Rigotto e Tarso buscam apoios de outros partidos
Rigotto e Tarso buscam apoios de outros partidos
Rigotto recebe adesão dos liberais gaúchos
Prestigiado por dezenas de militantes na sede estadual do PL, o candidato ao governo do Estado pelo PMDB, Germano Rigotto, recebeu ontem, no final da manhã, o apoio formal dos liberais à sua candidatura. No encontro, as lideranças partidárias entregaram também um documento com sugestões para o programa de governo do peemedebista.
O presidente regional do PL, deputado federal Paulo Gouvêa, explicou que a decisão de apoiar Rigotto foi tomada em função de sua postura e caráter. "É o único candidato que não vem com vícios políticos, comprometido com este ou aquele setor. Tanto os representantes do governo atual quanto do anterior já vinham comprometidos. Portanto, não teremos dificuldades de pedir votos para Rigotto", analisou.
Gouvêa também defendeu a alternância de poder. "Não é possível que um partido esteja na prefeitura, no
governo e na presidência porque, daqui a pouco, o cidadão só poderá usufruir de seus direitos se pertencer a esta sigla", disse.
No documento entregue a Rigotto, os liberais pedem a criação de uma Secretaria de Desenvolvimento Econômico das Regiões Diferenciadas, a implantação de centrais de distribuição de hortifrutigranjeiros, a concessão de incentivos fiscais a determinados setores, o incentivo à pecuária e a projetos de irrigação, a recuperação salarial dos policiais e a implantação de política habitacional e de atendimento às carências sociais.
Prometendo analisar as sugestões, Rigotto saudou o apoio do PL, avaliando-o como importante nesta fase da campanha. "Não podemos nos balizar por pesquisas. Temos que trabalhar muito. O PL tem seus quadros e está estruturado em todo o Estado e nós precisamos de apoio agora e de sustentação política para governar",
comentou.
Rigotto ainda apresentou outras propostas de governo, como o fortalecimento da Corsan e do Banrisul
estatais, a busca de uma solução para o Instituto de Previdência do Estado (IPE) e a concessão do "máximo" de reajuste que as finanças do Estado permitirem para o magistério e os servidores.
Bonow anuncia que PFL também está com o peemedebista
O presidente estadual do PFL, deputado Germano Bonow, anunciou ontem ao final da tarde "o apoio incondicional e sem nenhum interesse posterior à candidatura de Germano Rigotto, pois queremos que com seu trabalho devolva o Rio Grande aos gaúchos". O parlamentar pefelista reafirmou o que disse no final do primeiro turno, de que lutariam juntos ao candidato das oposições que estivesse disputando o segundo turno.
Germano Rigotto agradeceu o apoio e salientou o valor de contar em sua base de sustentação política com um partido que tem história, figuras importantes em seus quadros e estruturado em todo o Rio Grande. "Sinto-me honrado quando o PFL diz que está acompanhando incondicionalmente o nosso projeto e posso afirmar que trabalharemos juntos não só para construir a vitória mas para alcançar a governabilidade do Rio Grande".
O candidato peemedebista lembrou que a ampliação da base de sustentação política de sua candidatura se dá sem qualquer tipo de negociação de cargos no futuro governo. "Nossos adversários falam que está sendo criada uma Santa Aliança contra o atual governo, representado pela candidatura oficial de Tarso Genro, mas o que existe é um ação de adesões de outros partidos a um projeto novo que representamos, não contra ninguém, mas sim a favor do Rio Grande", argumentou.
Para Rigotto, o trabalho de costura política que vem sendo realizado nos últimos dias demonstra a aceitação, não da candidatura de um nome, mas de uma proposta que será ampliada nas suas diretrizes gerais para que se realize um governo aberto, transparente e fortalecido por uma base política e social da maior magnitude. "Não entendo por que na questão federal a busca e conquista de apoios é considerada "grande entendimento" nacional, e aqui é questionada pela candidatura oficial", disse Rigotto. Ele aproveitou a solenidade para lamentar o rebaixamento do nível da campanha com o aparecimento de material apócrifo de campanha trazendo inverdades e ataques pessoais.
Governador eleito de AL reforça campanha de Tarso
O governador eleito em primeiro turno de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), esteve ontem em Porto Alegre para reforçar a campanha do candidato da Frente Popular ao governo gaúcho, Tarso Genro, que conta com o apoio oficial do seu partido no Rio Grande do Sul. Lessa foi apresentado pelo deputado federal reeleito e presidente regional do PSB, Beto Albuquerque, como "representante da República das Alagoas que derrotou Collor no primeiro turno e que veio abraçar o projeto da Frente Popular no RS".
