Senadores querem imediata instalação do Conselho de Ética e investigação de irregularidades pelo MP



Exigir a imediata recomposição e instalação do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar e ingressar no Ministério Público Federal (MPF) com uma representação para investigar todas as denúncias de irregularidades no Senado Federal. As duas medidas foram decididas por senadores representantes de diversos partidos, que se reuniram no início desta quarta-feira (8) no gabinete do Senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), na procura de uma solução para a crise do Senado.

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Segundo o líder do PSOL, José Nery (PSOL-PA), a representação será assinada por vários partidos em conjunto e listará todas as denúncias publicadas pela imprensa com relação à existência de contratos superfaturados, empréstimos consignados e atos secretos dentro da Casa, entre outros.

- Chegou a hora de passar o Senado a limpo e, para isso, é imperioso que o presidente José Sarney se afaste do cargo, pois a investigação tem que ser isenta - afirmou Nery, com relação às denúncias de irregularidades em gestões de Sarney frente à Presidência da Casa.

O líder do PSOL disse ainda à imprensa que é "inadmissível" a interferência do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em defesa da permanência de Sarney na Presidência do Senado.

Para Álvaro Dias (PSDB/PR, a decisão tomada na reunião tem o objetivo de preservar o Senado e retomar a credibilidade da instituição.

- Há aqui uma disposição de senadores de diversos partidos para superar essa crise, apurar o que há de errado e punir os responsáveis - ressaltou Álvaro Dias, para quem a representação ao Ministério Público terá ainda o apoio da Sociedade.

Para Cristovam Buarque (PDT-DF), com a decisão, ganha força o movimento a favor da saída de Sarney da Presidência do Senado.

- O Senado não pode continuar como está. O primeiro passo é o licenciamento de Sarney da Presidência da Casa, mas temos que brigar também pelo funcionamento do Conselho de Ética - destacou Cristovam.

Ao deixar a reunião, Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu o afastamento de Sarney da Presidência do Senado, até que sejam apuradas todas as denúncias envolvendo o nome dele. Ele ressaltou, no entanto, não se tratar de um movimento para criminalizar o presidente da Casa, mas de uma necessidade para que o Senado não continue a se desmoralizar perante à sociedade.

Sobre a interferência do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na questão da crise do Senado, Simon disse considerar que foi uma atuação "trágica que lembrou menos o líder sindical do que um sexto general presidente".

Participaram também da reunião os senadores Sérgio Guerra, Tasso Jereissati (PSDB-CE), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Jarbas Vasconcelos.

Valéria Castanho / Agência Senado



08/07/2009

Agência Senado


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