BUSCA

Links Patrocinados



Buscar por Autor
   A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z


Cinzas Do Norte
(Hatoum, Milton)

Publicidade
Após cinco anos de silêncio, Hatoum nos oferece seu último romance. Chama-se Cinzas do Norte o livro que nos dá a conhecer Raimundo (Mundo) - Olavo (Lavo) - Ranulfo (Tio Ran) - Trajano (Jano) - Macau (Jesuíno) - Aranda, Alícia, Algisa, Ramira, Naiá e o cachorro Fogo, fiel companheiro de Jano. É mais um grande acontecimento literário, como foi o surgimento de Relato de um certo Oriente.
Uma forma muito especial de conceber a literatura porta a obra de Hatoum. De inspiração sartreana, por isso, não podemos esperar das mãos deste escritor a criação de qualquer cortina de fumaça, com a intenção de camuflar a incertitude do homem ou quaisquer falsas crendices da beleza irrevogável ou de ideais de beleza previamente construídos, onde o homem possa regozijar-se da bela criação humana.
Ao contrário, neste romance o homem aparece como a figura frágil, vítima de um mundo carregado de desesperança, onde os valores éticos tão decantados e perseguidos apresentam-se como mais uma falácia. Mesmo assim, não podemos acreditar que Hatoum queira nos garantir, como o faz uma literatura barata, que a amoralidade e que o escândalo ou a descrença sejam um momento da moda ou de um homem que, por capricho, resolveu tudo por em causa. É muito mais do que isto o que apresenta este escritor. Ele trata da condição humana e de um ontologia que risca com antecedência um ser isento de maldade, de pesadume e de malícia. Não poderia ser de outra forma, já que Cinzas do Norte tem como personagens principais resíduos de um mundo que perdeu as suas características, perdeu a sua essência, ficando submetido à ganância dos estrangeiros ou dos mestiços que se deixaram corromper por passageiros de um mundo que existe além das suas necessidades e do seu entendimento. No entanto, esta não é condição de mestiços, ela é a própria condição humana, e, por isso, mostra que a maldade, a malícia, a volúpia constituem-se como elementos próprios desta espécie.
Em vez de acharmos que Hatoum fala para os marginalizados, revoltados, excluídos de um mundo de verdades, engrandecimentos, oferendas e dádivas, podemos crer que os seus personagens poderiam ser cada um de nós, independentemente de sermos europeus, sulamericanos, asiáticos, indígenas, homens, mulheres ou outras florações, pois não nos esconde o que somos, o que poderemos ser, ainda que tenhamos nascido em Parintins ou em Dresden. É na busca de Mundo que se revela o máximo possível o ser humano. É na revolta de Ran que ele se busca. É na resignação de Ramira que nos sentimos vivos. É na prostituição assumida de Alícia que se ilustra um dos problemas de homens e mulheres. É no comodismo de Lavo que tentamos aclamar os nossos demônios. É, finalmente, na venalidade de Macau e de Aranda que tentamos ludibriar o presente. Enfim, arteiramente Hatoum nos dá um retrato atual do homem, das suas buscas, das suas frustações e da transmutação dos valores.




Passei.com.br | Portal da Programação | Biografias

FACEBOOK


PUBLICIDADE




encyclopedia