Depois de receber os agradecimentos de Tarso e de seu vice, Miguel Rossetto, que falaram do "orgulho em receber o apoio de uma liderança identificada com o projeto democrático popular representado por Luiz Inácio Lula da Silva no país", Lessa disse que "o Rio Grande do Sul sempre serviu de exemplo como vanguarda política da esquerda nacional e não é agora, quando Lula será presidente, que o PT gaúcho vai perder o governo do Estado".
Lessa afirmou que "só um desastre muito grande - e tem que ser grande - tira a vitória de Lula neste segundo turno", mas questionado sobre a situação de Germano Rigotto, candidato da coligação União pelo Rio Grande, que disputa com Tarso o Palácio Piratini e acumula índices de intenção de votos e apoios semelhantes aos do presidenciável do PT, disse que "esse é um fenômeno diferente, pois o candidato só surgiu no final do primeiro turno".
Sobre sua vitória sobre o ex-presidente Fernando Collor pelo governo de Alagoas, Lessa salientou que a postura dos jovens, das mulheres e dos servidores públicos alagoanos foi decisiva para lembrar ao povo que Collor foi afastado da presidência da República por corrupção, coisa que havia sido esquecida nos primeiros meses da campanha em Alagoas. "Quando descobrimos isso, através de pesquisa qualitativa, decidimos que nossa campanha não podia ser de oba-oba e aperto de mão, mas de muito esclarecimento. E funcionou".
O governador eleito de Alagoas destacou que o crescimento do PSB no Brasil deu-se numa proporção crescente e constante, mas que não chegou a causar inchaço no partido, mesmo com a chegada do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, que veio do PDT e trouxe muitos quadros com ele. "Nem mesmo o bom desempenho dos candidatos do partido nesta eleição fez com que sua expansão fosse desordenada", afirmou Lessa.
Também participaram do ato o presidente do PT estadual, David Stival, os deputados estaduais Sérgio Peres (PSB) e Dionilso Marcon (PT), o candidato do PSB ao governo gaúcho, Caleb de Oliveira, e a senadora Emilia Fernandes, além do prefeito de Caxias do Sul, Pepe Vargas, e o vereador porto-alegrense Carlos Alberto Garcia (PSB).
Presidenciáveis anunciam apoios de partidos e artistas para reforçar votos no segundo turno
Lula mostra o apoio de Ciro e Garotinho
A propaganda eleitoral gratuita do candidato à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, começou ontem no rádio, afirmando que o petista realizou uma campanha limpa no primeiro turno, que foi vencedora ajudando a eleger vários senadores e deputados pelo País. Lula, inclusive, disse ontem, mais uma vez, que faria a nova campanha nestes mesmos moldes durante o segundo turno. Durante o programa de rádio, ele agradeceu os votos dos quase 40 milhões de eleitores, dos aliados e reafirmou que é o candidato da "mudança", palavra-chave de sua campanha.
Como já se esperava, os candidatos derrotados à Presidência no primeiro turno, Ciro Gomes (PPS) e Anthony Garotinho (PSB) participaram do programa, mas antes, um locutor pedi u os votos dos eleitores dos dois candidatos e recomendou a "leitura atenta dos jornais", entre outras providências, para quem votou em José Serra, para perceber que a "mudança de verdade é Lula". Ciro se declarou feliz por apoiar Lula e explicou o motivo: "Acho que essa é a obrigação de todo brasileiro que sente que o País não agüenta mais esse modelo econômico antipopular e o Lula representa para mim a continuação dessa luta por mudança no País", afirmou.
Seguindo a mesma linha, Garotinho também comentou que quer a mesma coisa que Lula com relação ao Brasil. "Você que votou em mim, eu lhe peço, para o bem do Brasil, agora é Lula", pediu. Além disso, a propaganda eleitoral trouxe depoimentos do candidato à vice de Lula, o empresário mineiro José de Alencar, e do presidente da Gradiente, Eugênio Staub, ambos destacando a capacidade de articulação política e de gerar empregos do candidato. Outro material utilizado foram citações sobre obras realizadas por governos petistas no Acre, no Mato Grosso do Sul e em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, para mostrar "o PT que faz". Outras personalidades também mostraram seu apoio, como o apresentador de TV Tunder Bird e o cantor Zeca Baleiro, entre outros.
Serra diz que PT tem resistência em debater
O candidato a presidente José Serra (PSDB-PMDB) criticou ontem o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL-PC do B-PCB-PMN), no primeiro programa da publicidade eleitoral gratuita na TV no segundo turno. Serra atacou Lula por ele, supostamente, não querer participar de alguns debates. "Não entendo porquê essa resistência do PT em debater comigo", afirmou o candidato da Grande Aliança a presidente.
