Sonho de integração está mais próximo, diz Sarney



O sonho da integração latino-americana está mais próximo após a posse dos novos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Nestor Kirchner, disse neste final de semana o presidente do Senado, José Sarney, durante encontro em Buenos Aires para comemorar os 20 anos da redemocratização da Argentina.

Juntamente com Sarney, participaram do encontro, realizado na Faculdade de Direito e Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires, os ex-presidentes Raúl Alfonsín, da Argentina; Júlio Maria Sanguinetti, do Uruguai; e Patricio Alwyn, do Chile, que foram os primeiros presidentes civis após o fim das ditaduras militares nesses países.

Em seu pronunciamento, interrompido várias vezes por aplausos de professores, estudantes e empresários, em um auditório lotado, Sarney lamentou que, por artificialismo ou indução, ao longo da história, -nossos olhos miravam sempre para o hemisfério Norte-.

O senador traçou, em seguida, um paralelo com a União Européia, que somente teve êxito depois de um tratado entre França e Alemanha - o Tratado do Carbono e do Aço, ponto de partida do Mercado Comum Europeu. Assim também, para o presidente do Senado, a integração latino-americana pôde se iniciar a partir de um pacto entre Brasil e Argentina. -O futuro do continente sul-americano-, observou Sarney, -depende da união Argentina-Brasil-.

Para ele, essa união -visa a paz do desenvolvimento do espaço econômico, do progresso, da solução da pobreza e dos graves problemas sociais de nossas sociedades-.

- A união Argentina-Brasil é hoje o pilar da construção de uma América do Sul com voz e força no panorama mundial. Já tivemos os anos dourados da Europa, da América do Norte, dos Tigres Asiáticos, mas ainda não tivemos esse período no nosso continente. Mas essa fase somente virá com o surgimento do grande espaço econômico e político unificado da América do Sul - previu.

Após lembrar os primórdios do surgimento do Mercosul, que começou com ele, Alfonsín e Sanguinetti, Sarney destacou também a criação do cruzado e do austral - as moedas do Brasil e da Argentina que marcaram a fase de transição democrática. Para Sarney, a criação dessas moedas, na época, foi uma tentativa desesperada dos dois países -de fugir das garras da ortodoxia financeira e enfrentar os modelos neoliberais do FMI (Fundo Monetário Internacional) que ocupariam o continente mais tarde, alimentando a concentração de renda, a injustiça social e desarmando a construção política-.

O ex-presidente Raúl Alfonsín também fez uma pregação pela democracia e pela integração, vinculando essas duas opções à melhoria da qualidade de vida no Cone Sul. Na mesma linha, Sanguinetti fez um apelo para que a América Latina saia da utopia em que sempre viveu, enquanto Patricio Alwyn fez um balanço minucioso dos estragos deixados pela ditadura chilena, que matou quase onze mil pessoas.

Após o seminário na Universidade de Buenos Aires, os ex-presidentes do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Chile reuniram-se durante um jantar oferecido por Sanguinetti.



13/12/2003

Agência Senado


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