira, procurou-me em meu gabinete para dizer que tudo não passava de um equívoco - relatou.
O senador informou que o Ministério Público do Paraná está reunindo dados sobre corrupção e pagamento de propinas a órgãos de imprensa pela Prefeitura de Londrina e pelo governo do estado. Segundo disse, "foi gravada uma conversa entre Eduardo Alonso e Carlos Arruda, em que o primeiro afirma dar "duzentos paus para o sr. Francisco, cento e vinte para a Folha, 70 para o rapaz da Paiquerê e mais 35 para o da Brasil-Sul". O Ministério Público, segundo Requião, também está de posse de quatro depoimentos feitos no Departamento de Polícia Civil do Paraná sobre o assunto.
Requião fez questão de dizer que, quando governador, não aceitou a chantagem. "Vejo, porém, que, outros que me sucederam, aceitaram. É preciso trazer essa gente para depor no Senado, para explicar como vendem a opinião de seus órgãos de comunicação, usando para isso uma concessão pública", enfatizou, lembrando que Francisco Cunha Pereira, do canal 12 do Paraná, é sócio da TV Globo Nacional na base de 50%/50%.
17/04/2000
Agência Senado
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