No programa de dez minutos, a maior parte do tempo foi ocupada com uma entrevista em que o apresentador
Alexandre Machado (ex-TV Gazeta) fazia perguntas para Serra. O candidato da Grande Aliança iniciou a fala comentando que o segundo turno é o melhor momento de se comparar posições, propostas e formas de resolver questões.
"As diferenças (entre ele e Lula) não estão nas intenções, nem sequer na sinceridade, (...) mas na experiência, na possibilidade de que as mudanças aconteçam", respondeu Serra, ao justificar por que o eleitor deveria votar nele. Em seguida, o candidato da Grande Aliança falou sobre Lula, supostamente, não estar gostando da agenda de debates e citou um em que ele não apareceu, e que, segundo o Serra, estava marcado para a quinta-feira passada.
O candidato tucano também ressaltou as diferenças entre as propostas dele e o que o governo do PSDB fez até hoje. Serra citou que as dificuldades relacionadas a segurança e emprego serão tratadas de forma diferente. Na segurança, o governo federal atuaria com os estaduais, caso o candidato seja eleito. Serra explicou que todos os ministérios trabalharão para diminuir o desemprego.
O candidato prometeu que consolidará e ampliará diversos projetos na área social que foram adotados durante a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso: Bolsas-Escola e Alimentação, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), Vale-Gás e Programa de Saúde da Família foram citados. Serra afirmou que não mudará as propostas do governo anterior apenas para "colocar uma marca diferente", algo muito comum nas sucessões, segundo ele. A publicidade eleitoral gratuita tucana mostrou, então, várias idéias que Serra executou quando foi ministro da Saúde.
No encerramento, o senador do PSDB de São Paulo destacou a presença da candidata a vice-presidente, Rita Camata (PMDB), dizendo que ela terá uma participação ativa no eventual governo. Serra destacou ainda o "nível de democratização atual do País", ao lembrar da origem humilde dele e de Lula. Cenas mostrando Serra com personalidades, como a atriz Irene Ravache, a cantora Elba Ramalho, o apresentador Augusto Liberato, do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), e o padre Marcelo Rossi, foram mostradas no fim do programa.
Copom surpreende mercado e eleva os juros a 21% ao ano
No primeiro dia útil depois de anunciar um pacote de medidas para forçar a baixa do dólar, o Banco Central (BC) surpreendeu o mercado e decidiu, em reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom), elevar a taxa básica de juros da economia de 18% para 21% ao ano.
Desde que assumiu o comando do BC, em março de 1999, o presidente da instituição, Armínio Fraga, nunca havia convocado extraordinariamente o Copom. Apenas nas crises da Ásia, em outubro de 1997, e da Rússia, em setembro de 1998, o BC havia usado essa prerrogativa para decidir pelo aumento dos juros.
A convocação extraordinária de Fraga, que estava no Rio de Janeiro, foi feita no fim da manhã de ontem, logo depois de a cotação da moeda norte-americana ter aberto em alta no mercado. O chamado pegou alguns dos integrantes do Copom de surpresa. O diretor de Assuntos Internacionais, Beny Parnes, estava no Rio; o diretor de Política Monetária, Luiz Fernando Figueiredo, encontrava-se em trânsito para Brasília; e o diretor de Política Econômica, Ilan Goldfjan, em Madri, a serviço.
Ao contrário das reuniões ordinárias, os chefes de departamento do BC não participaram das discussões, que foram feitas por telefone. Ao final de aproximadamente uma hora de conversa, a decisão foi tomada por unanimidade. A justificativa da medida foi dada em uma nota curta: "o recente aumento dos preços e a piora das expectativas de inflação decorrentes, principalmente, da depreciação acentuada do câmbio levaram o Copom, em reunião extraordinária, a fixar a taxa Selic em 21% ao ano." Com a decisão, a taxa Selic volta ao patamar fixado na reunião de 23 de junho de 1999. Naquela ocasião, o Copom reduziu os juros de 22% para 21% e adotou o viés de baixa.
O aumento dos juros ocorreu uma semana antes da reunião mensal ordinária do Copom, marcada para os dias 22 e 23 de outubro. A reunião ordinária está mantida. O aumento dos juros deverá elevar já em outubro a dívida pública mobiliária, que em agosto estava em R$ 622,794 bilhões. Desse total, 55,8% era indexado pela Selic e 24,8% pela cotação do dólar.
O presidente Fernando Henrique Cardoso preferiu não comentar a decisão do Copom. O porta-voz da presidência, Alexandre Parola, disse que a decisão de aumentar os juros é do BC e o presidente não tem comentários a fazer.
