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Administração Escolar: Introdução Crítica
(Vitor Henrique Paro)

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Em Administração escolar: Introdução Crítica, Vitor Henrique Paro apresenta ao leitor a princípio algumas considerações relevantes acerca da necessidade de diferenciação entre a Administração Escolar e Administração Empresarial, expondo-nos que os fins de ambas as formas de administrar são totalmente avessas e seus fins divergentes. Apesar disso, o autor nos mostra que, de um modo geral, os trabalhos teóricos sobre Administração Escolar, publicados no Brasil, adotam, implícita ou explicitamente, o pressuposto básico de que, na escola, devem ser aplicados os mesmos princípios administrativos adotados na empresa capitalista. Todavia, a maioria dos teóricos da Administração Escolar não vêem uma identidade absoluta entre empresa e escola, identificando, nesta, características específicas que precisam ser levadas em conta.
Apesar de entender como inadequada a utilização do modelo de administração capitalista para o âmbito escolar, o autor entende que as conquistas teóricas da administração capitalista poderiam fornecer uma consistente contribuição ao incremento da produtividade da escola, desde que se procedesse à efetiva racionalização das atividades e à sistematização dos procedimentos, no sentido de um ensino de melhor qualidade. Contudo, o que o autor verifica na prática é a vigência da dimensão mais especificamente política da administração capitalista, e tal dimensão, segundo Paro, produz não mais que a mera rotinização e burocratização das atividades no interior da escola, além de constituir-se em um instrumento que age a favor da conservação do status quo.
Examinando o caráter específico do processo pedagógico escolar, o autor defende uma visão da Administração Escolar que esteja comprometida com a transformação social e que precisa saber buscar na natureza da própria escola e dos objetivos que ela persegue os princípios, métodos e técnicas adequados ao incremento de sua racionalidade. Ou seja, uma determinada administração - seja ela escolar ou empresarial - não pode deixar de ter o desenvolvimento de seus princípios, métodos e técnicas intimamente relacionado com a natureza e os propósitos da coisa administrada.
Paro entende como sendo de grande importância entender que o papel do educando não restringe-se à sua condição de consumidor, pois, num processo pedagógico autêntico, o educando não apenas está presente, mas também participa das atividades que aí se desenvolvem, mesmo porque, é próprio da atividade educativa o fato de ela não poder realizar-se a não ser com a participação do educando que entra no processo ao mesmo tempo como objeto e como sujeito da educação.
Partindo desta perspectiva que toma o aluno ao mesmo tempo como objeto e como sujeito da educação, não é mais possível considerar o produto da educação escolar como sendo simplesmente a aula. Pois, entendida a educação como apropriação de um saber historicamente acumulado, e tendo-se a escola como uma das agências que provêem educação, a consideração de seu produto não pode restringir-se ao ato de aprender, dado a existência de algo que permanece para além do ato de produção que se dá na sala de aulas. Para isso, é preciso, contudo, que a escola se paute por relações que dizem respeito à forma pela qual os homens tomam consciência da própria realidade concreta, propiciando que os educandos efetivando apropriem-se do saber historicamente acumulado.
O autor, ao longo do livro, leva-nos à concluir que a especificidade da Administração Escolar só pode dar-se pela oposição à administração escolar capitalista, pois, em termos políticos, o que possa haver de próprio, de específico, numa Administração Escolar voltada para a transformação social, tem de ser necessariamente antagônico ao modo de administrar da empresa, visto que tal modo de administrar serve a propósitos conservadores.
Paro enfatiza ainda, que ao reconhecermos na escola seu papel na transformação social, o tema de sua racionalidade interna, e portanto, de sua administração, se coloca como uma questão fundamental; e o desenvolvimento de uma nova Administração Escolar, efetivamente se impõe como uma tarefa que precisa ser permanentemente realizada. Para o autor, a proposição de objetivos identificados com a transformação social e a efetiva realização dos mesmos são dois aspectos indissociáveis da Administração Escolar enquanto prática transformadora, já que se trata da própria vinculação orgânica que deve haver entre teoria e prática e a necessária determinação mútua entre idéia e ação.
À guisa de conclusão, é preciso ressaltar a paixão com que Paro nos apresenta uma série de considerações e sugestões para a efetivação de uma forma de Administração Escolar que seja realmente transformadora, que atenda e tenha como centro e base as especificidades do ato educacional e que se oponha firmemente ao modelo empresarial capitalista e conservador imposto pela classe dominante. No mais, fica claro também o caráter instigador do capítulo, que nos move ao desejo de fazer com que as classes menos favorecidas tomem consciência política e absorvam o conhecimento historicamente acumulado, para que assim, se entendam também como classes transformadoras, como agentes da história e não como meros espectadores.



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