O jogo pesado do BC para derrubar a cotação do dólar, que resiste num nível elevado, e colocar a inflação de novo dentro da meta tem um marco esta semana. Quarta-feira, justamente um dia antes do vencimento de títulos da dívida no valor de aproximadamente US$ 3,6 bilhões, entram em vigor os novos limites de aplicações em moeda estrangeira. Os bancos só poderão ter 30% de seu patrimônio aplicado em operações vinculadas ao dólar. Até sexta-feira, esse limite era de 60%.
Além disso, toda a exposição em câmbio terá que ser bancada com capital próprio. Na próxima segunda-feira, dia 21, é a vez de entrar em vigor a nova alíquota do compulsório, que subiu 5 pontos porcentuais tanto nos depósitos à vista, quanto à prazo e na poupança. Com as novas alíquotas, o BC deverá retirar cerca de R$ 14,2 bilhões de recursos da economia.
Banco dá crédito para investimento de empresa brasileira no exterior
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já tem autorização para financiar investimentos de empresas brasileiras no exterior, desde que essas operações contribuam para o aumento das exportações. A autorização está prevista na nova versão do estatuto social do BNDES, publicada na edição de ontem do Diário Oficial da União.
A medida havia sido anunciada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, há cerca de dois meses. Somente agora, no entanto, está sendo implementada. A iniciativa de permitir que o BNDES financie os projetos de emp resas brasileiras em outros países faz parte de um objetivo maior do governo de promover a internacionalização de companhias brasileiras.
Projetos de investimento no Uruguai e Argentina já vêm sendo analisados pela equipe técnica do BNDES. O governo espera estimular este tipo de investimento nos países andinos com os quais o Mercosul pretende concluir um acordo de livre comércio, no início de dezembro. A nova atribuição do BNDES também deverá facilitar exportações para países do Oriente, como a China e a Índia, que fazem exigências de instalação de unidades industriais em seus territórios para permitir a importação de determinados produtos que hoje contam com barreiras para entrar nesses mercados.
Projeto sobre IPTU reajusta valores defasados
O projeto de lei apresentado pelo Executivo, em setembro, na Câmara de Vereadores - que propõe alterações na cobrança do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) da Capital - está provocando divergências no plenário. A principal dúvida dos vereadores é em relação à correção de imposto em áreas que não tiveram reajuste em 1991, ano em que houve alterações nas plantas de valores dos imóveis porto-alegrenses.
Segundo o secretário municipal da Fazenda, Ricardo Collar, a situação se aplica a apenas 2% do total de imóveis de Porto Alegre. "Alguns desses proprietários pagam R$ 5,00 anuais de IPTU por que estão totalmente desatualizados", explica. Collar diz que esses contribuintes passarão a pagar o mesmo valor de imposto que o vizinho que possui um terreno e uma moradia no mesmo valor, ou seja, de 20% a 30% do preço do imóvel.
Os demais imóveis da Capital deverão ter o valor do IPTU reajustado em torno de 13%, correspondente ao Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M). Também consta do projeto a isenção de imposto para áreas utilizadas na produção primária, até 30 hectares, e de proteção ambiental. Os que estão acima desse tamanho pagarão 0,03%.
Segundo o vereador Isaac Ainhorn (PDT), o aumento acima da inflação abrangerá imóveis de mais de 500 ruas de Porto Alegre. "Deveríamos ter mais tempo para discutir o assunto", afirma. Ele critica o fato de a prefeitura ter apresentado o projeto apenas em setembro, já que os vereadores deverão apreciar a matéria até o final do ano, para que as novas medidas possam vigorar no ano que vem. "Podemos até admitir que alguns valores estejam realmente defasados, mas o projeto deve ser melhor analisado", diz.
Artigos
JK, receita do progresso
Eduardo da Rocha Azevedo
Ao falarmos em desenvolvimento, não podemos deixar de homenagear a memória e o legado que nos deixou o presidente Juscelino Kubistchek. Clarividente, condutor de avanços memoráveis do nosso projeto de país, Juscelino, qual bandeirante do século XX, tornou possível a ocupação do vasto território nacional com a construção de Brasília e procedeu à edificação da infra-estrutura que possibilitou o surgimento de um moderno parque industrial, período de confiança e prosperidade. Monetaristas à parte, JK implantou um competente modelo de Capitalismo da Produção, liberando a energia criadora dos empresários e multiplicando as oportunidades de emprego. Curiosamente, o projeto empreendedor de JK em muito se assemelha às tão louvadas receitas adotadas, anos mais tarde, pelos tigres asiáticos, no sentido de privilegiar a capacitação da estrutura econômica interna. Juscelino nos indicava a estratégia correta para nossa inserção no mundo globalizado, ou seja, privilegiando investimentos produtivos que tivessem escala industrial e tecnologia moderna e abandonando o modelo estreito da mera exportação de commodities, que não agrega valor e não gera desenvolvimento econômico. Desenvolvimento econômico e energia empreendedora à la JK são fatores hoje ausentes do nosso panorama político e econômico. Por exemplo, um assunto que tem recebido pouca atenção dos candidatos à presidência é o papel importantíssimo que o mercado de capitais pode exercer neste sentido, integrando um projeto de retomada do nosso desenvolvimento em bases seguras e sustentáveis. O mercado de capitais pode ser a redenção da empresa brasileira. É o mercado que tem condições de desarmar o "garrote vil" representado pelas sufocantes taxas de juros que estão aí, debilitando a capacidade produtiva das nossas empresas. Um segundo ponto está no papel político que um mercado de capitais grande e dinâmico pode representar num país como o Brasil. A médio e longo prazos, podemos criar uma legião de acionistas neste País, tornando mais equânime a distribuição da riqueza nacional entre a população e promovendo uma relação mais produtiva entre empresários e trabalhadores. Outro aspecto é o fato de o mercado de capitais representar um instrumento dos mais vigorosos e eficientes de mobilização de poupanças. Por esta via, o mercado intermedia o financiamento das empresas por parte dos grandes investidores institucionais, assumindo um papel antes exclusivo do sistema bancário (este cada vez mais avesso a riscos e, portanto, tendente a pressionar os custos dos financiamentos). Também por esta via, desenvolvem-se as entidades de previdência privada, permitindo melhorar a qualidade das pensões e aposentadorias disponíveis para a população e diminuir a participação governamental no provimento desses benefícios. É preciso primeiro atacar e reverter o ambiente adverso ao desenvolvimento do mercado de ações, sintetizado nas obscenas taxas de juros, no desmedido apetite tributário do governo e na vulnerabilidade externa. Um último ponto refere-se às corretoras de valores. Depois de 1997, com as sucessivas crises externas (e duas do próprio Brasil), o mercado secundário de ações foi perdendo volume de negociação e, junto, as corretoras foram encolhendo suas atividades. Foram as corretoras de valores que, ainda no rescaldo da recessão do início dos anos 80, confiaram e apostaram no desenvolvimento do projeto de criação da BM&F e patrocinaram a construção desta que hoje está entre as maiores bolsas de derivativos do mundo. O entusiasmo, a ousadia e a competência das corretoras de valores estarão sendo reafirmados tão logo o mercado de ações se incorpore a um projeto mais amplo de desenvolvimento que, à luz do exemplo de JK, esteja voltado para ativar o grande potencial de nossas empresas e de nosso capital humano.
Colunistas
ADÃO OLIVEIRA
Problemas e definições
Independente do que vier a ocorrer na eleição presidencial de segundo turno, no próximo dia 27, algumas situações parecem bem definidas, aqui em Brasília. A ola vermelha que percorreu o Brasil trará para o Congresso Nacional uma renovação de cerca de 50% de seus integrantes. A esquerda é responsável por grande parte desta renovação.
Tanto José Serra, quanto Lula da Silva, qualquer um deles que venha a suceder Fernando Henrique Cardoso, vai enfrentar sérias dificuldades para aprovar seus primeiros projetos no Congresso Nacional. O perfil dos deputados que virão remete a uma atuação mais independente das duas Casas, tanto na Câmara quanto no Senado.
Pelas avaliações que os analistas políticos fazem por aqui, José Sarney poderá ser o próximo presidente do Senado. Já na Câmara, em substituição a Aécio Neves, eleito governador de Minas Gerais, o mais provável presidente pode ser José Dirceu, o presidente do PT. O que não está definido mesmo é quem sentará na cadeira de presidente da República, a partir dos primeiros dias de 2003.
O pessoal do PT acredita que Lula será o escolhido pelo povo brasileiro. Os petistas dizem que as pesquisas de opinião pública justificam isso. Já os governistas que querem a eleição de José Serra, como sucessor de Fernando Henrique, acreditam que essa tendência pró-Lula nas pesquisas pode mudar a partir da realização dos debates na televisão.
A verdade é que qualquer um que venha a ocupar o Palácio do Planalto, em 2003, vai ter muita dificuldade pela frente. O esforço para atrair investimentos para o Brasil vai ser enorme. Os investidores estrangeiros, segundo avaliação do mercado, vão escassear por dois anos, independente do presidente que vier a assumir o País. Os caras, num primeiro momento, vão pagar pra ver.
A dificuldade para a montagem de um quadro de alianças no Congresso Nacional pode determinar que o presidente tenha de negociar a qualquer preço para alcançar a governabilidade. Habilidosos políticos reconhecidos na Casa, vão ser chamados na primeira semana do novo governo para facilitar o diálogo.
Fusões partidárias poderão acontecer. Semana que passou, aqui em Brasília, houve reuniões que indicam essa tendência. O Partido Trabalhista Brasileiro, PTB, da dupla José Carlos Martinez e Roberto Jefferson, quer cair nos braços do PDT, do velho caudilho Leonel Brizola, que demonstra, uma vez mais, ter sete fôlegos. O novo partido manteria a antiga e histórica sigla PTB.
Este era o sonho de Brizola. Em mil novecentos e antigamente, numa jogada do então chefe da Casa Civil do Planalto, general Golbery do Couto e Silva, Brizola perdeu no STF, para a então deputada Ivete Vargas, a sigla PTB. Depois de muito se lamentar Brizola criou o PDT que nunca chegou a se transformar num partido nacional.
A outra fusão esperada por aqui é do PPB e do PFL, esta mais difícil, por causa da figura emblemática de Paulo Maluf. Parte do PFL não o quer. Parte do PPB, também. O PFL nasceu de uma dissidência do PDS, depois PPB. Os pefelistas atribuem a Maluf a pecha de desagregador, além de outros adjetivos não publicáveis.
Essa fusão vai ser muito difícil, mas não menos difícil que a empreitada que o próximo presidente da República - seja ele qual for - terá pela frente.
CARLOS BASTOS
Horário gratuito inicia sem beligerância
Nos três dias do final de semana em que foram apresentados os programas de rádio e televisão no horário gratuito do segundo turno dos candidatos ao governo do Estado, não houve beligerância. Germano Rigotto, do PMDB, agradeceu a oportunidade que o eleitorado lhe proporcionou de participar do segundo turno e disse que nada está decidido, apesar da vantagem que mantém nas pesquisas. O candidato do PT, Tarso Genro, limitou-se a falar sobre assuntos temáticos, tendo dedicado um bom tempo para assuntos relacionados com a educação.
Os programas foram propositivos e procurando atingir os eleitores no emocional. O peemedebista abriu seus programas com uma animação em torno do jogo infantil lego, em que é montado um carro, depois um avião, em seguida uma lancha, e por último o mapa do Estado, e o locutor diz que Rigotto quer unir o Rio Grande do Sul. Outra animação apresentada no programa peemedebista foi um desenho infantil, para assinalar a passagem do dia da criança, no sábado.
O programa petista apresentou um clipe com Tarso Genro e seus familiares, puxando pelo emocional. Foram apresentadas a esposa, as filhas, o neto, com o candidato, mostrando um almoço de família. Todos relatam como é a relação familiar de Tarso. Também foram apresentados depoimentos de seus pais, Adelmo Genro e dona Elly, que residem em Santa Maria. Numa propraganda subliminar aparecia uma foto ao fundo do ex-presidente João Goulart, numa tentativa de conquistar a simpatia do eleitorado pedetista. O pai de Tarso tinha vínculos de amizade com Jango.
Vamos aguardar os próximos programas para verificar se a linha permanecerá a mesma, ou se foi respeitado o final de semana, e já no programa de hoje começam as críticas políticas. Os programas de Rigotto não fizeram nenhuma alusão ao concorrente, e apenas a jovem que abre o programa do PT, fez uma relação de Rigotto com a candidatura de José Serra e o governo de Fernando Hernrique Cardoso. Ambos prometeram manter a campanha eleitoral em alto nível.
Olívio Dutra é candidato ao ministério
Pessoas muito próximas de Lula informam que o governador Olívio Dutra é considerado um nome fortíssimo para integrar o ministério de um governo federal petista. Eles participaram ativamente da formação do partido, e tiveram forte convivência durante a Constituinte, quando ambos eram deputados federais, e residiam num apartamento comum em Brasília. Já se fala inclusive na pasta que seria destinada ao governador gaúcho: a de Integração Regional.
Os debates e a falta de coerência de FHC
O presidente Fernando Henrique enfatizou a importância dos debates neste segundo turno entre José Serra e Lula, para esclarecer a posição dos candidatos diante os problemas brasileiros. Nada mais incoerente do que esta postura presidencial. Ele não participou de nenhum debate na campanha de 1998, quando foi candidato à reeleição, e retardou por um ano e meio a reforma cambial, mantendo o dólar artificialmente em R$ 1,20. E também recusou participar de debates na campanha de 1994. É menosprezar a opinião pública brasileira vir agora defender a realização de debates. Chega às raias da desfaçatez.
FERNANDO ALBRECHT
A ocupação
A página bem que avisou: se a Smic não desse um jeito logo de saída as calçadas fronteiras ao Novo Hospital da Criança Santo Antônio seriam tomadas pelos camelôs e ambulantes. Não deu outra. Um vistoso camelódromo já se instala no local, inclusive ocupando a calçada da bonita Praça Dom Sebastião, com uma tenda que vende brinquedos ocupando o pedaço. Não demora e toda sorte de bugigangas serão vendidas por lá. A experiência mostra que depois que essa turma arrancha ninguém mais os tira do pedaço. Ou não quer tirar, melhor dizendo.
O amigo PSTU
Em nota à imprensa o PSTU gaúcho divulgou o apoio a Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais. Mas engana-se quem pensa que a turma do "contra burguês vote 16" dá seu voto assim no mais. A folhas tantas lê-se com todas as letras que o PSTU não acredita "que o governo Lula vá mudar a vida do povo brasileiro para melhor". Muy amigo, muy amigo...
O poder dos vices
Grupo de jornalistas discutia ontem no Barranco o perde-ganha dos partidos nas últimas eleições quando o cientista político Paulinho Guimarães, que nas horas vagas é advogado militante, lembrou que o PSDB está quase sempre na pedra. O tucano João Gilberto Lucas Coelho foi vice de Alceu Collares e Vicente Bogo foi vice de Antônio Britto. Se Germano Rigotto chegar lá, será a terceiro mandato em 12 anos, desta vez com Antônio Hohlfeldt.
Bandeira
O deputado eleito Jair Soares (PPB) já desfralda antecipadamente sua bandeira de atuação parlamentar. Vai bater pesado nos problemas enfrentados pela Brigada Militar e Polícia Civil, especialmente os da BM. Está coletando dados e vai partir para o ataque antes mesmo de esquentar sua cadeira na Casa do Povo. De olho no paço municipal em 2004. Há anos Jair confidenciou que seu sonho sempre foi ser prefeito de Porto Alegre.
Fala a Smov
A propósito dos problemas na passarela da Rodoviária, a Smov informa que realmente existem problemas por lá mas que falta só a liberação de verba para a secretaria tocar um projeto de restauração total da passarela orçado em mais de R$ 20 mil. Será uma faxina completa. O que a Smov não pode impedir é o fluxo dos pedestres imprudentes, que em vez de usar a passarela atravessam a rua Conceição a céu aberto. Um perigo para todos.
Sem gás
Pode ser apenas um comportamento isolado de alguns taxistas, mas o fato é que alguns deles que usam o gás veicular estão tirando os adesivos que identificam este tipo de combustível. Alegam que alguns passageiros ficam receosos de embarcar nestes veículos, temendo uma explosão. É a velha história: um belo projeto que adquire péssima imagem por causa de um componente mal-feit o.
Problemas da cidade
Pais de alunos da Escola Municipal Especial de Ensino Fundamental Lygia Morrone Averbuck (Jardim do Salso), para crianças e adolescentes com dificuldades de locomoção, pedem socorro para uma situação inusitada. Para espanto dos pais, em um trecho de 100 metros da rua Frei Germano a EPTC colocou nada menos de 13 placas mas nenhuma sinalizando a escola especial. Nem mesmo faixas de segurança. O pior é que os pais pedem providências desde março e até agora só deu peixe. Ou seja, nada.
Primeiro mundo?
Cliente do Carrefour acha que os supermercados do primeiro mundo têm muito a aprender com os nossos.
Para conseguir um cartão o cliente em questão passou por um calvário. Pedem 30 dias para a entrega, depois levaram outro tanto para desbloquear o dito cujo, depois disseram que estava OK e quando ele foi lá não estava pronto. A explicação: o malote que traz o bicho de São Paulo leva uma semana. Só se na França malote leva uma semana. Aqui é de um dia para outro.
Viagra de pobre
Nota de ontem sobre o uso intenso do Viagra pela gurizada levou leitor a ponderar que o consumo só não é maior porque a pílula azul é muito cara - quatro delas custam cerca de R$ 80,00. Bom, sempre existe a medicina afrodisíaca alternativa. Além das catuabas da vida, dizem que uma raiz chamada Nó de Cachorro
faz milagres. Pode ser encontrada nos bons vendedores de ervas da praça. Se for fiel ao nome, sai da frente, embora o risco do Day After a exemplo dos cães. Quem sabe, o SUS banca o custo...
Deputado Frederico Antunes (PPB) homenageia hoje no Grande Expediente os 75 anos do Hospital Moinhos de Vento.
Abrem hoje inscrições para o Prêmio de Jornalismo Ministério Público do RS. Prazo até sexta.
Universidade Federal de Santa Maria promove amanhã a XIII Reunião do Fórum Permanente de Educação Ambiental.
Historiador Sérgio da Costa Franco escreverá o livro do bicentenário da Santa Casa.
Maria Elena Johannpeter é jurada da III Edición del Reconocimiento Iberoamericano al Mensage de Beneficio Social.
Maurênio Stortti Consultores Associados fará o redesenho estratégico da Quattuor Informática.
Professores e professoras da Capital serão homenageados pela Câmara, proposição da vereadora Sofia Cavedon.
Inaugurações: Dia 16 o Tri Pastel, na Goethe, 9; dia 17 Ruselle Moda Feminina, na Padre Chagas, 327.
Editorial
SEMEANDO SONHOS E COLHENDO DESILUSÕES NO PLEITO
O início da propaganda no segundo turno nos coloca frente a um período pouco imaginável há alguns anos. É um duplo estilo leve, de propostas, sonhos e quimeras, ideário de boas intenções, contra elas ninguém é contra. A grande e posterior dificuldade será como aplicar estes sonhos que dão votos mas, com certeza, não ajudarão a governar, a partir de janeiro. No caso que nos interessa diretamente, o Rio Grande do Sul, há levantamento que aponta déficit no Caixa Único do Tesouro de mais de R$ 3 bilhões. Ora, a partir daí, existem premissas que não podem ser descuradas. Seja quem for o próximo presidente da República, não terá condições de aliviar o pagamento, muito vantajoso, das dívidas dos estados. Afinal, os juros e a correção são magnânimos, são honrados e a Lei de Responsabilidade Fiscal, 65% o teto para despesas com pessoal, está vigindo. Afrouxar ou deixar de cumprir o acordo que garante superávit primário ao País será um péssimo sinal aos mercados financeiros internacionais. Em 2003, haverá aumento de 137% no refinanciamento da dívida federal, mais 30% no serviço da mesma dívida, 1,6% nas transferências constitucionais aos estados e municípios, e de 97% na rubrica "Outras despesas", um arrocho e tanto em Brasília. Vencimentos, custeio, dívida e repasses automáticos têm de ser cumpridos e aí a margem de manobra do futuro governador do RS torna-se mínima, senão inexistente.
De pleno, o presidente e todos os governadores terão de continuar apertando o cinto e isso, sabemos, é muito antipático, as demandas populares são fortes. Paralelamente, a população não aceita mais a volta da inflação descontrolada. Embora certas camadas reclamem dos preços, afirmando que "a inflação anunciada pelo governo e a mídia seja muito menor do que a verdadeira, nas prateleiras dos supermercados", sabe-se que há diversos índices, de acordo com a faixa salarial. O padrão de vida, com seus usos e costumes, diferencia os gastos das famílias. Com a escalada do dólar, por exemplo, os que percebem menores salários, paradoxalmente, sofrem mais nos gastos diários. Por isso arrepia os analistas socioeconômicos ouvir o colorário de promessas dos candidatos, mas de quase impossível aplicação. Para reformar a Previdência, aumentar o ICMS para 18% aqui e bloquear despesas é preciso costurar alianças no Legislativo, que sem ele ninguém governa o RS e, menos ainda, o Brasil, tudo nos seis meses iniciais do ano que vem. Preocupa também a tendência brasileira de sempre encontrar um responsável lá fora pelos nossos problemas. É preciso muita coragem para aceitar que a culpa, ou melhor, a responsabilidade é nossa e somente nossa, pelos destinos do Estado e do Brasil. É a única maneira de seguirmos adiante.
Saber com o pensamento é uma coisa, saber com o coração é outra. Os políticos devem entender que só a dor faz crescer, mas a dor deve ser enfrentada sem rodeios. Quem dela se desvia ou lastima está fadado a perder.
O Brasil e seu povo passaram por muitas dores, porém pouco aprendemos com elas. De 15 em 15 anos esquecemos quase tudo e aí os erros e o sofrimento se repetem. Desconfiemos pois de quem é perfeito, de quem tem as soluções prontinhas no bolso. Desconfiemos de tudo, exceto do que o nosso coração mandar, depois de passar pelo crivo da razão. A razão nos diz que este final de ano e 2003 serão períodos de poucas festas e mais esforço, austeridade e organização. A Selic pulou para 21%, desanimando, com um custo político para o governo e seu candidato. Deseja-se que o País, com poucos recursos externos e minguada poupança interna, lenta mas inexoravelmente, cresça muito além de 1,5% do PIB, índice deste ano. Este é o sonho dos candidatos e o nosso.
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10/15/2002
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